ORTODONTIA CONTEMPORÂNEA: A expressão da citocina e o movimento dentário acelerado

segunda-feira, 5 de março de 2012

A expressão da citocina e o movimento dentário acelerado


Nesse artigo publicado em 16 de julho de 2010 no Journal of Dental Research, os autores C.C. Teixeira1,2,3, E. Khoo1, J. Tran1, I. Chartres1, Y. Liu1, L.M.Thant2, I. Khabensky2, L.P. Gart2, G. Cisneros1,3, and M. Alikhani1,3; Falam sobre a biologia do movimento dentário induzido e procuram evidenciar o papel das citocinas neste processo.

1Department of Orthodontics, 2Department of Basic Science and Craniofacial Biology, and 3Consortium for Translational Orthodontic Research, New York University College of Dentistry.

Nossos agradecimentos ao Dr Mani Alikhani, co-fundador do Consortium for Translational Orthodontic Research (CTOR) da NYU, pela gentil indicação do artigo nas nossas pesquisas.


Sabemos que o movimento dental induz uma resposta inflamatória asséptica, aumento da permeabilidade vascular e infiltrado celular. Grandes concentrações de citocinas inflamatórias como interleucina-1, IL-2, IL-3, IL-6, IL-8, fator de necrose tumoral alfa, interferon e fator de diferenciação dos osteoclastos tem sido achados no fluido gengival dos dentes submetidos ao movimento.

Mas o papel das citocinas não está bem claro. Tem-se sugerido que as citocinas e outros marcadores inflamatórios, como a prostaglandina E2, pode ativar o remodelamento ósseo caracterizado pela reabsorção no lado de pressão e deposição nos lado de tensão do ligamento periodontal. Um mecanismo possível para isso seria o recrutamento de precurssores de osteoclastos da circulação, maturação e ativação pelas citocinas. Muitas delas capazes de promover a formação de osteoclastos e sua ativação foram achadas no fluido gengival de dentes em movimento.


O efeito da expressão das citocinas na remodelação óssea é importante, uma vez que a velocidade de movimentação dentária depende da eficiência da remodelação do osso alveolar.

Estudos com ratos deficientes de receptores para fator de necrose tumoral alfa mostraram uma taxa de movimentação baixa em resposta à força ortodôntica. Outros estudos mostram que anti-inflamatórios podem inibir o movimento dentário induzido.

Baseado nesses estudos, a hipótese dos autores é que pequenas perfurações superficiais da cortical da maxila seria suficiente para aumentar a expressão de citocinas inflamatórias, acelerando o processo de remodelaçãodos ossos e, portanto, a taxa de movimento de dente.






Para o estudo foram utilizados 48 ratos adultos divididos em 4 grupos de 12: C - Controle (molas sem ativação); O - Molas ativadas; OF - Molas ativadas e retalho de tecido mole; e OFP - Molas ativadas, retalho de tecido mole e perfurações superficiais da cortical vestibular.



Resultados:

As perfurações aumentaram a taxa de movimento (dobrou), mesmo comparado com o grupo que foi feito o retalho de tecido mole;


As perfurações aumentaram a expressão das citocinas;

As perfurações aumentaram a atividade osteoclástica, enquanto o grupo que sofreu o retalho de tecido mole se mostrou semelhante ao grupo que teve apenas a mola ativada;

As perfurações aumentaram a taxa de remodelação óssea e o osso produzido mostrou-se menos denso.
Os autores também sugerem que essas perfurações não necessariamente precisam ser muito próximas do dente a ser movido, para que as taxas sejam elevadas. Alertam que a inflamação é uma "faca de dois gumes" e enquando pode ser benéfica para acelerar a movimentação e a remodelação óssea, pode ser causadora de perdas periodontais e da estrutura dentária.

Para ler o artigo original clique aqui
Para saber mais sobre o Dr Mani Alikhani


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Participe !