sábado, 21 de novembro de 2009

Arcus Digma da Kavo








Arcus Digma













A importância do uso do arco facial é evidente e, atualmente, o articulador semi-ajustável é aceito pela grande maioria dos cirurgiões-dentistas, embora haja uma grande variação na freqüência de seu emprego pelos profissionais. Sem o uso do arco facial, o posicionamento dos modelos no articulador se tornaria arbitrário, podendo ocorrer alterações no sentido ântero-posterior, vertical e lateral. Sabemos que qualquer falha no processo de montagem no articulador e da adaptação e tomada de referências pelo arco facial, poderá deixar todo o resultado do trabalho sem fidelidade. A Kavo desenvolveu o Arcus Digma, que tem como objetivo principal a precisão e fidelidade de informações captadas por um arco facial com recursos digitais. Pena que este produto ainda não esteja disponivel aqui no Brasil, ao menos não existe no site da Kavo do Brasil.

O primeiro articulador foi desenvolvido por Gariot em 1805; seu instrumento era constituído por dois ramos nos quais os modelos eram adaptados. Um parafuso na porção posterior do instrumento mantinha a dimensão vertical. Apresentava uma única direção de movimento, abertura e fechamento e os modelos montados proporcionavam uma reprodução aproximada do relacionamento entre os arcos superior e inferior. Há indicações de que em 1889 Snow já havia desenvolvido o arco facial. Nessa época o autor já estava consciente de que o relacionamento da maxila ao crânio deveria ser transportado para o articulador, mas o seu uso só foi difundido mais tarde. E até os dias de hoje este instrumento vem evoluindo, com o unico intuito, de mostrar com precisão como funciona o complexo movimento da mastigação. Fazendo com que o profssional alcance no seu tratamento a estabilidade oclusal e principalmente da ATM. Na Ortodontia esta preoculpação foi abordada com muita propriedade e posta como protocolo de tratamento, pelo Dr. Ronald Roth e colaboradores (Ver na parte Historia da Ortodontia do Blog).

O aparelho Arcus Digma (Kavo Dental GmbH & Co. KG, Alemanha) é um gnatógrafo digital que funciona baseado em um localizador 3D- ultrassônico, operando em uma freqüência de 40 KHz e uma taxa de leitura de 50 vezes, resultando em um registro de 12 segmentos do movimento de abertura máxima.

O aparelho é capaz de registrar em três dimensões o comportamento dinâmico dos movimentos mandibulares do paciente nos planos frontal, sagital e horizontal; bem como o comportamento do ciclo mastigatório, oferecendo informações importantes com relação aos movimentos da articulação têmporomandibular.

O Arcus Digma conta com um software que deve ser gravado para que os registros efetuados por este aparelho possam ser transmitidos e lidos por um computador. A troca de dados é alcançada com o uso de um chipcard. Todos os movimentos são gravados neste chipcard pela unidade do Arcus Digma, e por meio de um leitor conectado ao computador, onde os dados podem ser lidos.

O software do Arcus Digma é usado para armazenar os registros obtidos. Como já mencionado, o aparelho registra os movimentos mandibulares do paciente tridimensionalmente. Com o auxílio do software esses dados podem ser armazenados e depois revistos em outro momento. Os registros gerados servem para programar o articulador da Kavo, o Protar, com o intuito de confeccionar uma prótese o mais funcional possível. Além disso, alterações funcionais específicas na seqüência dos movimentos podem ser examinadas com detalhe.

Link da Tese da Drª. Adreia Carradori, que utilizou o Arcus Digma em seu estudo, publicado no banco de Teses da USP:


Link de um estudo relizado pelo Dr. Giedre Kobs, da Universidade Vilnius da Lituânia:


Link da Kavo (Fabricante do Produto):

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

PREVALÊNCIA DE CANINOS E MOLARES INCLUSOS E SUA RELAÇÃO COM A REABSORÇÃO RADICULAR



Neste artigo de 2003, publicado pela Revista de biociência, pelas autoras Silvana Crozariol e Sandra Márcia Habitante; do Departamento de Odontologia da Universidade de Taubaté - São Paulo. Teve como objetivo o estudo para avaliar a prevalência de dentes inclusos e a presença ou não de reabsorções externas.

O estudo dos caninos inclusos tem grande importância na odontologia, uma vez que o sucesso do tratamento depende do diagnóstico precoce para a instituição da correta conduta terapêutica, porém, apesar da importância deste assunto, poucos trabalhos foram encontrados na literatura.

Howard (1972) na tentativa de localizar com precisão o canino deslocado em três dimensões e estabelecer a presença ou não da reabsorção radicular solicitou radiografias periapicais, oclusal, telerradiografia de perfil e póstero-anterior do crânio. A amostra consistiu de 52 pacientes com canino deslocado, destes, 45 casos não apresentaram reabsorção radicular. Os pacientes que apresentaram reabsorção radicular tinham idade entre 11 e 16 anos, sendo dois meninos e cinco meninas. Foi considerada reabsorção radicular quando havia perda do contorno apical, ou seja, a raiz tinha uma forma côncava ou plana, e quando havia perda da extensão radicular. O autor concluiu, que o potencial de reabsorção presente nos dentes anteriores poderia aumentar com a idade e poderia ser acelerada pela irritação apical a partir de vários casos. Foi provado então, que a presença de um dente inerrupto na proximidade do vértice da raiz de um incisivo pode constituir uma irritação.

Silva Filho et al. (1994) comentaram que a etiologia de retenção dos caninos é multifatorial, como fatores gerais as principais causas são fatores hereditários, distúrbios endócrinos e síndromes com malformação craniofaciais e, como causas locais, citaram o fato de possuírem um trajeto de irrupção longo e tortuoso, e serem
um dos últimos dentes, por mesial dos primeiros molares, a irromper na cavidade bucal; a falta de espaço no arco dentário; os distúrbios na seqüência de irrupção dos dentes permanentes; o trauma dos dentes decíduos; a agenesia dos incisivos laterais permanentes; a má posição do germe dentário; a dilaceração radicular e a anquilose dos caninos permanentes; a retenção prolongada ou a perda prematura do Canino decíduo predecessor; a presença de cistos; tumores ou supranumerários na região, servindo como obstáculo e a fissura alveolar.

Garib et al. (1999) comentou que a prevalência de retenção variou de 0,9 a 2,5% com menor freqüência unilateralmente; em 75 a 95% dos casos no sexo feminino, duas a rês vezes mais que no sexo masculino; e por palatino, em 60 a 80% dos casos. Quanto ao prognóstico, comentaram que o reposicionamento era mais favorável nos casos de rizogênese incompleta. Porém esse tratamento envolve alguns riscos como, por exemplo,
a anquilose, a descoloração, a necrose pulpar, a reabsorção radicular, a recessão gengival e a deficiência da mucosa queratinizada no dente retido e nos dentes adjacentes.

As causas da reabsorção constituem-se um assunto controverso e pouco discutido,desse modo existem várias opiniões como a de Howard (1972) que comentou que a reabsorção dos dentes inclusos ou dos adjacentes ocorria devido à presença de inflamação ou ao aumento da idade. Assertiva essa que foi comprovada por Azaz e Shteyer (1978) e Sasakura (1984) que analisaram 252 dentes inclusos e destes 31 apresentavam a reabsorção em decorrência de bolsa periodontal, dentes adjacentes não vitais, irritação da dentição e causas idiopáticas.

No presente trabalho verificou-se a reabsorção em 30% dos casos que estavam relacionados com causas idiopáticas, uma vez que os pacientes apresentaram boas condições de saúde e não tinham histórico de trauma alveolar. Porém, Silva Filho (1994) comentou que as causas das reabsorções são multifatoriais. Considerando a idade, neste trabalho, o índice maior de dentes caninos e molares inclusos ocorreu em
pacientes de 12 a 33 anos de idade com 82,35% do total, dos 34 aos 44 anos de idade em 11,76% e dos 45 aos 55 anos de idade em apenas 5,88%, portanto, decrescendo com o avançar da idade. Sasakura et al. (1984); Howard (1972) e Ericsson e Kurol (1987) também encontraram resultados semelhantes.

A maior incidência de dentes inclusos em pacientes de 10 a 33 anos de idade, provavelmente ocorreu porque o paciente deve extrair esses dentes ou movimentá-los ortodonticamente, sendo assim em idades avançadas somente são detectados quando não são tratados.

Quanto ao sexo, neste trabalho encontramos maior incidência no sexo feminino. Dado esse que também foi encontrado por Howard (1972), Ericsson e Kurol (1987), Garib et al. (1999), discordando apenas de Nitzan, Keren e Marmare (1981) em que o índice de dentes inclusos foi maior no sexo masculino.

Já quanto ao dente, foram encontrados 1,08% de caninos e 0,76% de terceiros molares, resultado esse que concordou com os dados obtidos por Turner e Bedi (1996).

Diante dos resultados obtidos e através da metodologia empregada, foi lícito concluir que:

�� A freqüência maior de dentes inclusos ocorreu nos caninos (1,08%);
�� O sexo feminino apresentou maior freqüência de dentes inclusos (70%);
�� A idade que apresentou maior índice de dentes inclusos foi dos 12 aos 33 anos (82,35%);
�� A reabsorção no próprio dente ocorreu em 10% dos casos examinados, enquanto que no dente adjacente foi de 20%.


Link do artigo na integra via Periodicos UNITAU:

http://periodicos.unitau.br/ojs-2.2/index.php/biociencias/article/view/95

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Osseointegração dos Micro-parafusos Ortodontios Depois de colocação e da carga imediata



Neste artigo a ser publicado em 2010, pela Angle Orthodontist, pelos autores Linkun Zhang; Zhihe Zhao; Yu Li; Jiapei Wu; Leilei Zheng; Tian Tang; do State Key Laboratory of Oral Diseases and West China Stomatological Hospital, Sichuan University, Sichuan, PR China e do Department of Orthodontics, College of Stomatology, Chongqing University of Medical Sciences, PR China. Mostra um estudo com cortes histologicos em sitios de inserção de Mini - implantes.

Este estudo teve o objetivo de investigar o tempo de cura desejável de micro-parafusos e por Avaliação histomorfométrica da osseointegração após a carga imediata e precoce.

Cinqüenta e quatro micro-parafusos foram colocados bilateralmente na região de pré-molar superior de nove beagles. Em seguida, os micro-parafusos tiveram tempo de cura de 0 dias (grupo 0D), 2 semanas (grupo 2W), e 4 semanas (grupo 4W) estava com carga de uma força ortodôntica (100 g) por 8 semana. A direção da força ortodôntica foi vertical ao longo eixo da micro-parafusos. Cortes de secções de tecidos contendo micro-parafusos foram preparados para histomorfológicos e histomorfométrica
avaliações.

A taxa de durabilidade das micro-parafusos neste estudo foi de 100%. Remodelação óssea, perto da interface de contato osso-implante e a ossificação endocondral foram observados em todos espécimes ósseos. Osteoblastos Ativado agregada à interface osso-implante do grupo 4W, e osso lamelar foi encontrado nas regiões peri-implante. Micro-parafusos do grupo 2W foram parcialmente rodeados por fibras de colágeno e linhas neonatal do osso, ossos, tecidos, e os osteoclastos foram encontradas na região peri-implante. Micro-parafusos do grupo 0D foram cercados por mais fibras de colágeno em comparação com os outros dois grupos. As relações de contato dos implantes com o osso dos três grupos foram 43,74% (grupo 0D), 66,26% (grupo 2W), e 73,28% (grupo 4W), respectivamente, e estatística diferenças foram significativas (ANOVA, P, .01.

Todos os micro-parafusos nos três grupos podem fornecer ancoragem ortodôntica estável. No entanto, para obter melhor ancoragem estacionária, 4 semanas de cicatrização é recomendado antes da carga ortodôntico.


Link do artigo na integra via Angle Orthodontist:

http://www.angle.org/doi/pdf/10.2319/021909-106.1

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Tratamento da Classe lll em adultos utilizando aparelho extra-bucal J-Hook no arco mandibular




Neste artigo a ser publicado em 2010, pela Angle Orthodontist, pelos autores Yasuko Kuroda; Shingo Kuroda; Richard G.Alexander; Eiji Tanaka; do Department of Orthodontics and Dentofacial Orthopedics, University of Tokushima Graduate School of Oral Sciences, Tokushima, Japão e do Department of Orthodontics, Baylor College of Dentistry, Dallas, Texas. Mostra a ação do J-Hook aparatoloia extrabucal com excelentes reultados na compensação da classe III.

Este estudo foi realizado com o intuito de avaliar os efeitos do tratamento do aparelho extra-bucal J-Hook com puxada alta no arco dentário inferior em pacientes Classe III.

Quatorze pacientes ma-oclusão de Classe III e ângulo ANB inferior a 1,0 graus, foram tratados com J-Hook com puxada alta no arco inferior. Utilizando telerradiografias em norma lateral e modelos de gesso obtidos antes do tratamento (T1), após o tratamento ativo (T2), e após o período de retenção (T3), os resultados do tratamento foram analisados.

A borda incisal do incisivo central inferior foi movido em média de 1,2 mm para lingual e 1,7 milímetros ao oclusal entre T1 e T2. O eixo do incisivo inferior 4º de inclinação para lingual. A cúspide do primeiro molar inferior movido 1,5 milímetros para o distal e o ápice da raiz movido 2,0 milímetros para mesial. Angulações Molar foram levados a 9.8º para o distal. O plano oclusal sofreu 4.5º rotação anti-horário. A largura média intermolares aumentou 1,5 mm em média. A Comparação dos registros entre T2 e T3 mostraram alterações mínimas.

O movimento Distal da arcada dentária com J-Hook foi claramente demonstrado, confirmando que a aplicação com aparelho extra bucal com puxada alta no arco inferior foram eficazes para a melhora da oclusão Classe III.


Link do artigo na integra via Angle Orthodontist:

http://www.angle.org/doi/abs/10.2319/041609-218.1

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Planejamento digital em cirurgia ortognática: precisão, previsibilidade e praticidade



Neste artigo de 2006, publicado pela Revista Dental Press, pelos autores Eduardo Sant’Ana, Laurindo Zanco Furquim, Moacyr Tadeu Vicente Rodrigues, Érika Uliam Kuriki, Angelo José Pavan, Edevaldo T. Camarini, Liogi Iwaki Filho; da disciplina de Cirurgia da FOB-USP- Bauru, da Disciplina de Ortodontia da UEM- Maringá, Mestrado em Estomatologia da FOB-USP-Bauru, do Serviço de Urgência Odontológica da FOB-USP- Bauru e da disciplina de Cirurgia da UEM- Maringá. Procura evidenciar pontos importantes na análise clínica e na predicção digital, e apresentar um caso clínico, cujo tratamento foi executado seguindo as linhas mais modernas em termos de análise facial e planejamento cirúrgico digital.

A cirurgia ortognática é considerada atualmente um procedimento altamente viável e coadjuvante na resolução dos casos envolvendo deformidades dentofaciais em adultos. Isto se deve aos avanços promissores nesta área, que possibilitaram tanto a simplificação das técnicas cirúrgicas, com menor desconforto pós-operatório aos pacientes, quanto ao planejamento ortodôntico-cirúrgico mais padronizado e conseqüentemente mais preciso.

A análise de tecido mole, ao lado dos modelos de estudo e da cefalometria, tornou-se indispensável para o diagnóstico das deformidades dentofaciais, já que um tratamento baseado somente em grandezas cefalométricas pode criar resultados indesejáveis.
Arnett e Bergman apresentaram Facial Keys to orthodontic and treatment planning como uma análise clínica facial tridimensional empregada tanto no diagnóstico Ortodôntico, como no planejamento de casos cirúrgicos.

Para a realização da análise cefalométrica de tecido mole (ACTM), o paciente deve ser examinado clinicamente na posição natural da cabeça (PNC), com os côndilos assentados na fossa articular (RC) e com os lábios relaxados. Esta postura é imperativa para confiabilidade e padronização da análise cefalométrica que se se -
guirá. Esta análise cefalométrica (ACTM) não pode ser utilizada sem suporte clínico, necessitando de análise facial para complementar e elucidar dados cefalométricos. A análise facial deve enfatizar as estruturas do terço médio da face que não se mostram na análise cefalométrica convencional; em particular podemos enumerar a rima
infra-orbitária, região subpupilar e contorno da base alar como importantes indicadores da posição ântero-posterior da maxila.

Outro ponto de extrema importância para este tipo de análise é a chamada True Vertical Line, subnasal verdadeira ou linha vertical verdadeira (LVV). Esta linha, que na maioria dos casos passa pelo ponto subnasal, é perpendicular ao plano horizontal na posição natural da cabeça. T oda relação é estabelecida por meio das distâncias que pontos em tecido mole assumem em relação à vertical verdadeira. As movimentações em tecido duro repercutem impreterivelmente em alterações no perfil mole e ocorrem até que se estabeleça o equilíbrio entre as bases ósseas e, simultaneamente, a harmonia facial. A espessura de tecido mole, em conjunto com os
fatores dentoesqueléticos, controla amplamente o equilíbrio estético do terço inferior da face.

A partir dos conceitos levantados e da literatura pertinente, podemos verificar que as etapas para o planejamento e execução de uma cirurgia ortognática são extremamente delicadas e diretamente interrelacionadas. Com a predicção digital, têm-se melhores condições de padronização, precisão e previsibilidade ao tratamento
cirúrgico. Desta forma, uma análise facial criteriosa e detalhada, associada à uma predicção e cirurgia de modelos precisa, poderão levar a resultados previsíveis.


Link do artigo na integra via Dental Press:

http://www.dentalpress.com.br/cms/wp-content/uploads/2009/04/v05n0206a07.pdf

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Alterações na dimensão transversal pela expansão rápida da maxila



Neste artigo de 2009, publicado pela Revista Dental Press, pelo Autor Dr. Roberto Mario A. Lima Filho; Doutor em Ortodontia pela UFRJ. Pós-graduado em Ortodontia pela Universidade de Illinois em Chicago – EUA. Diplomado pelo American Board of Orthodontics. Membro da Edward H. Angle Society of Orthodontists. Presidente Fundador do Board Brasileiro de Ortodontia e Ortopedia Facial. Mostra que a expansão ortopédica da maxila vem atraindo cada vez mais a atenção da comunidade científica devido, principalmente, à sua aplicação e capacidade de alterar o crescimento craniofacial em diversas situações clínicas.

As deformidades transversais fazem parte das alterações dentofaciais encontradas pelo ortodontista.Dentre elas, a mais comum é a deficiência maxilar transversal. O tratamento comumente empregado nesses casos é a expansão rápida da maxila (ERM) – método de alteração ortopédica do crescimento craniofacial utilizado em diversas situações clínicas. Esse procedimento consiste na a plicação de força à maxila através dos dentes, expandindo a sutura palatina mediana e, consequentemente, a maxila.

Embora essa deformidade seja um dos problemas esqueléticos que mais sequelas pode causar na região craniofacial, é também a que melhor se adapta às alterações ortopédicas, quando comparada às outras regiões do complexo craniofacial, após o tratamento.

As deficiências maxilares transversais observadas pelo clínico em pacientes que buscam tratamento ortodôntico manifestam-se, tipicamente, pela mordida cruzada unilateral ou bilateral. Existem casos com essa deficiência que não apresentam mordida cruzada posterior, nos quais a oclusão é aparentemente normal, mas há compensação pela inclinação axial dos dentes superiores para vestibular e dos inferiores para lingual.

As deficiências maxilares transversais, se não identificadas no exame clínico e não definidas no diagnóstico, conduzem a diversas manifestações encontradas no dia a dia, como hipoplasia maxilar, crescimento facial assimétrico, posicionamento e desvio funcional da mandíbula, estética dentofacial comprometida, respostas periodontais adversas e outros problemas funcionais decorrentes da constrição maxilar.

A ERM tem sido usada por mais de um século para o tratamento da constrição maxilar e, embora existam muitas publicações sobre esse método, praticamente todas tratam de reações que ocorrem no complexo maxilar. Muito pouco tem sido publicado sobre as alterações que ocorrem na dentição mandibular sob a influência da expansão maxilar.

Problemas associados com a posição dos dentes na mandíbula são mais difíceis de tratar clinicamente, uma vez que a estrutura mandibular é altamente resistente e, portanto, menos suscetível às forças ortodônticas e ortopédicas aplicadas durante
o tratamento. Movimentos dentários, com exceção do deslocamento de dentes em locais de extração, limitam-se principalmente às inclinações ou às rotações, sendo influenciados por diferenças na estrutura óssea entre o processo alveolar e a base apical mandibular.

O apinhamento dentário pode ser definido como uma discrepância na relação entre o tamanho dos dentes e o tamanho dos maxilares, resultando em quebra de contato e rotação dos dentes. Howe, McNamara e O’Connor, estudando 50 pacientes com apinhamento e 54 sem, verificaram que não houve diferença significativa no tamanho
dos dentes entre os grupos. Por outro lado, esse estudo revelou diferença significativa de 5 a 6mm na largura do arco. Esses resultados indicam que o tamanho e o perímetro do arco parecem ser mais importantes, na etiologia do apinhamento
dentário, do que o tamanho dos dentes.

Existem muitos casos de deficiência maxilar transversal em que os dentes posteriores estão compensados, ou seja, os inferiores inclinados para lingual e os superiores para vestibular. A melhor opção para a correção dessa anormalidade é a ERM, que move as raízes dos dentes posterossuperiores para posições mais adequadas.

Corrigindo-se apenas a mordida cruzada dentária não se atinge o objetivo principal do tratamento ortopédico, que é estabelecer uma relação mais favorável entre as bases dentárias. Quando isso ocorre, os dentes posterossuperiores devem sempre estar sobre-expandidos, produzindo tendência à mordida cruzada vestibular. A relação ideal é manter contato entre as cúspides linguais dos dentes posterossuperiores com as cúspides vestibulares dos posteroinferiores.

Em casos de deficiência maxilar transversal, a projeção dentária lateral é insuficiente para preencher os cantos do sorriso, ou seja, a dentição não se estende até as comissuras labiais. Sarver empregou o termo espaço negativo para descrever as sombras que aparecem nos cantos da boca, durante o sorriso, em pacientes portadores
de maxila estreita e cônica. Esse conceito, em termos protéticos, é chamado de corredores bucais. Não é seguro extrair dentes para resolver o problema de apinhamento em pacientes com espaço negativo, pois a possibilidade de melhorar o
problema estético seria diminuída.

Quando as proporções entre a maxila e a mandíbula estão alteradas entre si, ou em relação ao crânio, observa-se deformidades dentofaciais. Essas deformidades podem ocorrer, na maxila e/ou mandíbula, nas três dimensões do espaço, mas frequentemente
ocorrem no plano anteroposterior, manifestando-se como má oclusão de Classe II.

Trabalhos recentes sugerem que a má oclusão de Classe II está relacionada à deficiência em largura da maxila. Essa deficiência ocorre em crianças antes dos seis anos de idade, e a abertura da maxila atrésica é fundamental para a correção esquelética definitiva dessa má oclusão e prevenção de crescimento protrusivo.

No tratamento ortodôntico é fundamental que os elementos funcionais e estéticos das relações dentárias e esqueléticas que necessitam de correção sejam reconhecidos. O diagnóstico correto e individualizado para cada paciente possibilita a elaboração de um tratamento mais apropriado. A expansão ortopédica da maxila vem atraindo, cada vez mais, a atenção da comunidade científica, devido principalmente à sua aplicação e capacidade de alterar o crescimento craniofacial em diversas situações clínicas. Esse tipo de intervenção ortopédica possui grande utilidade terapêutica, pois sua aplicação em diversas anormalidades apresenta maior versatilidade quando comparada aos aparelhos de modificação de crescimento disponíveis atualmente para o tratamento ortodôntico.


Link do artigo na integra via Scielo:

http://www.scielo.br/pdf/dpress/v14n5/a18v14n5.pdf

domingo, 15 de novembro de 2009

Pensamento da Semana



"O conhecimento leva à unidade, assim como a ignorância à diversidade."

(Shri Ramakrishna)

1836 -- 1886


Link sobre o autor:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Ramakrishna