ORTODONTIA CONTEMPORÂNEA

domingo, 19 de setembro de 2010

Pensamento da Semana



" Duas pessoas, quando trocam pães, voltam para casa com apenas um pão cada um. Quando trocam idéias, voltam com duas idéias, cada um."

sábado, 18 de setembro de 2010

TSVM - Técnica Simples para Verticalização de Molares

TSVM - Técnica Simples para Verticalização de Molares

JOURNAL OF CLINICAL ORTHODONTICS, V. 31, N. 2, P. 119-125, 1997.
TRADUÇÃO: MARIA ALEXANDRA PALMA CONTAR GROSSO; SÍNTESE: DR. ADILSON LUIZ RAMOS, DRA. LUCIANE MAEDA; CONSULTORIA: DR. CARLOS MARTINS COELHO (COLABORADOR
CIENTÍFICO DA REVISTA DENTAL PRESS); DIAGRAMAÇÃO: MARCELO CRISTIANO N. BENATTO.
REVISTA DENTAL PRESS DE ORTODONTIA E ORTOPEDIA FACIAL VOLUME 2, Nº 5 SETEMBRO / OUTUBRO - 1997 39

Este artigo me chamou especial interesse por descrever um mecanismo muito simples para a verticalização de molares inferiores.
O dispositivo consta de tubos .018" x .025" soldados em bandas nos molares e nas aletas distais dos braquetes dos pré-molares, horizontalmente (A) ou verticalmente (B). O componente ativo da mola de verticalização é um fio superelástico .016” x .022” NiTi que produz força leve e contínua durante o tratamento. Este fio se estende da mesial do tubo do pré-molar até a distal do tubo do molar.

Uma vez inserido nos tubos, o fio é ativado puxando-o mesialmente para fora do tubo do molar.














Particularmente tive um pouco de dificuldades ao tentar utilizá-lo, pois o paciente sempre dava um jeito de soltar o fio. Não consegui uma dobra eficiente.
Link direto para PDF:

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Percepção dos auxiliares odontológicos na clínica ortodôntica quanto aos seus limites de atuação





Numa época em que o mercado odontológico exige que os serviços prestados possuam qualidade diferenciada, a utilização adequada de profissionais auxiliares constitui uma ferramenta importantíssima para se obter aumento de produtividade no consultório. Para tanto, a correta utilização dessa ferramenta exige que a equipe auxiliar seja tecnicamente capacitada e envolvida num ambiente onde as funções delegadas estejam fundamentadas nos preceitos éticos e nas bases legais que regem a profissão.


Objetivo: identificação do perfil técnico da equipe auxiliar, analisando-se a percepção destes profissionais quanto ao seu papel nas atividades pertinentes à clínica ortodôntica, com base na legislação vigente.


Metodologia: o presente levantamento foi desenvolvido com base num questionário aplicado a todos os profissionais que auxiliam diretamente os ortodontistas regularmente inscritos no CRO-GO, que atendem nas cidades de Goiânia e Aparecida de Goiânia (GO), no período de maio a julho de 2003.


Resultados e Conclusões: verificou-se que diversos procedimentos não estabelecidos nas normas que regem a delegação de funções em Odontologia estão sendo executados pela equipe auxiliar, demonstrando que o conteúdo dessa legislação está sendo ignorado ou descumprido.


Palavras-chave: Auxiliares de Odontologia. Ética. Odontologia Legal. Ortodontia.


Para ver e baixar o artigo completo:




Código de ética odontológica:








quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Complications following orthognathic surgery that required early surgical intervention: Fifteen years’ experience.




Artigo de 2001, publicado na International Journal of Adult Orthodontics & Orthognathic Surgery, pelos autores Ashraf F.Ayoub, Zahid Lalani, Kursheed F. Moos, Graham A.Wood tem como objetivo avaliar as complicações que requerem intervenção precoce após cirurgia ortognática, investigar as causas dessas complicações e as possibilidades de preveni-las.
Total de 821 pacientes foram submetidos à cirurgia ortognática entre Janeiro de 1985 e Janeiro de 2000, sendo que apenas os que necessitaram de um segundo procedimento cirúrgico imediato ou precoce (4 semanas) para resolução da complicação foram avaliados neste estudo. Os parâmetros avaliados foram: diagnóstico pré-operatório, procedimento cirúrgico, complicações pós-operatórias, intervalo entre os procedimentos cirúrgicos e o tipo do segundo procedimento realizado.
Do total, 12 pacientes (9 osteotomia cirúrgica convencional e 3 distração osteogênica) necessitaram ser submetidos a novo procedimento no período de 1 mês após o primeiro procedimento. 75% estavam relacionados à má-oclusão e 25% inclui distração osteogênica e má posicionamento do segmento proximal na osteotomia vertical.
Para evitar o deslocamento do segmento proximal na osteotomia vertical os autores preconizam suturar segmento condilar ao periósteo que recobre o segmento distal, imobilização temporária do segmento proximal ao ramo mandibular e desinserção mínima do músculo pterigoideo medial.
Em relação à correção de excesso vertical posterior de maxila há a tendência de deslocamento do côndilo mandibular durante a manipulação. A mandíbula deve ser manipulada com cuidado pressionando os ângulos mandibulares para evitar o deslocamento dos côndilos e deve-se utilizar guias cirúrgicos de acrílico finos.
As complicações dos casos de distração osteogênica estão relacionados à curva de aprendizado e a elaboração de protocolos de trabalho associado ao desenvolvimento de novos dispositivos de distração.

LINK: http://www.quintpub.com/userhome/aoos/aoos_16_2_ayoub6.pdf



segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Avaliação da prevalência de patologias em terceiros molares inclusos


Artigo de 2008 publicado na Revista de Cirurgia e Traumatolologia Buco-Maxilo-Facial pelos autores Paulo Ricardo Saquete Martins Filho, Marta Rabello Piva, Thiago de Santana Santos, Luiz Carlos Ferreira da Silva, Lélia Batista de Souza tem como objetivo identificar a presença de alterações que possam justificar a remoção profilática dos terceiros molares

A terapêutica dos terceiros molares é baseada em critérios de diagnóstico pautados em alguns aspectos, como a presença de patologias (dentes sintomáticos), medidas preventivas e indicações ortodônticas (dentes assintomáticos). Porém há autores que relatam não haver comprovação da existência de uma correlação entre a prevalência de lesões odontogênicas e os terceiros molares inclusos, contra-indicando a remoção profilática desses dentes. Para esses, os terceiros molares inclusos deveriam ser removidos somente quando houvesse uma patologia associada bem definida.

A partir de 2005, a American Association of Oral and Maxillofacial Surgeons justificou e aceitou a prevenção de patologias como indicação bem como sugeriu que os pacientes deveriam ser informados sobre o potencial de desenvolvimento de processos patológicos, a necessidade de futuras cirurgias e a incidência aumentada das complicações associadas ao tratamento desse dentes em idade avançada.

Os autores realizaram avaliação histológica do folículo pericoronário de terceiros molares inclusos, sem evidência de patologia associada, com o objetivo de identificar a presença de alterações que possam justificar a remoção profilática desses dentes.


Total de 31 terceiros molares extraídos sendo 24 assintomáticos e 07 sintomáticos. Como resultado 77% (23) foram diagnosticados como folículo pericoronário e 26% (08) com alterações patológicas. Baseado nos resultados os autores concluem que é recomendável à remoção de terceiros molares inclusos, em pacientes jovens, com o objetivo de prevenir o desenvolvimento de cistos e tumores associados a esses dentes.

LINK: http://www.revistacirurgiabmf.com/2008/v8n3/6.pdf

domingo, 12 de setembro de 2010

Pensamento da semana


"Até que o sol não brilhe, acendamos uma vela na escuridão."

Confúcio

sábado, 11 de setembro de 2010

Integração dos modelos dentários digitais com as fotografias faciais 3D





American Journal of Orthodontics and Dentofacial Orthopedics
December 2008

Neste artigo os autores, Frits A. Rangel, Thomas J. J. Maal, Stefaan J. Bergé, Olivier J. C. van Vlijmen, Joanneke M. Plooij, Filip Schutyser, and Anne Marie Kuijpers-Jagtmand, fazem uma tentativa de integração dos modelos dentários digitais com fotografias 3D. Isto certamente seria uma brilhante contribuição para o diagnóstico ortodôntico, uma vez que se tenha praticabilidade e precisão.

Aqui os autores usaram 3 imagens sobrepostas: Modelos ortodonticos 3d, Foto 3d do paciente com os dentes visíveis e foto 3d do paciente em oclusão.

Os autores concluíram ser possível a obtenção desta integração e encorajam novos pesquisadores a continuar o aprimoramento da técnica.


















quinta-feira, 9 de setembro de 2010

ATUAÇÃO DA LUZ HALÓGENA E DO LED (LIGHT EMITTING DIODE)






A resina composta é um dos materiais mais utilizados para a colagem ortodôntica, sendo que, a sua polimerização ocorre através da energia luminosa. A luz halógena é a fonte luminosa mais utilizada, pois apresenta baixo custo e fácil manutenção. Entretanto, o tempo necessário para a polimerização dos materiais é longo e a vida útil dos aparelhos fotopolimerizadores é relativamente curta. A fotoativação através do LED (ligth emitting diode) vem ganhando espaço, pois apresenta um tempo curto para a polimerização dos materiais e uma vida útil longa.


Esse estudo teve por objetivo, determinar, in vitro, a influência da luz halógena e do LED na resistência de união de “brackets” colados ao esmalte de dentes humanos. Como material de colagem foi utilizado a resina ortodôntica Transbond XT (3M-Unitek – Br).



Foram selecionados 20 prémolares, os quais foram preparados para colagem através de profilaxia e condicionamento do esmalte com ácido ortofosfórico à 37%. Então, os corpos-de-prova foram divididos em 2 grupos de acordo com a fonte luminosa utilizada para polimerização: Grupo I – fotoativação pela luz halógena por 40 segundos; Grupo II – fotoativação pelo LED por 15 segundos. Após 24 horas,os 2 grupos foram submetidos ao teste de cisalhamento com velocidade de 1 mm por minuto até a descolagem do “bracket”. Os resultados obtidos através do t Student demostraram que não houve diferença estatística na resistência de união entre o Grupo I (14,96MPa ± 5,70) e o Grupo II (13,08MPa ± 4,33).




Concluiu-se que, tanto a luz halógena quanto o LED propiciam força adequada para a colagem ortodôntica.


Para artigo completo:

http://revistaseletronicas.pucrs.br/face/ojs/index.php/fo/article/view/2024/1528

domingo, 5 de setembro de 2010

Pensamento da Semana


"A alegria está na luta, na tentativa, no sofrimento envolvido. Não na vitória propriamente dita."

Mahatma Gandhi
1869 - 1948


Link sobre o autor:

http://pt.wikiquote.org/wiki/Mahatma_Gandhi

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

FDI Congresso Anual Mundial de Odontologia - Salvador - Bahia






Nesta quinta-feira 02-09-2010, iniciou aqui em Salvador o FDI Congresso Anual Mundial de Odontologia. Um evento que abrange as diversas especialidades, trazendo para o Brasil o que há de mais atual na Odontologia Contemporânea. Tivemos o prazer de comparecer ao evento e constatarmos extrema organização e participação efetiva da classe Odontológica.

Link do Evento:

http://www.fdi2010.com.br/index.asp#

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Mapeamento tomográfico do processo alveolar para instalação de mini parafusos ortodônticos

Dissertação apresentada ao mestrado de Odontologia da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal da Bahia como requisito parcial para obtenção do grau de mestre em Odontologia.


Neste estudo, Dr. Prof. Joaquim de Almeida Dultra, determinou sítios anatômicos inter-radiculares mais seguros para instalação de mini parafusos ortodônticos.






























Foram analisadas 20 hemi-arcadas da maxila e 20 hemi arcadas da mandíbula, nas regiões inter-radiculares entre canino e pré-molar (CP), primeiro e segundo pré-molares (PP), segundo pré-molares e primeiro molares (PM) e primeiro e segundo molares (MM), através de tomografia computadorizada. Essas regiões foram avaliadas em três níveis com intervalos de três milímetros, a partir da crista óssea alveolar (N1,N2,N3), sendo cada nível mensurado no sentido vestíbulo-lingual (VL) e mésio-distal (MD).










Os resultados mostraram que na maxila o maior comprimento médio VL foi observado na região MM/N2 (11,69mm) e o menor comprimento médio VL foi observado na região MM/N3 (8,47mm). O maior comprimento médio maxilar no sentido MD foi observado na região PM/N3 (2,38mm) e o menor comprimento médio no sentido MD foi evidenciado na região MM/N3 (0,76mm). Na mandíbula, o maior comprimento médio VL foi observado na região MM/N3 (15,05mm) e o menor comprimento médio VL foi observado na região CP/N1 (7,98mm). O maior comprimento médio MD na mandíbula foi observado no PM/N3 (3,72mm) e o menor comprimento médio MD foi observado na região CP/N1 (1,51mm).













Os resultados obtidos sugerem a escolha de sítios anatômicos, entretanto, as variações individuais devem ser consideradas e todos os pacientes devem receber avaliação individualizada.




Para ler a dissertação na íntegra clique:
UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA MAPEAMENTO TOMOGRÁFICO DO PROCESSO ...


quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Orientações legais aos ortodontistas: confecção de prontuário clínico, atestado, receita, encaminhamento e carta de retorno - Parte 1


Sempre que, por qualquer motivo, entramos em fórums e comunidades da internet sobre ortodontia, podemos ver algum tópico falando sobre contratos. Quem se aventura a disponibilizar o seu, certamente vai ter sua caixa de correio lotada por algum tempo.

Para engrandecer a discussão e atender à demanda por informações de ordem jurídica por parte dos ortodontistas, os Doutores Luiz Renato Paranhos, Rhonan Ferreira da Silva, Fausto Bérzin, Eduardo Daruge e Eduardo Daruge Júnior realizaram um estudo com o objetivo de realizar uma revisão da literatura com o intuito de estabelecer aos cirurgiões-dentistas que exercem a Ortodontia, orientações legais para a elaboração de documentos clínicos que compõem o prontuário do paciente, desde o registro de uma adequada anamnese, confecção de atestados, receitas e encaminhamentos odontológicos. Além de manter um exame clínico detalhado e um prontuário completo, atualizado e organizado, é necessário estabelecer com o paciente, uma relação de confiança e amizade, durante todo o tratamento, sempre informando e sendo transparente nas ações.






Conclusão



Ressalta-se aqui que toda e qualquer documentação pertence ao paciente, tendo como melhor conduta a devolução da mesma ao término do tratamento, relatando a devolução por meio de um recibo discriminado, devidamente assinado pelo mesmo ou por seu responsável legal, visto que a Ortodontia, não diferente das outras especialidades, “guarda provisoriamente” toda a documentação, porém, com um volume significante, ocupando um espaço notável. Como medida preventiva, visando minimizar os riscos e colaborar na defesa de possíveis processos, o profissional deve guardar cópia de toda a documentação por cinco anos, inclusive de modelos em gesso (de estudo e de trabalho), como determina o Código de Proteção e Defesa do Consumidor.
Alguns autores sugerem a realização de escaneamento ou fotocópias dos modelos, ou filmagem (VHS), para eliminar o problema de espaço físico no acondicionamento e armazenamento dos mesmos.

Lembrando que o Art. 332 do Código de Processo Civil afirma que: “Todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos, em que se funda a ação ou a defesa”.
Durante todo o tratamento ortodôntico, deve-se estabelecer uma relação de confiança e amizade com os pacientes, sempre informando e sendo transparente nas ações, além de manter um prontuário completo com informações sempre atualizadas e organizadas. Todo e qualquer documento deve ser redigido de forma legível, linguagem simples e sem rasuras. Estas são as melhores condutas para se evitar qualquer tipo de provável complicação litigiosa.
Artigo publicado em: OrtodontiaSPO 2009;42(2):143-8. e postado no Blog Odontologia forense




Autor: paranhos@ortodontista.com.br

domingo, 29 de agosto de 2010

Pensamento da Semana



"A esperança se adquire. Chega-se à esperança através da verdade, pagando o preço de repetidos esforços e de uma longa paciência. Para encontrar a esperança é necessário ir além do desespero. Quando chegamos ao fim da noite, encontramos a aurora. "


(Georges Bernanos)

1888 - 1948

Link sobre o autor:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Georges_Bernanos

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Um Sistema de Realidade Virtual para Tratamento Ortodôntico





Neste artigo publicado na Internet, pelos autores Maria Andréia F. Rodrigues, Wendel B. Silva, Milton E. Barbosa Neto, Isabel M.M.P. Ribeiro, do Mestrado em Informática Aplicada - MIA Universidade de Fortaleza - UNIFOR e do Centro de Ciências da Saúde - Faculdade de Odontologia Universidade de Fortaleza - UNIFOR - Fortaleza-CE Brazil; Mostra o desenvolvimento de um sistema de realidade virtual para treinamento e planejamento de tratamentos em ortodontia. O sistema é composto por 3 módulos: Mapeamento Geométrico, Geração da Malha 3D e Simulação do Tratamento Ortodôntico. Para validar o simulador, foi utilizado medidas cefalométricas e dados de moldes dentários de tratamentos ortodônticos acompanhados durante um ano.

O desenvolvimento de ambientes gráficos para a simulação, treinamento e ensino de procedimentos médico-odontológicos tem sido alvo recente de pesquisa. Na Ortodontia, o planejamento de um tratamento e a escolha de um modelo adequado de aparelho ortodôntico baseia-se exclusivamente na experiência clínica do ortodontista. Muitos ortodontistas estimam a condição de carga ideal e o correto posicionamento do aparelho ortodôntico com o objetivo de produzir uma movimentação aproximada de um determinado dente, direcionada pela experiência clínica do profissional. No tratamento tradicional, essa movimentação baseia-se na obtenção do posicionamento adequado dos dentes no arco dental, buscando-se a correta oclusão (posicionamento ideal dos dentes na arcada dentária), de acordo com padrões estéticos e funcionais pré-estabelecidos. Para tal, o ortodontista aplica forças na coroa do dente através de componentes do aparelho ortodôntico (bracket, molas, ligas elásticas e fios metálicos, entre outros). É muito comum, por exemplo, prever-se um movimento dentário (causado pela aplicação contínua de uma determinada força durante um período de tempo) que, na prática, não
ocorre. Como resultado, o dente simplesmente não se move ou o movimento gerado é insuficiente para movê-lo até uma determinada posição desejada. Geralmente isto acontece devido ao baixo carregamento de forças aplicado.

O desenvolvimento de sistemas gráficos tridimensionais interativos que possam auxiliar na geração de simulações de movimentos dentários (translação, rotação, nivelamento, alinhamento, torque, etc), suas interações (colisões com dentes vizinhos durante seus deslocamentos), e seus possíveis setups na arcada dentária ao longo do tratamento, é bastante relevante para os profissionais ligados à área ortodôntica. Principalmente, para as áreas de treinamento e ensino, onde diferentes estratégias e modelos de aparelhos ortodônticos podem ser testados em pacientes virtuais customizados, de tal forma a minimizar, ou até superar, o surgimento de possíveis problemas clínicos no arco dentário do paciente real. Muitos sistemas comerciais têm sido propostos para a prática ortodôntica, mas em nenhum caso eles investigam todas as funcionalidades mencionadas anteriormente. Basicamente, os sistemas existentes mais utilizados pelos ortodontistas no Brasil não atendem integralmente às reais necessidades destes profissionais e servem, basicamente, para gerenciamento clínico e análise cefalométrica 2D do paciente.

Existe um número considerável de sistemas comerciais, em sua maioria de produção estrangeira, propostos para a prática ortodôntica. A maior parte dos sistemas analisados não atua como sistema para a simulação de tratamento, nem integra diversas funcionalidades ortodônticas em um único ambiente gráfico 3D interativo. Os mais comuns, são os sistemas para gerenciamento clínico. Os sistemas de análise cefalométrica 2D têm sido construídos para reduzir o erro humano e o tempo gasto na extração de medidas ortodônticas do paciente. Através da superposição do Raio-X e da fotografia do crânio do paciente, estas medidas são automaticamente calculadas. Algumas pesquisas têm-se concentrado no desenvolvimento de ferramentas 2D e 3D para tratamento ortodôntico e em sistemas de simulação de movimentos mandibulares, onde os dados são obtidos através de medidas cefalométricas. Os modelos 2D utilizam parâmetros muito elementares, não incluindo sequer um modelo do arco dentário e de aparelhos ortodônticos.

O sistema consiste de três módulos básicos: Mapeamento Geométrico, Geração da Malha 3D, e Simulação do Tratamento Ortodôntico. O módulo de Mapeamento Geométrico é responsável por mapear as medidas e as inclinações cefalométricas do Raio-X e do molde dentário do paciente, para a customização do paciente virtual. Os 1º.s dentes molares são utilizados como ponto de referência para o mapeamento geométrico, já que estão presentes na maioria da população. Basicamente, no processo de customização, calculam-se as dimensões da largura e do comprimento lingual. A largura da mandíbula corresponde à distância entre os centros das coroas dos 1º.s dentes molares da arcada dentária. O comprimento lingual corresponde à distância a partir do ponto central entre os dentes incisivos centrais até a linha horizontal definida para a medida da largura da mandíbula. Os pontos correspondentes à malha da mandíbula virtual sofrem um ajuste, aumentando ou diminuindo de tamanho. Os dentes, já nas dimensões de escala reais, são uniformemente distribuídos na arcada dentária.

Os movimentos dentários são causados pela aplicação de forças nos dentes através de aparelhos ortodônticos. Os movimentos dentários podem ser de inclinação, translação, rotação, torque, extrusão (verticais para cima, acompanhados de inclinação) e intrusão (verticais para baixo, aplicados em uma pequena área do ápice do dente). De forma simplificada, o movimento dentário depende basicamente da força aplicada no bracket e da força de resistência que se opõe a essa força aplicada. Os mecanismos que definem esse movimento de oposição estão diretamente ligados a fatores biológicos complexos das estruturas de cada paciente onde o dente se encontra embutido.

As principais características anatômicas dos pacientes foram mapeadas com sucesso no sistema de realidade virtual, através dos módulos de Mapeamento Geométrico e geração da Malha 3D. Avaliações subjetivas dos moldes plásticos dos estudos de caso e dos modelos 3D dos pacientes virtuais sintetizados exibiram um alto grau de similaridade. Para todos os estudos de caso, os resultados de simulação obtidos foram confrontados com os dados experimentais obtidos ao longo de um ano de acompanhamento, obtendo um erro médio para os movimentos de translação de 2,0704mm, com um desvio padrão de ± 1,2224mm (para os movimentos de rotação e inclinação, não houve erro). As simulações foram avaliadas, com base na aplicação de 3 categorias de forças (leves, moderadas e pesadas). As simulações gráficas obtiveram resultados bastante realistas, possibilitando que análises subjetivas do movimento dentário ao longo do arco ortodôntico fossem realizadas e validadas por um especialista na área ortodôntica. Vale ressaltar que avaliações clínicas extensivas são difíceis de serem realizadas, devido ao longo tempo necessário para a terapia de tratamento.

Este trabalho apresentou um sistema de realidade virtual que desenvolvemos para treinamento e planejamento de tratamentos em ortodontia. Os resultados obtidos através dos estudos de caso foram bastante promissores e satisfizeram as expectativas iniciais de avaliação das potencialidades e limitações do sistema implementado. O protótipo integra e estende de forma significativa as principais idéias de alguns modelos comerciais existentes que são difíceis de testar e validar, já que são sistemas comerciais de código fechado e de custo elevado.Várias são as vantagens do ambiente gráfico implementado perante os métodos tradicionais. A principal delas é a visualização realista do deslocamento dinâmico dos dentes ao longo do arco dentário, incluindo efeitos de colisão entre os dentes. A modelagem de um efeito “dominó” foi representada com sucesso, acrescentando um maior realismo nas animações produzidas, de acordo com as restrições geométricas e funcionais estabelecidas para o ambiente. Adicionalmente, o sistema possibilita a modificação de cenários (diferentes setups) de forma interativa, através da interface do sistema. O usuário pode, por exemplo, selecionar um ou mais dentes e aplicar forças para avaliar os resultados de simulação de novas configurações. Aspectos biomecânicos simples também foram implementados no sistema, representando diferentes tipos de forças aplicadas em diferentes tipos de dentes, bem como de resistência ao movimento dentário.


Link do artigo na integra via andreia.formico:

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Tratamento ortodôntico necessário entre crianças nascidas prematuramente


Crianças nascidas antes de 33 semanas podem necessitar de mais cuidados ortodônticos do que crianças que nasceram no periodo ideal. As crianças prematuras têm também algumas complicações que podem causar desvios em sua mordida. Esta informação foi mostrada na apresentação de uma dissertação da autora Liselott Paulsson na Faculdade de Odontologia da Universidade de Malmö, na Suécia. "Este é um novo grupo de crianças que precisam receber mais atenção no atendimento odontológico", afirma a Odontologa especialista. No dia 24 de abril, ela defendeu sua dissertação sobre parto prematuro - Estudos sobre a Necessidade de tratamento ortodôntico, Craniofaciais Morfologia e Função.

A maioria das crianças que nasceram prematuramente precisam de ajuda com a sua respiração durante as primeiras semanas de vida. Isso significa que elas respiram com a ajuda de um tubo plástico ligado a um respirador. O tubo é colocado na boca ou no nariz, procedimento conhecido como intubação. Resultados de estudos anteriores indicaram que as crianças que se beneficiam deste apoio para respiração correm um risco maior de desenvolver desvios de mordida. O risco é especialmente grande para as crianças que tiveram o tubo em sua boca.

Hoje intubação nasal é utilizada na maior parte dos hospitais na Suecia, mas o estudo da Dra. Liselotte Paulsson mostra que essas crianças também possam ter mais alerações de mordida que as crianças que nasceram no prazo ideal.

"Em meus estudos as crianças prematuras tiveram intubação através do nariz apenas", diz ela, ressaltando que é importante que as necessidades destas crianças ter uma atenção odontológica.

Um total de 114 crianças participaram do estudo. Elas foram divididas em três grupos: crianças nascidas antes de 29 semanas, as crianças nascidas entre 20 e 32 semanas, e crianças nascidas 40 semanas.

As crianças foram examinadas quando tinham entre oito e dez anos, e os resultados mostraram que 52% das crianças prematuras, precisavam de tratamento por causa de alterções na mordida , em comparação com 37% das crianças que nasceram no prazo. Os estudos também mostram que as crianças prematuras, menos pesadas, tinham menor circunferência da cabeça, e tinham menores maxilas.

"Isso mostra que elas não tinham esta alteração durante seu crescimento. Pode ser que essas diferenças aconteçam devido ao fato de terem mais alterações na mordida, mas, mais pesquisas são necessárias antes que possamos saber isto ao certo", diz Liselotte Paulsson, que espera que ser possível acompanhar e dar seguimento ao estudo com estas crianças com idades compreendidas entre os 16 e 17 anos.

Os que têm mais alerações de mordida, possuem uma maior necessidade de tratamento ortodôntico, crianças prematuras, não têm mais sintomas de dores nas articulações dos maxilares ou mandíbula ou cefaléia em comparação com outras crianças.

"Estou feliz por poder dar aos pais noticias tranquilizadoras sobre este assunto, e alterações na mordida também podem ser levadas para uma direção certa, utilizando diversas formas de tratamentos", diz Liselotte Paulsson.


Links sobre a noticia:
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quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Novo teste odontológico para diagnosticar o câncer bucal vai salvar vidas


ScienceDaily (10 de agosto, 2010) - Um novo teste para o câncer bucal, que o dentista poderia fazer simplesmente usando uma escova para coletar células da boca do paciente, está sendo desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Sheffield e Sheffield Hospitais de Ensino da Fundação NHS Trust, EUA.

O processo utilizado atualmente para diagnosticar o câncer bucal em uma lesão suspeita envolve o uso de um bisturi para fazer uma biópsia e exames fora do local de laboratório, que pode ser demorado. O novo teste vai envolver a remoção de células com uma escova, colocá-los em um chip, e inserir o chip no analisador, levando a um resultado em 8-10 minutos. Isto terá uma série de benefícios, incluindo reduzindo o tempo de espera e o número de visitas, e também redução de custos.

O projeto está sendo conduzido pelo professor John McDevitt da Rice University, E.U.A., que desenvolveu o novo micro-chip.Esta nova tecnologia utiliza as mais recentes técnicas de design microchip, nanotecnologia, microfluids, análise de imagem, reconhecimento de padrões e biotecnologia para diminuir muitas das principais funções de um laboratório de patologia state-of-the-art clínica em um nano-bio-chip do tamanho de um cartão de crédito.
Professor Thornhill disse: "Esta nova tecnologia aumentará significativamente nossa capacidade de detectar o câncer bucal no futuro. O diagnóstico atualmente envolve a remoção de um pequeno pedaço de tecido da boca e enviá-la a um patologista. Isso geralmente é feito em um hospital, pode levar uma semana ou mais e incluir visitas extra para o paciente. Com a nova tecnologia, uma escova seria usado para remover painlessly algumas células da mucosa da boca que seriam analisadas dentro de minutos na presença do paciente, de modo que o paciente saber o resultado antes de deixar a clínica.
Esta tecnologia irá tornar mais fácil para nós quando tivermos lesões suspeitas na boca e separar as lesões não-cancerosas daqueles em que há um risco de câncer e aqueles onde o câncer já se desenvolveu. Acabamos de começar a recrutar pacientes para um estudo que visa garantir que a nova tecnologia é pelo menos tão bom quanto o antigo método para distinguir os diferentes tipos de lesão. Finalmente, dentistas e médicos pode ser capaz de usar essa tecnologia para verificar lesões suspeitas na boca e tranquilizar a grande maioria dos pacientes que não tem câncer, sem ter que enviá-los para o hospital.

Artigo original na Science Daily

Guia de exame de câncer de boca

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Ajuda numa pesquisa para conclusão de monografia Universidade Ferrara - Itália


Colegas,


Conclamo a todos(as) a participar de uma pesquisa, no qual ajudaremos uma colega Brasileira que está concluindo sua Especialização em Ortodontia na Universidade de Ferrara – Itália. A Drª. TatiLie Kumagai, precisa que respondamos um questionário automático que fica hospedado no site da Faculdade em que estuda. Peço a todos(as) colegas do Brasil, Portugal e demais nações que nos visitam diariamente para ajudá-la, pois ela precisa de um numero expressivo de entrevistas para concluir seu trabalho. O questionário pode ser respondido em Português, Inglês e Italiano.

Boa Sorte a amiga TatiLie com seu trabalho !!!

Marlos Loiola
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Mensagem da Autora:


A diversidade étnica é um assunto que apenas recentemente está recebendo atenção na mídia. Nos Estados Unidos, existem clínicas de cirurgia plástica que são focalizadas na estética 'não-branca' e na Ásia, as cirurgias estéticas que antigamente se chamavam 'de ocidentalização', que incluem a criação da prega na pálpebra superior e remodelamento do nariz, atualmente são feitos com desejo harmonizar o rosto dentro das características étnicas do paciente. No entanto, na ortodontia, o ideal estético ainda é aquele próximo ao ideal caucásico norte-americanos. Um artigo de Sow, Chew and Wong, 2005 mostrou que ortodontistas americanos e chineses têm preferências parecidas (por um perfil normal ou biretruso) diferente da população chinesa em geral, e criaram a hipótese de que talvez essa diferença se dê pelo fato que a pós-graduações desse ortodontistas terem sido adquiridas na sua maioria em países de população caucásica. Hall et al (2000) por sua vez, mostrou diferenças de aceitabilidade de perfis em caucásicos e afro-americanos, entre ortodontistas e pessoas leigas.

Na escola onde estou me especializando, a Università di Ferrara, Itália, há um grande foco na estética. Tanto que sediamos um congresso em Parma para falar apenas disso. Mas, infelizmente, ênfase na estética baseada no grupo étnico do paciente é pouca. Imagino que seja pela recente história de imigração e também porque são poucos aqueles que procuram tratamento ortodôntico. Sendo uma dos poucos estudantes estrangeiros da escola e sendo a única proveniente de um ambiente multi-étnico, senti que cabia a mim começar a explorar essa área. Por isso decidi escrever a minha tese sobre a estética multi-étnica: como diversos grupos étnicos percebem a beleza e a sua relevância no planejamento do tratamento ortodôntico. O objetivo da minha pesquisa é mostrar que cada grupo étnico tem a sua preferência estética e que ,como disse Polk et al (1995), o paciente deve ser estimulado a participar das decisões envolvendo mudanças no perfil. Para coletar essas preferências estou enviando um questionário online para ortodontistas e pessoas leigas em todo o mundo.

Convido vocês a participarem e antecipadamente agradeço.

TatiLie Kumagai


LINK DA PESQUISA:

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

GEORTO - Grupo de Estudos em Ortodontia da Bahia











Neste fim de semana mais um encontro do GEORTO, um grupo de estudos em ortodontia, no qual colegas especialistas e estudantes de especialização em Ortodontia se reúnem uma vez ao mês para discutir e estudar a nossa especialidade. O grupo tem o intuito de estar constantemente em busca de uma atualização profissional científica e trocar experiências com os colegas de vários centros de formação. Tendo o foco numa abordagem multidisciplinar, o nosso grupo contou com a presença também de um Cirurgião Buco Maxilo Facial com formação em cirurgia Ortognática, um Periodontista, e estão sendo convidadas uma Fisioterapeuta e uma Fonoaudióloga.

As reuniões são pautadas no estudo da Ortodontia, através de discussão de artigos científicos, de casos clínicos levados pelos participantes, aulas proferidas por professores convidados, revisão de capítulos dos livros da especialidade, entre outras atividades.

E neste Sábado dia 14 de agosto aqui em Salvador-Bahia, ocorreu mais um dos nossos encontros, que contou com a presença de colegas de Salvador, Interior e Aracaju. Iniciou-se um ciclo de seminários no qual os colegas montaram aulas que abordaram os capítulos do livro “1001 Dicas em Ortodontia e seus Segredos” do autor Dr. Esequiel E. Rodriguez Yanez. Que atenciosamente mandou uma mensagem para a abertura das discussões que abordavam capítulos do seu trabalho literário.

Ficamos super felizes com a integração do grupo, até porque completamos 01 ano de uma convivência que nasceu do primeiro encontro de 04 amigos e colegas e que vem a cada dia crescendo.
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Agradeço a cada um dos participantes do nosso encontro e aguardo o proximo em Setembro.

Marlos Loiola

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Alteração no volume do fluido gengival durante a retração de caninos superiores

Neste artigo de 2010, publicado pela Dental Press Journal Orthodontics, pelos autores Jonas Capelli Jr., Rivail Fidel Junior, Carlos Marcelo Figueredo, Ricardo Palmier Teles; da disciplina de Periodontia da UERJ; da disciplina de Ortodontia da FO-UERJ; do curso de especialização em Periodontia da PUC-RJ; do Departamento de Periodontia do Forsyth Institute, Boston, EUA; Avalia a quantidade de volume do fluido gengival (FG) nas faces mesiais e distais dos caninos superiores, de 14 pacientes (3 homens e 11 mulheres) submetidos a movimentação ortodôntica.

A fase inicial do movimento dentário ortodôntico envolve uma resposta inflamatória aguda no periodonto, caracterizada pela vasodilatação e migração de leucócitos para fora dos capilares. Essas células migratórias produzem várias citocinas, o sinal molecular bioquímico local, que interagem direta ou indiretamente com as células periodontais. As citocinas evocam a síntese e a
secreção, pelas células alvo, de numerosas substâncias, como: prostaglandinas, fatores de crescimento e outras citocinas. Por último, essas células constituem-se em unidades funcionais que remodelam os tecidos periodontais e facilitam o movimento dentário.

O processo inflamatório agudo que tipifica a fase inicial do movimento dentário ortodôntico é predominantemente exsudativo, em que plasma e leucócitos deixam os capilares nas áreas de estresse periodontal. Um ou dois dias após, a fase aguda da inflamação diminui e é substituída por um processo crônico envolvendo fibroblastos, células endoteliais e osteoblastos. Durante esse período, os leucócitos continuam a migrar nos tecidos periodontais estressados e modulam o processo de remodelação. A inflamação crônica prevalece até a próxima consulta clínica, quando o ortodontista ativa o dispositivo indutor de força e desencadeia outro período de processo inflamatório agudo, superpondo-se à inflamação crônica.

Para o paciente, os períodos de inflamação aguda estão associados com a sensação de dor e a redução da função (mastigação). O reflexo desse fenômeno pode ser encontrado no fluido gengival dos dentes em movimento, onde significativos aumentos nas concentrações dos mediadores da inflamação, tais como as citocinas e as prostaglandinas, ocorrem temporariamente.

A observação de que o movimento dentário ortodôntico envolve muitas reações com características inflamatórias é importante por ter possibilitado uma melhor compreensão de que a cascata de fatores envolvidos na inflamação pode ser parte das reações às forças ortodônticas nos tecidos de suporte dentário. Porém, o ortodontista não deve se sentir constrangido por introduzir áreas focais de inflamação no ligamento periodontal durante o movimento dentário com finalidade terapêutica. A ocorrência de eventos inflamatórios nos tecidos não necessariamente implica em alterações ou sintomas locais clinicamente percebidos: a inflamação pode ser subclínica.

Neste estudo participaram 14 pacientes da clínica do curso de especialização em Ortodontia da Faculdade de Odontologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. A seleção dos pacientes não obedeceu a critérios relacionados ao gênero, à raça ou classificação de más oclusões, porém todos tinham indicação de extração dos primeiros prémolares superiores como parte do planejamento do tratamento ortodôntico. Esses pacientes foram informados das características e dos objetivos do presente trabalho, e assinaram um termo de consentimento pós-informado. O grupo de pacientes era composto por 3 homens e 11 mulheres (18,8 ± 4,8 anos; com variação de 12 a 28 anos).

Apesar do controle da aplicação da força ter sido realizado com todo cuidado – com valores considerados ótimos –, pode ser observada uma tendência à inclinação da coroa, ao invés de um movimento de translação propriamente dito. Essa inclinação pode ser corrigida nas etapas subsequentes do tratamento ortodôntico, e foi constatada na maioria dos casos utilizados nesse estudo.

Durante a retração dos caninos, a teoria da pressão/tensão do movimento dentário e os fenômenos nela descritos foram esperados. A aplicação de uma força ortodôntica sobre o dente causa um deslocamento gradual dos fluidos do ligamento periodontal, acompanhado pela distorção das células e da matriz extracelular.

Os autores concluiram que, ao longo do tempo, existe uma alteração significativa no volume do fluido gengival em caninos superiores sob movimento de retração, tanto no lado de pressão quanto no lado de tensão. No lado de pressão, o volume do fluido gengival foi significativamente menor nos tempos 0 e 24h comparados com o tempo 80d.


Link do artigo na integra via Scielo:

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Entrevista Professor Dr. Antenor Araujo - Parte 2



É com muita alegria e satisfação que iremos dividir com nossos leitores esta importante entrevista. O Dr. Marcos Oliva, Cirurgião Buco Maxilo Facial e colaborador do BLOG Ortodontia Contemporânea, em viajem de Salvador - Bahia a São José dos Campos - São Paulo, conversou com esta importante Personalidade ligada a Cirurgia Ortognática e Buco Maxilo Facial, pioneiro no Brasil desta técnica a qual já realizou mais de 1.400 intervenções , e que hoje é uma realidade disseminada em todo País. Agradeço ao Professor Doutor Antenor Araújo pela presteza e atenção em está cedendo um pouco da sua valiosa experiência a todos nos.


6 - Os tecidos moles, normalmente, acompanham as alterações das estruturas ósseas. Essas alterações e adaptações dos tecidos moles podem ser esperadas até quanto tempo depois do procedimento cirúrgico?

R: Acredito que até 8 a 10 meses de pós-operatório ainda estaremos observando pequenas mudanças dos tecidos moles às vezes até mais do que isso, de tal forma 1 ano seria o ideal.


7 - A estabilidade cirúrgica pós operatória está na dependência de alguns fatores como: tipo de cirurgia (maxila ou mandíbula), direção e amplitude do movimento, tipo de fixação. Na sua experiência quais seriam os movimentos cirúrgicos mais instáveis e os mais estáveis?

R: Mais estáveis – Avanço de Mandíbula, Avanço de Maxila, Reposição superior da Maxila.
Mais instáveis – Retrusão de Mandíbula, Reposição inferior da Maxila, Avanço de Maxila em 2 ou 3 segmentos com expansão.


8 - Sabemos que em algumas situações indicamos extração de pré-molares com o intuito de favorecer os movimentos cirúrgicos e com isso promover melhores resultados. Além do comprometimento estético pré-cirúrgico devido à ausência dentária, as extrações normalmente prolongam o tratamento ortodôntico pré-cirúrgico. Em relação às cirurgias na maxila, qual a sua opinião em realizar a extração dos pré-molares no trans-operatório, segmentar a maxila e eliminar os espaços cirurgicamente?

R: Pessoalmente prefiro que os pré molares sejam extraídos e depois os espaços fechados ortodonticamente. Embora isto prolongue mais o tratamento, vem me permitir reposicionar a maxila em 1 só segmento, o que sob meu ponto de vista é mais estável e o pós-operatório melhor. No entanto não vejo nada errado em se extrair os pré molares e segmentar a maxila, é uma questão de preferência do cirurgião.


9 - Quanto tempo depois do procedimento cirúrgico o Professor permite reiniciar os movimentos dentários para finalização ortodôntica?

R: Normalmente após 60 dias.


10 – Pacientes com dimensão transversa mandibular diminuída (“mordida de Brodie”), os quais necessitam de distração osteogênica mandibular para correção da referida dimensão podem ter comprometimento da ATM? Como a ATM responde, a longo prazo, a essas alterações no posicionamento condilar?

R: A ATM responde quase sempre favoravelmente, pelas minhas observações a uma grande adaptação das ATMs após as cirurgias, pelo menos nunca tive maiores problemas.


Link da Clinica do Prof. Dr. Antenor Araújo: