
"Assumir nossos erros exige muita coragem em um mundo que parece feito de pessoas que sempre ganham todas... Assumir nossa ignorância exige muita humildade nesse mundo de quem sabe tudo."
Roberto Shinyashiki
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"Assumir nossos erros exige muita coragem em um mundo que parece feito de pessoas que sempre ganham todas... Assumir nossa ignorância exige muita humildade nesse mundo de quem sabe tudo."
Roberto Shinyashiki
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O objetivo do estudo foi determinar a confiabilidade da obtenção bidimensional de medidas cefalométricas usando duas orientações virtuais da cabeça, através de modelos de tomadas por tomografia computadorizada cone-beam (CBCT).
Foram feitos exames CBCT de 12 pacientes (6 classe II e 6 classe III) que foram aleatoriamente selecionados de um grupo de 159 pacientes. Um ortodontista, um radiologista odontológico, e um estudante do terceiro ano de Odontologia independentes orientaram o posicionamento da CBCT tridimensional (3D) em qualquer posição natural da cabeça (NHP simulado). Cada observador criou e digitalizou quatro CBCT-lateral cefalogramas gerados por paciente, utilizando duas simulações PHN e dois PIA 3D em intervalos de pelo menos 3 dias. Um misto de efeitos da análise de variância foram usados para calcular coeficientes de correlação intraclasse (ICCS), e para testar a diferença entre o orientações para cada medida.
O TPI indicou boa confiabilidade tanto dentro de cada cabeça como para orientação. Das 50 medições, os coeficientes de confiabilidade foram >= 0,9 para 45 medidas obtidas com orientações 3D PIA e 36 medições com simulados PHN. A diferença na média de valores das duas orientações excedeu 2 mm para 14 (28%) das medições.
A confiabilidade de ambas as orientações virtuais da cabeça foram aceitáveis, embora o percentual de medições com o TPI >= 0,9 foi maior para 3D PIA. Isso pode refletir a facilidade de usando os planos de guia para posicionar a cabeça na simulação 3D PIA durante o processo.
Link do artigo na integra via Angle Orthodontist:
www.angle.org/anglonline/?request=get-document&issn=0003-3219&volume=079&issue=05&page=0971
A retenção de dentes anteriores ocorre em 1 a 2% dos pacientes que procuram o tratamento ortodôntico(SANTOS-PINTO et al., 1999), a etiopatogenia dessa retenção é multifatorial (MARZOLA et al., 1995), podendo estar relacionada com:
A distração osteogênica é um processo de crescimento de novo osso por estiramento mecânico de um tecido ósseo preexistente. Foi popularizada pelos estudos de Ilizarov que demonstrou, em centenas de pacientes, que novo osso poderia ser formado após a corticotomia cirúrgica e posterior distração osteogênica.
Liou e Huang, em 1998, introduziram os conceitos da distração osteogênica na movimentação dentária. Os autores observaram que o processo de osteogênese do ligamento periodontal, durante o movimento dentário induzido por forças ortodônticas, é semelhante ao da sutura mediana durante a disjunção palatina realizada para correção de mordidas cruzadas. A principal diferença seria a quantidade de movimentação. Enquanto, no movimento dentário ortodôntico, os dentes se movimentam em taxas de aproximadamente 1mm por mês, na disjunção palatina, a sutura é separada em até 1mm por dia. Desta forma, os autores idealizaram uma maneira de distender o ligamento periodontal na mesma velocidade que a sutura palatina mediana, de forma a permitir a rápida movimentação de caninos em pacientes que necessitem de exodontias de primeiros pré-molares. Essa técnica foi denominada distração dentária (DD).
Independentemente da técnica utilizada, a retração rápida de caninos (RRC) tem sido bem indicada para as seguintes situações clínicas: apinhamentos severos, má oclusão de Classe II 1a divisão, biprotrusões dentárias, encurtamentos e más formações radiculares e, ainda, em pacientes com problemas periodontais. Tais indicações se devem ao fato de que, como o movimento dentário é realizado de forma muito rápida, com o canino sendo completamente distalizado em cerca de duas a três semanas, sem perda de ancoragem, o espaço obtido pode ser utilizado para a resolução rápida dos apinhamentos. Durante a movimentação ortodôntica convencional, o processo de reabsorção radicular só tem início duas ou três semanas após a aplicação de uma força, podendo continuar por todo o período de duração dessa. Por outro lado, na RRC, como os caninos já completaram toda a movimentação para distal enquanto os demais dentes ainda estão em período de estagnação, tanto o movimento mesial dos molares, ou seja, a perda de ancoragem, quanto a evidência de reabsorção radicular não ocorreram ou estão apenas começando. Isso beneficia aqueles pacientes que necessitam de exodontias de pré-molares e apresentam comprometimentos periodontais importantes.
O aparelho distrator tem sido confeccionado da forma descrita por Faber, a partir de um expansor Hyrax convencional. Esse deve ser aberto uma quantidade em milímetros igual à quantidade que se deseja distalizar os caninos, acrescida de no mínimo 2mm. Preferencialmente, utiliza-se um parafuso de 13mm, que, por apresentar um maior curso, proporciona uma maior estabilidade após aberto. Realiza-se um corte longitudinal eliminando-se uma das hastes do Hyrax e arredondam-se as quinas vivas. Faz-se o polimento adequado para maior conforto do paciente.
A ativação dos distratores pode ser iniciada imediatamente após a cirurgia ou respeitando-se um período de latência de até sete dias. Não há consenso na literatura sobre isto. Temos utilizado esse período de latência naqueles casos onde o procedimento cirúrgico foi mais invasivo, com uma maior manipulação de tecidos.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A retração rápida de caninos (RRC) é uma técnica que proporciona uma redução significativa no tempo de tratamento ortodôntico. A utilização da tomografia Cone-Beam facilita, em demasia, o procedimento cirúrgico e, em conjunto com o acesso vestibular, proporciona maior velocidade e segurança ao procedimento. O distrator posicionado porpalatina é biomecanicamente mais eficaz que o por vestibular. Sua utilização, no mínimo, proporcionou a preservação da tábua óssea vestibular. Apesar das diversas possibilidades clínicas de utilização dessa técnica, consideramos os preparos ortocirúrgicos, os casos com apinhamento anterior severo e os pacientes com comprometimento periodontal, os princi- pais beneficiados por esse protocolo de tratamento.
Link do artigo na integra via Scielo:
http://www.scielo.br/pdf/dpjo/v16n1/19.pdf
Apesar da extensa diversidade de tratamentos da má oclusão de Classe II, dúvidas ainda permanecem com relação ao mecanismo de ação dos aparelhos ortopédicos. A efetividade do tratamento da má oclusão de Classe II com o aparelho de Herbst vem sendo estudada por décadas. No entanto, apesar da evidente eficácia dessa conduta terapêutica, a possibilidade de manipular o potencial de crescimento mandibular além da quantidade determinada geneticamente ainda alimenta o debate entre os defensores e opositores da ortopedia dentofacial. Uma parte dos pesquisadores, apoiados na teoria da Matriz Funcional, acredita que os fatores ambientais locais sejam os principais responsáveis pelo tamanho final do esqueleto craniofacial e, por conseguinte, passível de certa regulação pela alteração de seu padrão funcional. A outra corrente advoga que o controle preponderante é genético e que as alterações observadas restringem-se ao componente dentoalveolar, não afetando o crescimento das bases ósseas. Há sugestão de que a utilização de aparelhos funcionais para estímulo do crescimento mandibular teria um impacto apenas temporário sobre o padrão dentofacial, prevalecendo no longo prazo a imposição do padrão morfogenético.
A questão primordial dessa controvérsia ainda permanece: os aparelhos ortopédicos funcionais provocam alguma alteração significativa no crescimento mandibular? Embora a utilização desses aparelhos ultrapasse cem anos, ainda hoje pouco se sabe sobre como eles funcionam, quais sistemas tissulares são influenciados, qual a magnitude e a estabilidade desses efeitos.
Todavia, estudos recentes utilizando tomografia computadorizada (TC) — que permite a reconstrução de áreas anatômicas e sua visualização em três dimensões, revelando informações sobre tamanho, forma e textura — comprovam resposta tecidual em indivíduos tratados após o surto de crescimento pubertário, além de remodelação da fossa glenoide e do côndilo e adaptação da ATM.
A tomografia computadorizada é o exame de escolha para a análise de componentes ósseos e estruturas dentárias. O desenvolvimento dessa nova tecnologia está provendo à Odontologia a reprodução de imagens tridimensionais dos tecidos mineralizados maxilofaciais, com mínima distorção e dose de radiação significativamente reduzida.
A definição de um diagnóstico preciso está associada com a exatidão das medições usadas em métodos distintos, sendo de grande importância para o ortodontista, visto que o diagnóstico, prognóstico e planejamento do tratamento ortodôntico, juntamente com outros fatores, dependem delas.
Um paciente brasileiro, do gênero masculino, com 16,3 anos de idade, procurou por tratamento ortodôntico na Faculdade de Odontologia de Araraquara/Unesp, queixando-se do queixo estar posicionado para trás. Na análise facial frontal, apresentava um padrão mesofacial e ausência de selamento labial; na análise lateral, demonstrava um perfil convexo associado à retrusão mandibular, segundo análise clínica, e linha mento-pescoço curta.
O indivíduo foi tratado ortopedicamente com o aparelho Herbst bandado por um período de oito meses. Para avaliação das mudanças dentárias e esqueléticas, o paciente foi submetido a duas telerradiografias e tomografias computadorizadas de feixe cônico (CBCT, do inglês Cone-BeamComputed Tomography) em norma lateral, em máxima intercuspidação habitual, denominadas: T1, ao início do tratamento; e T2, oito meses após o tratamento. As tomografias CBCT foram realizadas ao início do tratamento e após a remoção do aparelho Herbst, e analisadas em software específico (Dolphin 10.5, Dolphin Imaging & Management Solutions, EUA).
Na avaliação tomográfica, observou-se um aumento no diâmetro do côndilo de 0,8mm do lado direito e 0,7mm do lado esquerdo. A análise subjetiva da região sugere remodelação na área da fossa glenoide e côndilo. Entretanto, a análise de um único caso não permite uma avaliação significativa.
Na avaliação da via aérea do indivíduo, observa-se valor volumétrico inicial de 4324,5mm3 e, após o tratamento com o Herbst, valor de 5108,5mm3, sugerindo um aumento da região nasofaríngea após o tratamento.
Os resultados mostram, após o tratamento de oito meses com Herbst, correção da má oclusão de Classe II para Classe I e, ainda, uma melhora da estética facial com ausência de alterações musculares e articulares.
CONCLUSÃO DOS AUTORES
Os exames de TC proporcionam um melhor diagnóstico e planejamento do tratamento ortodôntico, pois permitem a visualização do problema em três dimensões no espaço. Além disso, a CBCT permite a análise de estruturas como côndilo e fossa glenoide, possibilitando, assim, avaliar a remodelação nessa região após o tratamento com aparelhos ortopédicos. O tratamento com aparelho de Herbst produz resultados satisfatórios e proporciona ao paciente a correção da má oclusão e melhora da estética do perfil. A avaliação tomográfica sugere remodelação da região da ATM e côndilo, e aumento da via aérea após o tratamento com esse aparelho.
Link do artigo na integra via Scielo:
http://www.scielo.br/pdf/dpjo/v15n5/15.pdf
Por definição, dor orofacial é toda a dor associada a tecidos moles e mineralizados (pele, vasos sanguíne- os, ossos, dentes, glândulas ou músculos) da cavidade oral e da face. Usualmente, essa dor pode ser referida na região da cabeça e/ou pescoço ou mesmo estar associada a cervicalgias, cefaleias primárias e doenças reumáticas como fibromialgia e artrite reumatoide.
As principais fontes de dor orofacial são proble- mas odontogênicos, cefaleias, patologias neurogênicas, dores musculoesqueléticas, dores psicogênicas, câncer, infecções, fenômenos autoimunes e trauma tecidual.
Historicamente, a Odontologia tem se dedicado fundamentalmente ao diagnóstico e tratamento da dor odontogênica (pulpar e periodontal). Não se pode, porém, descuidar da identificação de outras fontes de dor orofacial como processos inflamatórios típicos (sinusites, parotidites), dores neuropáticas contínuas ou intermitentes (nevralgias, dor por de- saferentação, dor mantida pelo simpático), cefaleia e disfunção temporomandibular.
A dor orofacial apresenta alta prevalência na população, sendo causa de grande sofrimento para os pacientes. Além disso, pode resultar de patologias que põem em risco a vida do indivíduo. Daí a fundamental importância da participação do cirurgião-dentista na prática de um processo diagnóstico adequado.
Foi estimado que aproximadamente 22% da população haviam apresentado ao menos um tipo de dor orofacial nos 6 meses que antecederam a coleta dos dados. A causa mais frequente da dor orofacial apontada nesse estudo foi a de origem odontogênica (12,2%), seguida pela disfunção temporomandibular (DTM), constatada em 5,3% da população.
Segundo a Academia Americana de Dor Oro-facial, a DTM é definida como um conjunto de distúrbios que envolvem os músculos mastigatórios, a articulação temporomandibular (ATM) e estruturas associadas.
Os sintomas mais frequentemente relatados pelos pacientes são: dores na face, ATM e/ou mús- culos mastigatórios, dores na cabeça e na orelha. Outros sintomas relatados pelos pacientes são as manifestações como zumbido, plenitude auricular e vertigem.
Estudos epidemiológicos estimam que 40% a 75% da população apresentem ao menos um sinal de DTM, como ruídos na ATM e 33%, pelo menos um sintoma, como dor na face ou na ATM.
No Brasil, poucos são os estudos que verificaram a prevalência de sinais e sintomas de DTM em amostras populacionais. Um estudo recente concluiu que 37,5% da população apresentavam ao menos um sintoma de DTM. Entre estudantes universitários, estima-se que 41,3% a 68,6% apresentem algum sinal ou sintoma de DTM.
Ainda não há método confiável de diagnóstico e mensuração da presença e severidade das disfunções temporomandibulares que possa ser usado de maneira irrestrita por pesquisadores e clínicos. Para o diagnóstico de casos individuais, a anamnese continua sendo o passo mais importante na formulação da impressão diagnóstica inicial.
O exame físico, constituído por palpação muscular e da ATM, mensuração da movimentação mandibular ativa e análise de ruídos articulares, quando executado por profissionais treinados e calibrados, é instrumento de grande validade no diagnóstico e na formulação de propostas de terapia, assim como de acompanhamento da eficácia dos tratamentos propostos.
A Academia Americana de Dor Orofacial (AAOP) estabeleceu, na 4o edição de seu manual, novas diretrizes para o diagnóstico e classificação das diferentes formas de DTM, que são divididas em dois grandes grupos (DTM muscular e DTM articular) com suas respectivas subdivisões.
A tentativa de isolar uma causa nítida e universal da DTM não tem sido bem-sucedida. Estudos recentes concluem que a DTM tem origem multifatorial.
Faz parte de uma anamnese completa a identificação de fatores predisponentes (que aumentam o risco da DTM), fatores iniciadores (que causam a instalação das DTMs) e fatores perpetuantes (que interferem no controle da patologia). Dentre esses fatores citaremos aqueles que supostamente são mais relevantes.
Trauma
• Trauma direto ou macrotrauma.
• Trauma indireto: representado por lesões do tipo chicote.
• Microtrauma: provocado por traumas de pequena monta, realizados de maneira repetitiva, como hábitos parafuncionais (bruxismo, apertamento dentário, etc).
Fatores psicossociais
• Ansiedade, depressão, etc.
Fatores fisiopatológicos
• Fatores sistêmicos: doenças degenerativas, endócrinas, infecciosas, metabólicas, neoplásicas, neurológicas, vasculares e reumatológicas.
• Fatores locais: alteração na viscosidade do líquido sinovial, aumento da pressão intra-articular, estresse oxidativo, etc.
• Fatores genéticos: presença de haplótipos associados à sensibilidade dolorosa.
O objetivo do tratamento da DTM é controlar a dor, recuperar a função do aparelho mastigatório, reeducar o paciente e amenizar cargas adversas que perpetuam o problema.
A etiologia indefinida, o caráter autolimitante e a altíssima eficácia recomendam a utilização inicial de terapias não-invasivas e reversíveis para os pacientes que sofrem de DTM.
Alguns estudos relatam o controle de sinais e sintomas em mais de 90% dos pacientes que re- ceberam tratamentos preservadores. Educação do paciente, automanejo, intervenção comportamental, utilização de fármacos, placas interoclusais, terapias físicas, treinamento postural e exercícios compõem a lista de opções aplicáveis a quase todos os casos de DTM.
Há carência de políticas públicas que visem divulgar a patologia e acolher os indivíduos que sofrem de DTM. É insignificante o volume de atendimentos proporcionados pelo Estado. Essa falta de assistência e informação, invariavelmente, frustra o paciente, provocando uma insistente busca por outras especialidades que tratam sintomas semelhantes, mas não promovem controle adequado do problema em questão. A especialidade de “Disfunção Temporomandibular e Dor Orofacial”, regulamentada pelo Conselho Federal de Odontologia, é esquecida dentro do contexto da saúde bucal.
A especialidade DTM e Dor Orofacial foi criada em 2002 pelo Conselho Federal de Odontologia. A despeito disso, mesmo entre profissionais da saúde, essa especialidade ainda é pouco conhecida. A adoção da disciplina de DTM e Dor Orofacial na grade curricular dos cursos de graduação de Odontologia é indispensável e urgente. O reconhecimento e o apoio, por parte das autoridades que gerenciam a política de saúde pública, são necessários para que o atendimento primário ao paciente com dor orofacial seja viabilizado de forma eficaz. Essas medidas reduzirão o sofrimento desses indivíduos e a sobrecarga financeira sobre eles.
Deve ser considerada postura antiacadêmica estabelecer protocolo ou promover cursos de Educação Continuada apoiados na terapia oclusal como forma de terapia definitiva para o controle de sinais e sintomas de DTM.
Link do Artigo na Integra via Scielo:
http://www.scielo.br/pdf/dpjo/v15n3/14.pdf