ORTODONTIA CONTEMPORÂNEA: Estudo fotoelástico do controle vertical com o arco de dupla chave na técnica Straight wire

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Estudo fotoelástico do controle vertical com o arco de dupla chave na técnica Straight wire






Neste artigo de 2009, publicado pela Revista Dental Press, pelos autores Adriano Dobranszki, José Henrique Vuolo, Flamínio Levy Neto, Hideo Suzuki, Jurandir Antônio Barbosa, Nara Pereira D´Abreu Cordeiro Dobranszki; do Especialização em Ortodontia do Instituto de Pesquisa, Ensino e Pós-graduação (IPESP / DF) - Distrito Federal, do Faculdade de Física da USP - São Paulo / SP, da Faculdade de Engenharia Mecânica da UnB - Brasília / Distrito Federal e do curso de especialização em Ortodontia da São Leopoldo Mandic - Campinas / São Paulo; Propôs-se a estudar o local onde a força é exercida, após a ativação do arco dupla chave, utilizando ativação na alça distal, ativação entre as alças e na alça distal, e ativação com Gurin®.

De maneira geral, existem três razões para a extração dentária em Ortodontia: (a) conseguir espaço para alinhar dentes apinhados, (b) diminuir a protrusão e (c) camuflar problemas moderados de Classes II ou III, quando a correção por modificação do crescimento não é mais possível. Muitas vezes, o espaço conseguido com as extrações não é completamente fechado com o alinhamento dos dentes, sendo necessária uma força adicional para esse fim.

O princípio da fotoelasticidade é baseado no fato de que a maior parte dos materiais claros se torna birrefringente (separação da luz em dois feixes com velocidade e índice de refração diferentes), quando submetidos a estresse mecânico. A birrefringência se manifesta pelo aparecimento de franjas coloridas em áreas de tensão induzida. Em Odontologia, o material reproduz a resiliência e a resistência do periodonto de sustentação, sendo utilizadas cores monocromáticas para análise da quantidade das forças, enquanto as franjas coloridas fornecem mais informações em relação à direção e distribuição das tensões (compressão ou tração).

Segundo Roth, o arco com alças duplas tipo buraco de fechadura, DKH ou DKL, poderia ser usado para: (a) permitir ao operador o fechamento completo de espaços com um jogo de arcos; (b) permitir maior controle sobre a inclinação na mecânica de deslizamento; e (c) permitir ao operador eleger como fechar o espaço – com retração anterior, protração posterior e quanto de cada, independente da cooperação do paciente.

Nesse trabalho, o espectro obtido nos padrões fotoelásticos foi somente até a primeira franja. Antes do aparecimento da franja, a superfície sob estresse adquire um aspecto esbranquiçado, característico da sobreposição de todas as cores. A área do esbranquiçamento aumenta proporcionalmente ao aumento da força aplicada, iniciando com um leve esbranquiçamento ao redor da superfície que transmite a força ao material fotoelástico, até um grande esbranquiçamento, pouco antes do aparecimento da primeira franja. Ultrapassado esse limiar, a sequência de cores das franjas é: primeira franja – amarela, magenta, ciano; segunda franja – amarela, magenta, verde.

A razão de incorporar uma dobra gable em um fio é produzir um momento, para que ocorra movimento em corpo do dente. Com a dobra gable, ocorre diminuição no índice de Carga/Deflexão, tornando os níveis de Momento/Força relativamente mais constantes. Na retração dos dentes anteriores, a alça distal do arco de dupla-chave pode ser amarrada na alça mesial8, resultando em um efeito semelhante ao gable de 15 ± 15º. Dessa forma, a força de retração não produziria o movimento indesejado de extrusão dos dentes anteriores.

Normalmente, a correção vertical deve ocorrer antes da anteroposterior, embora seja possível corrigir a sobremordida profunda simultaneamente com a retração, produzindo força intrusiva anterior e extrusiva posterior. Isso pode ser conseguido ativando-se as duas alças com amarrilho e unindo a alça distal à unidade de ancoragem, o que cria um momento para movimento distal de raiz nos dentes anteriores, que tem um componente extrusivo na região do pré-molar, observado, mas não mensurado, no presente trabalho.

A ativação das alças, unindo o Gurin® (distal à segunda alça) à unidade de ancoragem, resultaria
em retração com menor força intrusiva no segmento anterior, observado no teste fotoelástico. Teoricamente, o efeito colateral seria de intrusão do segundo pré-molar, observado, mas não mensurado, no modelo com gelatina. O mesmo efeito pode ser obtido puxando-se o fio e travando-o na distal do segundo molar, ativando as alças como sugerido por Roth.

Conclusões

Após a revisão da literatura e o estudo dos resultados obtidos, pode-se concluir que a força aplicada no braquete por meio da ativação do arco DKL produz efeitos na raiz dentária do dentes, da seguinte forma:

Região de incisivos
• A ativação na alça distal (Suzuki´s tie) pode produzir movimento de retração sem intrusão, pois, funcionando como uma dobra gable, produziria uma força contrária à força extrusiva, inerente à contração da alça.

• A ativação entre as alças e Suzuki´s tie pode produzir movimento de retração com intrusão e momento (torção) distal das raízes.

• A ativação com Gurin® pode produzir movimento com o menor componente intrusivo entre as
diferentes mecânicas testadas, pois não há compensação para o efeito extrusivo inerente à contração da alça do fio de aço, como a dobra gable.

Região de caninos

• A ativação com o Suzuki´s tie pode produzir movimento de retração sem intrusão, pois, funcionando como uma dobra gable, produziria uma força contrária à força extrusiva, inerente à contração da alça.

• A ativação das alças entre si e a ativação com Suzuki´s tie podem produzir movimento de retração com intrusão.

• A ativação com Gurin® pode produzir movimento de retração com o menor componente intrusivo entre as diferentes mecânicas testadas, pois não há compensação para o efeito extrusivo inerente à contração da alça, como a dobra gable.


Link do artigo na integra via Scielo:

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Participe !