ORTODONTIA CONTEMPORÂNEA

terça-feira, 27 de junho de 2017

Tratamento em duas fases da maloclusão de classe II com caninos impactados





Neste artigo de 2017, publicado pela Contemporary Clinical Dentistry, pelos autores Vaibhav Gandhi, Falguni Mehta, Hrishabh Joshi. Do Department of Orthodontics, Government Dental College and Hospital, Ahmedabad, Gujarat, India. Apresenta um relato de caso utilizando aparelho Twin Block na primeira fase de tratamento de má oclusão de Classe II em um paciente em crescimento, e aparelho ortodôntico fixo para acabamento e detalhamento.

No presente relato, uma adolescente do sexo feminino de 14 anos foi ao Departamento de Ortodontia com a queixa principal de dentes da frente superior para fora. O exame clínico revelou que a paciente apresentava relação molar Classe II da divisão 1 de Angle, com todos os dentes permanentes em erupção, incluindo todos os segundos molares, exceto que os quatro caninos decíduos retidos, com caninos permanentes impactados. De acordo com os dados cefalométricos (SNA: 80 °, SNB: 72 °, ANB: 8 °)  observou-se relação de base esquelética Classe II com maxila protognática e mandíbula retrognática, com padrão de crescimento horizontal, aumento da sobressaliência e sobremordida.

O tratamento foi iniciado com o dispositivo removível Twin Block modificado com arco labial (Fase I) para reduzir o overjet, alcançar relações molares de Classe I e obter ancoragem no início do tratamento para simplificar o estágio do aparelho fixo. O objetivo da retenção de dentes decíduos era manter espaço para caninos permanentes. O aparelho foi monitorado a cada 3 semanas e foi mantido no total por 11 meses. Após a conclusão da correção funcional, o tratamento com aparelho fixo foi iniciado usando a prescrição MBT de slot 0,22". Sequencialmente, a progressão do fio foi feita a partir de 0,014 "NiTi, 0,016" NiTi, 0.017 "× 0.025" NiTi termoativado, e fio de aço inoxidável de 0.017 "× 0.025". Depois disso, todos os quatro caninos decíduos retidos foram extraídos e a exposição cirúrgica dos quatro caninos permanentes foi realizada. Em seguida, a progressão do fio foi feita até 0,019 "× 0,025" de aço inoxidável. A duração total do tratamento foi de 24 meses, incluindo 11 meses de fase I e 13 meses de fase II.

Os autores concluíram que o aparelho funcional Twin Block tem maior efeito dentoalveloar com pequeno componente esquelético. E que há uma série de situações em que os aparelhos funcionais podem ser usados com sucesso para corrigir má oclusão Classe II.  Eles simplificam a fase seguinte do aparelho fixo alcançando a relação molar Classe I.

Palavras-chave: Classe II, Aparelho funcional, Maturação esquelética, Twin Block

Agradecimentos a Dra Nathalia Torres pela tradução do artigo e colaboração com o BLOG

Link do Artigo na Integra:


quarta-feira, 21 de junho de 2017

Uma viagem no tempo - Tweed em Tucson-AZ


Durante muitos anos temos postado artigos sobre novas tecnologias neste Blog, bem como na coluna OrtoTecnologia da Revista Orto-SPO. Acceledent, corticotomias, novos desenhos de braquetes, etc. Tudo em primeira mão. Mas também usamos esse espaço para compartilhar com os amigos experiências ligadas a nossa especialidade e que podem, de alguma forma, influenciar positivamente.
Hoje tenho algo diferente para compartilhar com vocês. Algo que retorna aos românticos tempos dos braquetes standards, sem nenhum ajuste, soldas em prata e muita habilidade e conhecimento. Sim, a ortodontia já foi "Homemade".
O processo de desenvolvimento tecnológico seria maravilhoso caso os conceitos básicos não fossem subjugados e aspectos incontroversos não fossem preteridos. Daí a vontade de voltar no tempo foi aumentando e fui ao local de nascimento da nossa especialidade: Tucson, no estado do Arizona - EUA.
É em Tucson que ficava a escola e consultório do Dr. Charles Tweed, bem conhecido de qualquer ortodontista. Hoje funciona no mesmo lugar e com pouquíssimas modificações estruturais, a Fundação Internacional para pesquisas ortodônticas Charles H. Tweed. 

Com algum esforço, poderá ver a cidade de Tucson na foto acima, uma cidade plana, horizontal e nenhum problema de espaço. Em Tucson fica uma importante base da aeronáutica Americana também. Essa foto foi tirada do topo da Lemmon Mountain durante o único dia que tive para sair ao redor e conhecer a cidade.



 Como podem ver, apesar de muitas reformas sofridas, as instalações permanecem muito similares e talvez, caso Dr. Tweed pudesse voltar, ele não sentiria dificuldades em reconhecer a escola dos dias atuais.

O primeiro curso de Ortodontia que fiz foi na UEL (Universidade Estadual e Londrina) com o Dr. James Vaden, e lembro dele ter feito o convite para irmos à Tweed Foundation... Se fazer especialização em Ortodontia já era um sonho naquela época, ir para o Arizona definitivamente não estava nos planos. Eis que 15 anos depois, lá eu estava com o próprio Dr. Jimmy.

 Se você ainda não entendeu o que eu fui fazer lá, permita-me explicar melhor: Além de ser a mais antiga escola de ortodontia do mundo, esse treinamento é uma excelente oportunidade de melhorar as habilidades em confecções de arco, incorporação das 3 ordens de dobras e solda em prata. Em duas semanas simulamos tratamentos de diversas más oclusões em typodonts e confeccionamos dezenas de arcos utilizando braquetes sem qualquer pre ajuste. 

Se na especialização demoramos semanas ou meses para concluir um typo, lá terminávamos em um ou dois dias. Só valeria à pena mesmo se deixasse um pouco de sangue na bancada. OK, feito!

Vermelho como um camarão foi como fiquei quando escutei, em excelente português, a Profa. Marjorie Langer, do Peru, me chamando pelo nome. Se apresentou como seguidora deste Blog e interessada no curso avançado da Academia da Ortodontia Contemporânea (www.ortodontiacontemporanea-academia.com). Uma amizade que começou assim e promete sedimentar-se por muuuuitos anos. Grande abraço, Marjorie!


Essa foto acima é do Team da mesa 2, neste dia liderado pelo Instrutor Dr. Bob Stoner, de Indianápolis. Um abraço ao Dr. Sérgio Mota,  de Juiz de Fora e demais componentes do Japão e Romênia. Ao lado, a equipe do Dr. Paulo Picanço, de Fortaleza, que foi muito bem representado. Uma pena não termos tido tempo para mais integração. 
E para não dizer que não falei das flores... Sim, alguns raros momentos de descontração no jardim atrás do laboratório, onde celebrávamos a ortodontia responsável e satirizávamos os aparelhos milagrosos. Ali de costas, sentado e com um bom senso de humor, Dr. Klontz, que sozinho contaria quase toda a história da ortodontia que conhecemos hoje. Sem dúvida, foi uma grande oportunidade poder conversar e escutar o que ele tem a dizer de foram tão descontraída e informal.


 Como todos os cursos, fica uma saudade até mesmo dos momentos de maior tensão. Grandes amizades foram feitas com colegas residentes, professores, presidentes de associações e clínicos fantásticos do mundo inteiro. Essa foto abaixo reúne ortodontistas de Chicago, Espanha, Republica Dominicana, Austrália, Califórnia, Flórida, Peru e Bahia-Brasil ✋. Espero poder cultivar essas boas amizades por toda a vida. Sabe? Se tem um lugar bom para fazer amizades é na Tweed Foundation. Não tem gente que gosta de atalhos por lá... já é um começo.






















Nesta outra foto estão todos os alunos que finalizaram a turma 123 da Tweed Foundation, 2017. Ali no centro, mais a cima, de camisa branca sou eu! Achou?


Finalizo com esta classica foto da frente da Tweed Foundation. Abraço a todos vocês!


  



segunda-feira, 19 de junho de 2017

Condições de forças ótimas para controlar a mecânica de deslize dos dentes anteriores










Neste artigo de 2009, publicado pela Angle Orthodontist, pelos autores Jun-ya Tominaga; Motohiro Tanaka; Yoshiyuki Koga; Carmen Gonzales; Masaru Kobayashi; Noriaki Yoshida; do Department of Orthodontics and Dentofacial Orthopedics, Nagasaki University Graduate School of Biomedical Sciences, Nagasaki, Japão; Mostra através de um estudo com elementos finitos a eficiência de uma mecânica de deslize com o auxilio de mini implantes.


Este estudo teve o objetivo de determinar ótimas condições de carga, como a altura da retração e vigor do braço de força e sua posição no arco ortontico na mecânica de deslizamento. o metodo 3D de Elementos Finitos (MEF) foi usado para simular a retração maciçamente dos dentes anteriores na mecânica de deslizamento. O grau de alteração labiolingual dos incisivos centrais superiores foi calculado e o vigor da retração foi aplicado a diferentes alturas de um determinado braço de força localizado a mesial ou distal do canino.


Quando o braço de força foi colocado a mesial do canino, o nível de 0 mm (braquete nível do slot), foi observado uma inclinação lingual descontrolada da coroa do incisivo e o segmento anterior do arco ortodontico foi deformada para baixo. Na altura do braço de força de 5,5 mm, o movimento corporal foi produzido e os acos ortodonticos foram menos deformados. Quando a altura do braço de força excedeu 5,5 mm, o segmento anterior do arco ortodontico foi levantado para cima e a inclinação lingual da raiz ocorreu. Quando o braço de força foi posicionado a distal do canino, uma inclinação lingual da coroa foi observada até um nível de 11,2 mm.


A colocação do braço de força e de um arco ortodontico entre o incisivo lateral e o canino permite aos ortodontistas manter um melhor controle dos dentes anteriores em uma mecânica de deslizamento. Ambos os princípios biomecânicos associados ao centro da resistência do dente e da deformação do arco ortodontico devem ser tidos em consideração para a previsão e planejamento ortodôntico na movimentaçao dentaria.




Link do artigo na integra via Angle Orthodontist:


segunda-feira, 5 de junho de 2017

Tratamento da maloclusão de classe III com ancoragem esquelética, e seus efeitos nas vias aéreas respiratórias





Este artigo publicado em 2015 pelo Angle Orthodontist, pelos autores Tung Nguyen; Hugo De Clerck; Michael Wilson; Brent Golden. Do Department of Orthodontics, School of Dentistry, University of North Carolina, Chapel Hill, NC. Apresenta um estudo comparativo do efeito do tratamento da maloclusão de Classe III com ancoragem esquelética, sobre as vias aéreas respiratória nestes pacientes.

O artigo comparou os volumes das vias aéreas respiratórias e as alterações mínimas na secção transversal em pacientes com maloclusão de classe III tratados com protração maxilar esquelética (PME) versus grupo controle de pacientes com Classe III não tratados. 

Foram avaliados vinte e oito pacientes com Classe III esquelética, na faixa etária entre 10 e 14 anos (idade média de 11,9 anos), tratados com PME, foram instaladas quatro miniplacas, sendo duas na crista infra-zigomática e duas entre os incisivos laterais e caninos inferiores. As miniplacas modificadas (Bollard, Tita-Link, Bruxelas, Bélgica) foram fixadas ao osso por dois (mandíbula) ou três (maxila) parafusos, com diâmetro de 2,3 mm, e 5 mm de comprimento. As extensões das placas perfuraram a gengiva inserida próxima à junção mucogengival. Três semanas após a cirurgia, as miniplacas foram ativadas usando elásticos de Classe III com de 100g de força de cada lado. A força foi aumentada para 200g após 1 mês de tração, e para 250g após 3 meses. Os pacientes foram orientados substituir os elásticos pelo menos uma vez por dia e usa-los por 24 horas por dia. Nos casos de sobremordida associada, foram inseridas placas de mordida no arco superior para eliminar a interferência oclusal. 

Os avaliados fizeram tomografias computadorizadas de feixe cônico (TCFC) tomadas antes dos tratamento (T1) e 1 ano após (T2). Vinte e oito pacientes Classe III não tratados com idade média de 12,4 anos, tiveram TCFC tomadas e cefalogramas gerados. Os volumes das vias aéreas foram avaliadas usando o software Dolphin Imaging 11.7 3D. 
De T1 a T2, o volume das vias aéreas dos pacientes tratados com PME apresentou aumento significativo (1499,64 mm3 ). A área na secção mais estreita aumentou ligeiramente (15,44 mm2). O volume das vias aéreas de pacientes com PME em T2 foi 14136,61 mm3, em comparação com pacientes Classe III não tratados foi de 14432,98 mm3. 
Os autores concluíram que o tratamento com PME não impediu o desenvolvimento da orofaringe. (Angle Orthod.2015; 85: 591-596.)

PALAVRAS-CHAVE: Ancoragem esquelética; Via aérea; Classe III

Artigo Traduzido pela Colega: Nathalia Torres

Link do Artigo na Integra via Angle Orthodontist:


terça-feira, 30 de maio de 2017

Micro-osteoperfurações como acelerador do movimento ortodôntico. Inovação ou precipitação?







Saiu mais um artigo da coluna OrtoTecnologia da Revista da Sociedade Paulista de Ortodontia. Que foi abordado o protocolo de osteoperfurações para aceleração do movimento dentário.

Pacientes e ortodontistas se beneficiariam com métodos para reduzir o tempo total do tratamento. Mais pacientes iniciariam seu tratamento e os que já estão em tratamento ficariam mais satisfeitos ao concluírem. Há muitas etapas no tratamento ortodôntico que podem influenciar no tempo total do mesmo, mas o grande desafio atual é modular as respostas biológicas às forças ortodônticas aplicadas. 

Entre os métodos menos invasivos de tentar potencializar a liberação de mediadores químicos estão as micro osteoperfurações. Essas pequenas perfurações da cortical alveolar causam injúria nos tecidos e estimulam o fenômeno aceleratório regional (RAP). Por sua praticidade e boa aceitação pelos pacientes, este procedimento tem sido visto com grande interesse pelos ortodontistas clínicos e pesquisadores. No entanto, os estudos ainda possuem alto risco de viés e apenas um estudo clínico foi realizado. 

Concluiu-se que ainda não há suporte científico para a recomendação de MOPs na clínica diária, devendo-se aguardar mais estudos clínicos randomizados e controlados que evidenciem possíveis efeitos colaterais, custos biológicos relacionados e os reais benefícios da sua indicação.

Link do artigo  via OrtoCiencia:

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Validade da superposição palatina tridimensional de modelos digitais, em casos tratados com expansão rápida da maxila e mascaras de protração maxilar



Neste artigo de 2012, publicado pelo The Korean Journal of Orthodontics, pelos autores Jin-Il Choi, Bong-Kuen Cha, Paul-Georg Jost-Brinkmann, Dong-Soon Choi, In-San Jang; do Departament of Orthodontics, College of Dentistry, Gangneung-Wonju National University, Gangneung, Korea;  Departament of Orthodontics, Dentofacial Orthopedics and Pedodontics, Center for Dental and Craniofacial Sciences, Charité- Universitätsmedizin, Berlin, Germany; Mostra um estudo que compara os modelos digitais tridimensionais através de um superposição com o objetivo de avaliar os resultados da disjunção maxilar associada a protração.

O propósito deste estudo foi avaliar a validade do método de sobreposição tridimensional (3D) de modelos digitais em pacientes que receberam o tratamento com expansão rápida da maxila (ERM) associada a protração maxilar.

O material consistiu de modelos dentários digitais superiores pré e pós-tratamento além de cefalogramas laterais de 30 pacientes, que foram submetidos a RME e tratamento protração maxilar. Os modelos digitais foram sobrepostas utilizando o palato como uma área de referência. O movimento do incisivo central superior e primeiro molar foi medido nos cefalogramas sobrepostos e nos modelos 3D digitais. Para determinar se existia alguma diferença entre as duas técnicas de medição, as  correlação intra-classe (ICC) e Bland-Altman foram analisados.

As medições de sobreposição dos modelos 3D digitais e cefalogramas mostrou uma correlação muito alta em relação a direção ântero-posterior (ICC, 0,956 para 0,941 incisivo central e para primeiro molar) e uma correlação moderada na direção vertical (ICC, 0,748 para incisivo central e 0,717 para primeiro molar). 

Os autores concluíram que o método de sobreposição de modelos 3D utilizando o palato como um a área de referência é clinicamente confiável para avaliar a movimentação dentária antero-posterior assim como a sobreposição cefalométrica, mesmo nos casos tratados com aparelhos ortopédicos, tais como RME e mascaras de protração maxilar.

Link do artigo na integra via e-kjo:

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Variante do gene receptor hormonal do crescimento e da morfologia tridimensional mandibular



Neste artigo publicado em 2017, na Angle Orthodontist, pelos autores Takatoshi Nakawaki; Tetsutaro Yamaguchi; Mutsumi Isa; Akira Kawaguchi;Daisuke Tomita; Yu Hikita; Yoko Suzuki-Tomoyasu; Mohamed Adel; Hajime Ishida; Koutaro Maki; Ryosuke Kimura; do Department of Orthodontics, School of Dentistry, Showa University, Tokyo, Japan, Department of Human Biology and Anatomy, Graduate School of Medicine, University of the Ryukyus, Okinawa, Japan; Department of Human Biology and Anatomy, Graduate School of Medicine, University of the Ryukyus, Okinawa, Japan; Mostra um estudo de marcadores genticos que norteiam o crescimento tridimensional da mandíbula.
 
 Foi realizado um estudo com intuito de examinar a relação entre a morfologia tridimensional mandibular e as variantes do gene do receptor da hormonal do crescimento (GHR) numa população japonesa saudável.

Os sujeitos eram pacientes ortodônticos japoneses não relacionados, consistiam em 64 homens e 114 mulheres. Utilizando o ensaio de genotipagem de Taqman, as variantes do gene GHR rs6184 e rs6180 foram detectadas no DNA genómico extraído da saliva. O volume e o comprimento mandibular foram medidos a partir de imagens de tomografia computadorizada cone-beam e foram analisadas usando o software de processamento de imagem Analyze. A relação entre as variantes do gene GHR e a morfologia mandibular tridimensional foi analisada estatisticamente.

Foi observada significância estatística para a relação entre a distância entre os processos coronoide esquerdo e direito e rs6180 (P, 0,05).

Os autores concluíram que os resultados indicaram que a variante do GHR rs6180 está associada à distância entre o processo coronoide esquerdo e direito nos pacientes japoneses.

Link do artigo na integra via Angle Orthodontist:

 
 

segunda-feira, 1 de maio de 2017

O que será que os pacientes falam, de forma espontânea, sobre braquetes e alinhadores?

Saber se comunicar bem com o paciente pode ser um grande diferencial na vida clínica. Para isso, entender as demandas, expectativas e o que sente os pacientes antes, durante e após o tratamento é muito importante.

Ao serem perguntados sobre sua experiência com os parelhos, os pacientes podem se sentir acanhados para responder abertamente o que sentem. Daí um grupo de pesquisadores Americanos da Virginia Commonwealth University em Richmond, Va, pesquisaram os comentários espontâneos dos usuários do twitter (rede social) para saber o que pensam eles sobre os aparelhos ortodônticos e se eles expressam mais pontos positivos na rede sobre aparelhos tradicionais ou sobre Invisalign. Legal, não!?
Os autores (Daniel Noll ; Brendan Mahon ; Bhavna Shroff ; Caroline Carrico ; Steven J. Lindauer) objetivaram, neste estudo, examinar as experiencias ortodônticas dos paciente com aparelhos tradicionais de braquetes em comparação com as dos que usam Invisalign, por meio de uma análise em grande escala do Twitter. A hipótese nula foi a de que não há diferença entre os sentimentos expressados nos tweets sobre braquetes e Invisalign.

Foi criado um programa personalizado de coleta de dados que coletou tweets contendo as palavras '' braquetes '' ou '' Invisalign '' por um período de 5 meses. Uma análise de classificação de sentimento foi desenvolvida para classificar os tweets em cinco categorias: positivo, negativo, neutro, propagandas, ou não aplicável. Cada categoria então teve seu conteúdo específico analisado.
Resultados: Foram coletados um total de 419.363 tweets aplicáveis à ortodontia. Usuários postaram
Tweets significativamente mais positivos (61%) do que tweets negativos (39%; P .0001). Não houve diferença significativa na distribuição do sentimento positivo e negativo entre braquetes e tweets Invisalign (P .4189). Tweets positivos relacionados à Ortodontia muitas vezes destacou gratidão por um grande sorriso acompanhado com selfies. Tweets ortodônticos negativos freqüentemente focava na dor.


Conclusões: 

  • Os usuários do Twitter compartilharam sentimentos mais positivos do que negativos sobre suas experiências ortodônticas.
  • Não houve diferença significativa na distribuição do sentimento positivo e negativo entre tweets sobre braquetes e tweets sobre Invisalign.
  • Tweets ortodônticos negativos freqüentemente focados na dor.
  • Tweets ortodônticos positivos muitas vezes ressaltou a gratidão por um grande sorriso acompanhado por selfies.
Link para o artigo original aqui.




domingo, 30 de abril de 2017

Pensamento da semana



Não interessa o quanto bom você é, mas o quanto você quer ser.

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terça-feira, 25 de abril de 2017

Tensões, fatores que afetam o osso cortical ao redor do miniparafuso. Um estudo tridimensional com elementos finitos




Neste artigo de 2012, publicado pela Angle Orthodontist, pelos autores Ramzi Duaibis; Budi Kusnoto; Raghu Natarajan; Linping Zhao; Carla Evans; do Department of Orthodontics, University of Illinois at Chicago; Department of Orthopedic Surgery, Rush University Medical Center e do Craniofacial Center, University of Illinois at Chicago, and Biomedical Engineering, Shriners Hospitals for Children-Chicago, Chicago. Mostra uma pesquisa realizada pelo metodo de elementos finitos das tensões geradas no osso cortical após a inserção de mini parafusos.

O artigo descreve um estudo realizado com o objetivo de Avaliar os vários tipos de estresse no osso cortical ao redor de mini parafusos, usando análise de elementos finitos.

Vinte e seis conjuntos tridimensionais de modelos de mini parafusos foram colocados em blocos ósseos alveolares, que foram construídos usando Abaqus (Dassault Systemes Simulia Corp, Providence, RI), um pacote comercial de software para análise de elementos finitos. As variáveis ​​do modelo, incluindo fatores como o design do implante  e do osso foram relacionados. Todos os mini parafusos foram instalados por mesial com uma força linear igual a 2 N. O "pico de von Mises" e os valores das principais tensões no osso cortical foram comparados entre os diferentes modelos para cada fator.

Os resultados demonstraram que alguns fatores afetam as tensões no osso (diâmetro do implante, comprimento da cabeça do implante, tamanho de rosca e o módulo de elasticidade de osso esponjoso), enquanto que outros fatores não o fizeram diferença (forma rosca, "passo" de rosca e espessura do osso cortical).

Os autores concluíram o diâmetro do mini parafuso, comprimento da cabeça e o tamanho da rosca, bem como os módulos de elasticidade do osso esponjoso afetam as tensões na camada cortical do osso circundante ao mini parafuso e podem, por conseguinte, afetar a sua estabilidade.

Link do artigo na integra via Angle Orthodontist:

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Tratamento ortodôntico acelerado com corticotomia assistida e com exposição dos caninos impactados palatinamente




Neste artigo de 2007, publicado pela Angle Orthodontist, pelo autor Tom J. Fischer; Instructor, Graduate Orthodontics, Harvard University, Boston; Mostra uma importante manobra para facilitar o deslocamento de caninos impactados.

O objetivo deste artigo foi avaliar a eficácia de uma nova técnica cirúrgica para o tratamento da caninos impactados palatinamente.

Seis pacientes consecutivos com caninos impactados bilateralmente foram comparados. Um dos caninos foi cirurgicamente exposto usando uma técnica cirúrgica convencional, enquanto o canino contralateral foi exposto usando uma corticotomia através de uma técnica assistida.

Apósa movimentação dentária concluída, comparações estatísticas entre os dois métodos revelou uma redução do tempo de tratamento de 28-33% para o corticotomia assistida dos caninos. Não foram observadas diferenças significativas na condição periodontal final entre os caninos expostos por estes dois métodos.

Este estudo preliminar apoia o conceito de que uma técnica de corticotomia-cirúrgica assistida ajuda a reduzir o tempo de tratamento ortodôntico dos caninos impactados palatinamente.


Link do artigo na integra via Angle Orthodontist:

terça-feira, 11 de abril de 2017

Fios ortodônticos: conhecer para otimizar a aplicação clínica


Neste artigo de 2009, publicado pela Revista Dental Press, pelas autoras Cátia Cardoso Abdo Quintão, Ione Helena Vieira Portella Brunharo; da disciplina de Ortodontia da Faculdade de Odontologia da UERJ - Rio de Janeiro. Resume as principais características dos fios utilizados em Ortodontia, em relação ao histórico, propriedades mecânicas e aplicação clínica, de acordo com fases específicas de tratamento.


O bom ortodontista deveria possuir a habilidade manual de um artesão e o conhecimento profundo da ciência ortodôntica. Porém, o profissional poderia se questionar: “Estudar fios ortodônticos melhoraria a habilidade manual do ortodontista, ou aumentaria a sua clientela?”. Se apenas a habilidade manual bastasse, grandes artesãos seriam excelentes ortodontistas. Portanto, o conhecimento a respeito de fios ortodônticos permite ao profissional realizar movimentos maiseficientes e evitar danos aos dentes e tecidos de suporte.


A mecânica ortodôntica é baseada no princípio da acumulação de energia elástica e transformação dessa energia em trabalho mecânico, por meio da movimentação dos dentes. Cada ajuste do aparelho armazena e controla o mecanismo de transferência e distribuição das forças. Um ótimo controle do movimento dentário requer a aplicação de um sistema de forças específico, que é devidamente guiado por meio de acessórios, tais como os fios ortodônticos.


Desde quando os primeiros profissionais vislumbraram a possibilidade de promover a movimentação dentária, essa era obtida pelo apoio dos dentes nos fios. Edward Angle foi, indubitavelmente, o patrono da Ortodontia mundial. A especialidade foi a primeira reconhecida pela Odontologia e comemorou 100 anos no congresso da American Association of Orthodontists (AAO), em Chicago/EUA, no ano de 2000. Inicialmente, em 1887, Edward Angle utilizava ligas de níquel-prata para acessórios ortodônticos. Posteriormente, as substituiu pelas ligas de cobre, níquel e zinco, sem prata. Finalmente, as ligas de ouro passaram a ser as de sua escolha.


Até o início da década de 1930, a liga de ouro (tipo IV) foi a mais empregada na fabricação de acessórios ortodônticos. O ouro de 14 a 18 quilates foi rotineiramente utilizado, naquela época, para fios, bandas, ganchos e ligaduras, assim como as bandas e os arcos de irídio-platina. A vantagem das ligas de ouro residia no fato de serem tratadas termicamente, de forma a variar sua rigidez em cerca de 30%, e possuírem excelente resistência à corrosão. No Brasil, as ligas de ouro foram utilizadas pelos pioneiros da Ortodontia brasileira, professores da Universidade Federal do Rio de Janeiro, até o início da década de 1950.


Os aços inoxidáveis foram introduzidos na Ortodontia em 1929, quando a empresa americana Renfert Company começou a vender fios dessa liga, produzida pela empresa alemã Krupp. No Congresso da AAO de 1931, Norris Taylor e George Paffenbarger introduziram o aço como substituto ao ouro, alegando possuir maior resiliência e menor possibilidade de rompimento sob tensão. Em 1933, o fundador da empresa Rocky Mountain, Archie Brusse, sugeriu o primeiro sistema de aplicação clínica do aço inoxidável em Ortodontia, durante o encontro da Sociedade Americana, na cidade de Oklahoma. A partir de então, a rivalidade entre o ouro e o aço se iniciou formalmente. Fatores econômicos, indubitavelmente, influenciaram, em todo o mundo, esta vasta aceitação do aço em relação ao ouro.


Foi a Elgin Watch Company que, na década de 40, desenvolveu a liga de cobalto-cromo composta por cobalto (40%), cromo (20%), prata (16%) e níquel (15%), primeiramente utilizada na fabricação de molas para relógios. Na década de 60, as ligas de cobalto-cromo foram introduzidas na Ortodontia e patenteadas como Elgiloy®, pela Rocky Mountain Orthodontics.


A liga de beta-titânio tem sido utilizada como material estrutural desde 1952. Porém, até 1979, a tecnologia de trefilação não permitia a fabricação de fios com secções transversais compatíveis com as aplicadas em Ortodontia. Em 1977, a fase beta do titânio foi estabilizada à temperatura ambiente. As primeiras aplicações clínicas dessa liga para a Ortodontia ocorreram na década de 80, quando uma forma diferente de titânio, chamado “de alta temperatura”, foi sugerida. A partir de então, ganharam vasta aceitação clínica e popularidade, sendo comercialmente disponibilizados como “TMA” (titanium molybdenum alloy) e, durante muitos anos, apenas uma empresa possuía o direito de fabricação. Atualmente, o mercado oferece um maior número de marcas comerciais.


Em 1963, as ligas de níquel-titânio foram desenvolvidas no Laboratório Naval Americano, em Silver Springs – Maryland, pelo pesquisador Willian Buehler. Ele observou pela primeira vez o chamado “efeito memória de forma” desse material. Não havia ainda aplicação dessa liga na Ortodontia. Em 1972, a Unitek Corporation produziu essa liga para uso clínico, sob o nome comercial de Nitinol®, composta por 55% de níquel e 45% de titânio, numa estrutura equiatômica. Entretanto, naquela época, a liga não possuía efeito memória de forma ou superelasticidade. Mesmo assim, foi considerada como um avanço para a obtenção de forças leves sob grandes ativações. Em 1976, váriasmarcas de fios de níquel-titânio foram colocadas no mercado ortodôntico e os mesmos foram caracterizados como materiais de alta recuperação elástica e baixa rigidez, ganhando vasta aceitação clínica por essas propriedades. Não apresentavam, entretanto, efeitos de termoativação nem superelasticidade.


As ligas termodinâmicas de níquel-titânio surgiram, para fins comerciais, na década de 90. Além das propriedades de recuperação elástica e resiliência dos fios superelásticos, os fios de níqueltitânio termodinâmicos possuem a característica adicional da ativação pela temperatura bucal.


Como o tratamento ortodôntico estende-se por vários meses, a aparência da aparelhagem é avaliada pelos pacientes como um fator significativo a ser considerado. A demanda pela estética fez com que diversas empresas começassem a produzir, no final da década de 70, braquetes não-metálicos, de policarbonato ou cerâmicos. Atualmente, os braquetes estéticos representam uma realidade na clínica ortodôntica, oferecendo uma alternativa aos metálicos. Entretanto, o mesmo não ocorreu em relação aos fios estéticos, que foram pouco relatados na literatura ortodôntica até meados da primeira década do século XXI.


Muitos ortodontistas escolhem determinados fios ortodônticos com base em impressões clínicas. O ideal, entretanto, seria que a utilização deles estivesse diretamente relacionada ao conhecimento de suas propriedades mecânicas. Na época em que a grande maioria dos ortodontistas utilizava apenas arcos de aço inoxidável com módulos de elasticidade praticamente idênticos para o mesmo diâmetro, a ferramenta mais comumente utilizada para dosar a quantidade de força aplicada era a variação da secção transversal do fio. Com a introdução de novas ligas no mercado que apresentam diferentes propriedades mecânicas, assim como ligas de níquel-titânio e betatitânio, o ortodontista passou a dispor de variáveis adicionais para obter o controle sobre a magnitude da força aplicada.


A utilização de arcos cujas dimensões podem permanecer constantes enquanto suas propriedades mecânicas são alteradas, a fim de atingir aquelas desejadas em determinada fase do tratamento, em teoria, poderia levar a uma menor quantidade de trocas de arco. Porém, para desempenhar esse papel de forma satisfatória, é preciso saber se o arco em questão apresenta a durabilidade necessária para permanecer na cavidade bucal por um período igual ou maior do que a média de permanência dos arcos utilizados até então.


Conhecer cientificamente os fios ortodônticos é tarefa árdua e longa. O tema, entretanto, se torna fascinante na medida em que possibilita ao profissional escolher o melhor protocolo de tratamento para o paciente, realizando tratamentos mais eficazes, mais rápidos, de menor custo e com menor possibilidade de causar danos aos dentes e tecidos de suporte. O mais importante advento do conhecimento de fios, entretanto, reside no fato de permitir ao ortodontista optar por materiais com segurança na escolha, sem se deixar influenciar apenas por recursos de propagandas.




Link do artigo na integra via Scielo:


quarta-feira, 5 de abril de 2017

O tratamento ortodôntico realizado em dentes tratados endodonticamente




Saiu na ultima edição da Revista Cientifica Ortodontia SPO mais uma coluna OrtoTecnologia. Que mostra os cuidados do manejo ortodontico em dentes tratados endodonticamente.  


Resumo:  

O tratamento ortodôntico de dentes não vitais ainda é um assunto controverso que gera discussões e dúvidas, sendo necessários mais estudos que permitam uma melhor compreensão do assunto. É comum que, na maioria das vezes, este tipo de tratamento seja baseado em opiniões que se fundamentam em observações do dia a dia clínico. Por esse motivo, busca-se compreender melhor a relação entre a Endodontia e a Ortodontia, explorando situações como: possibilidade de reação pulpar devido à movimentação, entender se há diferença ao movimentar dentes não vitais e os tempos de espera para início ou continuação dos mesmos, esclarecer as particularidades do movimento no caso de dentes traumatizados e compreender se os dentes que passaram por endodontia têm maior chance de reabsorção do que dentes vitais durante a movimentação ortodôntica. A partir das dúvidas levantadas e da revisão realizada, pôde-se concluir que: a movimentação ortodôntica gera reações pulpares, no entanto, estas são leves e transitórias na maioria dos casos; tratamento endodôntico prévio não contraindica a movimentação induzida, desde que a obturação do conduto tenha sido realmente bem realizada e haja saúde do ligamento periodontal; existem tempos específicos para iniciar ou retomar a movimentação após a endodontia, considerando as particularidades de cada caso; não há diferença estatística capaz de afirmar que dentes não vitais sofrem mais reabsorção do que dentes vitais durante a Ortodontia. O que se pode considerar como fator predisponente para reabsorção seriam os dentes traumatizados, com raízes curtas e de forma irregular.  

Link do Ortociencia: 

http://www.ortociencia.com.br/Artigo/Index/22282


terça-feira, 4 de abril de 2017

Intrusão do primeiro molar superior extruido usando dois miniparafusos ortodonticos
























Neste artigo de 2007, publicado na Angle Orthodontist, pelos autores Neal D. Kravitza; Budi Kusnotob; Peter T. Tsayc; William F. Hohltd; do departamento de Ortodontia da Universidade de Illinois em Chicago. Mostram mais uma das aplicabilidades e soluções dos mini implates ortodonticos.


A perda do primeiro molar inferior conduz frequentemente à extrusão do oponente, o primeiro molar superior, resultando em interferências oclusais, perda do suporte ósseo periodontal, e local inadequado para reabilitar o espaço desdentado inferior.


Sem intrusão ortodontica do molar extruido ou de uma cirurgia segmentada de impacção cirúrgica, o restabelecimento da oclusão posterior implica muitas vezes a necessidade de redução significativa da coroa do molar superior, com a eventual necessidade de dispendioso tratamento do canal radicular e colocação de coroa protética.


A literatura tem mostrado uma redução da rebilitação protética do molar, em função da intrusão utilizando miniparafusos ortodônticos palatinos e vestibulares e miniplacas fixadas na região do zigomático.


Neste artigo, os autores apresentam com êxito a intrusão ortodôntica de um molar superior com dois miniparafusos, em um paciente com extrema ansiedade e significativa erosão dental devido ao refluxo gástrico. Usando dois miniparafusos ortodônticos para fixação esquelética para intruir o molar superior, simplificando desta forma, o tratamento ortodôntico, eliminando a necessidade de uma extensa cirurgia, aparelho e extrabucal, e ancoragens intraorais, preservando todo esmalte dentário da unidade dentaria extruida.


Os resultados clínicos mostraram significativa intrusão através da cortical do assoalho do seio maxilar, mantendo saúde periodontal, vitalidade dental e sem o comprimento radicular.




Link do Artigo na Integra via Angle Orthodontics: