ORTODONTIA CONTEMPORÂNEA

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Entrevista com o Professor Dr. Seong-Hun Kim - Parte 1




O BLOG Ortodontia Contemporânea tem a grande honra de dividir com os leitores que nos seguem diariamente, mais uma entrevista, com um pesquisador de renome Internacional o Professor Dr. Seong-Hun Kim da Universidade de Kyung Hee, em Seul, na Coréia. Que gentilmente irá dividir conosco nestes  03 dias novos conceitos ligados a Corticotomia, ao tratamento Ortodontico Acelerado, inclusive a engenharia tecidual que associa enxertos ósseos  a corticotomia em "áreas críticas". Acompanhem aqui, mais esta valiosa difusão de conhecimento .... 


Marlos Loiola -  Dr. Seong-Hun Kim, conte-nos um pouco sobre a sua carreira na Ortodontia, pós-graduações, ensino, trabalhos realizados e publicados.

Dr. Seong-Hun Kim (DMD, MSD, PhD) -  Sou Professor Associado e membro da cadeira do Departamento de Ortodontia da Faculdade de Odontologia, da Universidade de Kyung Hee, em Seul, na Coréia. Sou também  professor assistente visitante da Divisão de Ortodontia, do Departamento de Ciências Orofaciais da Universidade da Califórnia, São Francisco (UCSF) e professor visitante associado do Departamento de Ortodontia do Hospital Nacional de Odontologia e Estomatologia em Ho Chi Minh City, Vietnã. 

Recebi o  titulo de especialista em Ortodontia e MS (Mestrado) no Departamento de Ortodontia da Faculdade de Odontologia da Kyung Hee University, Seoul, Coréia do Sul, e doutorado no Departamento de Ortodontia da Faculdade de Odontologia da Universidade Nacional de Seul, Seul, Coréia. 

Fui professor assistente da Divisão de Ortodontia da Universidade Católica da Coréia, Hospital Uijongbu de Santa Maria e Escola de Pós-Graduação em Ciências Odontológicas Clínica.

Atualmente sou o diretor da Associação Coreana de Ortodontistas, Editor  no Jornal coreano de Ortodontia (Revista SCIE), na área de Casos Clínicos em Seul, na Coréia e também faço parte do conselho revisor editorial do American Journal of Orthodontics and Dentofacial Orthopedics, The Angle Orthodontist, Orthodontics and Craniofacial Research, Saudi Medical Journal, International Journal of Oral and Maxillofacial Implants (SCI journal), and World Journal of Orthodontics. Sou membro da World Federation of Orthodontists (WFO) e Sociedade Coreana de Ortodontia acelerada (KSSO).

Ministro palestras e apresento seminários nos Estados Unidos e internacionalmente sobre novos tipos de dispositivos temporários de ancoragem esquelética relacionados com tratamentos ortodônticos e métodos de engenharia de tecidos em diversos  casos anatomicamente complexos. Também ensino e leciono na Faculdade de Odontologia da UCSF sobre ortodontia e implantes, sou  autor de cinco livros internacionais e mais de 120 artigos científicos nacionais e internacionais  sobre o tema.


Marlos Loiola - O que vem a ser a Corticotomia?

Dr. Seong-Hun Kim -  A corticotomia é definida como um procedimento cirúrgico em que apenas o osso cortical é cortado, perfurado, ou mecanicamente alterado enquanto osso medular não é alterado. Isto vai em contraste com uma osteotomia, que é definido como um corte cirúrgico através de ambos os ossos cortical e medular.

Heinrich Kole (1959) descreveu pela primeira vez a moderna corticotomia facilitando a ortodontia. Ele interpretou o movimento dentário rápido sendo atribuível ao movimento do "bloco ósseo" após a cirurgia corticotomia. Ele considerava que a espessura da camada mais densa de osso cortical gerava mais a resistência ao movimento de dente. Contudo, um estudo Wilcko et al. (2001), mostrou que o movimento rápido do dente não foi o resultado do movimento do bloco ósseo, mas sim um processo transiente de desmineralização / remineralização localizado no invólucro do osso alveolar consistente com o padrão de cicatrização de feridas do RAP. Num esforço para aumentar os volumes ósseos após a aplicação de forças ortodônticas, eles também sugerem a utilização de osso em partículas de enxerto em combinação com os procedimentos descorticação.

Expandindo o campo corticotomia, o novo conceito da "Speedy ortodontia cirúrgica (SSO)", envolve uma corticotomia perisegmental, uma miniplaca C-palatal e um afastador C-palatal como componentes essenciais no tratamento de protrusão maxilar em adultos foi introduzido pelo Dr. Kyu-Rhim Chung, antigo presidente da Associação Coreana de Ortodontia e meu chefe.





Dr. Kyu-Rhim Chung

Embora ambas, a “Speedy” ortodontia cirúrgica e a corticotomia facilitadora a ortodontia utilisarem uma corticotomia perisegmental, a técnica anterior, o bloco ósseo corticotomizado inclui 6 dentes anteriores em vez de um único dente. Mais importante, a “Speedy” ortodontia cirúrgica pode induzir a um efeito de flexão óssea, aplicando uma força ortopédica pesada contra um dispositivo de ancoragem esquelética palatal temporária. 

Outra parte do novo conceito para a corticotomia é a “Speedy” ortodontia osteogênica (SOO). Que é uma técnica valiosa para a descompensação dos dentes anteriores inferiores em pacientes Classe III submetidos à terapia de ortognática. Que será ainda descrito na oitava pergunta desta entrevista.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Historia da Ortodontia - Protocolo para Cirurgia Ortognática









 
Em 1903, o professor Edward Hartley Angle publicou, no periódico científico Dental Cosmos, um artigo que descrevia detalhadamente uma técnica cirúrgica bem elaborada para a época, e voltada a correção de uma má formação esquelética de Classe III em um paciente, sendo apresentada no metting anual de Ortodontia que sua sociedade organizava. 



Neste artigo, o autor relatou que o procedimento foi desenvolvido pelo jovem cirurgião V. P. Blair, que produziu cirurgicamente duas fraturas em segmentos simétricos bilaterais da mandíbula, reposicionando os segmentos em uma relação de Classe I, corrigindo, desta forma, a desarmonia daquela estrutura óssea. 






O Dr. Blair teve o cuidado prévio de simular a cirurgia em um modelo de gesso e mostrar o possível resultado ao paciente. Feito isso, o cirurgião construiu splints que serviram de guias cirúrgicos e de fixação pós-operatória. 



 O Dr. Angle ficou bem impressionado com técnica apresentada e pelo o resultado obtido, tanto a nível de estrutura óssea como nas linhas de expressão facial. Neste artigo, o Dr. Angle demonstrou grande interesse pelo protocolo descrito, finalizando o artigo relatando que “O futuro desta cirurgia será um complemento científico da minha especialidade – a Ortodontia”.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Efeito do laser de baixa potência no crescimento condilar durante avanço mandibular em coelhos


Neste artigo de 2012, publicado pelo HEAD & FACE MEDICINE, pelos autores Mostafa Abtahi, Maryam Poosti, Nasrollah Saghravanian, Kamran Sadeghi and Hooman Shafaee, do Orthodontic Dept, School of Dentistry, Islamic Azad University, Tehran, Iran. Mostra um estudo histologico em coelhos submetidos a terapeutica ortopedica de projeção mandibular e aplicação de laser de baixa potência.

Tem sido demonstrado que laser de baixa potência (LLL) tem um efeito positivo sobre a formação óssea. O objetivo deste estudo foi avaliar o efeito do laser de baixa potência no crescimento condilar durante o avanço da mandíbula em coelhos.
o avanço para a frente e contínuo mandibular foi realizado em 14 coelhos albinos machos com a média de idade de 8 semanas e com peso médio de 1,5 ± 0,5 kg, com planos inclinados de acrílicos. Os coelhos foram distribuídos aleatoriamente em dois grupos, após 4 semanas. Laser de baixa potencia (KLO3: comprimento de onda de 630 nm) foi irradiado em 3 pontos em torno da ATM, através da pele no primeiro grupo. A exposição foi realizada durante 3 minutos em cada ponto (um total de 9 minutos) uma vez por dia durante 3 semanas. O grupo de controle não foi exposto a qualquer irradiação. Os coelhos de ambos os grupos foram sacrificados após dois meses, e a avaliação histológica da ATM foi realizada para comparar o tecido fibroso, cartilagem e formação de novo osso na região condilar em ambos os grupos. O deslocamento do disco também foi detectado em ambos os grupos. Teste t de Student, Fisher e os testes de qui-quadrado foram utilizados para a análise estatística.
A formação de tecido fibroso foi significativamente mais baixa, enquanto que a formação de osso foi significativamente maior no grupo irradiado com Laser em comparação com o grupo de controle. A espessura da cartilagem não diferiram significativamente entre dois grupos.
Os autores concluiram que a irradiação com laser de baixa potência (KLO3) durante o avanço da mandíbula em coelhos, aumenta a formação de osso na região condilar, enquanto nenhum aumento na espessura da cartilagem e nem de tecidos fibrosos foram observadas.

Link do artigo na integra via ncbi:

domingo, 23 de novembro de 2014

Pensamento da Semana


"A força não provém da capacidade física e sim de uma vontade indomável."


Mahatma Gandhi

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Anomalias dentárias associadas: o ortodontista decodificando a genética que rege os distúrbios de desenvolvimento dentário


Neste artigo de 2010, publicado pelo Dental Press Journal of Orthodontics, pelos autores Daniela Gamba Garib, Bárbara Maria Alencar, Flávio Vellini Ferreira, Terumi Okada Ozawa; do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais e Faculdade de Odontologia de Bauru – Universidade de São Paulo, Bauru/SP; do curso de mestrado em Ortodontia da Unicid - São Paulo. Versa sobre o diagnóstico e a abordagem ortodôntica das anomalias dentárias, enfatizando os aspectos etiológicos que definem tais irregularidades de desenvolvimento.

Caracterizada por complexos e precisos processos biológicos de substituição de dentes decíduos por dentes permanentes, a dentadura mista representa uma das manifestações de perfeição da natureza. Mas, como todo curso natural, o desenvolvimento da dentição pode mostrar algumas imperfeições e, no transcorrer da dentadura mista – com certa frequência –, o profissional depara-se com irregularidades odontogênicas: as anomalias dentárias. As anomalias expressam-se com distintos graus de severidade. Da manifestação mais branda para a mais severa – representadas, respectivamente, desde o atraso cronológico na odontogênese até a ausência completa do germe dentário ou agenesia –, existe uma miríade de expressões, compreendendo as microdontias, os desvios na morfologia dentária e as ectopias.

A influência de fatores genéticos e ambientais na etiologia das más oclusões representa tema de grande importância na Ortodontia. Quanto maior a contribuição genética na origem de uma irregularidade dentofacial, menor a possibilidade de preveni-la e, como regra, pior o prognóstico de tratamento ortodôntico/ortopédico. E os novos rumos da pesquisa em Odontologia caminham para o conhecimento do genótipo humano. Diversos estudos sugeriram uma tendência genética e hereditária na etiologia das anomalias dentárias de número, tamanho, posição, assim como nos distúrbios de erupção.Tais evidências provêm de investigações em famílias, em gêmeos monozigóticos, e da observação de associações na ocorrência de determinadas anomalias.

Quando uma determinada irregularidade mostra uma prevalência aumentada em famílias de pacientes afetados, comparado às prevalências esperadas para a população em geral, credita-se à genética uma influência predominante na etiologia do problema. O prognatismo mandibular da família imperial austro-húngara Hapsburg representa o mais clássico exemplo de característica genética de interesse ortodôntico, em humanos, transmitida por sucessivas gerações. Muitas das anomalias dentárias discutidas durante esse estudo mostraram prevalências aumentadas em famílias de pacientes afetados. Atualmente, a leitura do código genético pode isolar genes mutantes em famílias, desde que diversos membros expressem a mesma irregularidade.

Certas anomalias dentárias aparecem frequentemente associadas em um mesmo paciente, mais do que se esperaria ao acaso. Isso se explica porque um mesmo defeito genético pode originar diferentes manifestações ou fenótipos, incluindo agenesias, microdontias, ectopias e atraso no desenvolvimento. De uma maneira simplista, poderíamos dizer que um gene “defeituoso”ou mutante pode se expressar diversamente em diferentes dentes permanentes. A associação entre a agenesia unilateral do incisivo lateral superior e a microdontia do incisivo contra lateral, frequentemente observada na rotina clínica, ilustra bem essa condição. Nesse caso, o mesmo defeito genético que determinou a agenesia se expressou de forma incompleta do lado oposto da arcada, ocasionando a microdontia. No entanto, as associações entre as anomalias dentárias não se restringem a esse clássico exemplo. As implicações clínicas são importantes, pois o diagnóstico precoce de uma determinada anomalia dentária pode alertar o profissional para o possível desenvolvimento de outras anomalias associadas, no mesmo paciente ou em familiares, possibilitando o diagnóstico e interceptação ortodôntica oportunos.

Agenesias dentárias

A agenesia dentária constitui a anomalia de desenvolvimento mais comum da dentição humana, ocorrendo em aproximadamente 25% da população. O terceiro molar representa o dente mais afetado por essa anomalia, exibindo uma prevalência de 20,7%. Excluindo-se os terceiros molares, a prevalência de agenesia é de aproximadamente 4,3 a 7,8%.

Microdontia

As agenesias, frequentemente, associam-se a microdontias. A redução no tamanho dentário representa uma expressão parcial do mesmo defeito genético que define a agenesia. Isso explica a clássica associação entre a agenesia unilateral do incisivo lateral superior e a microdontia do dente contralateral. Aproximadamente 20% dos pacientes com agenesia de segundos pré-molares também apresentam microdontia dos incisivos laterais superiores.

Erupção ectópica dos primeirosmolares superiores

Durante o início da dentadura mista, os primeiros molares permanentes irrompem na arcada dentária, guiando-se pela face distal dos segundos molares decíduos. A erupção dos primeiros molares superiores desenha uma trajetória direcionada para oclusal e mesial. Dessa forma, a natureza corrige a disto angulação dos germes no interior do tuber da maxila, e os primeiros molares superiores irrompem com seu longo eixo mais verticalizado em relação ao plano oclusal. Porém, em 4% das crianças, o primeiro molar superior “erra” a sua trajetória eruptiva, desvia-se demasiadamente para mesial e acaba por estimular a reabsorção parcial da raiz dos segundos molares decíduos. Esse distúrbio foi batizado de erupção ectópica dos primeiros molares permanentes. Aproximadamente metade dos casos apresenta um caráter reversível, e o primeiro molar superior acaba por irromper espontaneamente na arcada dentária. Nos casos irreversíveis, os primeiros molares, inaptos a reabsorver o esmalte dentário, permanecem retidos por cervical da coroa dos segundos molares decíduos.

Transposição entre incisivo lateral e canino permanentes inferiores

Conceitua-se como transposição dentária, a ectopia de dentes permanentes que redunda nainversão de suas posições naturais na arcada dentária,no mesmo quadrante. Dois tipos de transposições dentárias são apontados na literatura como apresentando etiologia essencialmente genética e, portanto, comumente associadas a outras anomalias dentárias: a transposição entre canino e primeiro pré-molar na arcada superior, e a transposição entre canino e incisivo lateral permanentes na arcada inferior.

Erupção ectópica dos caninos permanentes superiores

Os caninos superiores representam os dentes que se formam mais distantes da arcada dentária, ladeando a cavidade piriforme e, portanto, desenham o trajeto mais longo de erupção dentre todos os dentes permanentes. Por isso também apresentam a raiz mais longa, comparativamente a toda a dentição permanente. Enquanto se movimentam em direção à cavidade bucal, sua coroa volumosa atravessando o estreito rebordo alveolar superior pode ser palpada sob a mucosa vestibular, acima dos caninos decíduos. Quando essa palpação é positiva, significa que esses dentes apresentam um excelente prognóstico de erupção espontânea. No entanto, em aproximadamente 1,5% da população, os caninos assumem uma trajetória ectópica de erupção, desviando-se para palatino em relação aos incisivos laterais. Ao encontrar uma cortical óssea densa, recoberta por uma mucosa palatina espessa e fibrosa, acabam ficando retidos.

Transposição entre canino e primeiro pré-molar superiores

Excluindo os terceiros molares, os caninos superiores constituem os dentes permanentes que mais frequentemente demonstram distúrbios eruptivos. Além da erupção ectópica por palatino, outra importante, porém bem menos frequente, ectopia que envolve os caninos superiores consiste na transposição entre esse dente e o primeiro prémolar superior. O quadro clínico típico mostra o canino superior permanente irrompido por vestibular entre os dois pré-molares superiores. Frequentemente, o canino apresenta-se girado para distal e o primeiro pré-molar apresenta-se girado para mesial e com uma angulação da coroa para distal. Esse é o tipo de transposição mais comum na espécie humana e acomete aproximadamente de 0,03 a 0,25% da população. Aproximadamente em ¼ dos casos expressa-se bilateralmente, com uma ocorrência predominante no gênero feminino (proporção entre os gêneros = 1,5:1).

Disto angulação do segundo pré-molar inferior

A ectopia mais comumente observada nos segundos pré-molares inferiores refere-se à disto angulação do germe. Tal ectopia relaciona-se coma agenesia do segundo pré-molar inferior homólogo. Shalish et al., numa amostra depacientes com agenesia unilateral dos segundos pré-molares inferiores, observaram que o germe do dente contralateral apresentava-se em média 10º mais angulado para distal, em comparação aum grupo controle sem agenesias. Concluíram, assim, que a disto angulação dos segundos pré-molares inferiores representa um diferente fenótipo ou uma expressão mais branda do mesmo defeito genético que ocasionou a agenesia. Esse tipo de associação assemelha-se muito ao clássico quadro clínico composto pela observação da microdontia do incisivo lateral superior em pacientes com agenesia unilateral do referido dente.

Infra oclusão dos molares decíduos

A infraoclusão dos molares decíduos acomete aproximadamente 8,9% das crianças e caracterizase pela localização da face oclusal dos molares em questão aquém do plano oclusal. Sugere-se que a infra oclusão dos molares represente uma consequência da anquilose dentária. Em algum ponto da raiz, uma ponte de tecido mineralizado substitui o espaço do ligamento periodontal, unindo osso alveolar e cemento. A partir desse momento, o dente inapto a desenvolver-se no sentido vertical vai ficando progressivamente em infraoclusão, à medida que a face cresce.

Atraso no desenvolvimento dentário

Pacientes com agenesia tendem a apresentar um desenvolvimento odontogênico mais lento e a idade dentária atrasada em relação à idade cronológica. Explicada pela inter-relação genética na causalidade dessas anomalias, essa informação merece atenção do clínico. Os jovens com agenesias dentárias geralmente alcançam a maturidade oclusal mais tardiamente. A dentadura permanente pode se completar alguns anos mais tarde do que a idade usual. Porisso, o ortodontista não deve se apressar em iniciara fase 2 do tratamento ortodôntico em tais pacientes. O diagnóstico precoce aliado ao tratamento ortodôntico corretivo tardio representaria a combinação perfeita nos casos com padrão de anomalias dentárias associadas.

Hipoplasia de esmalte

Apesar de ainda constituir um tema não muito explorado pela literatura, existem algumas evidências de que a hipoplasia generalizada do esmalte integra a lista de anomalias dentárias associadas, reguladas geneticamente. Isso porque a hipoplasia de esmalte é diagnosticada, nos casos com anomalias dentárias, mais comumente do que se esperaria ao acaso.


Conclusão

A implicação clínica do padrão de anomalias dentárias associadas é muito relevante, uma vez que o diagnóstico precoce de uma determinada anomalia dentária (como a agenesia de um segundo pré-molar ou a presença de um incisivo lateral superior cônico) pode alertar o clínico da possibilidade de desenvolvimento de outras anomalias associadas no mesmo paciente ou em outros membros da família, permitindo o diagnóstico precocee a intervenção ortodôntica em tempo oportuno.


Link do artigo na Integra via Scielo:

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Historia da Ortodontia - Edward Hartley Angle








Neste artigo publicado em 2005, na Revista de Clinica e Pesquisa Odontologica, pelo Dr. Orlando Tanaka da PUC-PR. Conta a Historia do Dr. Angle, considerado o Pai da Ortodontia Moderna. O autor fez uma bela pesquisa de toda a vida e feitos deste grande icone da Ortodontia.

Edward Hartley Angle nasceu há 150 anos, em Herrrick, Pensilvânia, em 1 de junho de 1855 e veio a faleçer em 11 de agosto de 1930. Não se sabe muito sobre o início de sua vida, exceto o que aprendemos com a autodescrição de suas características de infância. Ele não gostava da escola, nem se interessava pelo trabalho na fazenda. Seu maior prazer era perambular pelas colinas e bosques perto de sua casa, fascinado pelas máquinas grosseiras que eram usadas na comunidade agrícola daquele tempo. Mostrando um grande talento para a inventividade, ele projetou e construiu o rastelo de feno puxado a cavalo, que foi usado em fazendas americanas por muitos anos. Em todo seu trabalho, desenvolveu uma paixão pela simplicidade nos projetos e eficiência em operação, que veio a caracterizar seus mecanismos ortodônticos anos mais tarde.

Visando a evitar o que era para ele o trabalho desagradável de fazendeiro, tornou-se aprendiz de Odontologia (como era costume na época). Depois de alguns meses, matriculou-se, em 1876, na Faculdade de Cirurgia Dentária da Pensilvânia, onde se formou em 1878. Depois de praticar Odontologia por alguns anos em Minneapolis, interessou-se pelo alinhamento dos dentes mal colocados e na correção de deformidades dos maxilares. Atraindo atenção considerável com seu trabalho neste campo inusitado (para aquela época), foi convidado em 1886 para participar da escola dentária da Universidade de Minnesota. Em 1887, apresentou um artigo intitulado "Irregularidades dos Dentes" ante o 9º Congresso Médico Internacional. Este artigo sempre foi considerado a primeira edição de seu livro didático, que passou por sete edições, com tradução para muitas línguas estrangeiras.

Aposentando-se da Universidade de Minnesota, mudou-se para Chicago, onde aceitou o cargo de professor de Ortodontia na Faculdade de Odontologia Northwestern. Em 1895, mudou-se para St. Louis, onde se juntou à equipe de Odontologia da Faculdade de Medicina Marion Sims (agora Universidade de St.Louis). Como membro de um Departamento protético, ao qual a Odontologia estava ligada, imaginou que os alunos, sendo pressionados com as demandas de outros departamentos, não eram encorajados a prestar atenção alguma ao seu trabalho. A partir dessa época até a sua morte, ele lutou pelo estabelecimento de instalações educacionais separadas para a Ortodontia.

Em 1899, publicou na Dental Cosmos um artigo intitulado The Classification of Malocclusion, o qual continha sua definição de maloclusão. Como todas as suas definições, esta era breve, descritiva e direta: "Ortodontia é aquela ciência que tem como objetivo a correção de maloclusão dos dentes". Sua classificação, baseada primeiramente na relação mesiodistal da mandíbula com as arcadas dentárias e com o crânio, tornou-se reconhecida de modo geral e proporcionou um meio de comunicação inteligente e de fácil compreensão entre os membros da profissão dentária.

Em 1900, Angle foi procurado por quatro jovens que pediram a ele que os instruísse nos princípios que ele ensinava. Eles eram Thomas B. Mercer, Henry A, Lindas, Milton T. Watson e Herbert A. Pullen. Estes homens passaram três semanas em seu consultório e foram considerados como sendo a primeira classe treinada em uma escola de Ortodontia ou em qualquer especialidade dentária.

Muitos se referiram a Angle como um gênio da Mecânica. Se ele o era, foi por causa de sua habilidade em aplicar os princípios simples da Mecânica aos procedimentos requeridos no movimento dos dentes. Seus aparelhos eram projetados para satisfazer os princípios de fisiologia,
mecânica e arte, nessa ordem. Simplicidade e eficiência eram os requisitos essenciais de qualquer mecanismo ortodôntico que viesse de encontro com sua aprovação.

Em 1907, Angle mudou sua escola para New York e, em 1908, para New London, Connecticut, onde foram ministradas aulas regulares até 1911. Foi aqui que ele deixou a prática clínica de Ortodontia para dedicar sua vida ao estudo e ao desenvolvimento de melhores e mais refinados aparelhos ortodônticos.

Em 1922, alunos das classes anteriores na escola em Pasadena, junto com alguns dos formados da antiga escola, doaram fundos suficientes para construir e equipar um prédio que permitiria o
treinamento de um número maior de alunos e proporcionaria instalações clínicas para o tratamento de pacientes. Este prédio, em um lote adjacente à casa do Dr. Angle, foi o primeiro prédio a ser dedicado exclusivamente ao ensino de Ortodontia, bem como o primeiro a ser habilitado para esse propósito por qualquer estado ou governo nacional. A habilitação foi concedida pelo Estado da Califórnia, em 1924, sob o nome oficial de Faculdade de Ortodontia Edward H. Angle. O curso de treinamento era fundamentalmente estendido a um calendário anual completo. Aulas regulares foram ministradas na escola até 1927, quando Angle anunciou que não poderia mais assumir as responsabilidades pertinentes ao ensino. Por causa de sua fraca
saúde, a escola foi fechada.

É interessante notar que onde quer que Angle tenha conduzido uma Escola, os que completaram o curso com sucesso logo se organizavam no que hoje seria conhecido como grupos de estudo de continuação. Os formandos de 1900 da escola em St. Louis organizaram a primeira sociedade ortodôntica do mundo, com o nome oficial de Society of Orthodontists. Em 1901, a palavra American foi acrescentada, tornando-se a Associação Americana de Ortodontistas agora uma organização representativa com aproximadamente 4.000 membros. Esta primeira sociedade estabeleceu uma revista quadrimestral chamada The American Orthodontist, aprimeira publicação dedicada exclusivamente à disseminação de material ortodôntico, publicada de 1907 a 1912.


Link do Artigo na Integra via PUCPR:



Link do Artigo classico do Dr. Angle na Dental Cosmos, Classificação das má oclusões:



Link do Site do autor do artigo:

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Medidas lineares dos estágios de desenvolvimento da dentição permanente humana usando Tomografia Computadorizada de Feixe Cônico: um estudo preliminar











Neste artigo de 2010, publicado no Dental Press Journal Orthodontics, pelos autores Carlos Estrela, José Valladares Neto, Mike Reis Bueno, Orlando Aguirre Guedes, Olavo Cesar Lyra Porto, Jesus Djalma Pécora; da Universidade Federal de Goiás; Universidade de Cuiabá e da Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto - São Paulo. Determina as medidas lineares dos estágios de desenvolvimento da dentição permanente humana, usando tomografia computadorizada de feixe cônico (TCFC).


O conhecimento dos estágios de desenvolvimento da dentição permanente é essencial para um excelente manejo clínico em diversas especialidades odontológicas, uma vez que influencia no diagnóstico, planejamento e resultado do tratamento.


Vários estudos avaliaram a mineralização e o desenvolvimento de dentes permanentes a partir de diferentes metodologias. Imagens radiográficas, apesar de corresponderem a um aspecto bidimensional de uma estrutura tridimensional, constituem o recurso mais utilizado para se determinar a mineralização e o estágio de desenvolvimento da dentição humana. Um estudo clássico de Nolla avaliou, empregando radiografias bucais, os estágios de desenvolvimento dos dentes permanentes humanos. De acordo com o desenvolvimento, os diferentes estágios foram graduados numa escala de 0 a 10.


Os avanços tecnológicos oferecem modalidades de imagem que têm contribuído expressivamente com a radiologia odontológica, a partir de ferramentas auxiliares de diagnóstico, como: radiografia digital, métodos densitométricos, tomografia computadorizada de feixe cônico (TCFC), ressonância magnética, ultrassonografia e técnicas nucleares. Essas imagens detalhadas apresentam alta resolução das estruturas bucais e permitem a detecção precoce de alterações nas estruturas maxilofaciais.


Desde a introdução da tomografia computadorizada, tem sido observado que a sua aplicação clínica permitiu significativa revolução na área da saúde. Recentemente, várias áreas de pesquisa e clínica da Odontologia têm se beneficiado com o uso da TCFC, que possibilitou a visualização de imagens tridimensionais, além do possível manejo adicional por estratégias de navegação. Seu potencial para aplicação clínica e a sua acurácia, comparados com os da radiografia periapical, contribuem no planejamento do tratamento, diagnóstico, terapêutica e prognóstico de diferentes doenças.


Este estudo foi desenvolvido, entre maio de 2007 e maio de 2010, a partir de bancos de dados de clínicas radiológicas odontológicas privadas (CIRO, Goiânia/GO, Brasil; RIO, Brasília/ DF, Brasil; CROIF, Cuiabá/MT, Brasil), envolvendo 18 pacientes (n = 238 dentes), sendo 13 do sexo masculino e 5 do sexo feminino, com idades entre 3 e 20 anos. Os pacientes foram encaminhados para o serviço de radiologia por diferentes razões de diagnóstico. A amostra envolvida não apresentava dentes com história de cárie dentária, tratamento ortodôntico ou distúrbio de desenvolvimento dentário.


O método para estudar o desenvolvimento de dentes permanentes com TCFC baseou-se na delimitação e mensuração das distâncias entre pontos anatômicos correspondentes ao desenvolvimento das coroas e raízes dentárias. Todas as medidas nas imagens foram realizadas por dois especialistas em radiologia odontológica, utilizando a ferramenta de medição do próprio programa do tomógrafo. Foi utilizada uma função específica do programa do i-CAT, que oferece valores em milímetros para delimitar as medidas das imagens dos dentes. As mensurações foram efetuadas nos planos sagital e coronal (o referencial utilizado foi a maior extensão de medida, valendo-se da estratégia de navegação do sistema).

A possibilidade de se obter informações das estruturas anatômicas in vivo, com o manejo de navegação na imagem, sinalizou o grande potencial e a conquista do diagnóstico em todos os campos da Odontologia. Liu et al. determinaram a precisão da análise volumétrica dos dentes in vivo utilizando a TCFC. O volume de 24 dentes pré-molares extraídos foi determinado. As medições dos volumes desviaram ligeiramente entre -4% e 7%. Operações de suavização reduzem as medições de volume. Atualmente, nenhuma exigência quanto à precisão das determinações do volume de dente foi estabelecida. Baumgaertel et al. investigaram a confiabilidade e a precisão das mensurações realizadas em reconstruções dentárias com TCFC. Trinta crânios humanos foram escaneados e reconstruções tridimensionais das dentições foram obtidas. Dez mensurações (overbite, overjet, largura intermolares e intercaninos superiores e inferiores, comprimento dos arcos disponíveis, e comprimento do arco requerido) foram realizadas diretamente sobre os crânios por um paquímetro com precisão digital e sobre as reconstruções digitais. As medições dentárias dos volumes por meio da TCFC podem ser utilizadas para análise quantitativa. Um pequeno erro sistemático foi encontrado, o qual tornou-se estatisticamente significativo apenas quando se combinou várias medições. Um ajuste para esse erro permitiu melhorar a precisão.


CONCLUSÕES


Dentro das limitações desse estudo preliminar, conclui-se que as imagens de TCFC dos diferentes estágios de desenvolvimento podem contribuir com diagnóstico, planejamento e resultados dos tratamentos. As dimensões das coroas e raízes dentárias podem ter uma importante aplicabilidade clínica e de pesquisa. Entretanto, novos estudos são recomendados a fim de minimizar as variáveis metodológicas.



Link do artigo na integra via Scielo:


quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Cirurgia PIEZELÉTRICA ou PIEZOCIRURGIA em Odontologia: o sonho de todo cirurgião...








Neste artigo de 2007, publicado pela Revista Dental Press, pelos autores Maria Fernanda M-O Consolaro, Eduardo Sant’Ana, Gastão Moura Neto, de São Paulo. Abordam um tema até então desconhecido por muitos profissionais que é a Cirurgia PIEZELÉTRICA, técnica que usa um aparelho que corta o osso seletivamente, com suavidade, precisão micrométrica e com qualidade comprovadamente superior à das serras oscilatórias convencionais.


Trata-se de um sistema chamado Piezosurgery®, desenvolvido pelo Dr. Tomaso Vercellotti em conjunto com os engenheiros da Mectron Medical Technology, Carasco, Genova, Itália, em 2007. Desde então, diversos estudos vêm testando e comprovando os benefícios desta nova tecnologia. Dois tipos de aparelhos estão disponíveis, um médico e outro menor, odontológico.


O sistema adota um conceito já amplamente conhecido, o de piezeletricidade. Ao receber estímulos de pressão ou tensão, os cristais como o quartzo, por exemplo, são capazes de produzir campos eletromagnéticos de intensidade exatamente iguais aos que receberam, muitas vezes de forma tão perfeita que são utilizados em relógios e em computadores, inclusive para marcar o tempo. Os cristais de hidroxiapatita apresentam a mesma propriedade piezelétrica, deformando-se em um campo elétrico. Esta tecnologia já é empregada na Odontologia, utilizando ondas de ultra-som para a remoção de cálculos dentários, por exemplo. Assim esta nova “serra” utiliza acapacidade de piezeletricidade óssea para desagregar os cristais de hidroxiapatita em um determinado plano, “cortando” o osso por meio de vibrações de ultra-som.


A principal vantagem da cirurgia piezelétrica é que, uma vez em contato com tecidos moles, o dispositivo ativo de corte cessa sua atividade, preservando totalmente a integridade de vasos e nervos, freqüentemente e/ou acidentalmente comprometidos ao usar serras cirúrgicas convencionais ou brocas.


Ao utilizar serras comuns ou brocas em osteotomias, há necessidade de se aplicar pressão, mesmo que discreta, para que se obtenha o corte, implicando em certo grau de aquecimento, tanto do osso quanto dos tecidos moles adjacentes. O corte piezelétrico não deve utilizar pressão, pois o excesso de força sobre o instrumento interrompe a sua atividade sobre o osso. Deve-se realizar apenas a apreensão firme da microserra durante o corte, o que resulta em um mínimo aquecimento, diminuindo o risco de osteonecrose, garantindo a vitalidade dos osteócitos. Quanto mais suave a pressão da serra piezelétrica sobre o osso, mais linear a vibração do instrumento e melhor o corte.


Os primeiros trabalhos odontológicos a respeito descreveram a utilização da serra piezelétrica em cirurgias pré-protéticas e enxertos sinusais, depois as técnicas foram se diversificando para procedimentos como: osteotomias, osteoplastias, levantamentos de seio, expansão de rebordo alveolar, extração de raízes com anquilose alveolodentária, corticotomias de precisão para movimentação dentária, osteotomias de segmentação de maxila e para expansão rápida cirurgicamente assistida, distração osteogênica, obtenção de osso autógeno para enxertos, entre outros.


As perspectivas de utilização deste instrumento prometem revolucionar importantes paradigmas nas diversas áreas da Cirurgia. É o fruto de uma idéia ousada de um cirurgião que se aventurou em imaginar a serra dos seus sonhos; encontrando em um conceito conhecido, uma aplicação totalmente inovadora. Trata-se de um clínico, formado em Medicina e Cirurgia, especialista em Odonto-Estomatologia, dedicado ao consultório privado, atuando como periodontista e a implantodontista. Como professor, atua na qualidade de visitante em algumas universidades, nem por isso deixa de ser um exemplo para pesquisadores e cientistas de todo o mundo!


Link do Artigo na integra pela Scielo:



Link de um Artigo publicado pelo Dr. Tomaso Vercellotti:

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Dois Milhões de Vizualizações


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