


movimento de translação.
Desde a civilização do Egito antigo, o ser humano demonstra o desejo de que seus dentes sejam claros e até brancos. As referências históricas outorgam o pioneirismo do procedimento específico da clareação dentária externa a Atkinson, em 1893, quando descreveu o uso de solução de peróxido de hidrogênio a 3% em bochechos para crianças, com a finalidade de reduzir as cáries e clarear os dentes. Ele ressaltou que, em concentração de 5%, o efeito clareador era maior, mas muito maior ainda a 25%, porém com maiores riscos de lesar os tecidos moles, devido ao seu efeito cáustico. A clareação dentária interna foi descrita anteriormente na literatura científica da época moderna.
A popularização da clareação dentária externa se deu a partir de 1989, com o trabalho de Haywood e Heymann, difundindo-se na mídia essa possibilidade via artigos e espaços publicitários. Os agentes clareadores usados interna e externamente são os mesmos, e à base de peróxido de hidrogênio, podendo receber vários nomes conforme a sua formulação e apresentação — como água oxigenada, peróxido de ureia, peróxido de carbamida, perborato de sódio e outros. Alguns são produtos que, apenas quando aplicados sobre os dentes, se transformam ou liberam peróxido de hidrogênio.
Os produtos classificados como cosméticos não apresentam finalidade terapêutica e nem podem alterar a fisiologia corporal. Em 1991 a FDA (Food and Drug Administration) deixou de considerar os agentes clareadores como cosméticos, reclassificando-os como drogas ou medicamentos. Em 1994 a ADA (Americam Dental Association) estabeleceu critérios e recomendações de uso para a eficácia e segurança dos pacientes.
Os efeitos indesejáveis dos agentes clareadores
Com raras exceções, toda terapêutica medicamentosa tem efeitos indesejáveis, e isso também pode ocorrer com os agentes clareadores. Quando aplicados sobre a dentina diretamente nos túbulos dentinários, alargam-os por desmineralização, visto que são substâncias ácidas no momento em que atuam. Na junção amelocementária, alargam os gaps ou janelas de dentina exposta presentes em todos os dentes humanos, inclusive nos decíduos.
De um modo geral, os agentes clareadores são produtos à base de peróxido de hidrogênio no momento que atuam na superfície dentária, muito embora em suas formulações e apresentações possam ser chamados de peróxido de carbamida, peróxido de ureia e perborato de sódio. Quando aplicados externamente, os agentes clareadores atuam como soluções ácidas e podem aumentar a porosidade superficial do esmalte, promover a desunião e infiltração de restaurações resinosas, induzir discretas e subclínicas reações pulpares, e induzir hipersensibilidade dentinária.
O efeito dos clareadores dentários na carcinogênese bucal: promotores, mas não iniciadores
Ao estudar o efeito carcinogênico dos agentes clareadores em hamsters, em um modelo experimental universalmente aceito e reconhecido como eficiente — no qual se utiliza como controle positivo o carcinógeno DMBA, ou 9,10-dimetil-1,2-benzoantraceno, na mucosa bucal durante 22 semanas — verificaram que, quando aplicados isoladamente, os agentes clareadores não revelavam-se carcinogênicos, ou seja, foram incapazes de, individualmente, iniciar um câncer bucal. Em outras palavras, o peróxido de hidrogênio não induz, não inicia, uma célula normal a mutações que evoluam para uma neoplasia maligna. Quando um agente químico consegue induzir essas mutações, pode ser identificado como iniciador.
As implicações clínicas, sociais e mercadológicas desses resultados
A primeira implicação desses resultados diz respeito à necessidade de esclarecer a população sobre os benefícios e malefícios da clareação dentária, mas sem estabelecer a cultura do medo, e sim a do esclarecimento. Não há dúvida de que os clareadores dentários fazem parte da cultura moderna, mas devemos nos desenvolver técnica e tecnologicamente para reduzir ou eliminar seus efeitos indesejáveis. A clareação dentária representa uma oportunidade para as pessoas e sua possibilidade deve ser viabilizada pelo mercado, mas de forma segura e respeitando a opção consciente daqueles que não querem realizá-la. Tal como ocorre com o tabaco, as bebidas alcoólicas e os antissépticos bucais, devemos oferecer à população dentifrícios e antissépticos com e sem peróxido de hidrogênio em sua composição, o que deve estar explicitado em suas embalagens.
Considerações ortodônticas finais
A clareação dentária externa representa uma alternativa muito importante para melhorar e ressaltar os dentes na face, no contexto da finalização de casos ortodônticos. A colagem dos braquetes, o acúmulo de placa dentobacteriana, a instalação de manchas brancas e a impregnação de pigmentos nas lamelas, trincas e outras irregularidades da superfície dentária podem atrapalhar o efeito estético do caso ortodôntico finalizado. A clareação dentária externa pode uniformizar a cor dos dentes, assim como limpar os acúmulos de pigmentos nas reentrâncias. De forma sincronizada com a substituição das restaurações, desgastes e outros procedimentos, a clareação dentária externa pode fazer parte do objetivo final do paciente ao receber o tratamento ortodôntico: deixar a boca e os dentes com aspecto de normalidade e saudável, de forma a facilitar suas relações pessoais e melhorar sua autoestima.
Os órgãos reguladores, os profissionais, os consumidores e os fabricantes — enfim, a sociedade como um todo — poderiam harmoniosamente promover os clareadores dentários ao nível de medicamentos, e restringir seu uso aos profissionais da Odontologia, que são devidamente treinados e habilitados para as requintadas manobras do procedimento de clareação dentária. O uso, a compra ou o pedido de formulação por manipulação artesanal poderiam ser prescritos unicamente pelo cirurgião-dentista.
Link do artigo na integra via Scielo:
http://www.scielo.br/pdf/dpjo/v16n2/a03v16n2.pdf
“Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo...”
Fernando Pessoa
1888 - 1935
Link sobre o autor:
http://en.wikipedia.org/wiki/Fernando_Pessoa
Com o advento de exames imaginológicos com especificidade, sensibilidade e maior precisão na reprodução das estruturas anatômicas articulares — tais como ressonância magnética nuclear (RMN), tomografia computadorizada e tomografia volumétrica Cone Beam, bem como métodos de reconstrução em 3D —, essa inter-relação pode ser avaliada com maior exatidão. Somado a esse fato, teve-se a realização de estudos clínicos com desenhos e critérios metodológicos mais rigorosos, gerando maiores índices de evidências.
Foi realizada uma busca computadorizada nas bases de dados MEDLINE, Cochrane, EMBASE, Pubmed, Lilacs e BBO no período compreen- dido de 1966 a fevereiro de 2009. Os descritores de pesquisa utilizados foram “orthodontics”, “orthodontic treatment”, “temporomandibular disorder”, “temporomandibular joint”, “craniomandibular disorder”, “tmd”, “tmj”, “magnetic resonance imaging” e “tomography”, os quais foram cruzados nos mecanismos de busca.
Após a aplicação dos critérios de inclusão, obtiveram-se 14 estudos, sendo o índice Kappa de concordância entre os revisores igual a 1,00. Desses estudos, 2 eram estudos clínicos randomizados e 12 eram estudos longitudinais sem critérios de randomização.
Entre os estudos selecionados, 11 eram baseados em imagens de ressonância magnética e 3 em imagens de tomografia computadorizada. Nenhum estudo selecionado utilizou a tomografia volumétrica Cone Beam para avaliação da ATM.
Torna-se cada vez mais importante analisar a literatura corrente de uma maneira crítica e rigorosa, de modo a verificar-se qual o nível de evidência científica que a informação gera. A aplicação de critérios metodológicos de pesquisa — como cálculo amostral, randomização, calibragem, cegamento e controle de fatores envolvidos — é extremamente importante para qualificar o nível de evidência gerada. E essas informações devem estar disponíveis para a apreciação e discussão do leitor.
Atualmente, o acesso a informações científicas encontra-se disponível por meio das mais diferentes formas. Devido a essa facilidade, o conhecimento acerca da hierarquia dos níveis de evidência científica é essencial para avaliar a qualidade do estudo em questão. Assim, metaanálises, revisões sistemáticas e estudos clínicos randomizados ganham papel de destaque. Estar atento a esse fato é importante, visto que a grande maioria dos artigos publicados em periódicos brasileiros corresponde a estudos de baixo potencial de aplicação clínica direta.
CONCLUSÕES
» Pela revisão sistemática da literatura, verifica- se que o correto relacionamento oclusal, em decorrência do tratamento ortodôntico, não é obtido às custas de um posicionamento não fisiológico tanto do côndilo quanto do disco articular. Assim, a Ortodontia, quando utilizada de forma correta, não acarreta efeitos adversos à ATM.
» A aplicação de forças durante determinadas mecânicas ortodônticas, especialmente situações ortopédicas, pode acarretar alterações no crescimento condilar e em estruturas ósseas da ATM. Assim, a aplicação da mecânica deve ser realizada de forma adequada e deve-se ter conhecimento acerca dessas repercussões.
» Em alguns estudos, através da análise de exames de imagens, observou-se que houve melhoras em situações de DTM preexistentes no início da terapia ortodôntica. Porém, esses dados são apenas sugestivos, necessitando-se de mais estudos clínicos randomizados para se obter conclusões mais precisas.
» É necessária a realização de novos estudos clínicos randomizados, de natureza longitudinal e intervencionista, para que se determinem associações causais mais precisas, dentro de um contexto de uma Odontologia Baseada em Evidências Científicas.
Como citar este artigo: Machado E, Grehs RA, Cunali PA. Imaginologia da articulação temporomandibular durante o tratamento ortodôntico: uma revisão sistemática. Dental Press J Orthod. 2011 May-June;16(3):54.e1-7.
Link do artigo na Integra via Scielo:
http://www.scielo.br/pdf/dpjo/v16n3/a05v16n3.pdf
"O êxito na vida não se mede pelo que você conquistou, mas sim pelas dificuldades que superou no caminho."
Abraham Lincoln
Na Europa, na década de 80, foram iniciados os estudos da Ortodontia Lingual, que passou a ser indicada para aqueles pacientes que valorizam a estética e que, por vezes, recusam o tratamento ortodôntico tradicional.
É importante destacar que a colagem lingual se difere da colagem vestibular em vários aspectos. A primeira diferença está na presença de uma fase laboratorial, que consiste no posicionamento dos braquetes em um modelo de gesso, com os dentes corretamente posicionados em um setup, a partir de um modelo com a má oclusão inicial do paciente. Cada braquete recebe uma porção de resina de carga na sua base, confeccionada para regularizar a anatomia da face lingual e a distância vestibulolingual dos dentes, e evitar que o fio tenha dobras inset e offset durante o tratamento ortodôntico. Assim, a colagem dos braquetes nos dentes do paciente ocorre pela adesão entre a resina na base do braquete e a superfície de esmalte ou de cerâmica.
Com base na literatura consultada, a presente pesquisa se propôs a avaliar a resistência ao cisalhamento em braquetes da técnica lingual colados sobre a superfície de cerâmica. Foram utilizadas duas resinas — uma de polimerização química (Sondhi Rapid-Set A e B, 3M-Unitek) e uma re- sina fotoativada (Transbond XT, 3M-Unitek) — e dois materiais para preparo da superfície cerâmica (o ácido fluorídrico e o óxido de alumínio).
O uso do silano foi definido a partir de dados presentes na literatura que comprovam a sua eficácia em colagens de braquetes vestibulares. Em aplicações sobre cerâmica, o silano aumentou a resistência de colagem, independentemente do preparo da cerâmica. Embora o uso de silano seja considerado opcional por alguns autores, devido à dificuldade natural da colagem na superfície lingual associada à duvidosa resistência à descolagem em cerâmica, o silano utilizado em todas as superfícies de cerâmica foi considerado um elemento importante nesta técnica e pesquisa.
Devido às dificuldades do procedimento de colagem na técnica lingual, busca-se um método efetivo com baixos índices de descolagem. Nesse sentido, a associação entre o uso do ácido fluorídrico e do óxido de alumínio na superfície cerâmica pode aumentar a resistência ao cisalhamento. Nessa pesquisa, o melhor resultado foi obtido com a resina fotoativada Transbond XT. No entanto, alguns profissionais preferem a colagem com resinas de polimerização química. Portanto, sugere-se que outras resinas ativadas quimica- mente sejam, também, avaliadas para suprir essa demanda do mercado.
Como citar este artigo: Imakami MB, Valle-Corotti KM, Carvalho PEG, Scocate ACRN. Avaliação da resistência ao cisalhamento de braquetes da técnica lingual colados sobre superfície cerâmica. Dental Press J Orthod. 2011 May-June;16(3):87-94.
Link do artigo na integra via Scielo:
http://www.scielo.br/pdf/dpjo/v16n3/a11v16n3.pdf