ORTODONTIA CONTEMPORÂNEA: Alterações no perfil dos lábios de pacientes submetidos a cirurgias ortognáticas maxilares do tipo Le Fort I

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Alterações no perfil dos lábios de pacientes submetidos a cirurgias ortognáticas maxilares do tipo Le Fort I



Neste artigo de 2004, publicado pela Revista Dental Press, pelos Autores Luciano Mauro Del SANTO, Ricardo Pires de SOUZA, Marinho Del SANTO JR., Élcio MARCANTONIO; do Curso de Pós-Graduação em Ciências da Saúde do Hospital Heliópolis (HospHel); Centro de Pesquisa e Tratamento das Deformidades Buco-Faciais - CEDEFACE (Araraquara, SP) – São Paulo. Mostra um estudo dos efeitos das cirurgias ortognáticas maxilares tipo Le Fort I nos lábios superiores e inferiores em pacientes adultos.

Artigos que descrevam a influência de correções cirúrgicas de maloclusões nos tecidos moles são raros e limitados. Isso porque as osteotomias maxilares anteriores, posteriores e totais só se tornaram mais populares na década de 1960, quando os trabalhos de Bell descreveram as bases biológicas da irrigação maxilar e confirmaram as técnicas já empiricamente utilizadas. A partir desses trabalhos, os cirurgiões passaram a propor com maior frequência osteotomias para a correção de deformidades maxilares em pacientes adultos. Os efeitos de tais procedimentos nos tecidos moles, como consequência das alterações dos tecidos duros, passaram a ser amplamente estudados porque os profissionais devem esclarecer aos pacientes as limitações das técnicas propostas.

Bell e Dann examinaram as mudanças que ocorreram nos tecidos moles de 25 pacientes que sofreram avanços e segmentações maxilares. Tais pacientes apresentavam mordidas abertas, protrusões bimaxilares ou Classe II esqueletais. Radiografias pós-cirúrgicas foram tomadas com um mínimo de 6 meses após a cirurgia. Procedimentos mentonianos (genioplastia) foram realizados em 11 pacientes, sendo que 8 sofreram avanço do mento e 3 foram submetidos a implantes de borracha. Além disso, os autores mencionaram que as mudanças nos tecidos moles acompanham as mudanças dos tecidos duros e existe boa previsibilidade das alterações dos tecidos moles relativa às alterações dos tecidos duros. A proporção do movimento do lábio superior à borda incisal é uma explicação simplificada do movimento na direção ântero-posterior. Na verdade, o que ocorre é uma combinação de movimentos horizontais e verticais. As mudanças observadas se tornam mais aparentes no vermelhão do lábio, pois o lábio tende a se desenrolar, porém, tais mudanças não foram confirmadas estatisticamente.

Radney e Jacobs examinaram os efeitos da intrusão total da maxila (com osteotomias Le Fort I) em 10 adultos que apresentavam excesso vertical maxilar ou "síndrome da face longa". A amostra era constituída de 9 mulheres e 1 homem, entre 16 a 52 anos, todos caucasianos e sem significativas alterações de crescimento. Para os autores, é de fundamental importância que o ortodontista e o cirurgião prevejam as mudanças a serem esperadas de um procedimento cirúrgico. A resposta dos tecidos moles à movimentação dos tecidos duros foi estudada através da comparação de radiografias laterais pré e pós-operatórias. Os autores constataram que as respostas do ângulo naso-labial variam de acordo com a direção e a quantidade de intrusão maxilar. Quando a maxila foi impactada e retruída, o ângulo naso-labial geralmente aumentou. Entretanto, poucas mudanças aconteceram no ângulo naso-labial quando a maxila foi intruída e protruída ou somente intruída.

Nos pacientes em que a maxila foi impactada e retruída, o ponto mais anterior do lábio superior respondeu ao movimento do incisivo superior na proporção de 0,7:1. A ponta do nariz se moveu ligeiramente para cima com a intrusão e protrusão maxilar. A cada 6 mm de movimentação maxilar, a ponta do nariz se moveu 1 mm para cima. Nos casos em que a maxila foi impactada e protruída, o lábio superior respondeu ao incisivo superior na proporção 0,5:1. A proporção do movimento do sulco superior labial e sub-nasal em relação ao incisivo central foi de 0,3:1. Isso significa que os tecidos moles do lábio superior avançaram praticamente a metade do que os incisivos superiores avançaram. A borda inferior do lábio superior se moveu para cima com a intrusão da maxila. A proporção encontrada foi de 0,4:1.

As mudanças nos lábios inferiores foram imprevisíveis, possivelmente devido às diferenças no tônus muscular dos tecidos moles na época em que a radiografia foi tomada. O mento mole respondeu à intrusão maxilar com uma rotação, acompanhando as mudanças observadas no mento ósseo, na proporção de 1:1.

O propósito desse artigo foi estudar retrospectivamente os efeitos em adultos das cirurgias ortognáticas maxilares tipo Le Fort I tendo os seguintes objetivos:
• Avaliar as alterações verticais e horizontais nos lábios superiores
• Avaliar as consequentes alterações em lábios inferiores.

Dos fatores envolvidos, talvez o mais importante seja a espessura dos lábios. Ao mesmo tempo, sabe-se que a medição objetiva de um componente muscular é inatingível na prática. Medições em radiografias dependem diretamente do posicionamento dos lábios durante a tomada radiográfica, introduzindo, da mesma forma, importante variação. Técnicas mais sofisticadas com vídeo-imagem ou radiografias dinâmicas podem fornecer melhores respostas.

A análise de todos os pacientes mostra que as cirurgias foram eficazes no seu objetivo inicial, movimentando significativamente a maxila, demonstrado pela alteração na posição da base óssea maxilar em relação à base craniana anterior e inclinação dos incisivos superiores em relação à base óssea maxilar. Não houve significância estatística para as alterações do ângulo naso-labial, provavelmente devido à variação envolvida, evidente pelo desvio padrão apresentado.


CONCLUSÕES

Baseando-se nos resultados apresentados, podemos concluir que:

1) Significativas alterações horizontais ocorrem no lábio superior quando a base maxilar é movimentada significativamente ântero-posteriormente, na proporção aproximada de 0,6:1.

2) O movimento anterior da maxila é geralmente acompanhado do movimento vertical para baixo, mesmo não havendo significativa alteração do plano oclusal.

3) Alterações verticais no lábio superior ocorrem somente quando há significativa alteração na posição ântero-posterior da base óssea maxilar e rotações do plano oclusal sem significativas alterações ântero-posteriores não proporcionam significativas mudanças verticais no lábio superior.

4) A movimentação ântero-inferior da maxila promove alterações significativas no lábio inferior, proporcionando melhor selamento labial.

Link do artigo na integra via site do Dr. Del Santo:

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