ORTODONTIA CONTEMPORÂNEA: Radiografias periapicais prévias ao tratamento ortodôntico

sábado, 18 de abril de 2009

Radiografias periapicais prévias ao tratamento ortodôntico






Neste artigo de 2007, publicado pela Revista Dental Press, pelo autor Dr. Alberto Consolaro, da FOB USP - Bauru - São Paulo; Mostra a improtância deste antigo, mais eficaz metodo de diagnóstico.

As radiografias panorâmicas, assim como são mais conhecidas as ortopantomografias, não são indicadas para o diagnóstico de reabsorções dentárias. Quando detectadas nestas radiografias, tratam-se de casos avançados de reabsorção com grande perda de estrutura dentária. As reabsorções pequenas e médias não são detectáveis nas radiografias panorâmicas.

Estas afirmações inferem que as radiografias panorâmicas nas documentações ortodônticas têm vários objetivos, mas entre estes não deve ser incluído o diagnóstico prévio de reabsorções dentárias pré-existentes.

As reabsorções dentárias, no mundo ocidental, têm uma prevalência entre 6 e 10% dentre as pessoas que nunca realizaram qualquer tipo de tratamento ortodôntico. Em termos clínicos, isto pode ser assim traduzido: em cada 100 pacientes ortodônticos, 6 a 10 têm reabsorções dentárias em um ou mais dentes, podendo gerar problemas durante o tratamento.

No tratamento ortodôntico a severidade das reabsorções pré-existentes pode aumentar com as reações teciduais induzidas pelo movimento dentário, pelo aumento local dos níveis de mediadores e/ou então pelo tempo transcorrido de 1 a 2 anos. Sem uma radiografia adequada e prévia de diagnóstico das reabsorções dentárias como poder-se-á alegar, especialmente nos laudos periciais, que a origem destas reabsorções pré-existentes não têm relação direta e primária com o tratamento ortodôntico.

As radiografias periapicais são as mais indicadas para o diagnóstico de alterações como fraturas radiculares, calcificações pulpares, metamorfose cálcica da polpa, cárie, periapicopatias e outras alterações exclusivas dos dentes, incluindo-se as reabsorções. Em outras palavras, no planejamento ortodôntico deve-se incluir a análise minuciosa de radiografias periapicais de todos os dentes. O objetivo é diagnosticar alterações dentárias pré-existentes não detectáveis pelas radiografias panorâmicas e assim evitar complicações durante o tratamento ortodôntico. As radiografias periapicais de todos os dentes antes do tratamento ortodôntico representam, em seu conjunto, uma das formas mais eficientes de prevenir-se de problemas associados às reabsorões
dentárias durante o tratamento ortodôntico.

O ortodontista, como os demais especialistas, deve ter conhecimento suficiente para detectar ou suspeitar da perda da normalidade e encaminhar o paciente para outro especialista esclarecer o problema supostamente detectado. Também como responsável de diagnóstico de lesões e reabsorções dentárias pré-existentes ao tratamento ortodôntico, está o radiologista que assinou o laudo emitido. Na relação entre ortodontista e radiologista deve imperara cooperação, ética e complementariedade, para que a competência tenha lugar. A interação constante ortodontista-radiologista e a emissão de laudo descritivo das radiografias auxiliam, em muito, o planejamento ortodôntico e promovem a divisão de responsabilidades nos diagnósticos a serem realizados, antes do início do tratamento ortodôntico.

Quando pensamos em pesquisa, quase sempre, nos remetemos a laboratórios e equipamentos sofisticados. Não necessariamente. A busca pelo conhecimento e pelo avanço das práticas medico-odontológicas também passa pela checagem das vantagens e desvantagens de protocolos de conduta, diagnóstico e tratamento. Infelizmente, em muitas áreas do conhecimento e da prática médico-odontológica, observa-se a falta de padronização e a ausência de protocolos, especialmente assim se aprende nos cursos de formação. A padronização de protocolos passa pela avaliação clínica de suas vantagens, desvantagens, viabilidade e oportunidade de adoção a partir de metodologias bem estabelecidas na pesquisa com pacientes.

Se houvesse um protocolo de documentação que incluísse a análise de radiografias periapicais prévias como determinante e como item indispensável, os problemas durante o tratamento ortodôntico e que verdadeiramente seriam pré-existentes, necessariamente deixariam de ser “conseqüências” atribuídas ao mesmo, como por exemplo: reabsorções internas, anquilose alvéolo-dentária, reabsorção por substituição, reabsorção cervical externa, necrose pulpar e lesão periapical. Estas situações mencionadas não tem relação etiopatogênica com o tratamento ortodôntico, mas freqüentemente são atribuídas e aceitas como tal, por falta de documentação para determinar que estes problemas pré-existiam, mas em geral denota-se a falta de radiografias periapicais prévias.

Quando as radiografias periapicais prévias, ainda assim, impossibilitarem um definição segura do diagnóstico e prognóstico de reabsorções dentárias no planejamento ortodôntico, pode-se usar, de forma segura biologicamente e economicamente acessível, a tomografia computadorizada volumétrica ou de feixe cônico.


Link do arquivo na Integra via Scielo:

2 comentários:

  1. Todo Ortodontista deveria ler este parágrafo:
    ""As radiografias periapicais são as mais indicadas para o diagnóstico de alterações como fraturas radiculares, calcificações pulpares, metamorfose cálcica da polpa, cárie, periapicopatias e outras alterações exclusivas dos dentes, incluindo-se as reabsorções. Em outras palavras, no planejamento ortodôntico deve-se incluir a análise minuciosa de radiografias periapicais de todos os dentes. O objetivo é diagnosticar alterações dentárias pré-existentes não detectáveis pelas radiografias panorâmicas e assim evitar complicações durante o tratamento ortodôntico. As radiografias periapicais de todos os dentes antes do tratamento ortodôntico representam, em seu conjunto, uma das formas mais eficientes de prevenir-se de problemas associados às reabsorões
    dentárias durante o tratamento ortodôntico.""
    Com frequência recebo em meu consultório, pacientes que já iniciaram ou até finalizaram o tratamento ortodôntico, com necessidade de tratamento endodôntico.
    Em alguns casos não dá nem pra acreditar que o paciente passou por um tratamento ortodôntico! Parece que o ortodontista se esquece de que antes de tudo é um Cirurgião-Dentista!
    Uma simples radiografia periapical e uma avaliação inicial com um Endodontista (tanto da polpa como do periápice) poderia evitar várias complicações futuras.
    Vejo muitos casos de dentes com lesões periapicais, com necessidade de retratamento endodôntico, com lesões de cárie sob restaurações, com pinos mal posicionados, etc... que passam primeiro pelo Ortodontista e que, somente durante (nos casos em que os pacientes acusam sintomatologia dolorosa) ou ao final do tratamento ortodôntico é que irão ser submetidos a terapia endodôntica.
    Acho que muitos confiam somente na panorâmica e pecam no ordenamento correto de um plano de tratamento que vá mais além da ortodontia.
    Abraços,
    Marcel

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  2. É isso aí Marcel!
    Acreditamos e concordamos com seu comentário. Na íntegra! Por isso, fazemos a nossa parte. Felizmente esse Blog tem sido lido por vários ortodontistas pelo mundo e seu comentário serve para chamar mais a atenção dos colegas.
    Obrigado.

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