ORTODONTIA CONTEMPORÂNEA: Expansão Rápida da Maxila e “esplintagem” dos incisivos centrais: um cabo-de-guerra perigoso!

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Expansão Rápida da Maxila e “esplintagem” dos incisivos centrais: um cabo-de-guerra perigoso!




Neste artigo de 2005, publicado pela Revista Dental Press, pelo autor Dr. Alberto Consolaro Professor Titular em Patologia Bucal pela Faculdade de Odontologia de Bauru - FOB-USP - São Paulo. Discute e mostra risco desta manobra perigosa utilizada durante a isjunção maxilar.

A Expansão Rápida da Maxila abre a sutura palatina mediana de baixo para cima e da frente para trás; na radiografia oclusal este procedimento ortopédico gera um “V” com ápice na sutura palatina transversa. Nesta sutura transversa a força é dissipada e perde sua intensidade e eficiência.

No primeiro momento do deslocamento lateral dos ossos maxilares, a sutura palatina mediana, constituída por tecido conjuntivo fibroso, sofrerá rompimento das fibras colágenas e vasos sanguíneos com focos hemorrágicos e muita desorganização tecidual. Ao longo de algumas semanas o tecido voltará ao normal graças ao processo da reparação, ultima fase de uma inflamação instalada, incluindo-se a neo-formação óssea de preenchimento.

Na região anterior da maxila, entre os incisivos centrais, está a parte mais frontal da sutura palatina mediana e aquela que primeiro se abre pela forma de atuação do aparelho disjuntor. Trabalhos revelam que a sutura no adulto ossifica-se de trás para a frente e de cima para baixo. Daí a forma de “V” observada nas radiografias oclusais.

Após a Expansão Rápida da Maxila alguns pacientes reclamam do diastema que compromete a estética e a fonação durante o tratamento. Os pacientes devem ser conscientizados das conseqüências do tratamento proposto, afinal todo tratamento tem custos biológicos, estéticos e funcionais, ora transitórios, ora permanentes.

Depois do relatado, imagine se o profissional for sensível aos apelos do paciente e, entusiasmado em mostrar-se competente, decide “amarrar”, “unir” ou “esplintar” os incisivos centrais superiores com fios e braquetes antes da ERM. Poderá ocorrer:

1) a força para obter a disjunção deverá ser muito maior;

2) a sintomatologia tenderá a ser intensificada;

3) a possibilidade de lesões na mucosa palatina será muito grande;

4) os danos nas faces vestibulares dos dentes de ancoragem serão amplificados com mais reabsorção radicular na reorganização do ligamento periodontal hialinizado de forma segmentar nesta região;

5) o rompimento da sutura, se houver, será brusco e rápido e neste momento poderá romper os feixes vasculares e nervosos dos incisivos centrais superiores com conseqüente necrose pulpar.

Os danos aos incisivos centrais superiores submetidos a este procedimento de “esplintagem”, quando a Expansão Rápida da Maxila ocorrer, devem ser considerados e podem se manifestar com escurecimento coronário por necrose pulpar e mobilidade excessiva por amplas reabsorções ósseas e radiculares nos tecidos periodontais! Este cabo-de-guerra pode ser perigoso! Pense nisto!


Link do artigo na integra via Dental Press:

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