ORTODONTIA CONTEMPORÂNEA

segunda-feira, 9 de março de 2009

03 meses de Blog






Na realidade este Blog foi criado, 15 dias após a minha conclusão da especialização em Ortodontia. Conversando com o colega de turma e amigo Wendel Shibasaki, vi que precisávamos de alguma motivação para continuar estudando, e ai surgiu a idéia do Blog. No qual todos os dias nos obrigaria a postar artigos de livre acesso disponibilizado na Internet, em paralelo a isso novos produtos e o histórico da nossa especialidade.

Hoje 09/03/09, fazem 03 meses que o Blog foi posto no ar, e para minha surpresa percebi que colegas de todo Brasil e de outros países, vem acompanhando diariamente as suas atualizações. Inclusive comentando as postagens, espero que mais e mais colegas participem também, tornando o espaço mais interativo. E trocando experiências.


Números do Blog:

. 03 Meses que está no ar

. 6.200 Visitas até hoje

. 14.500 Paginas visitadas

. 04 Minutos é o tempo médio que o visitante fica linkado ao Blog

. 75 Países Visitantes

. 163 Cidades Brasileiras Visitantes

Fonte: Google Analytics


Espero que os assuntos abordados no Blog estejam enriquecendo cada dia mais a todos que visitam este espaço. Para desta forma, beneficiar aqueles que nos procuram diariamente com o intuito de solucionar seus problemas. Nossos Pacientes!


Abraços a todos,
Marlos Loiola

domingo, 8 de março de 2009

Por que a Odontologia se transformou numa profissão de mulheres?




Um artigo antigo, mas ainda muito atual, sobre como a mulher tem se tornado predominante no campo da odontologia. Nosso Blog o republica em comemoração ao dia internacional da mulher.


Parabéns a todas as mulheres da ortodontia, odontologia e frequentadoras desse blog!!!


Este estudo teve por objetivo identificar os fatores que levaram a Odontologia a transformar-se numa profissão com predomínio de profissionais do sexo feminino. Analisamos a identidade feminina nos aspectos biológicos, psicossociais e sua relação com a reprodução da força de trabalho. Em conclusão, podemos afirmar que o processo de transformação deve-se a um conjunto de fatores econômico-culturais e relaciona-se à busca pela igualdade de direitos sociais.


Conclusão:

Tentamos mostrar a fronteira existente entre o agir e pensar. Nós, mulheres, vivemos obscurecidas e interpretadas por um emaranhado de definições e explicações que muitas vezes não retratam a verdade.

Precisamos estabelecer distinções entre o que realmente a mulher reinvindica com as exigências e comportamento impostos pela sociedade.

O conflito por nós vivenciado é a chance de reconhecer o caráter ambíguo que nos colocamos.
A discriminação da mulher que marca o período circunscrito pelo autoritarismo masculino remete-nos ao desafio de redesenhar a lógica do agir e pensar, reorientando nossos legítimos interesses e ideologias.

Portanto, a Odontologia, através de seu conteúdo e prática, nunca se revelou como sendo uma profissão de homens. A exigência da força física, maior resistência ao sofrimento humano e "sangue frio" para intervenções cirúrgicas, originam-se numa determinação cultural de que a mulher, pelas suas características físicas, não poderia exercê-la. Coube à sociedade, e não à Biologia, determinar os papéis para os sexos.

A rotulação da Odontologia como profissão masculina suportava as idéias da sociedade patriarcal que mantinha a mulher adstrita ao lar.

Sabemos que o físico não interfere na execução dos procedimentos odontológicos e as "parteiras" e as enfermeiras no front das guerras demonstram como suportar tanto sofrimento e dor que assolam tais situações.

Como não influenciava no poder, a mulher não era premissa a ser letrada, logo seu ingresso às Universidades não tinha razão de ser, e, quando obteve tal oportunidade, preferiu a área de saúde por esta não provocar o rompimento com suas atividades do âmbito doméstico.

A pediatria e a dentística, como sendo as especialidades que mais tendem às mulheres, vêm ao encontro de suas propaladas características de bondade, paciência, saber ouvir, cuidar de crianças (pediatria) e serviços que requerem habilidades manuais (dentística).

Até hoje, o homem que opta por pediatria e a mulher, por cirurgia, são olhados de esguelha.

A tendência à "feminilização" no setor saúde, registrada no período pós-setenta, representa as mudanças verificadas na estrutura produtiva do capitalismo. A hegemonia patriarcal adstringiu a mulher ao lar enquanto não interessava ao capitalismo sua mão-de-obra. O modo de produção foi cedendo lugar ao modo de vida. Frente à expansão de interesses econômicos, a mulher foi requisitada com menores salários e dupla jornada.

Os movimentos sociais sacudiram e desmistificaram várias teorias e com elas a mulher configura seu novo tempo.

Logo, o aumento de sua participação como força de trabalho resulta do apelo do crescimento do sistema econômico, restando-lhe lutar pelo reconhecimento do direito de ter direitos.


Silvia Braga Rabello- Aluna do Curso de Especialização em Educação em Saúde Pública (FO – UFF)
Carla Valéria C.Godoy- Mestranda em Odontologia Social (FO – UFF)
Wilton W. N. Padilha- Professor Titular de Clínica Integrada (FO – UFF
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Artigo publicado na Revista Brasileira de Odontologia - Março / Abril 2000, volume 57, número 2


Pensamento da Semana


"Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo. Por isso aprendemos sempre."


Paulo Freire
1921-1997

quinta-feira, 5 de março de 2009

Historia da Ortodontia - Norman W. Kingsley


Após 1850 apareceram os primeiros tratados que descreveram a ortodontia de maneira sistemática, o mais notável destes foi o de Norman W. Kingsley (1825–1896) um dentista, escritor, escultor e artista - Escreveu o "Tratado de deformidades orais" (1880) . Este tratado de Ortodonti possuia as etiologias, diagnosticos e planos de tratamentos fundamentdos para pratica da especialidade. Kingsley influenciou significativamente a odontologia americana durante a última metade do século XIX. Apesar das suas contribuições e de seus contemporâneos, a ênfase da Ortodontia permaneceu no alinhamento dos dentes e na correção das suas proporções faciais, prestando-se pouca atenção à oclusão dentária. Numa época em que a dentição intacta era uma raridade, os detalhes de relações oclusais eram considerados sem importância.

Ele desenvolveu a tração occipital (1879), introduzindo definitivamente a força extrabucal aplicada sobre o arco superior (Já mostrado anteriormente aqui no Blog) e o tratamento das fendas palatinas. Foi também o primeiro ortodontista a usar a vulcanite para construir o seu histórico plano inclinado. Sua fama como dentista quase foi ofuscada pelos seus talentos como artista e escultor.


Links sobre Kingsley:
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http://quod.lib.umich.edu/cgi/t/text/pageviewer-idx?c=dencos;cc=dencos;view=image;rgn=main;node=acf8385.0017.001%3A52;idno=acf8385.0017.001;seq=181;page=root;size=s;frm=frameset;
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http://quod.lib.umich.edu/cgi/t/text/pageviewer-idx?c=dencos;cc=dencos;view=image;rgn=main;node=acf8385.0014.001%3A28;idno=acf8385.0014.001;seq=77
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http://quod.lib.umich.edu/cgi/t/text/pageviewer-idx?c=dencos;cc=dencos;view=image;rgn=main;node=acf8385.0036.001%3A289;idno=acf8385.0036.001;seq=785
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quarta-feira, 4 de março de 2009

BiteStrip® - Polissonografia portátil - Identificador de Buxismo noturno


















Este produto nada mais é que um tipo de "medidor" do nivel de bruxismo, ele é utilizado a noite, durante o sono e no final, seu visor mostra nivel de bruxismo do paciente (Ausente, leve, moderado e severo). Produto interessante, não encontrei nenhuma pesquisa cientifica a respeito deste produto.

A empresa que o representa descreve o BiteStrip®:

O BiteStrip® e um aparelho preciso e de baixo custo, de uso domestico, que tem como objetivo auxiliar na avaliação da atividade noturna excessiva dos músculos mastigatórios, conhecida como bruxismo. O BiteStrip® geralmente e indicado para uso por profissionais que trabalham com dor orofacial ou por cirurgiões-dentistas, para avaliar o nível de atividade noturna dos músculos mastigatórios, que pode estar relacionado com bruxismo, desordens têmporo-mandibulares (DTM) ou outras desordens oro - funcionais durante o sono. O BiteStrip® pode auxiliar na determinação da existência e da freqüência do bruxismo. Com essa informação, o profissional pode efetivamente educar o paciente e estabelecer o plano de tratamento adequado.

As etapas de uso do BiteStrip®:

1) Utilizar o aplicador embebido em solução alcoólica, limpando a pele na região do masséter onde o BiteStrip® será colado. Limpar com o segundo aplicador a superfície do mostrador do BiteStrip® antes de iniciar o estudo. Uma luz vermelha ascenderá automaticamente e temporariamente;

2) Colar o adesivo verde sobre a superfície do display e a luz vermelha começará a piscar;

3) Colar o BiteStrip® sobre a pele na região do músculo masséter. Aperte os dentes para sentir a contração deste músculo e assim determinar com precisão onde o BiteStrip® será posicionado na face. A luz vermelha se apagará após alguns segundos;

4) Calibração do BiteStrip®. Utilizando a espátula de madeira do kit, apertar os dentes o mais forte possível por 2 segundos e então relaxe.É preciso que se repita esta operação mais duas vezes, pois são necessários 3 apertamentos voluntários máximos (MVC) dos dentes para a correta calibração do dispositivo. A luz vermelha piscará a cada mordida. Se a luz não piscar, cuidadosamente remova o BiteStrip® e reposicione-o para que ele possa captar as contrações do masséter. A partir desta phase só após 20 minutos, começa a contagem dos incidentes do Bruxismo.

5) Após às 5 horas no minimo, ao despertar o BiteStrip® é removido e a luz ascenderá para indicar o fim do estudo. O estudo pode durar mais que 5 horas não superando 12 horas em total É muito importante que o adesivo verde não seja removido antes de 30 minutos da remoção do BiteStrip®. NÃO REMOVER O ADESIVO ANTES! A leitura do resultado só pode ser feita após este tempo;

O mostrador e permanente e o BiteStrip® pode ser mantido como parte dos dados medicos do paciente. Sensores ineficientes (BAD SENSOR) indicam defeitos tecnicos, resultando ausencia de mudanca de cor dos segmentos. O aparelho sera substituido dentro da garantia. Exame ineficiente (BAD STUDY) indica um exame muito curto (menos de quatro horas) ou muito longo (mais de 12 horas).Um estudo muito curto pode ocorrer quando o sensor e inadvertidamente deslocado do seu local durante o noite, ou quando o paciente o remove durante o sono. O teste e considerado invalido devido ao tempo de coleta de dados ser insuficiente.Pode usar o leitor cor de laranja se o resultado esta confuso. Posicione o cartao sobre o display para tornar a leitura mais facil.

As vantagens do BiteStrip®:

• Dados coletados no lar, no ambiente natural do sono.

• Fácil de usar, descartável.

• Baixo custo.

• Preciso, excelente correlação com dados laboratoriais de polissonografia.

• Pequeno, leve.

• Resultados instantâneos e permanentes.Sendo o BiteStrip® descartável, permitiu que o fizéssemos com um preço acessível e muito mais simples de operar que qualquer outro sistema reutilizável. Outras vantagens:

• Não é necessário investir em equipamento EMG ou de sono de preço elevado.

• Não é necessária a manutenção, seguro ou troca de peças.

• Não é necessário recarregar baterias, operar PCs, ou qualquer outro manuseio.

• Não é necessário operar uma unidade para a entrega do dispositivo ao paciente trazê-lo de volta.

• Habilidade para testar com o maior número de pacientes possível, como requerido toda noite.

Links ligados ao produto:
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terça-feira, 3 de março de 2009

Freqüência de relatos de parafunções nos subgrupos diagnósticos de DTM de acordo com os critérios diagnósticos para pesquisa em DTMs




Neste artigo de 2008, publicado pela Dental Press, pelos autores Raquel Stumpf Branco, Carla Stumpf Branco, Ricardo de Souza Tesch, Abrão Rapoport; da Faculdade de Medicina devPetrópolis - Rio de Janeiro. Mostram neste artigo as formas de manifestações das DTMs, periodicidade e outras particularidades.

As disfunções temporomandibulares (DTM) podem ser definidas como um conjunto de condições
dolorosas e/ou disfuncionais, que envolvem os músculos da mastigação e/ou as articulações temporomandibulares (ATM). Estas condições não possuem etiologia ou justificativa biológica comum e, desta forma, caracterizam um grupo heterogêneo de problemas de saúde. Seus sintomas característicos são: dor à palpação muscular e/ou articular, função mandibular limitada e ruídos articulares, com a prevalência total destes sintomas atingindo mais de 75% da população adulta.

A falta de um perfeito entendimento da relação entre fatores etiológicos e mecanismos fisiopatológicos envolvidos em cada subgrupo de DTM determina que sua classificação atual seja preferivelmente baseada em seus sinais e sintomas do que em sua etiologia. Atualmente, o “Critério Diagnóstico para Pesquisa em Disfunção Temporomandibular” (RDC/TMD) oferece a melhor classificação para DTM, já que inclui não apenas métodos para a classificação diagnóstica física das DTMs, presentes no seu eixo I, mas ao mesmo tempo métodos para avaliar a intensidade e severidade da dor crônica e os níveis de sintomas depressivos, presentes no seu eixo II.

Denomina-se hábitos parafuncionais aqueles não relacionados à execução das funções normais do sistema estomatognático, como a deglutição, mastigação e fonação. Segundo MacFarlane et al., fatores mecânicos locais, como os hábitos parafuncionais, apresentam papel importante na etiologia da dor orofacial, podendo sua influência variar segundo a tolerância do paciente à dor e suas diferentes respostas bioquímicas e fisiológicas a estes fatores. Para Molina et al., dentre os hábitos orais que afetam as estruturas mastigatórias está o hábito de ranger ou apertar os dentes, também denominado de bruxismo.

De acordo com a Academia Americana de Dor Orofacial e a Associação Americana de Desordens do Sono, o bruxismo é caracterizado por atividade parafuncional noturna e/ou diurna involuntária dos músculos mastigatórios, rítmica ou espasmódica, podendo apresentar apertamento e/ou ranger dos dentes. Hereditariedade, fumo e excesso de consumo de café são alguns fatores de risco para o desenvolvimento do bruxismo.

O termo bruxismo do sono é preferencialmente utilizado no lugar de bruxismo noturno, pelo fato das pessoas rangerem ou apertarem os dentes quando dormem, de dia ou à noite. É reconhecido como um problema clínico há décadas, embora sua fisiopatologia permaneça controversa. Carlsson et al. sugeriram que o bruxismo tem regulação central e não periférica. Num episódio de bruxismo, o cérebro é primeiramente ativado, depois é notada uma aceleração cardíaca autonômica e, então, a musculatura mastigatória é fortemente ativada.

Evidências sugerem que os episódios de bruxismo do sono estão intimamente relacionados ao aumento das atividades eletroencefalográfica, eletromiográfica e freqüência cardíaca, que são parte dos micro-despertares freqüentes durante o sono. Cerca de 60% dos indivíduos normais apresentam atividade involuntária rítmica da musculatura mastigatória, que ocorre a uma freqüência de 1,8 episódios por hora de sono, a qual pode estar associada à necessidade de estímulo da produção de saliva durante a noite. Em pacientes com bruxismo do sono esta atividade é 3 vezes mais freqüente, as contrações musculares de maior amplitude e acompanhadas de ruídos dentários.

Como descrito por Kato el al., o Critério Diagnóstico Polissonográfico de Pesquisa para o Bruxismo do Sono investiga a atividade eletromiográfica em músculos mastigatórios (masseter ou temporal) e o tipo de episódio de bruxismo do sono (que pode ser fásico, tônico ou misto). Os registros laboratoriais incluem eletroencefalografia, eletromiografia, eletrocardiograma e sensor térmico, simultâneos com gravações audiovisuais, oferecendo registros altamente controlados para que outras desordens do sono possam ser descartadas e o bruxismo seja discriminado de outras atividades orofaciais que ocorrem durante o sono. Com o estudo polissonográfico, o diagnóstico clínico do bruxismo é corretamente proposto em 83,3% dos bruxômanos. Entretanto, embora mais confiáveis, têm sua utilidade diagnóstica limitada por sua complexidade de realização e alto custo.

O bruxismo pode também ser clinicamente diagnosticado pela presença de desgaste dentário superior ao considerado normal para a idade, havendo, no entanto, necessidade de diferenciálo do desgaste causado por outros fatores, como dieta específica ou outros hábitos orais. Muitas vezes desgastes dentários evidentes clinicamente não têm correlação com o nível do bruxismo no presente momento, podendo representar registro acumulativo de desgastes parafuncionais e funcionais, pois 40% da população saudável e que não range os dentes apresentam desgastes dentários.

As pressões intra-articulares maiores que 40mmHg ultrapassam a pressão dos capilares periféricos e podem causar hipóxia intra-articular temporária, seguida pela re-oxigenação, uma vez que o apertamento é interrompido, com uma resultante liberação de radicais livres. Ao avaliar os níveis de pressão intra-articular presentes nas ATM dos pacientes que estavam acordados e foram submetidos ao procedimento de artrocentese, Nitzan encontrou que o apertamento voluntário dos dentes produziu altos níveis de pressão intraarticular, maiores que 200mmHg. Existe um dano direto aos componentes do tecido celular e extracelular causados por radicais livres, como o aumento na fricção pela diminuição da lubrificação articular adequada, o que poderia, hipoteticamente, levar ao início do processo de deslocamento anterior do disco articular, como descrito em detalhes por Nitzan.

Citosinas pró-inflamatórias foram isoladas de amostras do líquido sinovial colhido da ATM de indivíduos sintomáticos, fato provavelmente relacionado a evidências recentes demonstrando que os radicais livres podem estimular a síntese celular destas proteínas, promovendo um importante efeito pró-inflamatório e de decomposição da estrutura extracelular envolvida no processo de degeneração articular.

Estudos sobre a influência das parafunções na dor orofacial são ainda limitados, porém indicam que o início das DTMs dolorosas possivelmente esteja relacionado ao acúmulo de carga proveniente de hábitos parafuncionais sobre as estruturas do sistema estomatognático. Pesquisas têm sido desenvolvidas no intuito de estabelecer a relaçãoentre parafunções orais, como o bruxismo e o apertamento dentário, e o início ou agravamento de dores orofaciais, mais especificamente da dor muscular mastigatória e artralgia temporomandibular, acompanhada ou não de alterações degenerativas.

No presente estudo, o relato de bruxismo do sono apresentou freqüência de ocorrência inferior (55,5 %) à apresentada pelo relato de apertamento dentário (64,8%). Quando cada diagnóstico do RDC/TMD foi avaliado, associado ou não a outros diagnósticos, a parafunção diurna também foi mais freqüentemente relatada que a do sono. Para Kato et al., o bruxismo avaliado através do autorelato pode ser subestimado. Segundo Chung et al. , cerca de 70% dos pacientes com bruxismo do sono não têm conhecimento deste hábito. Como a parafunção diurna acontece com o indivíduo desperto, torna-se mais fácil sua percepção e, conseqüentemente, seu auto-relato é mais freqüente em relação ao bruxismo do sono.

O presente trabalho demonstrou que o relato associado de ambas as parafunções, diurna e do sono, é mais freqüente em todos os subgrupos diagnósticos do que a presença individual de cada uma. Como previamente demonstrado, pacientes com DTM apresentam níveis elevados de atividade nos músculos masseter e temporal em repouso, da mesma forma que pacientes com cefaléia do tipo tensão.

As parafunções orais avaliadas no presente estudo podem ser identificadas clinicamente e, portanto, o profissional de saúde deve investigar sinais e sintomas possivelmente relacionados a estas patologias que, uma vez identificadas, devem ser tratadas como fatores de risco para o desenvolvimento das diferentes formas de DTM. Para tal, os protocolos terapêuticos devem ser instituídos com o objetivo de controlar a manifestação destas atividades parafuncionais ou, pelo menos, seus efeitos sobre o sistema estomatognático como forma de prevenção do desenvolvimento de DTM.


Link do Artigo na Integra via Scielo:

segunda-feira, 2 de março de 2009

Ressonância magnética nos desarranjos internos da ATM: sensibilidade e especificidade



Neste artigo de 2008, publicado pela Dental Press, pelos autores Patrícia dos Santos Calderon, Kátia Rodrigues Reis, Carlos dos Reis Pereira Araújo, José Henrique Rubo, Paulo César Rodrigues Conti; da FOB/USP - Bauru - São Paulo. Fazem uma boa revisão de litaratura sobre uma das grandes fronteiras da Odontologia a ATM.

Desarranjos internos da ATM acontecem quando há um relacionamento anatômico anormal entre disco, côndilo e eminência articular. Os fatores etiológicos de tais desarranjos são, normalmente, traumas ou alterações na zona bilaminar. Esses desarranjos envolvem, em sua maioria, deslocamentos para anterior do disco articular, com ou sem redução. Nos estágios iniciais, quando o indivíduo executa a abertura bucal, o disco reassume sua posição, caracterizando um deslocamento do disco com redução (DDCR), que temcomo característica principal o estalido durante a abertura. Com o tempo, o disco se desloca cada vez mais para anterior e tem sua forma alterada a redução, nesses casos, ocorre no final da abertura, caracterizada por estalido tardio.

Com a progressão do desarranjo, o disco se tornará anterior ao côndilo durante todo o movimento de abertura bucal, podendo apresentar uma forma biconvexa. Esse quadro é denominado deslocamento do disco sem redução (DDSR), caracterizado pela ausência de estalido (com história anterior de estalido), história de travamento durante abertura bucal e dor na região da ATM. Esse quadro pode progredir para um deslocamento sem redução crônico, onde a sintomatologia e a limitação de movimentos já não existem mais, pela adaptação dos tecidos retrodiscais, porém o disco permanece deslocado e disforme.

Os desarranjos internos da ATM são um problema de saúde significante, tanto pelo impacto que causam nos indivíduos que os têm, quanto pela sua incidência (por volta de 28% da população, em algum estágio da vida). Infelizmente, a posição do disco não pode ser seguramente detectada somente pelo exame clínico. Alguns meios de diagnóstico são utilizados para tal finalidade, como a artrografia diagnóstica e a ressonância magnética (RM).

A RM é o meio mais indicado para avaliação da posição do disco, por ser um exame de diagnóstico por imagem no qual, após adquirir conhecimento técnico e científico, o examinador pode identificar os tecidos com facilidade, além de não ser um exame invasivo.

É muito importante saber indicar um exame diagnóstico e conhecer quão sensível e específico ele é para o que queremos determinar. A conduta ideal frente ao paciente com desarranjo interno da ATM é obter o maior número de informações clínicas, solicitando um exame de imagem somente
quando existir dúvida no diagnóstico, e quando tal imagem possa mudar o plano de tratamento estabelecido.

Os estudos, encontrados na literatura, que avaliam a RM no diagnóstico dos desarranjos internos, na sua maioria, utilizam em sua metodologia achados em cadáveres comparados aos achados de RM, ou achados de RM comparados aos achados clínicos, utilizados nesses casos como “Gold Standard”. Os estudos que utilizam cadáveres como “Gold Standard” são mais antigos, talvez por problemas éticos envolvidos na utilização dessa metodologia. Os achados desses estudos são bastante semelhantes entre si, sendo, normalmente, encontrado que a RM é um bom exame para detecção de desarranjos internos na ATM.

As metodologias aplicadas nos artigos que utilizam cadáveres apresentam diversas limitações, como: falta de informações clínicas sobre os indivíduos, idade avançada dos indivíduos, impossibilidade de avaliar alterações inflamatórias, impossibilidade de utilizar imagens de boca aberta, e diferenças no contraste das imagens de RM. Além disso, a distribuição entre idade e gênero seria normalmente desigual nessas pesquisas. Tais limitações devem ser previamente conhecidas para que os resultados dessas pesquisas sejam interpretados com cautela, antes de serem aplicados clinicamente. A verdade é que o “Gold Standard” ideal para esse tipo de pesquisa seria a abertura cirúrgica da ATM, que, por sua vez, também possui diversas restrições, como: possibilidade de pequena abertura bucal - muitas vezes sendo realizada pelo profissional, podendo diferir da real trajetória de abertura do paciente - falta de acesso, principalmente da região medial da ATM, e amostras formadas apenas por ATM anormais. Portanto, para a realização de pesquisas futuras como essas, o ideal seria a utilização de cadáveres frescos, o que superaria as limitações já citadas anteriormente.

Apesar disso, a realização de tais pesquisas foi imprescindível para sanar dúvidas sobre o fato da RM poder ou não ser considerada como um “Gold Standard” para diagnóstico de desarranjos internos da ATM. Para isso, é preciso avaliar os resultados encontrados e calcular os valores de sensibilidade e especificidade, sabendo que o mínimo aceitável para um teste diagnóstico é 70% de sensibilidade e 80% de especificidade.

Os diagnósticos de desarranjos internos por RM comparados aos achados anatômicos encontrados em 04 artigos demonstraram que, dentre as 95 ATM estudadas, 37 foram negativos verdadeiros, 48 positivos verdadeiros, 5 falsos negativos e 5 falsos positivos, com isso, aplicando-se a fórmula para calcular tais propriedades, encontrou-se sensibilidade de 90% e especificidade de 88% da RM para desarranjos internos da ATM. Portanto, a RM é um bom exame para diagnóstico de desarranjos internos da ATM.

Entretanto, a utilização de RM como “Gold Standard” para desarranjos internos da ATM deve ser realizada com cautela, pois esse não é um teste 100% confiável para essa finalidade. Apesar de ser o meio mais indicado para avaliação da posição do disco articular, algumas precauções devem ser tomadas quando se avalia uma imagem de RM de ATM, como: a dificuldade em se observar perfurações e aderências, dificuldade de interpretação em regiões extremamente laterais ou mediais. Aliado a essas precauções alguns artifícios que dificultariam erros de diagnóstico em RM de ATM seriam a utilização de RM com cortes menos espessos, a associação de imagens sagitais e coronais e menor campo de visão da imagem.

CONCLUSÕES:

O exame de RM de ATM possui ótima sensibilidade e especificidade para o diagnóstico dos desarranjos internos da ATM;

A utilização de tal exame como “Gold Standard” para o diagnóstico dos desarranjos internos da ATM deve ser feita com cautela;

Se, após a realização de anamnese detalhada e minucioso exame físico do paciente com desarranjos internos, não se conseguir definir um plano de tratamento devido à inconsistência do diagnóstico obtido, deve-se então partir para exames complementares de imagem, como a RM.


Link do Artigo na Integra via Scielo:

domingo, 1 de março de 2009

Pensamento da Semana




"A verdadeira ignorância não é a ausência de conhecimento, mas a recusa em conhecer."


Karl Popper
1902 - 1994

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Micromplante Ortodôntico para Distalização do arco inferior para a correção da classe III


















Neste artigo de 2005, publicado na Angle Orthodontics, pelos autores Kyurhim Chung; Seong-Hun Kim; Yoonah Kook; do departamento de Ortodontia da Catholic University Korea, Uijongbu, South Korea. Mostram um novo tipo de mini-implante com "cabeça" reduzida e aplicado em uma situação de correção de classe III associado a elásticos inter-maxilares.

Um Paciente de 16 anos de idade, sexo masculino com uma má oclusão Classe III e ausência dos dos incisivos centrais inferiores foram apresentadas para o tratamento. O plano de tratamento consistiu atraves de uma distalização inferior assimetricamente da dentição e reconquistar espaço para prótese inferior anterior trabalho. Mini implantes foram utilizados como ancoradouro para os elásticos classe III s intermaxilares, e dois microimplants (C-implantes) foram colocados no espaço interdentário entre o segundo premolares e primeiros molares superiores.

A especial concepção do design do C-implante minimiza a irritação gengival durante o tratamento ortodôntico. Sliding jig foram aplicadas na região vestibular dos dentes inferiores posteriores para distalização. O correto overbite e overjet foram obtidos por distalizição em todo arco inferior com a ancoragem C-implante, o que contribuiu para uma melhoria facial e equilíbrio.

Demorou 15 meses para tratar o caso. A aplicação desta novo tipo de microimplante, considerações sobre este caso, e a seqüência de tratamento são apresentadas neste artigo.

Link do artigo na integra via Angle Orthodontics:

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Intervenção ortocirúrgica em paciente adolescente com acentuada displasia esquelética de Classe III



Neste artigo de 2007, publicado pela revista Dental Press, pelos autores Andressa Otranto de Britto Teixeira, Paulo José Medeiros, Jonas Capelli Junior; da UERJ - Rio de Janeiro. Abordam os beneficios e limitações do tratamento Ort0-Cirurgico precoce em pacientes portadores da má-oclusão Classe III de Angle .

A má oclusão de Classe III de origem esquelética é caracterizada por discrepância ântero-posterior entre as bases ósseas, que pode ser devida à deficiência da maxila, ao excesso mandibular ou à combinação de ambos. Estas anomalias levam a alterações expressivas do perfil facial do paciente, muitas vezes com conseqüências psicossociais importantes.

As terapias para tratamento da displasia estão relacionadas com o potencial do crescimento do indivíduo. Quando o paciente encontra-se na fase de 8 a 10 anos, ou seja, na fase pré-surto de crescimento puberal, uma abordagem precoce é indicada com uso de tração reversa da maxila, normalmente acompanhada de disjunção palatina. Com esta abordagem procura-se obter um incremento do tamanho da maxila, junto a uma rotação horária da mandíbula, conseguindo-se uma melhor relação entre esses ossos e uma oclusão satisfatória. Quando o paciente é adulto e o crescimento já cessou, o tratamento vai ser decidido entre os procedimentos de camuflagem, caso a displasia não seja muito significativa, e os procedimentos ortocirúrgicos clássicos, podendo envolver avanço de maxila, recuo da mandíbula ou procedimentos combinados. O problema quanto à decisão terapêutica está na abordagem das Classes III com envolvimento esquelético significativo na fase onde certamente a abordagem preventiva não mais surtirá efeito, mas ainda há crescimento.

A indicação formal de tratamento seria aguardar o fim do crescimento para poder se estabelecer um tratamento ortocirúrgico convencional. Para tanto, é necessário que o paciente atravesse toda a fase da adolescência com uma deformidade facial que pode gerar uma condição estética seriamente comprometida, acarretando uma baixaaceitação social perante o seu meio.

A má oclusão de Classe III tem recebido especial atenção dos ortodontistas, desde as primeiras publicações que relataram este desvio da normalidade. A má oclusão de Classe III é caracterizada por uma discrepância esquelética ântero-posterior, podendo ou não estar acompanhada por alterações verticais, mas comumente com alterações transversais associadas. Estas discrepâncias esqueléticas provocam alterações no posicionamento dos dentes inter e intra-arcos. O aspecto facial fica comprometido nesses pacientes, sendo justamente esse fator que os motiva a procurar tratamento para esse tipo de má oclusão.

A cirurgia precoce para tratamento da Classe III pode ser indicada quando o paciente estiver com grande comprometimento psicossocial ou funcional.

Para que essa terapia possa ser indicada critérios ortodônticos, como pouca discrepância intra-arco e possibilidade de preparo pré-cirúrgico sem grandes recolocações dentárias, devem ser observados.

Um segundo tratamento ortocirúrgico provavelmente se fará necessário após o término do crescimento. Esse tratamento não deve ser considerado como tratamento de rotina, mas sim como uma possibilidade terapêutica para casos criteriosamente selecionados.

Link do Artigo na Integra via Scielo:

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Historia da Ortodontia - Tratamento com Mascara Facial

Alguns autores como Barich (1952), Sturman (1958), Graber (1966) e Ahlin (1984). São unânimes em preconizar o tratamento da classe III numa fase precoce, evitando desvios de crescimento e desenvolvimento da face, além de evitar problemas periodontais e na ATM.

Um achado interessante em estudo realizado por Ellis e Mcnamara em 1984 foi a grande prevalência de retrusão maxilar esquelética. Em 65% do total da amostra exibiram uma maxila retruída. Esta retrusão maxilar estava associada com a protrusão mandibular esquelética em 30,1% e em 19,5% dos casos essa retrusão maxilar estava associada com a posição mandibular normal.

A idade para se iniciar o tratamento com a mascara facial é variável, mas freqüentemente está relacionada com as fases de desenvolvimento dentário, podendo-se iniciar aos 4 anos de idade (Hickman – 1991); Turley (1988). Uma observação importante é iniciar o tratamento antes do surto de crescimento puberário, aproveitando ao máximo o seu potencial, já que o termino do crescimento da maxila é mais precoce do que o da mandíbula. (Ferrari – 1991).

A necessidade de expandir a maxila antes da protração não é inteiramente clara. A maioria dos estudos (Ngan-1977; Baik-1995; Nanda-1980; Silva Filho-1991; Natarllo-Turley-1998; Sung-1998) utilizam a expansão palatina para “desarticular” a maxila e iniciar a resposta celular nas suturas circu-maxilares, permitindo uma reação mais positiva às forças de protração.

Embora seu tratamento date desde o ano de 1800, muitos clínicos continuam evitando a intervenção precoce, pois acreditam que essa má-oclusão seja causada por um crescimento excessivo da mandibula e não acreditam seja possível controlar o crescimento mandibular. (Turley – 1988)


HISTORICO DA MASCARA FACIAL PARA PROTRAÇÃO MAXILAR:

A protração da maxila com intuito de corrigir a classe III não é uma opção recente, o primeiro relato sobre o tratamento com a mascara facial foi documentado por Potpeschnigg em 1875.




Nos anos 60 Dr. Jean Delaire e outros despertaram o interesse no uso da máscara facial para a protração maxilar.



Dr. Henri Petit modificou mais tarde o conceito básico de Delaire, aumentando a quantidade de força aplicada pelo aparelho e reduzindo assim o tempo total de tratamento.





Em 1987, Dr. Mcnamara introduziu o uso de um aparelho expansão colado com cobertura oclusal de acrílico para protração da maxila.


Dr. Turley em 1988 melhorou a cooperação do paciente no uso do aparelho confeccionando mascaras faciais personalizadas.

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Pensamento da Semana



"Somos todos prisioneiros, mas alguns de nós estão em celas com janelas, e outros sem."


Khalil Gibran

1883 - 1931

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Diferenças biomecânicas entre a técnica lingual e a labial







Neste artigo de 2008, publicado na revista Dental Press, pelos autores André da Costa Monini, Luiz Gonzaga Gandini Jr, Marcia Regina Elisa Aparecida S. Gandini, José Fernando Barros de Figueiredo; UNESP - Araraquara - São Paulo. Fazem todo um apanhado sobre a biomecânica em aparelhos linguais, comarando-os aos da técnica convecional por vestibular. Um excelente artigo, princpalmente em relaçãoa este tema, escasso em artigos.

O aparelho lingual remonta de meados da década de 70 quando Fujita, no Japão, trabalhou no desenvolvimento de um braquete lingual. Na mesma época, Kurz, nos Estados Unidos, criou seu próprio aparelho lingual fazendo adaptações num aparelho convencional. Desde então, um aparelho próprio para a superfície lingual foi desenvolvido e modificado, por varias companhias, diversas vezes até se chegar nos modelos atuais.

Na década de 80 muitos pacientes em todo o mundo procuraram tratamento desta forma devido a óbvia vantagem do aparelho não ser prontamente visto. Entusiasmados com esta altíssima demanda de pacientes muitos ortodontistas se lançaram a tratar usando esta filosofia e os problemas começaram a surgir, levando a um descrédito da técnica.

Atualmente observa-se um novo interesse pela mesma, desta vez com mais cautela por parte dos profissionais.

A falta de treinamento e de conhecimento científico sobre o comportamento do aparelho lingual prejudicou o desenvolvimento da técnica fazendo com que, ainda hoje, pouca informação consistente seja encontrada na literatura. Para não incorrer nos mesmos erros do passado, o novo interesse pela técnica deve vir acompanhado de prudência e formação técnico-científica por parte do ortodontista. Como parte deste processo, o presente trabalho objetiva verificar, revisando a literatura, as características biomecânicas que diferenciam a técnica lingual da convencional.

Avaliando o padrão de resposta dos dentes às forças ortodônticas aplicadas no braquete lingual comparando ao convencional percebe-se que o padrão de movimento é diferente. Forças intrusivas num braquete lingual tendem a intruir os incisivos com menos inclinação comparando com o mesmo tipo de força por vestibular. O resultado conseguido pelo aparelho lingual pode ser explicado pela maior proximidade do braquete lingual com o centro de resistência do dente. Deste modo, momentos criados por forças aplicadas no braquete lingual comparados com braquete convencional são sempre menores, gerando menos efeito de inclinação.

A maior proximidade do braquete lingual com o centro de resistência do dente também provoca uma transmissão de força mais intensa ao ligamento periodontal em relação à técnica convencional e em associação com a menor distância interbraquete acabam por, praticamente, obrigar o ortodontista a utilizar fios mais finos e resilientes. Do ponto de vista clínico a chance de maior reabsorção radicular e maior área de hialinização ocorre com a técnica lingual, então o ortodontista deve ter cuidado de, em condições similares, fazer menor ativação no aparelho lingual que no convencional.

O simples fato de se colar braquete por lingual já traz imediatas diferenças com relação ao aparelho convencional como a menor distancia interbraquete, a forma do arco e a diferença anatômica da superfície lingual.

Em média, a distância interbraquete do aparelho convencional quando comparada com o lingual é de 1.47:120. Como a rigidez do fio é inversamente proporcional ao cubo do comprimento, a diminuição da distância interbraquete aumenta significantemente as forças aplicadas no dente provocando uma diferença de mais de 3 vezes para fios iguais colocados em arcos por lingual e por vestibular. Isto contribui para a transmissão mais intensa da força ao dente pela técnica lingual.

A necessidade de se utilizar fios mais resilientes dificulta o tratamento ortodôntico por lingual que envolva a utilização de elásticos intermaxilares ou extrações. Da mesma forma que o tratamento convencional, para o fechamento de espaços e para a utilização de elásticos intermaxilares são necessários arcos consolidados e com fios retangulares. Deste modo, problemas de vestibularização de pré-molares em áreas de extração e inclinação dos dentes anteriores com perda do controle do torque são mais freqüentes na técnica lingual.

Incorporação do segundo molar no arco, uso de barra palatina, colagem de braquetes por vestibular nos dentes posteriores (técnica mista) e colocar uma curvatura para lingual no arco de fechamento são soluções apresentadas e praticamente obrigatórias para tratamento com extrações na técnica lingual. Como as forças de retração estão por lingual do centro de resistência, os dentes tendem a mover no sentido inverso do que ocorre por vestibular, ou seja, os molares tendem a girar com a mesial para vestibular.

Retração em massa dos seis dentes anteriores normalmente é a escolhida para os tratamentos com aparelho lingual pois a retração parcial de caninos produziria um espaço antiestético distal aos laterais, normalmente não desejado pelo paciente, com aparelho lingual. Em termos de mecânica, a completa retração dos caninos diminui a distância interbraquete entre o canino e o pré-molar devido ao “inset” no arco distal ao canino, e desta forma, diminui-se a quantidade possível de ativação na mecânica de deslizamento ou por alças.

Outra característica oposta à técnica convencional é a tendência do arco sair do “slot” durante as ativações já que por vestibular o efeito é o inverso. Deste modo, é necessário que o arco esteja firmemente amarrado pelo método do “double over tie”.

A colagem direta dos braquetes na superfície lingual é praticamente inviável pois existem diferenças de espessuras entre os dentes e a superfície lingual é muito mais propensa a apresentar alterações de forma, tamanho e irregularidades superficiais, afetando sensivelmente, o correto posicionamento dos braquetes. Além disso, pequenas alterações neste posicionamento podem provocar grandes efeitos indesejáveis. Braquetes colados na mesma altura por vestibular e lingual podem variar o posicionamento do dente nos três planos do espaço. Alem disso, pequenas variações cérvico-oclusais na face lingual alteram consideravelmente o torque dos braquetes. Assim, conceito “straight-wire” é falho para o tratamento com aparelho lingual. Uma das soluções é a colocação de compensações de resina na base dos braquetes associada à colagem
indireta.

O aparelho lingual pode ser um armamento valioso e contemporâneo para o ortodontista que trata de um segmento da população que é exigente. O ortodontista precisa estar familiarizado com as características do aparelho para diminuir e eliminar problemas, selecionar casos específicos e instruir os pacientes sobre as limitações. Entender e aplicar princípios biomecânicos
no tratamento aumenta a eficácia do aparelho e simplifica o tratamento, pois obtém movimentos dentários mais previsíveis e com menos efeitos colaterais em qualquer técnica ortodôntica. Não incorrer nos erros do passado com a técnica lingual é imperioso para o sucesso com o tratamento lingual. Alem disso, é uma técnica que exige habilidade e que traz novas responsabilidades.


Link do Artigo na Integra via Scielo:

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Comparação do efeito de desconforto oral comparando duas técnicas de posicionamento de backets linguais



Neste artigo de 2004, publicado na Angle Orthodontics, pelo autores Ariane Hohoff; Thomas Stamm; Ulrike Ehmer; do Westphalian Wilhelms University, Muenster - Alemanha. Comparam através de um questionário, a forma de colagem que torna mais "confortável" o tratamento com Ortodontia Lingual.

Usando um questionário padronizado, 41 pacientes (12 homens, 29 mulheres, idade média de 31,5 +- 12,1 anos) foram entrevistadas sobre suas sensações subjetivas de conforto oral, manuenão das várias funções orais, e a atuação profissional antes da aplicação indireta dos braquetes linguais, no prazo de 24 h após aplicação (T1), e três meses depois (61 semanas) (T2).

Em 22 dos 41 pacientes, os braquetes foram posicionados com a técnica de colagem equalizada de espessura específica (BEST grupo) e em 19 pacientes foram feitas colagens pelo metódo de posicionamento por Transferência Optimizado (TOP grupo).

Apesar da adaptação positiva, os pacientes em ambos os grupos relataram ainda uma deficiência significativa no espaço para língua, bem como no grupo T2, ocorreram significativamente mais lesões freqüentes de língua. O grupo BEST foram significativamente mais frequentemente afetados por estes problemas do que o TOP grupo.

No grupo T2, a posição da língua também foi classificado como alterado significativamente, mais frequente no gurpo BEST que no grupo TOP. Apesar de ser a melhor técnica de posicionamento, leva a uma maior incapacidade de conforto oral, que a técnica TOP.

Em ambas as técnicas, tinha uma necessidade de se passar informações detalhadas aos pacientes, sobre a extensão e a duração do descomforto provocado pelos braquetes linguais.


Link do artigo na Integra via Angle Orthodontics:

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Ligadura elástica de baixo atrito, Slide™*


















Por sugestão do amigo Tbonatto, iremos falar sobre o Slide™*, uma ligadura elástica de baixo atrito, comercializado pela Leone.

O fabricante diz:

Sua composição é a base de poliuretano de uso médico, sua forma é diferente da tradicional. Ele fica sobre o braquete e não contornando, deixando o slot livre, permitindo assim um bom deslizamento, sem atrito. Esta forma também propicia maior comforto ao paciente. Está disponível em varias cores, inclusive a Aqua, para braquetes estéticos. O ideal e que utiliza esta ligadura com os braquetes Logic Line™ do mesmo fabricante, que tem um desenho que propicia uma boa adaptação desta ligadura. Tornando desta foma uma opção parecida com um sistema auto-ligável. Achei um artigo cientifico sobre esta ligadura, publicado em 2005, pelo Journal of Clinics Orthodontics, pelos autores ARTURO FORTINI, MASSIMO LUPOLI, VITTORIO CACCIAFESTA, Universidades de Pavia, Florença e Insubria - Italia. O artigo está na itegra no link abaixo.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Avaliação do atrito produzido por braquetes cerâmicos e de aço inoxidável, quando combinados com fios de aço inoxidável




Neste artigo de 2007, publicado pela revista Dental Press, pelos autores Paulo Eduardo Bággio; Carlos de Souza Telles; João Baptista Domiciano; Universidade Estadual de Londrina - Paraná e UFRJ - Rio de Janeiro. Fazem um estudo comparativo entre a eficência na mecânica de deslize com braquetes de aço inox e cerâmicos.

Os primeiros experimentos sobre atrito datam de aproximadamente 500 anos e foram realizados por Leonardo da Vinci, que registrou, em seu “Código Atlântico”, os desenhos de um bloco retangular deslizando sobre uma superfície plana, de diferentes maneiras.

Atrito, segundo Gamow (1976 apud BEDNAR, 1991), é definido como uma força que retarda ou resiste ao movimento relativo de dois objetos em contato, sendo sua direção tangente ao limite comum dessas superfícies.

Apesar de os estudos sobre atrito terem se iniciado há bastante tempo, na literatura ortodôntica, este foi abordado pela primeira vez por Stoner, em 1960, que comentou poder a força aplicada ser dissipada pelo atrito ou aplicação imprópria, sendo difícil controlar e determinar a magnitude que cada dente está recebendo individualmente.

Mais tarde, em 1970, Andreasen e Quevedo reforçaram o assunto ao comentarem que quando o movimento ortodôntico é realizado pela translação do braquete por um arco contínuo está embutido o atrito que diminui ou interrompe o movimento dentário ótimo e, freqüentemente, faz com que o ortodontista não tenha a correta noção da magnitude de força necessária para movimentar fisiologicamente um dente e ainda vencer o atrito.

Além desses, outros autores realçaram a importância do conhecimento do atrito produzido pelo deslizamento do braquete pelo fio (mecânica de deslize), pois a sua presença pode interferir na movimentação dentária, retardando-a ou até anulando-a. Dresher et al. mostraram-se surpresos ao constatarem tão poucos trabalhos científicos publicados sobre esse tema.

A maioria dos braquetes fabricados é de aço inoxidável, devido a suas excelentes propriedades mecânicas, boa resistência à corrosão e baixo custo. Entretanto, procurando-se melhorar o aspecto estético desses braquetes, desenvolveram-se os braquetes cerâmicos, confeccionados de alumina mono ou policristalina, começando-se a questionar a maior quantidade de atrito que parecia ocorrer, quando da sua utilização.

Vários autores constataram que os braquetes cerâmicos apresentam mais atrito que os de aço inoxidável, quando se utiliza mecânica de deslize. Kusy acrescentou que os braquetes cerâmicos, exceto pela sua estética, são muito inferiores aos de aço inoxidável e que muito pouco pode ser feito para aperfeiçoá-los. Tentando explicar o maior atrito dos braquetes cerâmicos, alguns autores atribuíram esse fato à sua maior rugosidade superficial, do que discorda Kusy, ao comentar que o maior atrito deve-se à sua estrutura química intrínseca.

Com o propósito de avaliar in vitro a resistência friccional de braquetes Edgewise standard geminados 0,022” x 0,030”, com largura de 3,8mm, de aço inoxidável (Dentaurum –700-006) e cerâmico policristalino (Dentaurum – 714-0225), combinados com fio de aço inoxidável 0,019” x
0,025” (Standard – Unitek – 251-925), desenvolveu-se um dispositivo que simula a distalização de um canino, quando da extração do primeiro prémolar. Um canino metálico foi incluído em cera no 7, aquecido em água a uma temperatura de 58ºC, controlada por um termostato e um termômetro. Os experimentos iniciaram somente quando a cera atingiu a temperatura de 48ºC, sendo o registro feito por um termopar de cobre-constantan. Um segmento de fio de aço inoxidável foi encaixado passivamente nos braquetes, amarrado com ligadura elástica (Power “O” – Ormco 640- 0121). O canino foi então distalizado, após a cera atingir a temperatura ideal, por meio de um fio dental conectado a um carrinho com rodas feitas com rolamentos, que serviu de suporte para o tensiômetro, cuja ponta ativa era unida a um recipiente através de um fio de nylon que passava por uma roldana. No recipiente, colocou-se a carga e, quando a cera atingia a temperatura ideal, o carrinho era destravado e o deslocamento do dente e o ângulo entre o braquete e o fio registrados visualmente, a cada 30 segundos, empregando-se uma régua milimetrada e um transferidor, ambos acoplados ao dispositivo.

A influência do material com que se fabrica o braquete, no atrito produzido entre ele e o fio, durante a utilização de mecânica de deslize, tem sido questionada por vários autores, que constataram em seus estudos que os braquetes cerâmicos apresentaram maior atrito que os de aço inoxidável. Os resultados da presente investigação, para os coeficientes de atrito das combinações aço/aço e cerâmico/aço são, respectivamente, 0,134 ± 0,001 e 0,225 ± 0,006, que são os valores médios para cada um dos conjuntos de cinco medidas, com seus respectivos desvios-padrão. Portanto, os resultados obtidos confirmam os dos autores anteriormente citados, pois os coeficientes de atrito encontrados na combinação cerâmico/aço foram nitidamente maiores do que os da combinação aço/aço, em todos os experimentos realizados. Em contrapartida, outros autores constataram mais atrito nos braquetes de aço inoxidável do que nos cerâmicos. Valores publicados na literatura para o coeficiente de atrito (μ) são da ordem de 0,5, para a combinação aço/aço. A diferença entre este e o valor medido pode ser explicada, pelo menos em parte, pelo fato de se ter usado no cálculo de μ o valor da força normal total que o elástico exerce sobre o fio, pois não existe maneira prática de se medir diretamente a parcela da força normal total que o fio transmite à ranhura do braquete. No entanto, na presente investigação, o valor relativo é mais importante que o absoluto, pois o objetivo principal era comparar os atritos deslizantes de duas combinações braquete/fio.

CONCLUSÕES do ARTIGO:

1) Os coeficientes de atrito verificados na combinação braquete cerâmico/fio de aço inoxidável foram superiores aos da combinação braquete de aço inoxidável/fio de aço inoxidável.

2) A execução de mecânica de deslize se torna mais eficiente quando utilizados braquetes de aço inoxidável combinados com fios de aço inoxidável.


Link do artigo na integra via Scielo:

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Pensamento da Semana


"Quanto mais conhecemos, mais amamos."



Leonardo da Vinci

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Historia da Ortodontia - Lawrence Andrews







Um trabalho pioneiro, que mudou a história da Ortodontia, indubitavelmente foi o de Lawrence F. Andrews(1970), que desenvolveu o primeiro aparelho ortodôntico totalmente pré-ajustado (Straight wire), incorporando aos braquetes informações referentes à angulação e à inclinação das coroas dentárias e colocando nesses, também, variações de espessuras, que eliminassem as dobras de primeira, segunda e terceira ordens, até então necessárias para o desenvolvimento dos tratamentos ortodônticos.

Ao meu ver Dr. Andrews, deu um grande presente para a ortodontia, uma nova fronteira, sem volta, apesar dos saudosistas, a técnica Straight wire veio para ficar e evoluiu com os fios de varias ligas, os braquetes auto-ligáveis, etc. Imaginem o ortodontista em 2009 fazendo dobras, e alças em todos os fios e todos os pacientes, com os braquetes angulados bem como os auto-ligáveis e fios termo ativados a nossa disposição. Particularmente acho positivo ainda nos dias de hoje o ensino da técnica mãe idealizada pelo pai da Ortodontia moderna Edward H. Angle a +-100 anos atrás, respeito muito a historia e os debravadores da bela arte que seguimos, a Ortodontia. Mas temos que evoluir com a ciência para desta forma aperfeiçoá-la e inová-la.

Trecho da entrevista dada pelo Dr. Andrews a resvista Dental Press:

O senhor recomenda que os pós-graduandos em ortodontia aprendam a tratar primeiro com o aparelho edgewise não-programado ou iniciem diretamente com o aparelho totalmente programado?

Dr. Andrews - A medida que nos aproximamos do ano 2000, não vejo vantagem em irmos à guerra com um avião de 1930. O conceito e o aparelho straight wire têm sido aceitos mundialmente. O tempo dispendido ensinando-se aparelhos obsoletos deveria ser melhor ocupado com o ensino da montagem de modelos e de tratamentos com objetivos gnatológicos.

Histórico:

Nos anos 50 o Dr. Lawrence Andrews era um ortodontista recém graduado procurando fazer seu trabalho direito. Naquele tempo, para se tornar um diplomado pelo Board Americano de Ortodontia (American Board of Orthodontics - ABO), era necessário escrever uma tese. O assunto que ele escolheu foi a oclusão. A amostra que ele escolheu para estudar foram os modelos de gesso de tratamentos concluídos usados por ortodontistas para obter suas credenciais no ABO. Mas ele observou que não haviam características comuns sobre o que os tratamentos ortodônticos deveriam atingir. Geralmente, eles alinhavam os dentes apinhados, reduziam os overjets, mas cada profissional tinha um resultado único para seus próprios tratamentos.

Naquele tempo o estudo da oclusão já estava bem avançado, mas os ortodontistas eram incapazes de utilizar estas informações.

O Dr. Andrews chegou então à seguinte conclusão: precisamos mostrar aos ortodontistas a importância de se atingir resultados comuns! A ortodontia não pode ser uma ciência se cada ortodontista tem um resultado diferente.

Ele começou a caminhada rumo a este objetivo procurando por indivíduos com dentições naturais perfeitas. Foram necessários vários anos para coletar cerca de 150 modelos de gesso de bocas de pessoas que nunca tiveram nenhum tratamento ortodôntico e que nenhum ortodontista consideraria necessário o uso de aparelhos. Com os modelos em mãos, ele levou ainda mais três anos para analisar e chegar a uma conclusão.

Os resultados que ele obteve são bem conhecidos pelos dentistas atualmente. Isto revolucionou o modo como olhamos para a boca de nossos pacientes. Ele encontrou seis características comuns. Estas características foram chamadas de as "Seis Chaves para uma Oclusão Ótima". Ele também mediu a posição de cada dente e encontrou muito mais uniformidade entre os modelos do que foram encontradas nos pacientes tratados por ortodontistas.

Mas como conseguir proporcionar estas características aos pacientes com as ferramentas disponíveis naquele tempo? Seriam necessárias muitas dobras nos fios para acertar a posição ideal de cada dente. Com seus conhecimentos, que não se limitam à odontologia, e muito trabalho, ele encontrou a solução, e então revolucionou a ortodontia com a criação do aparelho Straight-Wire Applience.

Neste momento, ele já estava bastante exausto e, com o sucesso de sua criação, financeiramente bem. Portanto, ele se permitiu um retiro de 5 anos.

Quando retornou a atividade, encontrou uma prática ortodôntica inteiramente diferente por toda parte. As pessoas estavam tentando usar o que ele provou ser o certo. Ele mostrou a linha de chegada (as Seis Chaves para uma Oclusão Ótima) e ele nos deu o meio de transporte (o aparelho Straight-Wire), mas ele não nos deu as direções. Por isso, as pessoas estavam fazendo todo tipo de coisa com sua invenção para tentar chegar ao que ele mostrou ser o objetivo correto.

Ele então não teve nenhuma dúvida. Ele precisava completar seu trabalho, ele precisava traçar as direções.

Retornou então para sua velha rotina, até que sua filosofia de tratamento fosse completamente provada correta e reproduzível. E então sua obra prima estava finalmente acabada. Ele a nomeou de "Os Seis Elementos para a Harmonia Orofacial". E isso é que é ortodontia.

Fontes desta postagem:

http://www.dentalpress.com.br/artigos/pdf/197.pdf

Andrews Foundation:

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Avaliação da superfície da porcelana após a descolagem de braquetes ortodônticos



Neste artigo de 2006, Publicado na revista Dental Press, os Autores André Moreira Mattos, Jonas Capelli Júnior; da UERJ - Rio de Janeiro. Fizeram um estudo da melhor forma de preparar uma unidade dentaria reabilitada proteticamente com porcelana para que seja feita uma colagem de baquetes de forma segura.

A Ortodontia atual vem dispensando atenção especial ao tratamento de adultos, visto que a demanda destes pacientes na clínica ortodôntica tem crescido consideravelmente. Como resultado, um dos problemas freqüentemente encontrados pelo profissional é a colagem de acessórios ortodônticos em dentes com restaurações estéticas, tais como laminados e coroas de porcelana.

Se por um lado, uma força de adesão máxima é desejada para minimizar as falhas na colagem durante o período de tratamento, por outro, a porcelana deve poder retornar ao seu estado de polimento inicial, sem qualquer dano na sua superfície após a remoção dos acessórios ortodônticos.

Com a finalidade de suprir as falhas deixadas pelo ácido fosfórico e pelos métodos de abrasão mecânica, o condicionamento feito através de ácido fluorídrico têm sido sugerido na literatura, porém com uma ampla variação com relação à sua concentração e tempo de aplicação. Revisando a literatura odontológica, nota-se que o ácido fluorídrico a 9,6% já foi aplicado por 4 minutos, por 2 minutos e até mesmo por somente 20 segundos. Chung et al. e Kao et al. aplicaram o ácido fluorídrico a 9% por três minutos, enquanto Harari et al. o utilizaram com a concentração de 8% durante 1 minuto. Valverde encontrou os melhores resultados com o ácido fluorídrico a 10%, aplicado tanto por quinze quanto por trinta segundos.

O uso de silano como agente de união durante a colagem de acessórios ortodônticos em superfícies de porcelana é considerado de grande importância no aumento da força de adesão da colagem. Além de promover uma ligação química entre a sílica da porcelana e os grupos orgânicos da resina, a porção orgânica da molécula do silano aumenta a capacidade de molhamento da superfície da porcelana, fazendo com que haja uma íntima adesão micromecânica quando o glaze é removido.

CONCLUSÕES

1) O condicionamento com ácido fluorídrico a 10% por 1 minuto, seguido da aplicação de silano, adesivo resinoso e compósito, foi considerado o melhor método para o preparo de superfícies cerâmicas previamente à colagem ortodôntica, por fornecer uma força de adesão adequada e, ao mesmo tempo, não causar nenhum dano à porcelana durante a descolagem dos braquetes. A aplicação de ácido fluorídrico a 10% por apenas 15 segundos não forneceu uma força de adesão suficiente para suportar as forças geradas durante o tratamento ortodôntico.

2) Após a remoção do braquetes, não foi observado nenhum dano às superfícies de porcelana condicionadas com ácido fluorídrico 10% (tanto por 15 segundos quanto por 1 minuto), visto que as falhas da colagem ocorreram dentro da camada de resina ou entre esta e o braquete.


Link do Artigo na Integra via Scielo:

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

OrthoGlop - Proteção para os incomodos causados pelos Braquetes




OrthoGlop é um produto comercializado aqui no Brasil pela OrthoSource, que promete mais comforto aos pacientes que estão se tratando com aparelhos ortodonticos. Achei interessante, pois me pareceu de fácil colocação, tem sabor e de fácil remoção. Não conheçi o produto pessoalmente e não encontrei nenhua pesquisa cientifica sobre ele.

O que o fabricante fala:

A evolução da cera protetora e do silicone!

OrthoGlop é um gel para alívio da irritação causada pelo aparelho ortodôntico no tecido mole.

Praticidade - Fácil de aplicar e remover.

Economia - Reduza o consumo de cera protetora. Uma única aplicação do OrthoGlop garante proteção por horas.

Durabilidade - Adere ao braquete e não cai ou se desfaz com o uso.

Estética garantida - Gel transparente.

Conforto - Molda-se facilmente à superfície de contato.

Mais Conforto - Agradável aroma de menta.

Fácil remoção - Remova com um palito antes da escovação

Segurança- Produto específico para uso oral.

Funcionalidade - Tubo plástico inquebrável.