ORTODONTIA CONTEMPORÂNEA

terça-feira, 19 de abril de 2011

Avaliação pelo índice PAR dos resultados do tratamento ortodôntico da má oclusão de Classe I tratada com extrações


Neste artigo de 2008, publicado pela Revista Dental Press, pelos autores Karina Maria Salvatore de Freitas, Marcos Roberto de Freitas, Guilherme Janson, José Fernando Castanha Henriques, Arnaldo Pinzan; do Departamento de Odontopediatria, Ortodontia e Saúde Coletiva da Faculdade de Odontologia de Bauru, USP - São Paulo; Avalia as alterações decorrentes dos tratamentos ortodônticos realizados com aparelho fixo, mecânica Edgewise e com extrações dos quatro pri- meiros pré-molares, bem como a qualidade de sua finalização e de seus resultados, por meio do índice de avaliação oclusal PAR.

A avaliação dos resultados dos tratamentos ortodônticos tem sido realizada, tradicionalmente, apenas baseada em opiniões subjetivas e em experiências clínicas dos ortodontistas. A avaliação dos tratamentos ortodônticos ajuda a estabelecer metas e padrões, e a alcançar métodos de mensuração da qualidade destas finalizações nos pacientes já tratados. Além disso, é útil a propósitos educativos em programas de pós-graduação em Ortodontia. Entretanto, a avaliação quantitativa das documentações dos pacientes é extremamente difícil, devido a vários fatores que afetam o alcance desses resultados, tais como fatores oclusais, esqueléticos, de tecido mole e problemas funcionais.


Na literatura, tem sido relatado o uso de diversos índices quantitativos para avaliação da necessidade ou dos resultados dos tratamentos ortodônticos. Otuyemi e Jones realizaram uma revisão sobre os diferentes métodos de se avaliar uma má oclusão e dividiram os índices em 5 grupos: diagnóstico, epidemiológico, necessidade de tratamento, sucesso de tratamento e complexidade do tratamento.


Um desses índices, o índice PAR (Peer Assessment Rating) tem sido amplamente utilizado para avaliação da severidade das más oclusões e dos efeitos dos tratamentos corretivos. O índice PAR foi desenvolvido por Richmond et al., em 1992, para medição dos resultados dos tratamentos, levando em consideração as altera- ções oclusais, e tem sido considerado um método seguro, confiável e válido. Há basicamente dois métodos de se avaliar a melhora oclusal por meio do índice PAR: 1- pela redução do escore do índice PAR e 2- pela porcentagem de redução do escore do índice PAR. O índice PAR não consegue mensurar efeitos iatrogênicos, tais como lesões de esmalte, perdas ósseas e reabsorções radiculares apicais, como discutido previamente.


O índice PAR é um índice reconhecido e aceito internacionalmente como forma de registro das características oclusais e foi elaborado especificamente para prover um meio de se acessar mais objetivamente o sucesso dos tratamentos ortodônticos. Neste estudo, a análise estatística descritiva da amostra total demonstrou um índice PAR inicial com valor médio de 29,46, com desvio-padrão de 8,79, que ao final foi reduzido para o valor médio de 6,32, com desvio-padrão de 3,48 .


Tem sido sugerido que um tratamento ortodôntico de bom padrão deveria resultar numa redução média do índice PAR de 70% ou mais. No presente estudo, a média de redução do índice PAR com o tratamento foi de 78,54%, caracterizando um bom padrão de finalização dos tratamentos ortodônticos. Isto certamente parece ser o que subjetivamente se chamaria de um ‘resultado clinicamente aceitável. Estes resultados são similares às porcentagens médias de redução com o tratamento do índice PAR, entre 75,4% e 78%, encontradas em grande parte dos artigos prévios na literatura.


Embora o índice PAR proporcione uma avaliação fidedigna da situação oclusal e dos resultados do tratamento ortodôntico, este índice não permite, com seu valor absoluto, a especificação de quais características oclusais mais contribuíram para as alterações observadas, já que o índice PAR é o resultado da soma de escores dados a diferentes características oclusais. Além disso, cada uma das características oclusais avaliadas é multiplicada por pesos diferentes, dificultando ainda mais a visualização da participação real de cada um dos componentes do índice em seu valor final. A análise de regressão múltipla permite a avaliação da influência de diversos fatores que possam estar, possivelmente, correlacionados a uma deter- minada variável. A análise de regressão múltipla foi utilizada, então, para verificação dos possíveis fatores correlacionados ao índice PAR nas fases inicial e final. Sendo assim, removeram-se os pesos de cada um dos componentes do índice PAR, e o mesmo foi desmembrado, permitindo a avaliação da influência de cada um dos componentes sobre o somatório dos escores.


Foi baseado nas informações de 120 modelos de oclusão normal, que Andrews relacionou as seis chaves da oclusão normal. Este legado passou a representar um dos mais valiosos parâmetros para a obtenção de uma oclusão estática ideal, contudo, o ideal nem sempre é alcançado ao final do tratamento ortodôntico. Sendo assim, a utilização de índices oclusais que mensuram o quanto as relações oclusais desviam da normalidade constitui um importante instrumento de pesquisa sobre a eficácia do tratamento ortodôntico.


Apesar do índice PAR ser provadamente objetivo, válido e reproduzível para aferição das alterações oclusais da boca toda, ele apresenta limitações para avaliação dos resultados do tratamento, mas mesmo assim ele tem sido bastante aceito pelos ortodontistas.


Atualmente, com a grande divulgação da necessidade de se buscar alta qualidade e cuidados profissionais na área de saúde, está crescendo a demanda de profissionais especialistas que ofereçam tratamentos ortodônticos baseados em evidências. Os ortodontistas sempre devem buscar a excelência na finalização dos tratamentos ortodônticos, ou seja, com um índice PAR igual ou o mais próximo possível de zero ao término do tratamento, buscando uma oclusão funcional ideal, que não se resume apenas numa oclusão em relação cêntrica ou com pequenos desvios aceitáveis em máxima intercuspidação habitual, ausente de toques prematuros e interferências oclusais.


CONCLUSÕES


De acordo com a amostra estudada e segundo a metodologia utilizada, pode-se concluir que:


- O índice PAR inicial médio de 29,46 foi reduzido para o valor de 6,32, caracterizando uma correção de 78,54% com o tratamento, concluindo-se que houve um bom padrão de finalização destes tratamentos ortodônticos.


- O fator mais responsável pela variação do índice PAR inicial foi o apinhamento, seguido pela oclusão posterior e pelo overbite. Para o índice PAR final, o fator mais responsável pela sua variação também foi o apinhamento, seguido da oclusão posterior, do overjet e do overbite.


- Houve correlação do índice PAR inicial com a correção deste índice durante o tratamento, ou seja, quanto maior a severidade da má oclusão, maior a correção com o tratamento.



Link do artigo na integra via Scielo:


http://www.scielo.br/pdf/dpress/v13n2/a11v13n2.pdf

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Palestra do Dr. Eduardo Macluf para o GEORTO






Neste sábado 16/04/2011, tivemos o prazer de receber o Professor Dr. Eduardo Macluf que ministrou uma bela aula sobre a filosofia de tratamento com braquetes autoligáveis. Todo o grupo gostou da forma que o professor abordou o assunto, com uma casuística clinica bem documentada e bem apresentada durante a aula. Associado a isto nos foi passado um bom conteúdo teórico pelo doutor, que teve o cuidado de passar todo conceito protocolar de fases de tratamento, opções de fios e principalmente os limites biológicos fundamentados em conceitos periodontais.


O professor Eduardo Macluf na oportunidade nos falou em primeira mão do lançamento da terceira edição do livro Protocolos em Ortodontia do qual é autor juntamente com o Doutor Claudio Azenha. Livro este que contará com novos capítulos e casuística clinica.

O nosso ciclo de palestras tinha como objetivo conhecer o que os sistemas dos principais fabricantes mundiais ofereciam, podemos ver resultados excelentes com o sistema T3 e o Empower da American Orthodontics, este ultimo já lançado nos Estados Unidos e que ainda irá entrar no mercado Brasileiro em meados de outubro deste ano. O mais interessante é que o Empower vem entrar no mercado como um sistema da braquetes autoligáveis híbridos, com tamanho de slots diferenciados, o que permite ao sistema ser ativo na porção anterior e passivo na porção posterior.

Eduardo Macluf, Marlos Loiola, Wendel Shibasaki e Tadashi Fuzi

Agradeço mais uma vez aos componentes do GEORTO que compareceram a mais este evento, ao Professor Eduardo Macluf pelo conhecimento compartilhado e ao Sr. Tadashi Fuzi, da HiPlus representante da American Orthodontics no Brasil pela oportunidade oferecida ao nosso grupo.


Link da Hiplus American Orthodontics: Hi Plus - Especialidades Odontológicas


Link do CEREO centro de estudos que o Dr. Eduardo Macluf ministra seus cursos:

sábado, 16 de abril de 2011

DISTRAÇÃO OSTEOGÊNICA


Neste Trabalho de 2010, apresentado para posse como Titular na Academia Brasileira de Odontologia, dos autores Marília GERHARDT DE OLIVEIRA; Clóvis MARZOLA; Adriana ETGES; Vinicius Salim SILVEIRA e Cléber Bidegain PEREIRA; da discliplina de Cirurgia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – Porto Alegre – RS; Realiza um estudo-piloto objetivando analisar microscopicamente a organização do osso mandibular de coelhos, neoformado por distração osteogênica em comparação com a do osso da mandíbula de coelhos não submetidos ao processo de distração.

Neste estudo foram utilizados dois (2) coelhos machos da ordem Lagomorpha, gênero Oryctolagos, espécie Oryctolagos cuniculus, raça Nova Zelândia, com idade adulta reconhecida e peso entre 3,5 e 4,5 Kg saudáveis, submetidos à distração osteogênica em um dos lados de sua mandíbula, totalizando um gap de 4,0mm no local da distração. Os ossos neoformados do lado distraído da mandíbula dos coelhos e, do lado não-distraído foram analisados em microscópio óptico para comparar a organização microscópica de ambos.

No lado distraído observou-se tecido ósseo trabecular com osteoblastos ativos justapostos às áreas de aposição óssea e uma deposição óssea consideravelmente maior se comparado ao lado não-distraído. Além de osteoplastos contendo osteócitos internamente às trabéculas, apresentou,
ainda, tecido conjuntivo denso com vascularização moderada e leve infiltrado inflamatório mononuclear. No lado não-distraído, observaram-se fragmentos de tecido com osteoblastos ativos alinhados e justapostos, além de inúmeros osteoplastos com osteócitos no interior e condrócitos na região central do tecido ósseo neoformado.

A partir da metodologia aplicada neste estudo, verificou-se que, tanto com o intervalo de 48 horas, no período de latência, quanto com o intervalo de 20 dias, na maturação óssea, obtiveram-se bons resultados, ao exame microscópico, na comparação entre o tecido ósseo neoformado com o tecido ósseo do lado controle.


Link do artigo na integra via Academia Tiradentes de Odontologia:

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Invisalign está baseado em evidencias?



Este estudo vem a colocar mais lenha na fogueira e municiar os colegas que não aceitam o uso do Invisalign no consultório. Pessoalmente gosto muito da odontologia baseada em evidências científicas, apesar de não me prender a ela. Artigo de leitura fácil e com apêndices bem explicativos, vale o tempo gasto para ler.

Does Invisalign® Line Up with Evidence?
2nd Year DDS Community Dentistry Critical Appraisal
Submitted to: Dr. J. Leake
Course: Community Dentistry
Roman Kosnevitch
Chris Kirk
Sheena Patel
Trent Sayers
Val Dabuleanu
Jacky Tze Kit Lam

Esta avaliação crítica da literatura sobre Invisalign, um produto que permite um tratamento ortodôntico mais agradável esteticamente em comparação aos tradicionais aparelhos ortodônticos fixos (bráquetes). O objetivo foi avaliar se Invisalign é mais eficaz em comparação ao tratamento padrão com os tradicionais aparelhos fixos. A avaliação foi baseada em evidências a partir de 2 fontes: uma pesquisa de múltiplas bases de dados bibliográficas eletrônicas e busca manual das referências de uma revisão sobre Invisalign publicada anteriormente. Um total de 290 artigos foram revisados​​. Destes, três foram consideradas relevantes para o nosso tema e de projeto forte. A validade dos três últimos artigos foi avaliada submetendo-os à "Lista de verificação para avaliar as provas da eficácia do tratamento", constituído por 16 pontos. O valor de corte foi fixada em 70% e todos os três estudos passou, alcançando uma pontuação de 77% cada. Os resultados que foram considerados nos documentos finais foram as melhorias funcionais e estéticas, e a melhoria da saúde periodontal dos pacientes submetidos ao tratamento ortodôntico. As evidências disponíveis não suportam o uso de Invisalign como uma alternativa para o tratamento ortodôntico tradicional. Dada a escassa quantidade de fortes evidências, sugere-se que mais estudos são necessários para poder tirar conclusões ainda. Uma prática baseada em evidência dental visa a proporcionar o melhor tratamento de acordo com a evidência científica sólida, porém deve-se também perceber que a evidência científica não deve determinar automaticamente a seleção da opção de tratamento. Outros fatores, tais como preocupações estéticas dos pacientes e os custos do tratamento devem ser tidos em conta as considerações de tratamento a fim de proporcionar abrangente cuidado centrado no doente, baseadas em evidências.

Artigo completo em PDF: Clique aqui

terça-feira, 12 de abril de 2011

OrtoPodCast - Episódio 8 - Uma conversa entre Prof. Prieto e Wendel Shibasaki sobre a ortodontia lingual.



Dr. Prieto ladeado por (dir): Dr. Alexandre Assis - SSA; Dr. Wendel Shibasaki - SSA; Dr. Leonardo de Oliveira - BSB; e (esq) Dra. Evelyn Limoeiro - SSA e Dr. Maurício Santos - Manaus.



Tivemos a felicidade de receber na sede do GEORTO o Prof. Marcos Gabriel Prieto, o desenvolvedor do primeiro braquete brasileiro para arco reto lingual.


Neste episódio alteramos o formato do podcast e introduzimos algumas novidades. A primeira foi que tivemos que fazer com a voz natural, dando folga ao sintetizador. Isso porque não consegui fazer o tom de questionamento com o sintetizador, e não se pode fazer entrevistas sem perguntar.


Falamos sobre o desenvolvimento do braquete brasileiro, sobre os mitos da ortodontia lingual, possibilidades e projetos pessoais do professor Prieto.


Aguardo os comentários para decidir sobre os novos rumos do nosso OrtoPodCast.


Um abraço a todas as centenas de pessoas que baixam nosso PodCast (600 pessoas, em média, por episódio)!


Link do 2º Lingual Meetig: http://2lingualmeeting.com.br/site/


Download aqui formato mp3


Ou assine gratuitamente na loja da iTunes para escutar no sei Iphone, Ipod ou Ipad.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Retração rápida de caninos






Neste artigo de 2011, publicado pelo Dental Press Journal Orthodontics, pelos autores Paulo Renato Carvalho Ribeiro, Sérgio Henrique Casarim Fernandes, Gustavo Saggioro Oliveira; Equipe do Curso de Espe- cialização em Ortodontia - ABO Juiz de Fora - Minas Gerais; Mostra a retração rápida de caninos por distração do ligamento periodontal associada a uma técnica de movimentação dentária que permite o fechamento de espaço da extração de primeiros pré-molares em um intervalo de duas ou três semanas, proporcionando uma redução significativa no tempo do tratamento ortodôntico.

A distração osteogênica é um processo de crescimento de novo osso por estiramento mecânico de um tecido ósseo preexistente. Foi popularizada pelos estudos de Ilizarov que demonstrou, em centenas de pacientes, que novo osso poderia ser formado após a corticotomia cirúrgica e posterior distração osteogênica.


Liou e Huang, em 1998, introduziram os conceitos da distração osteogênica na movimentação dentária. Os autores observaram que o processo de osteogênese do ligamento periodontal, durante o movimento dentário induzido por forças ortodônticas, é semelhante ao da sutura mediana durante a disjunção palatina realizada para correção de mordidas cruzadas. A principal diferença seria a quantidade de movimentação. Enquanto, no movimento dentário ortodôntico, os dentes se movimentam em taxas de aproximadamente 1mm por mês, na disjunção palatina, a sutura é separada em até 1mm por dia. Desta forma, os autores idealizaram uma maneira de distender o ligamento periodontal na mesma velocidade que a sutura palatina mediana, de forma a permitir a rápida movimentação de caninos em pacientes que necessitem de exodontias de primeiros pré-molares. Essa técnica foi denominada distração dentária (DD).


Independentemente da técnica utilizada, a retração rápida de caninos (RRC) tem sido bem indicada para as seguintes situações clínicas: apinhamentos severos, má oclusão de Classe II 1a divisão, biprotrusões dentárias, encurtamentos e más formações radiculares e, ainda, em pacientes com problemas periodontais. Tais indicações se devem ao fato de que, como o movimento dentário é realizado de forma muito rápida, com o canino sendo completamente distalizado em cerca de duas a três semanas, sem perda de ancoragem, o espaço obtido pode ser utilizado para a resolução rápida dos apinhamentos.


A tomografia tem se mostrado um importante aliado para o estudo da RRC. Sua utilização permite que se faça um planejamento adequado do tempo cirúrgico, já que é possível determinar, com exatidão, o quanto será necessário de aprofundamento do alvéolo para se eliminar completamente todas as interferências à movimentação dos caninos.


CONSIDERAÇÕES FINAIS


A retração rápida de caninos (RRC) é uma técnica que proporciona uma redução significativa no tempo de tratamento ortodôntico. A utilização da tomografia Cone-Beam facilita, em demasia, o procedimento cirúrgico e, em conjunto com o acesso vestibular, proporciona maior velocidade e segurança ao procedimento. O distrator posicionado por palatina é biomecanicamente mais eficaz que o por vestibular. Sua utilização, no mínimo, proporcionou a preservação da tábua óssea vestibular. Apesar das diversas possibilidades clínicas de utilização dessa técnica, consideramos os preparos ortocirúrgicos, os casos com apinhamento anterior severo e os pacientes com comprometimento periodontal, os principais beneficiados por esse protocolo de tratamento.


Link do artigo na integra via Scielo:


http://www.scielo.br/pdf/dpjo/v16n1/19.pdf

domingo, 10 de abril de 2011

Pensamento da Semana


"Não é digno de saborear o mel, quem de afasta da colmeia com medo das picadelas das abelhas."

William Shakespeare

sábado, 9 de abril de 2011

Aplicações Práticas da tomografia feixe cônico(Cone-beam) computadorizada na Ortodontia








Neste artigo de 2010, publicado no The Journal of the American Dental Association, pelos autores James K. Mah, John C. Huang e HyeRan Choo; do Herman Ostrow School of Dentistry of USC, University of Southern California, Los Angeles; School of Dental Medicine, University of Nevada, Las Vegas; Division of Orthodontics, School of Dentistry, University of California, San Francisco; Orthodontics 3-D Craniofacial Function and Imaging Research Center, University of California, San Francisco; Department of Plastic and Reconstructive Surgery, Children’s Hospital of Philadelphia; Mostra as aplicações e vantagens Tomografia computadorizada Con-Beam na Ortodontia

Este recurso de diagnóstico permite uma visualização abrangente e registros do complexo craniofacial sendo um recurso de documentação na ortodontia. Estas tarefas eram realizadas por meio dos modelos de gesso, fotografias e radiografias. Estas abordagens evoluíram ao longo do tempo, e a tomografia cone-beam computadorizada(CBCT) surgiu como uma modalidade de imagem global na ortodontia.

Os autores fornecem um guia prático para aplicação CBCT na Ortodontia, com ênfase em situações em que a imagem latente convencional é limitada. Estas situações incluem o desenvolvimento dentário, os limites do movimento dentario, na avaliação das vias aéreas, na morfologia craniofacial e superposição.

Complexidades do complexo craniofacial, dentição e os desafios presentes na obtenção das imagens convencionais das vias aéreas. A CBCT tem vantagens na fidelidade de imagem sobre os métodos convencionais de imagem , que pode levar à melhoria visualização.

A CBCT está mudando com a ortodontia em relação à avaliação clínica dos pacientes e está evoluindo com respeito ao diagnóstico, as técnicas clínicas e resultados.

A proposição de valor clínico do CBCT é descrever a anatomia craniofacial com precisão e fornecer informações completas sobre anatomia e suas relações com resultados individuais do paciente para melhor diagnóstico de planejamento, tratamento e prognóstico.


Link do artigo na integra via JADA:

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Precisão de medição através de uma análise assistida tridimensional computadorizada e um método convencional bidimensional



Neste artigo de 2011, publicado pela Angle Orthodonthist, pelos autores Huseyin Olmez; Serkan Gorgulu; Erol Akin; Ali Osman Bengi; ̇Ibrahim Tekdemir; Fatih Ors; do Department of Orthodontics, Gulhane Military Medical Academy, Ankara, Turkey; Department of Anatomy, Ankara University, Ankara, Turkey; Department of Radiology, Gulhane Military Medical Academy, Ankara, Turquia; Mostra um estufo realizado em Crânios secos comparando a mensuração cefalometrica convencional 2D com a computadorizada 3D.

Este estudo foi realizado com o intuito de determinar as diferenças entre as medições manual e cefalométricas em diferentes partes de um crânio humano, que foram obtidos utilizando imagens geradas por computador em três dimensões (3D) e na técnica convencional em duas dimensões(2D).

As medições foram realizadas em 13 crânios humanos secos, em seguida, cefalogramas 2 e 3D foram obtidos por tomografia computadorizada (TC). Marcos anatômicos fora determinados e marcados com argila antes da tomada da TC, e os mesmos marcos foram marcados com a ajuda de bolas de metal e pinos para cefalogramas lateral e frontal. Traçados cefalometricos manuais, lateral e frontal, e assistido por computador 3D foram comparados estatisticamente. Uma forma de análise de variância e teste de diferença significante de Tukey honestamente foi utilizado para comparar os resultados entre os grupos.


Todas as medidas foram estatisticamente insignificantes entre os modelos 3D realizados por computador e medições manuais. Por outro lado, as diferenças entre as analises 2D convencionais e as medidas manuais foram estatisticamente significativas. A maior quantidade de ampliação foi encontrado a uma distância násio-Mento (14,6%), que foi localizado em uma boa distância do feixe de raios-X central no cefalograma lateral (P, 0,01). Pela mesma razão, o maior alargamento (16,2%) foi observada a distância entre as suturas zygomaticomaxilar na radiografia convencional frontal (P, 0,01).


As analises cefalometricas realizadas por computador 3D foram consideradas ser a mais precisa que as medidas cefalométricas convencionais. Os resultados mostraram que as cefalometrias 3D foram mais consistentes que as medições manual. Além disso, a ampliação e distorção pode limitar os resultados das medidas cefalométricas convencionais.


Link do artigo na Integra via Angle Orthodontist:


http://www.angle.org/doi/pdf/10.2319/070810-387.1

quarta-feira, 6 de abril de 2011

CONFORTO E FONAÇÃO COM A NOVA GERAÇÃO DE BRÁQUETES ORTODÔNTICOS LINGUAIS INDIVIDUALIZADOS




Adriano Marotta Araújo, Fernanda de Oliveira e Silva, Weber José da Silva Ursi, Eduardo César Werneck em Rev. CEFAC. 2009 Out-Dez; 11(4):701-707

Recentemente o número de pacientes desejando um tratamento ortodôntico e estético ao mesmo tempo aumentou consideravelmente. A técnica lingual oferece a opção mais estética de tratamento ortodôntico, pois os bráquetes ficam invisíveis colados na superfície lingual dos dentes e os lábios não ficam protuberantes. Apesar da grande vantagem estética, essa terapia possui desvantagens como restrição no conforto oral, na fala, na higiene, irritações na língua, restrição no espaço da língua e dificuldades na alimentação. Para amenizar essas desvantagens uma nova geração de bráquetes linguais otimizados ao máximo através da individualização das bases dos bráquetes, da posição de colagem e dos fios utilizados no tratamento ortodôntico foi desenvolvida recentemente.

Objetivo: realizar uma revisão sistemática da literatura para verificar a adaptação do paciente a diferentes dispositivos ortodônticos linguais e a influência desses dispositivos no conforto e na fala, principalmente.

Conclusão: atualmente a literatura suporta que os bráquetes linguais de última geração individualizados por computador proporcionam maior conforto e facilidade na fonação quando comparados aos bráquetes tradicionais da técnica lingual. No entanto, o sucesso na terapia requer orientações detalhadas sobre o potencial de restrição do conforto oral, articulação de palavras, mastigação e higiene oral, independente do sistema de bráquetes a ser utilizado.

Artigo completo, clique aqui

segunda-feira, 4 de abril de 2011

A influência de imagens tridimensionais no plano de tratamento ortodôntico


Neste artigo de 2011, publicado pelo Dental Press Journal Orthodontics, pelos autores Iury Oliveira Castro, Carlos Estrela, José Valladares-Neto; do Mestrado em Clínica Odontológica, Faculdade de Odontologia, Universidade Federal de Goiás.; verifica a influência de imagens tridimensionais (3D) no plano de tratamento ortodôntico.

A tomografia computadorizada (TC) convencional (ou médica) foi desenvolvida, em 1972, pelo engenheiro inglês Hounsfield e pelo físico norte- americano Comark. Representou grande evolução e, por essa razão, seus idealizadores foram consagrados com o prêmio Nobel de Medicina em 1979. Apesar do avanço, a TC convencional foi aplicada na Odontologia com restrições, em decorrência da elevada dosagem de radiação, excessiva dimensão da aparelhagem, necessidade de posição supina do paciente durante a tomada, além do custo financeiro. Ao final da década de 90, o avanço tecnológico conduziu a uma nova versão que atendeu as necessidades da região dos dentes e maxilofacial, e se tornou conhecida como tomografia computadorizada de feixe cônico (TCFC) ou, no idioma inglês, cone-beam.


Como o nome sugere, a TCFC produz um feixe de radiação em forma de cone que gira em torno do paciente para adquirir dados volumétricos. Uma quantidade específica de raios X absorvida corresponde a uma estrutura cuboide tridimensional chamada de voxel, correspondente ao pixel das imagens bidimensionais. A reconstrução volumétrica computadorizada é obtida por softwares utilizando algoritmos para reproduzir a imagem tridimensional (3D) em alta resolução. A dosagem de radiação emitida pela TCFC depende do campo de visão desejado, tempo de exposição, miliamperagem e quilovoltagem, mas tem sido relatado que corresponde a aproximadamente 20% da TC convencional e é equivalente à exposição completa de radiografias periapicais. O diferencial da TCFC também está na possibilidade de captação de imagens em tamanho real nos três planos do espaço, diferentemente dos exames radiográficos bidimensionais, que projetam a imagem das estruturas em um só plano, muitas vezes distorcidas e sobrepostas.


O objetivo do presente artigo foi avaliar a influência de exames 3D no redirecionamento do plano de tratamento ortodôntico. Para isso, duas situações clínicas foram descritas, nas quais os exames clínico e/ou radiográfico convencional sugeriram a complementação com imagens tomográficas. Em ambas, as imagens foram obtidas pelo tomógrafo i-CAT® (Imaging Sciences International, Hatfield, EUA) cujos dados foram exportados para o sofware Xoran versão 3.1.62 (Xoran Technologies, Ann Arbor, EUA) para a reconstrução em 3D.


CASO CLINICO 1


O paciente procurou tratamento ortodôntico aos 40 anos e 6 meses de idade. Apresentava como queixa principal a má distribuição dos diastemas inferiores para a adequada reabilitação com implantes dentários. Sua história médica não possuía registros significativos, e a odontológica apresentou o antecedente das perdas dentárias (dentes 12, 36 e 37), do tratamento endodôntico (dentes 11, 22 e 46) e da instalação do implante (região do dente 12). Em relação ao padrão dentário, apresentava Classe II, divisão 2, subdivisão esquerda, de Angle, com desvio da linha mediana inferior para o lado esquerdo, migração distal dos dentes 33, 34 e 35, além de apinhamento suave nas arcadas superior e inferior.


As imagens tomográficas comprovaram a presença de defeito ósseo (ausência de cortical óssea vestibular) e reabsorção radicular por vestibular no dente 22. Baseado no risco de perda do incisivo durante a movimentação ortodôntica e na queixa principal do paciente, a decisão foi compartilhada com o paciente e redirecionada para a simplificação do tratamento ortodôntico.


CASO CLÍNICO 2


O paciente procurou retratamento ortodôntico aos 41 anos e 8 meses de idade, após dois anos de tratamento ortodôntico com extração dos dentes 14 e 24. Alegou não ter concluído o tratamento como deveria. Apresentava como queixa principal “espaços entre os dentes da frente”. Sua história médica não possuía registros significativos. Em relação ao padrão dentário, apresentava má oclusão de Classe II de Angle com diastema superior e apinhamento inferior. Radiograficamente, observou-se perda óssea horizontal na região anterossuperior e re- absorção radicular nos dentes 11, 12, 13, 15, 21, 22, 23 e 25.


As imagens 3D mostraram, adicionalmente, deiscências ósseas extensas nos elementos 13, 16, 23 e 26, não detectadas previamente ao exame clínico e radiográfico convencional. Ao ser informado sobre as condições dentárias e periodontais, o paciente consentiu com a realização do tratamento ortodôntico focado na resolução da queixa.


Informações de diagnóstico são essenciais para a decisão válida do plano de tratamento. Imagens precisas conduzem a um melhor plano de tratamento e potencializam resultados mais previsíveis e adequados. A TCFC é uma modalidade tecnológica emergente apropriada para a região dos dentes e das estruturas maxilofaciais, e que pode oferecer ao clínico informações mais relevantes, quando comparadas com as radiografias convencionais.


CONCLUSÃO


A TCFC representa um avanço tecnológico na obtenção de imagens dentárias e maxilofaciais. Imagens 3D podem identificar lesões camufladas pela limitação bidimensional de exames conven- cionais, e são capazes de redirecionar o plano de tratamento ortodôntico. No entanto, o uso rotineiro da TCFC ainda não deve ser recomendado, mas, sim, como ferramenta complementar quando dúvidas surgirem após os exames clínico e radiográfico convencional.


Link do artigo na Integra via Scielo:


http://www.scielo.br/pdf/dpjo/v16n1/12.pdf

domingo, 3 de abril de 2011

Pensamento da semana


"Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo. Por isso aprendemos sempre"

Paulo Freire
1921 - 1997

Link sobre o Autor:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Paulo_Freire


Um abraço especial aos meus novos amigos e colegas da XIII turma do Mestrado em Ortodontia da Universidade Cidade de São Paulo. Estou muito feliz em estar fazendo parte deste grupo !!!

Marlos Loiola

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Movimentação ortodôntica em dentes com comprometimento periodontal: relato de um caso clínico




Neste artigo de 2005, publicado pela Revista Dental Press, pelos autores Anderson Calheiros, Álvaro Fernandes, Cátia Abdo Quintão, Emanoela Volles Souza; da Disciplina de Ortodontia da Faculdade de Odontologia da UERJ - Rio de Janeiro. Mostra que é possível tratar de maneira eficiente casos com comprometimento Periodontal, com uma abordagem multidisciplinar e adequação da mecânica ortodôntica à necessidade de cada indivíduo em particular.


O número de pacientes adultos que procuram o tratamento ortodôntico tem aumentado sensivelmente nos últimos anos. Muitas vezes esses casos requerem um plano de tratamento e mecânicas mais complexas. Dentre as suas limitações mais freqüentes pode-se citar as doenças periodontais, com perda de inserção e a ausência de elementos dentários. Tais problemas podem afetar a migração fisiológica dos dentes, resultando em más oclusões com inclinações axiais de difícil correção. Normalmente, esses casos apresentam as seguintes características: diastemas medianos ou espaços generalizados, principalmente no segmento anterior; inclinação vestibular exagerada e extrusão dos incisivos superiores; rotação e inclinação de pré-molares e molares com colapso da oclusão posterior reduzindo a dimensão vertical. Esse quadro pode ainda ser agravado por algum tipo de trauma oclusal e hábitos, como a interposição lingual.

Geralmente o tratamento ortodôntico desses pacientes é bastante limitado, seja por diminuição exagerada do suporte ósseo, ou pela falta de ancoragem devido às perdas de vários elementos. Deve-se considerar no tratamento uma abordagem multidisciplinar, com elaboração de um plano de tratamento bastante diferenciado, adequando a mecânica à necessidade de cada indivíduo em particular.

Considerando-se os problemas periodontais, os conceitos mais atuais afirmam que a correlação entre a profundidade da sondagem e a presença ou ausência de doença ativa não é tão expressiva quanto se acreditava até algum tempo atrás. Por isto, atualmente, a eliminação da bolsa já não é um objetivo primordial da terapia periodontal. Hoje, o sucesso do tratamento periodontal centraliza-se na conversão do local com periodontite ativa para o estado inativo. Sendo assim, considera-se apto ao tratamento ortodôntico aquele paciente cujos problemas periodontais encontram-se controlados, sem sangramento gengival a sondagem e com boa higiene bucal, mesmo que o periodonto encontre-se reduzido, sem que isso signifique mais deteorização do tecido de sustentação.


Outro problema bastante comum em pacientes adultos é a perda de vários elementos dentários, o que pode significar sérias limitações ao tratamento ortodôntico. Em muitos desses pacientes, para se viabilizar a correção da má oclusão, é necessário a utilização de implantes como ancoragem. Porém, não existem métodos padronizados a seres seguidos no tratamento de indivíduos adultos. Os princípios biomecânicos usados na Ortodontia devem ser adaptados à anatomia particular das áreas onde o movimento dentário está sendo planejado. Dessa forma em alguns casos, mesmo com perdas dentárias generalizadas, é possível executar um tratamento ortodôntico adequado, sem o auxílio de implantes, simplesmente com a aplicação de mecânica ortodôntica diferenciada, superando assim o problema da falta de ancoragem.


O tratamento ortodôntico em adultos apresenta limitações que podem ser divididas didaticamente em: limitações intrínsecas (de natureza biológica) e limitações extrínsecas (dificuldades biomecânicas). A limitação intrínseca mais marcante é o fato de não existir mais crescimento no adulto. Dessa forma, grandes discrepâncias esqueléticas sópodem ser corrigidas com cirurgia ortognática. O tratamento ortodôntico, nesses casos, fica restrito ao movimento dentário com conseqüente remodelação do processo alveolar. Esse tipo de movimentação não apresenta maiores problemas quando executado em pacientes adultos com periodonto sadio, uma vez que as reações tissulares requeridas na movimentação ortodôntica não dependem da idade.


No estágio inicial do tratamento ortodôntico em adultos, é recomendada uma força intermitente de 20-30g. Posteriormente, a força pode ser aumentada para 30-50g (movimento de inclinação) e 50-80g (movimento de corpo) dependendo do grau de perda óssea marginal e da qualidade de osso alveolar remanescente. Segundo Birte Melsen et al.8, a força ideal para a intrusão em dentes comprometidos periodontalmente é entre 5 a 10g por elemento.


CONCLUSÃO

Embasado cientificamente pela literatura e com a observação clínica, acredita-se que é possível tratar ortodonticamente e de maneira eficiente, casos em que limitações, tais como os problemas periodontais generalizados e as perdas de vários elementos dentários, estão presentes. Contudo, o plano de tratamento deve ser multidisciplinar, atendendo as particularidades de cada caso. Por isso, previamente ao tratamento ortodôntico, é imprescindível que a adequação do meio bucal tenha sido obtida, com todas as restaurações e extrações necessárias executadas e principalmente com a periodontite totalmente controlada. Considerando-se o aspecto mecânico do tratamento, deve-se criar um eficiente sistema de ancoragem, e cuidar para que as forças aplicadas sejam suaves e intermitentes permitindo dessa forma um bom controle do movimento. Com esses cuidados, espera-se obter uma efetiva movimentação dentária, sem que, contudo, sejam causados danos adicionais ao tecidos de suporte e as raízes dos elementos envolvidos.



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