ORTODONTIA CONTEMPORÂNEA

segunda-feira, 23 de março de 2009

Mordida cruzada posterior: uma classificação mais didática

























Neste artigo de 2008, publicado pela revista Dental Press, pelos autores Arno Locks, André Weissheimer, Daltro Enéas Ritter, Gerson Luiz Ulema Ribeiro, Luciane Macedo de Menezes, Carla D’Agostini Derech, Roberto Rocha; mestre e doutores em Ortodontia pela UERJ, UFRJ, UNESP, PUC-RS. Fizeram uma revisão de toda a literatura ligada as formas de mordidas cruzadas, e depois as classificaram.

No que se refere à classificação das mordidas cruzadas posteriores, a literatura compulsada apresenta-se diversificada e sofrendo diversas modificações de acordo com a experiência de cada autor, permitindo, desta maneira, que haja uma certa dificuldade na compreensão, diagnóstico e tratamento destas más oclusões.

Entende-se por mordida cruzada posterior a relação anormal, vestibular ou lingual de um ou mais dentes da maxila, com um ou mais dentes da mandíbula, quando os arcos dentários estão em relação cêntrica, podendo ser uni ou bilateral.

Moyers classificou as mordidas cruzadas, com base em sua etiologia, em: dentária - quando resultante de um sistema imperfeito de erupção, onde um ou mais dentes posteriores irrompem numa relação de mordida cruzada, mas não afetando o tamanho ou a forma do osso basal; muscular - quando ocorre uma adaptação funcional às interferências dentárias, sendo que os dentes não estão inclinados dentro do processo alveolar, porém, apresentando um deslocamento da mandíbula e um desvio da linha média; e óssea - que ocorre em conseqüência de uma discrepância na estrutura da mandíbula ou maxila, conduzindo a uma alteração na largura dos arcos. Esta má oclusão pode se apresentar uni ou bilateralmente, bastando, para o diagnóstico definitivo, posicionar a mandíbula de tal maneira que haja coincidência das linhas médias inferior e superior, uma vez que vários pacientes com mordida cruzada unilateral poderiam ser portadores de uma constrição bilateral do arco.

McDonald e Avery classificaram a mordida cruzada posterior em óssea - quando a mesma era resultante de discrepância na estrutura da mandíbula ou da maxila, podendo existir uma discrepância na largura dos arcos, e uma inclinação lingual dos dentes superiores; dentária - quando a má oclusão era resultado de um sistema imperfeito de erupção dentária, apresentando um ou mais dentes em relacionamento de mordida cruzada, porém, não apresentando irregularidade alguma no osso basal; e funcional - quando a má oclusão era decorrente de um deslocamento da mandíbula para uma posição anormal, porém mais confortável para o paciente. É importante observar que na mordida cruzada funcional não ocorriam sinais de discrepância nas linhas médias superior e inferior quando a mandíbula encontrava-se em posição de repouso, porém apresentando desvio da mandíbula, no sentido da mordida cruzada, quando os dentes entravam em oclusão.

Proffit et al. classificou as mordidas cruzadas posteriores em: esqueléticas - quando resultantes de uma maxila estreita ou de uma mandíbula excessivamente larga; dentárias - quando a base da abóboda palatina apresenta-se normal, mas os processos dentoalveolares inclinavam-se para lingual; dentoalveolares - quando ocorria uma inclinação dos dentes e respectivos alvéolos superiores no sentido lingual, ocorrendo também uma atresia da maxila, porém não sendo observado aprofundamento da abóboda palatina e funcional, quando ocorria desvio da mandíbula
em função de contatos deflexivos.

Quanto à etiologia das mordidas cruzadas posteriores, há diferentes fatores como prováveis causadores da referida má oclusão tais como a respiração bucal, hábitos bucais deletérios, perda precoce ou retenção prolongada de dentes decíduos, migração do germe do dente permanente, interferências oclusais, anomalias ósseas congênitas, falta de espaço nos arcos (discrepância entre o tamanho do dente e o tamanho do arco), fissuras palatinas e hábitos posturais incorretos.

A grande maioria dos casos de mordida cruzada posterior manifesta-se unilateralmente. No entanto, com a mandíbula manipulada em relação cêntrica, quase sempre se observa comprometimento de ambos os lados do arco dentário, havendo uma relação de mordida de topo bilateral, provocando instabilidade oclusal, levando a um desvio da mandíbula, quando então o paciente busca uma posição mais confortável.


MORDIDA CRUZADA FUNCIONAL

Diagnóstico inicial

O paciente, quando observado em norma facial frontal, apresenta assimetria facial por desvio em lateralidade da mandíbula. Ao exame intrabucal em MIH observa-se a presença de mordida cruzada unilateral e desvio de linha média inferior para o lado da mordida cruzada . Devido à memória muscular, geralmente ocorre assimetria mandibular mesmo quando a mandíbula se encontra em posição de repouso.

Diagnóstico definitivo

Para se obter o diagnóstico definitivo, a mandíbula é manipulada em relação cêntrica, a fim de se
observar o relacionamento dentário posterior. O paciente apresenta mordida cruzada funcional quando, em relação cêntrica, não ocorre mais a presença de mordida cruzada posterior, observando-se contato prematuro de algum elemento dentário, geralmente em caninos decíduos. Nos casos de mordida cruzada funcional não ocorre real atresia maxilar, mas somente uma acomodação mandibular para a melhor intercuspidação dentária, com o objetivo de desviar dos contatos prematuros. Geralmente a mordida cruzada funcional ocorre muito precocemente, na dentadura decídua. Esta mordida cruzada, quando não tratada neste período, tem tendência a evoluir para uma mordida cruzada verdadeira, pois a mesma pode ter sua etiologia em algum hábito, como respiração bucal, sucção de dedo ou chupeta. O tratamento indicado é o desgaste seletivo em dentes decíduos, para eliminação de interferências oclusais.


MORDIDA CRUZADA ESQUELÉTICA OU DENTOALVEOLAR POSTERIOR BILATERAL COM DESVIO DE MANDÍBULA

Diagnóstico inicial

Ao se observar o paciente em norma facial frontal, constata-se assimetria facial por desvio em lateralidade da mandíbula, exatamente igual aos casos de mordida cruzada funcional. Ao exame intrabucal em MIH, observa-se a presença de mordida cruzada unilateral e desvio da linha média inferior para o lado da mordida cruzada, semelhante ao observado na mordida cruzada funcional.

Diagnóstico definitivo

Ao se manipular a mandíbula para posição de RC, observa-se uma relação posterior bilateral de topo-a-topo, ou seja, contato das cúspides vestibulares dos dentes superiores com as cúspides vestibulares dos dentes inferiores, demonstrando uma atresia maxilar ou , mais raramente, sobreexpansão mandibular. Como esta relação de topo-a-topo é muito desconfortável, o paciente desvia a mandíbula para um dos lados, parecendo então se tratar de mordida cruzada unilateral. Portanto, o diagnóstico em RC indica a necessidade de expansão simétrica da maxila, pois o problema é bilateral e não unilateral.


MORDIDA CRUZADA ESQUELÉTICA OU DENTOALVEOLAR POSTERIOR BILATERAL SEM DESVIO MANDIBULAR

Diagnóstico inicial

Ao se observar o paciente em norma facial frontal, o mesmo não apresenta assimetria evidente, pois não há desvio de mandíbula. Entretanto, intrabucalmente em MIH, é verificada a presença de mordida cruzada posterior bilateral caracterizada por atresia maxilar acentuada, pois as cúspides vestibulares dos dentes superiores ocluem no sulco principal dos seus respectivos antagonistas. É observada coincidência das linhas médias, exceção feita para os casos clínicos onde está presente um desvio de origem dentária.

Diagnóstico definitivo

Conclui-se que o paciente é portador de uma mordida cruzada posterior esquelética bilateral sem desvio de mandíbula quando, após a manipulação em relação cêntrica, constata-se o mesmo relacionamento dentário posterior verificado em MIH. Os casos de mordida cruzada esquelética posterior bilateral possuem, geralmente, maxila atrésica e/ou inclinação vestibular dos dentes superiores posteriores bilateralmente. Neste caso, diferentemente da mordida cruzada posterior bilateral com desvio mandibular (em que a oclusão em topo das cúspides vestibulares dos dentes posteriores promove desvio mandibular), como a atresia de maxila é maior, as cúspides vestibulares superiores ocluem no sulco principal dos dentes inferiores, resultando numa oclusão estável e sem desvio mandibular. Desta forma, há necessidade de expansão simétrica da maxila de uma maneira mais acentuada, pois a atresia é importante.


MORDIDA CRUZADA ESQUELÉTICA OU DENTOALVEOLAR POSTERIOR UNILATERAL UM DESVIO MANDIBULAR

Diagnóstico inicial

A exemplo da mordida cruzada funcional e mordida cruzada posterior bilateral com desvio mandibular, no exame facial em norma frontal o paciente apresenta assimetria facial pelo desvio em lateralidade da mandíbula. Durante o exame intrabucal em MIH é observada mordida cruzada posterior unilateral com desvio de linha média inferior para o lado do cruzamento.

Diagnóstico definitivo

No diagnóstico definitivo desta má oclusão, se ao ser realizada a manipulação da mandíbula em RC for constatada a permanência da mordida cruzada unilateral, verifica-se uma mordida cruzada posterior esquelética unilateral com desvio de mandíbula, pois o paciente desvia a mandíbula em MIH, devido a contatos prematuros desconfortáveis, quando em oclusão.

Ao se analisar o arco maxilar numa visão posterior, constata-se a atresia do lado da mordida cruzada, demonstrando um arco assimétrico, indicando a necessidade de expansão assimétrica, com mais ação do lado da mordida cruzada. Já no arco inferior, geralmente é observada uma verticalização dos dentes do lado da mordida cruzada, como conseqüência da oclusão invertida deste lado.


MORDIDA CRUZADA ESQUELÉTICA OU DENTOALVEOLAR POSTERIOR UNILATERAL SEM DESVIO MANDIBULAR

Diagnóstico inicial

Durante o exame facial em norma frontal, não se verifica assimetria facial, pois a mandíbula não apresenta desvio ou assimetria. Intrabucalmente, em MIH, o paciente apresenta coincidência de linhas médias e presença de mordida cruzada unilateral, com as cúspides vestibulares superiores ocluindo no sulco principal dos dentes inferiores.

Diagnóstico definitivo

Com a finalidade de se diagnosticar definitivamente a referida má oclusão, a mandíbula deve ser manipulada em RC, a fim de se verificar o padrão oclusal. Será, então, classificada como mordida cruzada posterior esquelética unilateral sem desvio de mandíbula quando o referido padrão de oclusão, já constatado em MIH, for novamente observado em RC. Quando realizado o exame do arco superior, este apresenta atresia no lado da mordida cruzada, enquanto, geralmente, no arco inferior ocorre uma verticalização dos dentes do lado do cruzamento da mordida.


MORDIDA CRUZADA POSTERIOR DENTÁRIA COM DESVIO MANDIBULAR

Diagnóstico inicial

Durante o exame facial em norma frontal é observada assimetria facial por desvio mandibular. Em MIH, o paciente apresenta um ou dois elementos dentários posteriores com assimetria em relação aos outros dentes e em mordida cruzada com seu antagonista. A presença de contatos prematuros faz com que a mandíbula seja desviada para um dos lados, na tentativa de um relacionamento oclusal mais estável, portanto há desvio de linha média inferior para o lado do cruzamento. Os arcos dentários apresentam-se normais, não sendo observada nenhuma atresia esquelética dos mesmos.

Diagnóstico definitivo

Conclui-se que o paciente é portador de uma mordida cruzada posterior dentária com desvio mandibular quando, em RC, observa-se a presença de um ou dois elementos dentários em mordida cruzada com os seus antagonistas, devido à inclinações axiais errôneas, sem componente esquelético, indicando somente correção destes dentes, posicionando-os corretamente em suas bases alveolares.


MORDIDA CRUZADA POSTERIOR DENTÁRIA SEM DESVIO MANDIBULAR

Diagnóstico inicial

Durante o exame facial em norma frontal, não é verificada assimetria facial, pois a mandíbula não
apresenta desvio ou assimetria. Em MIH, o paciente apresenta um ou dois elementos dentários posteriores com assimetria em relação aos outros dentes e em mordida cruzada com seus antagonistas. Devido à ausência de contatos prematuros não se observa desvio da linha média inferior. Os arcos dentários apresentam-se normais, não sendo observada nenhuma atresia esquelética dos mesmos.

Diagnóstico definitivo

Conclui-se que o paciente é portador de uma mordida cruzada posterior dentária sem desvio mandibular quando, em RC, apresenta o mesmo padrão oclusal que em MIH, ou seja, presença de apenas um ou dois elementos dentários em mordida cruzada, devido a inclinações dentárias errôneas, sem comprometimento esquelético, portanto, indicando a correção destes elementos dentários para suas posições normais, tornando-os simétricos em relação aos outros.


MORDIDA CRUZADA POSTERIOR VESTIBULAR TOTAL

Essa má oclusão, também conhecida como síndrome de Brodie, se caracteriza por uma relação anormal no sentido vestíbulo-lingual entre a maxila e a mandibula, onde a maxila engloba toda a mandíbula, ou seja, em mordida cruzada vestibular total. Esta má oclusão pode resultar de uma maxila excessivamente larga, de uma atresia severa da mandíbula ou ainda uma combinação destas duas situações. Em MIH observa-se que o arco maxilar está totalmente por vestibular em relação ao arco mandibular, englobando-o de tal modo que os dentes superiores posteriores não ocluem com seus antagonistas. Em RC ocorrerá o mesmo relacionamento encontrado em MIH, confirmando o diagnóstico definitivo de mordida cruzada posterior vestibular total.

Dependendo da gravidade desse tipo de mordida cruzada, o caso poderá ser tratado somente ortodonticamente ou com auxílio de cirurgia.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Quanto ao recurso terapêutico a ser utilizado, o profissional deverá dispor daquele que melhor se adapte ao problema do paciente, considerando as atresias mais importantes ou menos importantes, que podem ser somente dentárias, dentoalveolares ou nas formas mais graves, esqueléticas.

Quanto à época ideal de tratamento, a mesma deve ser o mais precoce possível, desde o momento em que o paciente aceite o tratamento, para que a correção permita um crescimento adequado sem assimetrias, pois as mesmas poderão se tornar definitivas se a mordida cruzada não for tratada precocemente.


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domingo, 22 de março de 2009

Pensamento da Semana


Um nascimento representa o princípio de todo - é o milagre do presente e a esperança do futuro. Felicidades pelo nascimento de teu bebê.

Hoje as flores têm uma cor especial, os pássaros cantam mais, o sol brilha com uma nova força e esta noite as estrelas sorrirão pelo nascimento de seu novo bebê. Felicidades.

Um bebê nasce com a necessidade de ser querido. E nunca perde esta necessidade. Eu estarei entre os muitos que farão que teu novo bebê se encontre entre os seres mais queridos de nossa planeta.

Os bebês nascem com olhos dispostos a ver todo o precioso, abraçar todo o alegre e querer sem condições com todo seu coração.

O milagre de um nascimento é um tesouro único para uma mulher. Felicidades e que o desfrute.
Um bebê recém nascido enche um oco que sua mãe nunca sabia existia em seu coração.

O nascimento de um bebê é a forma na que a Mãe Natureza nos concede outra oportunidade à Terra.

Um bebê muito pequeno pode fazer cumprir os sonhos maiores. Felicidades pelo nascimento de teu bebê.

Cada bebê traz consigo uma nova bênção ao mundo. Felicidades. Cada bebê é um milagre único e impossível de repetir. Felicito-lhe pelo seu.

Há duas coisas nesta vida para as que não estamos preparadas: ¡Gêmeos! Felicidades pelo nascimento dos seus.

Fonte:
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Dr. Wendel Shibasaki e Dra. Mika, esta semana entrará para Historia da Familia Shibasaki. Desejo a vocês do fundo do meu coração, muitas felicidades e muita saúde para Nina que nasceu esta semana.
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Marlos Loiola e Familia

sábado, 21 de março de 2009

Reabsorção condilar progressiva da articulação temporomandibular após cirurgia ortognática












Neste artigo de 2007, publicado pela revista Dental Press, pelos autores Jorge Luiz Jacob Liporaci Junior, Paulo Stoppa, Hélcio Tadeu Ribeiro, Antônio José Borin Neto, Cássio Edvard Sverzut; FORP - USP - Ribeirão Preto - São Paulo. Faz uma revisão criteriosa da literatura que aborda uma patologia preoculpante, a reabsorção condilar após tratamento Orto-cirurgico.

A reabsorção condilar progressiva (RCP) é definida como uma mudança na morfologia docôndilo, com perda óssea e diminuição da altura facial posterior. Wolford e Cardenas relataram que a reabsorção condilar idiopática, também conhecida como condilise idiopática, atrofia condilar e reabsorção condilar progressiva é uma doença bem documentada, mas pobremente entendida.

A etiologia da RCP é multifatorial, incluindo: pacientes do gênero feminino, portadores de má oclusão esquelética de Classe II com mordida aberta ou não, que possuem disfunção temporomandibular previamente ao tratamento orto-cirúrgico, com ângulo do plano mandibular alto, e que foram submetidos à cirurgia ortognática combinada com avanço mandibular acima de 5mm.

A própria má oclusão que o paciente possui pode levar à instabilidade no posicionamento condilar. Por outro lado, a terapia oclusal também pode ocasionar mudanças condilares, principalmente na Ortodontia pré-cirúrgica.

A parafunção (bruxismo, por exemplo) atua perpetuando as DTM’s e gerando uma carga articular aumentada, microtraumas e dor. Liporaci Jr. et al. relataram que é necessário o diagnóstico diferencial da dor orofacial para uma adequada elucidação do problema, pois existem transtornos dolorosos da face que simulam uma DTM e que são tratados erroneamente como tal. A dor pulpar aguda, por exemplo, pode ocasionar sintomas como dor na região da ATM e ouvido. Dessa forma, a dor orofacial em pacientes orto-cirúrgicos deve ter seu diagnóstico diferencial embasado em exames clínicos e complementares, para adequado tratamento da mesma.

O macrotrauma é um fator mecânico de grande impacto, na medida em que a cirurgia ortognática causa macrotraumas nas ATM’s, devido à manipulação óssea maxilomandibular. A instabilidade oclusal pós-operatória também pode favorecer a RCP, sendo o preparo ortodôntico pré-cirúrgico adequado necessário para minimizar os efeitos de uma instabilidade oclusal.

O portador de DTM tem maior risco de desenvolver anquilose da ATM após cirurgia ortognática, bem como sua disfunção, além de não ser curada, pode se agravar. Dessa forma é imperativo tratar a disfunção previamente ao tratamento orto-cirúrgico.

Hwang et al. avaliaram a inclinação do pescoço condilar, pré-operatoriamente, por meio de radiografias panorâmicas e encontraram que a maioria dos côndilos dos pacientes que desenvolveram RCP possuía inclinação posterior. O aumento da carga devido à auto-rotação da mandíbula é um dos principais componentes na etiologia da RCP após cirurgias ortognáticas. O aumento da carga ocorre em casos com maior avanço ou quando uma rotação anti-horária do plano mandibular ocorre durante o avanço cirúrgico da mandíbula.

Ellis III e Hinton demonstraram que a mudança do posicionamento condilar leva a mudanças nas
superfícies articulares. Em seu estudo, os animais do grupo BMM tiveram anteriorização do côndilo e os animais do grupo FIR tiveram deslocamento condilar posterior. Ambas as situações resultaram em alterações histológicas nas articulações. Bouwan et al. estudaram um grupo de 158 pacientes predisponentes à reabsorção condilar. Do total, 32 (3%) apresentaram RCP, sendo que 14 já apresentavam mudanças osteoartróticas após Ortodontia pré-operatória. Dos 91 pacientes operados que foram submetidos ao BMM, 24 (26,4%) desenvolveram RCP, enquanto dos 67 pacientes operados e submetidos à FIR, 8 (11,9%) pacientes desenvolveram RCP. O BMM por 4 a 6 semanas compromete a circulação sinovial (nutrição), o que acontece menos na FIR, logo a capacidade de adaptação da ATM é melhor com FIR do que com o BMM. Isso deixa claro que o BMM deve ser evitado ao máximo nos pacientes susceptíveis a essa patologia.

A FIR com placas ou parafusos posicionais em osteotomias bimaxilares resulta numa incidência consideravelmente mais baixa de RCP, porém numa alta incidência de remodelação, se comparada com o uso de BMM. O retorno à função, ainda que restrita, quando se utiliza a FIR, resulta em remodelação articular, que permite a adaptação das ATM’s à nova carga.

Huang et al. relataram que após a estabilização do processo de reabsorção condilar, uma nova cirurgia ortognática pode ser realizada. Caso o processo não se estabilize, ou tenha nova recidiva após a segunda cirurgia ortognática, pode ser indicada a condilectomia e substituição da articulação com prótese ou enxerto costo-condral. Crawford et al., ao reportarem 7 casos de RCP, relataram manter seus pacientes com terapia de placa oclusal para monitorar mudanças oclusais e, principalmente, aliviar a dor associada à DTM. Em seu trabalho, todos os pacientes apresentaram-se estáveis oclusal e esqueletalmente pelo menos por 12 meses antes da reoperação. Dos 7 pacientes tratados da RCP, 5 tiveram RCP adicional e subseqüente recidiva esquelética após a segunda osteotomia.

A reabsorção condilar após cirurgia ortognática é uma patologia que deve ser tratada por uma equipe multi e interdisciplinar. O aconselhamento dos pacientes é de extrema importância para que estes colaborem e estejam cientes da sua delicada condição clínica que, a despeito de todos os cuidados realizados, pode conduzir à recidiva da má oclusão.

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quinta-feira, 19 de março de 2009

Histora da Ortodontia - Peter Bimler: uma história de pioneirismo





















Neste artigo de 2004, publicado pela revista Dental Press, pela autora Dra. Anna Bárbara Bimler, PHD e General Manager da Bimler Laboratories, filha do Dr. Hans Peter Bimler; Conta toda a historia deste grande estudioso que ajudou no desenvolviento da ciência Ortodontia através de um dos seus braços de estudos, ligado a Ortopedia dos Maxilares, que aqui no Brasil infelizmente foi erroneamente separada da Ortodontia. Um triste retrocesso ...

No início dos tempos da Ortodontia, durante os séculos 18 e 19, aparelhos fixos feitos de metais preciosos eram o modo mais comuns de tratamento ortodôntico. Em 1881, o desenvolvimento da
mola Coffin pelo Dr. Coffin (1853-1916) iniciou o uso de aparelhos removíveis. Pierre Robin (1867-1950) e seu “Monobloco”, publicado em 1902, contribuíram mais tarde para sua evolução.
Logo após, em 1907, a European Orthodontic Society foi fundada.

Após a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), os aparelhos removíveis progrediram mais além. Quando a guerra finalmente terminou, a indústria militar alemã praticamente parou; e companhias como Thyssen e Krupp precisavam desesperadamente de clientes civis e novos mercados. Neste exato momento eles haviam desenvolvido o aço inoxidável. O dentista da clínica da Krupp Company, Dr. F. Hauptmeyer, utilizou o aço com sucesso pela primeira vez em próteses, e a Krupp queria introduzi-lo no mercado dentário como um moderno e econômico substituto para os metais preciosos previamente utilizados. Além disso, eles trabalhavam junto com a estabelecida empresa Odontológica Renfert. Um de seus mais conhecidos e mais bem sucedidos produtos era chamado “Wipla” – wie Platin que significa “como platina” em alemão. Logo, o novo metal também era utilizado em bandas e arcos na Ortodontia.

Um pioneiro no campo da Ortodontia foi Charles Nord de Amsterdã. Ele propagou a correção de “dentes tortos” como tratamento para a população em geral, não mais como um luxo para os ricos. Na reunião da EOS em 1920 em Heidelberg, ele apresentou seus métodos de tratamento para crianças pobres ao preço de cinco florins por mês, aproximadamente cinco dólares.

Isso poderia ser feito apenas com os aparelhos removíveis. Novamente, com grande gerenciamento de tempo, A. Martin Schwarz (1887-1963) de Viena, Áustria, apresentou suas placas de expansão em 1936. Isso foi possível graças a seu técnico que havia desenvolvido um moderno parafuso de expansão. Com o uso do parafuso, o tratamento ortodôntico poderia ser executado por qualquer clínico geral sem educação especial ou treinamento. Outros pioneiros dos aparelhos removíveis foram Viggo Andersen (1870-1950) com seu dispositivo elástico e Karl Häupl (1893-1960). Seus métodos de tratamento foram desenvolvidos e aplicados especialmente na Europa Central e na Escandinávia. Ambos tiveram educação em Medicina Geral e Periodontia, desse modo eles colocavam uma grande ênfase nos aspectos médicos dos aparelhos funcionais removíveis. Ao contrário dos aparelhos fixos, eles não causam dano parcialmente irreversível às raízes, esmalte e periodonto – para não mencionar as articulações! Os aparelhos removíveis logo se tornaram um método de tratamento seguro, econômico e moderno.

O oficial médico Dr. Peter Bimler retornou em 1946 de um campo britânico de prisioneiros de guerra para a Alemanha. Ele encontrou seu primeiro emprego como médico assistente de seu tio, um especialista otorrinolaringologista. Logo ele considerou tornar-se um cirurgião plástico. Seu prático pai, entretanto, convenceu-o de que havia muitos cirurgiões plásticos procurando por novas ocupações, enquanto havia poucos ortodontistas, e estes eram extremamente necessários após a guerra. Então, o Dr. Bimler estudou Odontologia num programa especial para médicos e se tornou parceiro na prática ortodôntica de seu pai, que começou praticamente do zero, já que agora eles eram refugiados, restabelecendo-se na Alemanha Ocidental.

A economia desintegrada do pós-guerra na Alemanha requeria de pai e filho um alto nível de inspiração e criatividade. O pouco suprimento de material odontológico disponível era muito caro para eles. Felizmente, o pai, Dr. Walter Bimler, havia salvado alguns rolos de aço inoxidável, e desse modo, seu filho Peter gastou seu tempo livre para desenvolver seu próprio aparelho ortodôntico, para ser independente dos materiais e preços dos outros.

A principal preocupação além do aspecto econômico era a eficiência. Bimler queria combinar a eficiência do tratamento fixo com a segurança dos removíveis. O formato final do Adaptador Oral, “Gebissformer”, foi resultado de vários anos de experiência clínica com diferentes formatos, variações e fios. Até o dia de hoje, o aparelho é utilizado no mundo todo como foi originalmente desenvolvido.

Para Bimler, era muito importante que a língua se movesse facilmente e que a fala do paciente não fosse impedida, desse modo eles poderiam usar o aparelho o dia todo, inclusive na escola. Ele estava muito satisfeito com o rápido progresso de seus pacientes. Como as crianças geralmente são honestas, às vezes elas confessavam que usavam o aparelho apenas à noite. Apesar disso, alguns anos de experiência e observação clínica foram necessários para confirmar que as crianças estavam corretas; de fato, a observação clínica provou que o período noturno era suficiente para o tratamento. Portanto, o Aparelho Bimler, como logo ficou conhecido, podia oferecer a maior vantagem para o conforto do paciente: Corrige seus dentes enquanto você dorme!

Não apenas na Alemanha Ocidental mas também no exterior, o Aparelho Bimler se tornou rapidamente muito popular. Apenas o desenvolvimento e a introdução de partes pré-fabricadas, arcos e molas já prontos em diferentes tamanhos possíveis, poderiam satisfazer a demanda mundial. Com as peças pré-fabricadas, não-técnicos também poderiam rapidamente aprender a montar corretamente um Aparelho Bimler. Estas peças pré-fabricadas se tornaram um grande sucesso e são vendidas no mundo todo até hoje.

Comparando a radiografia da cabeça dos pacientes afetados, havia certos padrões esqueléticos, que estavam relacionados ao sucesso e ao fracasso. Com base nisso, o Dr. Bimler desenvolveu sua análise cefalométrica com o intuito de descobrir por ele mesmo uma explicação para as diferentes reações de seus pacientes aos diferentes métodos de tratamento.

Durante o verão de 1967, Robert Ricketts visitou a Alemanha Ocidental com sua família e comparou notas científicas. Em suas próprias análises, ele deu sua interpretação da nomenclatura anatômica, desse modo “dolicofacial” significa o contrário de “dolicoprosópico” anatômico, que é o contrário de leptoprosópico. Como a versão de Ricketts era geralmente aceita na Odontologia, Bimler preferiu para a descrição dos tipos faciais as palavras horizontal e vertical, que são claramente definidas e internacionalmente entendidas.

Os resultados da análise cefalométrica ajudam com o prognóstico e servem para explicar falha ou
sucesso. Para o diagnóstico de uma má oclusão e a construção do aparelho, apenas os modelos de gesso e o registro da mordida patológica são necessários.


Link do Artigo na integra via Scielo:
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Link do Laboratorio Bimler:
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Links de Artigos relacionados:
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terça-feira, 17 de março de 2009

Técnicas tomográficas aplicadas à Ortodontia: a evolução do diagnóstico por imagens












Neste artigo de 2004, publicado pela revista Dental Press, a autora Rejane Faria Ribeiro-Rotta, Professora Adjunta do Departamento de Ciências Estomatológicas e Coordenadora do Centro Goiano de Doenças da Boca da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal de Goiás (CGDB/FO/UFG), Goiânia-GO. Mostra de forma abrangente recursos de ultima geração em diagnostico por imagem em Ortodontia. Agora daremos continuidade com a 2ª parte do artigo Ressonância Magnética.

A obtenção de imagens por RM é determinada por um conjunto de princípios físicos totalmente diferentes daqueles que definem as técnicas radiográficas, como a radiologia convencional ou a TC. Ao contrário das imagens por raios X, que são produzidas através da atenuação dos fótons na eletrosfera dos átomos da matéria, o sinal de RM origina-se exclusivamente dos prótons existentes nos núcleos dos átomos.

De forma simplista, a aquisição de imagens por RM poderia ser resumida em 5 etapas:
a) O paciente é colocado em um forte campo magnético (gantry), e essencialmente se torna um magneto. Isto porque, as partículas atômicas (prótons) de alguns elementos químicos que compõem os tecidos orgânicos (o mais abundante é o hidrogênio) têm a propriedade de girar em torno do seu próprio eixo (spin), e por serem cargas elétricas em movimento (definição de corrente elétrica), geram um campo magnético ao seu redor, o qual pode ser alterado por um campo magnético externo;

b) um sistema de bobinas, posicionadas em uma região anatômica de interesse, emite ondas de rádio freqüência;

c) as ondas de rádio freqüência são desligadas;

d) o paciente emite um sinal (sinal de RM), liberando a energia recebida de forma semelhante às ondas de rádio freqüência;

e) o sinal é recebido pelo mesmo sistema de bobinas que emitiu as ondas de rádio freqüência, e é utilizado para a formação das imagens digitais nos diferentes planos anatômicos, que serão apresentadas no monitor do computador.

A imagem por RM representa a distribuição dos núcleos/prótons livres de hidrogênio de uma região específica do corpo, suas propriedades magnéticas e como esses prótons voltam ao equilíbrio, após terem sido excitados pelas ondas de rádio freqüência, sob um forte campo magnético. Dentre as razões pelas quais o próton de hidrogênio é escolhido para este mapeamento está o fato de ser ele o átomo mais abundante do corpo, que possui uma propriedade física específica – momento magnético dipolo. Esta propriedade faz com que esses átomos se assemelhem a pequenas barras magnéticas. Eles são especialmente abundantes na água e nos lipídeos.

As alterações nos tons de cinzas da imagem por RM são descritas em termos de intensidade de sinal. Tecidos que possuem um pequeno conteúdo de água e/ou gordura, aparecerão como áreas mais escuras ou hipointensas ou com baixa intensidade de sinal (ex. cortical óssea). Tecidos ricos em água e/ou gordura (ex. medula óssea) aparecerão com um sinal intenso ou hipersinal, ou seja,
mais esbranquiçados ou brilhantes.

A imagem por RM é superior à TC na diferenciação dos tecidos moles e por fornecer não apenas informações anatômicas, mas também fisiológicas. Imagens de qualquer plano anatômico podem ser obtidas sem o reposicionamento do paciente, sem a utilização de radiação ionizante. É a única modalidade de imagem que permite a detecção precoce de alterações da medular, devido ao hipersinal da referida estrutura. Além disso, permite a aquisição de imagens arteriográficas sem a necessidade de injeção de meio de contraste. A espectroscopia por RM permite a visualização anatômica do tecidos e também a quantificação de substâncias que os caracterizam.

As duas principais desvantagens da RM estão relacionadas à técnica e a interpretação das mesmas. A primeira refere-se aos artefatos associados aos metais (ex. aparelho ortodôntico), os quais promovem um desvio do campo magnético ou aqueles causados pelo movimento do fluxo sanguíneo do paciente, especialmente nas longas seqüências de exame. A segunda é devido ao baixo sinal das corticais ósseas que reduz a capacidade deste método, se comparado à TC, para a identificação de sítios de destruição óssea precoce.

A primeira aplicação clínica das imagens por RM na clínica odontológica foi para o estudo da ATM no início dos anos 80. Foi o primeiro exame que permitiu a visualização direta dos tecidos moles articulares, com imagens de alta resolução. Esses tecidos, até então, eram visualizados apenas indiretamente por meio da injeção de contraste nos espaços articulares (artrografia ou artrotomografia) ou diretamente pela TC, mas com uma resolução deficiente.

As imagens por RM também têm uma importante contribuição no diagnóstico das necroses avasculares e degeneração mixóide do disco articular, apesar do significado clínico desses achados serem controversos. As destruições do disco e a formação do pannus (inflamação da sinóvia) são achados freqüentes nos indivíduos com artrite reumatóide ativa ou outra artrite de origem inflamatória.

O tratamento de pacientes com deslocamentos do disco articular da ATM utilizando placas reposicionadoras, com o objetivo de restabelecer uma relação fisiológica normal entre a cabeça da
mandíbula (côndilo) e o disco, tem sido controverso. Um índice de sucesso de até 70% tem sido descrito.

Estudos utilizando imagens por RM sugerem que o tratamento com o aparelho de Herbst não resulta em qualquer alteração adversa na posição do disco e na função da ATM, sugerindo inclusive que ele poderia ser útil no tratamento de pacientes com deslocamento anterior do disco. Contudo, uma recente revisão sistemática sobre o efeito deste tratamento ortopédico na morfologia da ATM sugere que há a necessidade de pesquisas aleatórias controladas, utilizando RM e tomografias para o estabelecimento dos efeitos a curto e longo prazo da terapia com o Herbst, sobre os tecidos ósseos e partes moles da ATM.

Além dos aspectos estéticos, a reabilitação funcional de pacientes tratados pela cirurgia ortognática tem ganhado importância nos últimos anos. A cirurgia combinada com o tratamento ortodôntico tem alcançado resultados estéticos dentários e faciais satisfatórios.

O estabelecimento da posição condilar correta no interior da fossa mandibular é uma das dificuldades encontradas pelo cirurgião, durante a cirurgia ortognática de pacientes Classe II de Angle com desordens da ATM. As possíveis alterações morfométricas e morfológicas dos componentes da ATM também estão dentre as preocupações relacionadas ao paciente submetido à cirurgia ortognática.

As imagens por RM, a despeito do seu alto custo, são superiores à TC no estudo das vias aéreas superiores dos pacientes com apnéia obstrutiva do sono. Além de apresentar a maioria das vantagens da TC, soma-se a excelente resolução do espaço aéreo e dos tecidos moles adjacentes (especialmente a gordura), além da obtenção de secções sagitais, coronais e axiais diretas, sem reconstruções e sem a utilização de radiação ionizante. Isto permite a repetição do exame durante a vigília e o sono do paciente. Reconstruções tridimensionais do espaço aéreo e de partes moles como a parede lateral da faringe, a língua e o palato mole (importantes na modulação das alterações do calibre do espaço das vias aéreas superiores) podem ser obtidas.

A RM pode auxiliar no diagnóstico das lesões císticas e tumores odontogênicos e não odontogênicos da região bucomaxilofacial, por permitir a diferenciação entre o líquido e outros componentes como a queratina e produtos da degradação do sangue. Ela pode, ainda, contribuir na diferenciação entre um cisto e um tumor sólido ou misto. Contudo, o seu alto custo tem limitado a sua utilização na rotina da clínica odontológica.

Os princípios da modalidade ideal e o futuro dos exames por imagens residem na determinação de uma anatomia o mais próximo do real em termos de precisão da orientação espacial, tamanho, forma e relação com as estruturas anatômicas circunjacentes, baixo custo e riqueza de detalhes tridimensionais. O desenvolvimento de tecnologias que reúnam estas qualidades inclui, dentre outras, as técnicas tomográficas e digitais, principalmente a TC e a RM.

No tratamento de deformidades craniofaciais, em que as assimetrias apresentam registros inadequados quando técnicas radiográficas bidimensionais convencionais são utilizadas, a TC tem um importante papel, especialmente as reconstruções 3-D. Ela oferece um melhor delineamento das estruturas ósseas da base do crânio e esqueleto facial do que a radiografia convencional, além da possibilidade da caracterização de tecidos por meio da densitometria, e de medidas volumétricas dos mesmos. Por outro lado, as imagens por RM são superiores à TC no estudo das vias aéreas superiores dos pacientes com apnéia obstrutiva do sono, em particular por apresentar uma excelente resolução do espaço aéreo e dos tecidos moles (especialmente a gordura) e obtenção de imagens diretas em todos os planos anatômicos sem mudar o paciente de posição e sem a utilização de radiação ionizante.

A imagem por RM além de ser superior à TC na diferenciação dos tecidos moles, o é também por fornecer informações fisiológicas além das anatômicas. Especial destaque tem sido dado à RM no estudo da ATM. A TC fornece excelentes imagens dos componentes ósseos da articulação, especialmente para a detecção de sítios de destruição óssea incipientes, mas apenas as imagens por RM permitem uma visualização do disco articular e seus ligamentos. A acurácia da RM para o diagnóstico do posicionamento do disco tem atingido 95%. Além disso, é a única modalidade que identifica a presença de efusão e alterações da medula óssea condilar, sinais que tem sido associados ao aumento da dor articular.

Não se pode esquecer que, por mais que essas técnicas envolvam alta tecnologia, elas continuam sendo exames complementares, cuja indicação deve estar baseada em um criterioso exame clínico do paciente e análise individual do custo benefício das mesmas.

Os resultados das imagens não correspondem, necessariamente, aos sinais e sintomas do paciente. O investimento na inter-relação clínico radiologista é uma ação determinante para a diferenciação profissional do generalista ou do especialista.


Link do Artigo na Integra via Scielo:

domingo, 15 de março de 2009

Pensamento da Semana


"O único lugar onde o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário ! "


Albert Einstein

1879 - 1955

quarta-feira, 11 de março de 2009

Influência do atrito nas superfícies articulares da ATM com Articular Disco: Um Abordagem teórica com Método de Elementos Finitos






Neste artigo de 2003, publicado pela Angle Orthodontics, pelos autores Rodrigo del Pozo; Eiji Tanaka; Masao Tanaka; Masaaki Kato; Tatsunori Iwabe; Miho Hirose; Kazuo Tanne; da Hiroshima University Graduate School of Biomedical Sciences, Hiroshima, Japão. Mostram atraves de calculos com o metodo de elementos finitos todo funcionamento da ATM em pacientes.

O presente estudo foi realizado para avaliar o estresse e deslocamento do disco da articulação temporomandibular (ATM) durante abertura mandibular, com diferentes coeficientes de atrito (m) de 0,0001 a 0,5; no disco da ATM e componentes das interfaces ósseas tridimensionais utilizando elementos finitos (FE), modelos de cada ATM foram captados baseados em imagens de ressonância magnética (RM).

Pacientes voluntárias assintomáticas, com deslocamento anterior do disco articular, sem redução foram selecionadas, e imagens obitidas por "fatias" em Ressonância Magnética (RM), foram utilizadas para a reconstrução ATM. O movimento condilar foi registrado durante a abertura mandíbular por um Gnato-hexagraph e usado como a condição de carga estresse para a posterior análise do modelo.

Em pacientes assintomáticas, foram observados nas regiões anterior e lateral do disco durante a abertura da mandibula, contatos com a fossa glenóide, exibiu menor do que as tensões sobre o côndilo.

Nas sintomáticas, embora o valor estresse do disco tenha sido relativamente baixo, a parte posterior do tecido exibiram alta tensão em toda a abertura mandíbular. Incrementos adicinais nos valores do estresse do deslocamento do disco foi observado, o coeficiente de atrito aumentou, especialmente nos casos assintomáticos.

Os autores concluiram que houve um aumento gradual dos valores do estresse não apenas devido à abertura mandíbula, mas também devido a um incremento na o coeficiente de atrito. Assume-se que um aumento no atrito entre o disco, fossa glenóide e côndilo produz um incremento na distribuição do stress, presumivelmente conduzindo a um deslocamento histoquímicas do disco em uma posição anterior


Link do artigo na Integra via Angle Orthodontics:

terça-feira, 10 de março de 2009

L'il Palates® Sweepers


Isso mesmo: Vassouras de palato, ou varredores de palatos segundo o professor google translator.
Miudezas, bugiganga, troças. São muitas as denominações para aparatos como estes. No entanto, a vida seria um pouco triste (ao menos para mim) caso não existissem essas coisas nas prateleiras das dentais ou nas páginas da web.
Muitos pacientes reclamam da impacção alimentar entre o palato e os aparelhos disjuntores. Para resolver isso utilizamos muitos artifícios, como a escova interdental, etc.
Para o público jovem este brinquedinho veio mesmo a calhar:






Um dispositivo projetado para remover comida presa entre um aparelho ortodôntico fixo (disjuntores palatais, Mara, Herbst, etc.) e gengivas, palato e dentes.

L'il Palates® Sweepers mantêm palatos em expansão saudáveis.

Finalmente existe um dispositivo de uso fácil para limpar entre um disjuntor e o palato. Este "varredor de plástico" é extremamente fino e flexível, permitindo a ele tomar a forma da curva do palato. Sua flexibilidade o faz confortável ao palato e confere agilidade para alcançar áreas onde o alimento fica preso.


Os L'il Palates® Sweepers dobram como um canivete e vem com seis opções de adereços.




Vídeos e texto adaptado retirados do site do fabricante: http://www.dentalartandscience.com/lilpalates/whatis.html


segunda-feira, 9 de março de 2009

03 meses de Blog






Na realidade este Blog foi criado, 15 dias após a minha conclusão da especialização em Ortodontia. Conversando com o colega de turma e amigo Wendel Shibasaki, vi que precisávamos de alguma motivação para continuar estudando, e ai surgiu a idéia do Blog. No qual todos os dias nos obrigaria a postar artigos de livre acesso disponibilizado na Internet, em paralelo a isso novos produtos e o histórico da nossa especialidade.

Hoje 09/03/09, fazem 03 meses que o Blog foi posto no ar, e para minha surpresa percebi que colegas de todo Brasil e de outros países, vem acompanhando diariamente as suas atualizações. Inclusive comentando as postagens, espero que mais e mais colegas participem também, tornando o espaço mais interativo. E trocando experiências.


Números do Blog:

. 03 Meses que está no ar

. 6.200 Visitas até hoje

. 14.500 Paginas visitadas

. 04 Minutos é o tempo médio que o visitante fica linkado ao Blog

. 75 Países Visitantes

. 163 Cidades Brasileiras Visitantes

Fonte: Google Analytics


Espero que os assuntos abordados no Blog estejam enriquecendo cada dia mais a todos que visitam este espaço. Para desta forma, beneficiar aqueles que nos procuram diariamente com o intuito de solucionar seus problemas. Nossos Pacientes!


Abraços a todos,
Marlos Loiola

domingo, 8 de março de 2009

Por que a Odontologia se transformou numa profissão de mulheres?




Um artigo antigo, mas ainda muito atual, sobre como a mulher tem se tornado predominante no campo da odontologia. Nosso Blog o republica em comemoração ao dia internacional da mulher.


Parabéns a todas as mulheres da ortodontia, odontologia e frequentadoras desse blog!!!


Este estudo teve por objetivo identificar os fatores que levaram a Odontologia a transformar-se numa profissão com predomínio de profissionais do sexo feminino. Analisamos a identidade feminina nos aspectos biológicos, psicossociais e sua relação com a reprodução da força de trabalho. Em conclusão, podemos afirmar que o processo de transformação deve-se a um conjunto de fatores econômico-culturais e relaciona-se à busca pela igualdade de direitos sociais.


Conclusão:

Tentamos mostrar a fronteira existente entre o agir e pensar. Nós, mulheres, vivemos obscurecidas e interpretadas por um emaranhado de definições e explicações que muitas vezes não retratam a verdade.

Precisamos estabelecer distinções entre o que realmente a mulher reinvindica com as exigências e comportamento impostos pela sociedade.

O conflito por nós vivenciado é a chance de reconhecer o caráter ambíguo que nos colocamos.
A discriminação da mulher que marca o período circunscrito pelo autoritarismo masculino remete-nos ao desafio de redesenhar a lógica do agir e pensar, reorientando nossos legítimos interesses e ideologias.

Portanto, a Odontologia, através de seu conteúdo e prática, nunca se revelou como sendo uma profissão de homens. A exigência da força física, maior resistência ao sofrimento humano e "sangue frio" para intervenções cirúrgicas, originam-se numa determinação cultural de que a mulher, pelas suas características físicas, não poderia exercê-la. Coube à sociedade, e não à Biologia, determinar os papéis para os sexos.

A rotulação da Odontologia como profissão masculina suportava as idéias da sociedade patriarcal que mantinha a mulher adstrita ao lar.

Sabemos que o físico não interfere na execução dos procedimentos odontológicos e as "parteiras" e as enfermeiras no front das guerras demonstram como suportar tanto sofrimento e dor que assolam tais situações.

Como não influenciava no poder, a mulher não era premissa a ser letrada, logo seu ingresso às Universidades não tinha razão de ser, e, quando obteve tal oportunidade, preferiu a área de saúde por esta não provocar o rompimento com suas atividades do âmbito doméstico.

A pediatria e a dentística, como sendo as especialidades que mais tendem às mulheres, vêm ao encontro de suas propaladas características de bondade, paciência, saber ouvir, cuidar de crianças (pediatria) e serviços que requerem habilidades manuais (dentística).

Até hoje, o homem que opta por pediatria e a mulher, por cirurgia, são olhados de esguelha.

A tendência à "feminilização" no setor saúde, registrada no período pós-setenta, representa as mudanças verificadas na estrutura produtiva do capitalismo. A hegemonia patriarcal adstringiu a mulher ao lar enquanto não interessava ao capitalismo sua mão-de-obra. O modo de produção foi cedendo lugar ao modo de vida. Frente à expansão de interesses econômicos, a mulher foi requisitada com menores salários e dupla jornada.

Os movimentos sociais sacudiram e desmistificaram várias teorias e com elas a mulher configura seu novo tempo.

Logo, o aumento de sua participação como força de trabalho resulta do apelo do crescimento do sistema econômico, restando-lhe lutar pelo reconhecimento do direito de ter direitos.


Silvia Braga Rabello- Aluna do Curso de Especialização em Educação em Saúde Pública (FO – UFF)
Carla Valéria C.Godoy- Mestranda em Odontologia Social (FO – UFF)
Wilton W. N. Padilha- Professor Titular de Clínica Integrada (FO – UFF
)


Artigo publicado na Revista Brasileira de Odontologia - Março / Abril 2000, volume 57, número 2


Pensamento da Semana


"Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo. Por isso aprendemos sempre."


Paulo Freire
1921-1997

quinta-feira, 5 de março de 2009

Historia da Ortodontia - Norman W. Kingsley


Após 1850 apareceram os primeiros tratados que descreveram a ortodontia de maneira sistemática, o mais notável destes foi o de Norman W. Kingsley (1825–1896) um dentista, escritor, escultor e artista - Escreveu o "Tratado de deformidades orais" (1880) . Este tratado de Ortodonti possuia as etiologias, diagnosticos e planos de tratamentos fundamentdos para pratica da especialidade. Kingsley influenciou significativamente a odontologia americana durante a última metade do século XIX. Apesar das suas contribuições e de seus contemporâneos, a ênfase da Ortodontia permaneceu no alinhamento dos dentes e na correção das suas proporções faciais, prestando-se pouca atenção à oclusão dentária. Numa época em que a dentição intacta era uma raridade, os detalhes de relações oclusais eram considerados sem importância.

Ele desenvolveu a tração occipital (1879), introduzindo definitivamente a força extrabucal aplicada sobre o arco superior (Já mostrado anteriormente aqui no Blog) e o tratamento das fendas palatinas. Foi também o primeiro ortodontista a usar a vulcanite para construir o seu histórico plano inclinado. Sua fama como dentista quase foi ofuscada pelos seus talentos como artista e escultor.


Links sobre Kingsley:
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http://quod.lib.umich.edu/cgi/t/text/pageviewer-idx?c=dencos;cc=dencos;view=image;rgn=main;node=acf8385.0017.001%3A52;idno=acf8385.0017.001;seq=181;page=root;size=s;frm=frameset;
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http://quod.lib.umich.edu/cgi/t/text/pageviewer-idx?c=dencos;cc=dencos;view=image;rgn=main;node=acf8385.0014.001%3A28;idno=acf8385.0014.001;seq=77
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http://quod.lib.umich.edu/cgi/t/text/pageviewer-idx?c=dencos;cc=dencos;view=image;rgn=main;node=acf8385.0036.001%3A289;idno=acf8385.0036.001;seq=785
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quarta-feira, 4 de março de 2009

BiteStrip® - Polissonografia portátil - Identificador de Buxismo noturno


















Este produto nada mais é que um tipo de "medidor" do nivel de bruxismo, ele é utilizado a noite, durante o sono e no final, seu visor mostra nivel de bruxismo do paciente (Ausente, leve, moderado e severo). Produto interessante, não encontrei nenhuma pesquisa cientifica a respeito deste produto.

A empresa que o representa descreve o BiteStrip®:

O BiteStrip® e um aparelho preciso e de baixo custo, de uso domestico, que tem como objetivo auxiliar na avaliação da atividade noturna excessiva dos músculos mastigatórios, conhecida como bruxismo. O BiteStrip® geralmente e indicado para uso por profissionais que trabalham com dor orofacial ou por cirurgiões-dentistas, para avaliar o nível de atividade noturna dos músculos mastigatórios, que pode estar relacionado com bruxismo, desordens têmporo-mandibulares (DTM) ou outras desordens oro - funcionais durante o sono. O BiteStrip® pode auxiliar na determinação da existência e da freqüência do bruxismo. Com essa informação, o profissional pode efetivamente educar o paciente e estabelecer o plano de tratamento adequado.

As etapas de uso do BiteStrip®:

1) Utilizar o aplicador embebido em solução alcoólica, limpando a pele na região do masséter onde o BiteStrip® será colado. Limpar com o segundo aplicador a superfície do mostrador do BiteStrip® antes de iniciar o estudo. Uma luz vermelha ascenderá automaticamente e temporariamente;

2) Colar o adesivo verde sobre a superfície do display e a luz vermelha começará a piscar;

3) Colar o BiteStrip® sobre a pele na região do músculo masséter. Aperte os dentes para sentir a contração deste músculo e assim determinar com precisão onde o BiteStrip® será posicionado na face. A luz vermelha se apagará após alguns segundos;

4) Calibração do BiteStrip®. Utilizando a espátula de madeira do kit, apertar os dentes o mais forte possível por 2 segundos e então relaxe.É preciso que se repita esta operação mais duas vezes, pois são necessários 3 apertamentos voluntários máximos (MVC) dos dentes para a correta calibração do dispositivo. A luz vermelha piscará a cada mordida. Se a luz não piscar, cuidadosamente remova o BiteStrip® e reposicione-o para que ele possa captar as contrações do masséter. A partir desta phase só após 20 minutos, começa a contagem dos incidentes do Bruxismo.

5) Após às 5 horas no minimo, ao despertar o BiteStrip® é removido e a luz ascenderá para indicar o fim do estudo. O estudo pode durar mais que 5 horas não superando 12 horas em total É muito importante que o adesivo verde não seja removido antes de 30 minutos da remoção do BiteStrip®. NÃO REMOVER O ADESIVO ANTES! A leitura do resultado só pode ser feita após este tempo;

O mostrador e permanente e o BiteStrip® pode ser mantido como parte dos dados medicos do paciente. Sensores ineficientes (BAD SENSOR) indicam defeitos tecnicos, resultando ausencia de mudanca de cor dos segmentos. O aparelho sera substituido dentro da garantia. Exame ineficiente (BAD STUDY) indica um exame muito curto (menos de quatro horas) ou muito longo (mais de 12 horas).Um estudo muito curto pode ocorrer quando o sensor e inadvertidamente deslocado do seu local durante o noite, ou quando o paciente o remove durante o sono. O teste e considerado invalido devido ao tempo de coleta de dados ser insuficiente.Pode usar o leitor cor de laranja se o resultado esta confuso. Posicione o cartao sobre o display para tornar a leitura mais facil.

As vantagens do BiteStrip®:

• Dados coletados no lar, no ambiente natural do sono.

• Fácil de usar, descartável.

• Baixo custo.

• Preciso, excelente correlação com dados laboratoriais de polissonografia.

• Pequeno, leve.

• Resultados instantâneos e permanentes.Sendo o BiteStrip® descartável, permitiu que o fizéssemos com um preço acessível e muito mais simples de operar que qualquer outro sistema reutilizável. Outras vantagens:

• Não é necessário investir em equipamento EMG ou de sono de preço elevado.

• Não é necessária a manutenção, seguro ou troca de peças.

• Não é necessário recarregar baterias, operar PCs, ou qualquer outro manuseio.

• Não é necessário operar uma unidade para a entrega do dispositivo ao paciente trazê-lo de volta.

• Habilidade para testar com o maior número de pacientes possível, como requerido toda noite.

Links ligados ao produto:
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terça-feira, 3 de março de 2009

Freqüência de relatos de parafunções nos subgrupos diagnósticos de DTM de acordo com os critérios diagnósticos para pesquisa em DTMs




Neste artigo de 2008, publicado pela Dental Press, pelos autores Raquel Stumpf Branco, Carla Stumpf Branco, Ricardo de Souza Tesch, Abrão Rapoport; da Faculdade de Medicina devPetrópolis - Rio de Janeiro. Mostram neste artigo as formas de manifestações das DTMs, periodicidade e outras particularidades.

As disfunções temporomandibulares (DTM) podem ser definidas como um conjunto de condições
dolorosas e/ou disfuncionais, que envolvem os músculos da mastigação e/ou as articulações temporomandibulares (ATM). Estas condições não possuem etiologia ou justificativa biológica comum e, desta forma, caracterizam um grupo heterogêneo de problemas de saúde. Seus sintomas característicos são: dor à palpação muscular e/ou articular, função mandibular limitada e ruídos articulares, com a prevalência total destes sintomas atingindo mais de 75% da população adulta.

A falta de um perfeito entendimento da relação entre fatores etiológicos e mecanismos fisiopatológicos envolvidos em cada subgrupo de DTM determina que sua classificação atual seja preferivelmente baseada em seus sinais e sintomas do que em sua etiologia. Atualmente, o “Critério Diagnóstico para Pesquisa em Disfunção Temporomandibular” (RDC/TMD) oferece a melhor classificação para DTM, já que inclui não apenas métodos para a classificação diagnóstica física das DTMs, presentes no seu eixo I, mas ao mesmo tempo métodos para avaliar a intensidade e severidade da dor crônica e os níveis de sintomas depressivos, presentes no seu eixo II.

Denomina-se hábitos parafuncionais aqueles não relacionados à execução das funções normais do sistema estomatognático, como a deglutição, mastigação e fonação. Segundo MacFarlane et al., fatores mecânicos locais, como os hábitos parafuncionais, apresentam papel importante na etiologia da dor orofacial, podendo sua influência variar segundo a tolerância do paciente à dor e suas diferentes respostas bioquímicas e fisiológicas a estes fatores. Para Molina et al., dentre os hábitos orais que afetam as estruturas mastigatórias está o hábito de ranger ou apertar os dentes, também denominado de bruxismo.

De acordo com a Academia Americana de Dor Orofacial e a Associação Americana de Desordens do Sono, o bruxismo é caracterizado por atividade parafuncional noturna e/ou diurna involuntária dos músculos mastigatórios, rítmica ou espasmódica, podendo apresentar apertamento e/ou ranger dos dentes. Hereditariedade, fumo e excesso de consumo de café são alguns fatores de risco para o desenvolvimento do bruxismo.

O termo bruxismo do sono é preferencialmente utilizado no lugar de bruxismo noturno, pelo fato das pessoas rangerem ou apertarem os dentes quando dormem, de dia ou à noite. É reconhecido como um problema clínico há décadas, embora sua fisiopatologia permaneça controversa. Carlsson et al. sugeriram que o bruxismo tem regulação central e não periférica. Num episódio de bruxismo, o cérebro é primeiramente ativado, depois é notada uma aceleração cardíaca autonômica e, então, a musculatura mastigatória é fortemente ativada.

Evidências sugerem que os episódios de bruxismo do sono estão intimamente relacionados ao aumento das atividades eletroencefalográfica, eletromiográfica e freqüência cardíaca, que são parte dos micro-despertares freqüentes durante o sono. Cerca de 60% dos indivíduos normais apresentam atividade involuntária rítmica da musculatura mastigatória, que ocorre a uma freqüência de 1,8 episódios por hora de sono, a qual pode estar associada à necessidade de estímulo da produção de saliva durante a noite. Em pacientes com bruxismo do sono esta atividade é 3 vezes mais freqüente, as contrações musculares de maior amplitude e acompanhadas de ruídos dentários.

Como descrito por Kato el al., o Critério Diagnóstico Polissonográfico de Pesquisa para o Bruxismo do Sono investiga a atividade eletromiográfica em músculos mastigatórios (masseter ou temporal) e o tipo de episódio de bruxismo do sono (que pode ser fásico, tônico ou misto). Os registros laboratoriais incluem eletroencefalografia, eletromiografia, eletrocardiograma e sensor térmico, simultâneos com gravações audiovisuais, oferecendo registros altamente controlados para que outras desordens do sono possam ser descartadas e o bruxismo seja discriminado de outras atividades orofaciais que ocorrem durante o sono. Com o estudo polissonográfico, o diagnóstico clínico do bruxismo é corretamente proposto em 83,3% dos bruxômanos. Entretanto, embora mais confiáveis, têm sua utilidade diagnóstica limitada por sua complexidade de realização e alto custo.

O bruxismo pode também ser clinicamente diagnosticado pela presença de desgaste dentário superior ao considerado normal para a idade, havendo, no entanto, necessidade de diferenciálo do desgaste causado por outros fatores, como dieta específica ou outros hábitos orais. Muitas vezes desgastes dentários evidentes clinicamente não têm correlação com o nível do bruxismo no presente momento, podendo representar registro acumulativo de desgastes parafuncionais e funcionais, pois 40% da população saudável e que não range os dentes apresentam desgastes dentários.

As pressões intra-articulares maiores que 40mmHg ultrapassam a pressão dos capilares periféricos e podem causar hipóxia intra-articular temporária, seguida pela re-oxigenação, uma vez que o apertamento é interrompido, com uma resultante liberação de radicais livres. Ao avaliar os níveis de pressão intra-articular presentes nas ATM dos pacientes que estavam acordados e foram submetidos ao procedimento de artrocentese, Nitzan encontrou que o apertamento voluntário dos dentes produziu altos níveis de pressão intraarticular, maiores que 200mmHg. Existe um dano direto aos componentes do tecido celular e extracelular causados por radicais livres, como o aumento na fricção pela diminuição da lubrificação articular adequada, o que poderia, hipoteticamente, levar ao início do processo de deslocamento anterior do disco articular, como descrito em detalhes por Nitzan.

Citosinas pró-inflamatórias foram isoladas de amostras do líquido sinovial colhido da ATM de indivíduos sintomáticos, fato provavelmente relacionado a evidências recentes demonstrando que os radicais livres podem estimular a síntese celular destas proteínas, promovendo um importante efeito pró-inflamatório e de decomposição da estrutura extracelular envolvida no processo de degeneração articular.

Estudos sobre a influência das parafunções na dor orofacial são ainda limitados, porém indicam que o início das DTMs dolorosas possivelmente esteja relacionado ao acúmulo de carga proveniente de hábitos parafuncionais sobre as estruturas do sistema estomatognático. Pesquisas têm sido desenvolvidas no intuito de estabelecer a relaçãoentre parafunções orais, como o bruxismo e o apertamento dentário, e o início ou agravamento de dores orofaciais, mais especificamente da dor muscular mastigatória e artralgia temporomandibular, acompanhada ou não de alterações degenerativas.

No presente estudo, o relato de bruxismo do sono apresentou freqüência de ocorrência inferior (55,5 %) à apresentada pelo relato de apertamento dentário (64,8%). Quando cada diagnóstico do RDC/TMD foi avaliado, associado ou não a outros diagnósticos, a parafunção diurna também foi mais freqüentemente relatada que a do sono. Para Kato et al., o bruxismo avaliado através do autorelato pode ser subestimado. Segundo Chung et al. , cerca de 70% dos pacientes com bruxismo do sono não têm conhecimento deste hábito. Como a parafunção diurna acontece com o indivíduo desperto, torna-se mais fácil sua percepção e, conseqüentemente, seu auto-relato é mais freqüente em relação ao bruxismo do sono.

O presente trabalho demonstrou que o relato associado de ambas as parafunções, diurna e do sono, é mais freqüente em todos os subgrupos diagnósticos do que a presença individual de cada uma. Como previamente demonstrado, pacientes com DTM apresentam níveis elevados de atividade nos músculos masseter e temporal em repouso, da mesma forma que pacientes com cefaléia do tipo tensão.

As parafunções orais avaliadas no presente estudo podem ser identificadas clinicamente e, portanto, o profissional de saúde deve investigar sinais e sintomas possivelmente relacionados a estas patologias que, uma vez identificadas, devem ser tratadas como fatores de risco para o desenvolvimento das diferentes formas de DTM. Para tal, os protocolos terapêuticos devem ser instituídos com o objetivo de controlar a manifestação destas atividades parafuncionais ou, pelo menos, seus efeitos sobre o sistema estomatognático como forma de prevenção do desenvolvimento de DTM.


Link do Artigo na Integra via Scielo:

segunda-feira, 2 de março de 2009

Ressonância magnética nos desarranjos internos da ATM: sensibilidade e especificidade



Neste artigo de 2008, publicado pela Dental Press, pelos autores Patrícia dos Santos Calderon, Kátia Rodrigues Reis, Carlos dos Reis Pereira Araújo, José Henrique Rubo, Paulo César Rodrigues Conti; da FOB/USP - Bauru - São Paulo. Fazem uma boa revisão de litaratura sobre uma das grandes fronteiras da Odontologia a ATM.

Desarranjos internos da ATM acontecem quando há um relacionamento anatômico anormal entre disco, côndilo e eminência articular. Os fatores etiológicos de tais desarranjos são, normalmente, traumas ou alterações na zona bilaminar. Esses desarranjos envolvem, em sua maioria, deslocamentos para anterior do disco articular, com ou sem redução. Nos estágios iniciais, quando o indivíduo executa a abertura bucal, o disco reassume sua posição, caracterizando um deslocamento do disco com redução (DDCR), que temcomo característica principal o estalido durante a abertura. Com o tempo, o disco se desloca cada vez mais para anterior e tem sua forma alterada a redução, nesses casos, ocorre no final da abertura, caracterizada por estalido tardio.

Com a progressão do desarranjo, o disco se tornará anterior ao côndilo durante todo o movimento de abertura bucal, podendo apresentar uma forma biconvexa. Esse quadro é denominado deslocamento do disco sem redução (DDSR), caracterizado pela ausência de estalido (com história anterior de estalido), história de travamento durante abertura bucal e dor na região da ATM. Esse quadro pode progredir para um deslocamento sem redução crônico, onde a sintomatologia e a limitação de movimentos já não existem mais, pela adaptação dos tecidos retrodiscais, porém o disco permanece deslocado e disforme.

Os desarranjos internos da ATM são um problema de saúde significante, tanto pelo impacto que causam nos indivíduos que os têm, quanto pela sua incidência (por volta de 28% da população, em algum estágio da vida). Infelizmente, a posição do disco não pode ser seguramente detectada somente pelo exame clínico. Alguns meios de diagnóstico são utilizados para tal finalidade, como a artrografia diagnóstica e a ressonância magnética (RM).

A RM é o meio mais indicado para avaliação da posição do disco, por ser um exame de diagnóstico por imagem no qual, após adquirir conhecimento técnico e científico, o examinador pode identificar os tecidos com facilidade, além de não ser um exame invasivo.

É muito importante saber indicar um exame diagnóstico e conhecer quão sensível e específico ele é para o que queremos determinar. A conduta ideal frente ao paciente com desarranjo interno da ATM é obter o maior número de informações clínicas, solicitando um exame de imagem somente
quando existir dúvida no diagnóstico, e quando tal imagem possa mudar o plano de tratamento estabelecido.

Os estudos, encontrados na literatura, que avaliam a RM no diagnóstico dos desarranjos internos, na sua maioria, utilizam em sua metodologia achados em cadáveres comparados aos achados de RM, ou achados de RM comparados aos achados clínicos, utilizados nesses casos como “Gold Standard”. Os estudos que utilizam cadáveres como “Gold Standard” são mais antigos, talvez por problemas éticos envolvidos na utilização dessa metodologia. Os achados desses estudos são bastante semelhantes entre si, sendo, normalmente, encontrado que a RM é um bom exame para detecção de desarranjos internos na ATM.

As metodologias aplicadas nos artigos que utilizam cadáveres apresentam diversas limitações, como: falta de informações clínicas sobre os indivíduos, idade avançada dos indivíduos, impossibilidade de avaliar alterações inflamatórias, impossibilidade de utilizar imagens de boca aberta, e diferenças no contraste das imagens de RM. Além disso, a distribuição entre idade e gênero seria normalmente desigual nessas pesquisas. Tais limitações devem ser previamente conhecidas para que os resultados dessas pesquisas sejam interpretados com cautela, antes de serem aplicados clinicamente. A verdade é que o “Gold Standard” ideal para esse tipo de pesquisa seria a abertura cirúrgica da ATM, que, por sua vez, também possui diversas restrições, como: possibilidade de pequena abertura bucal - muitas vezes sendo realizada pelo profissional, podendo diferir da real trajetória de abertura do paciente - falta de acesso, principalmente da região medial da ATM, e amostras formadas apenas por ATM anormais. Portanto, para a realização de pesquisas futuras como essas, o ideal seria a utilização de cadáveres frescos, o que superaria as limitações já citadas anteriormente.

Apesar disso, a realização de tais pesquisas foi imprescindível para sanar dúvidas sobre o fato da RM poder ou não ser considerada como um “Gold Standard” para diagnóstico de desarranjos internos da ATM. Para isso, é preciso avaliar os resultados encontrados e calcular os valores de sensibilidade e especificidade, sabendo que o mínimo aceitável para um teste diagnóstico é 70% de sensibilidade e 80% de especificidade.

Os diagnósticos de desarranjos internos por RM comparados aos achados anatômicos encontrados em 04 artigos demonstraram que, dentre as 95 ATM estudadas, 37 foram negativos verdadeiros, 48 positivos verdadeiros, 5 falsos negativos e 5 falsos positivos, com isso, aplicando-se a fórmula para calcular tais propriedades, encontrou-se sensibilidade de 90% e especificidade de 88% da RM para desarranjos internos da ATM. Portanto, a RM é um bom exame para diagnóstico de desarranjos internos da ATM.

Entretanto, a utilização de RM como “Gold Standard” para desarranjos internos da ATM deve ser realizada com cautela, pois esse não é um teste 100% confiável para essa finalidade. Apesar de ser o meio mais indicado para avaliação da posição do disco articular, algumas precauções devem ser tomadas quando se avalia uma imagem de RM de ATM, como: a dificuldade em se observar perfurações e aderências, dificuldade de interpretação em regiões extremamente laterais ou mediais. Aliado a essas precauções alguns artifícios que dificultariam erros de diagnóstico em RM de ATM seriam a utilização de RM com cortes menos espessos, a associação de imagens sagitais e coronais e menor campo de visão da imagem.

CONCLUSÕES:

O exame de RM de ATM possui ótima sensibilidade e especificidade para o diagnóstico dos desarranjos internos da ATM;

A utilização de tal exame como “Gold Standard” para o diagnóstico dos desarranjos internos da ATM deve ser feita com cautela;

Se, após a realização de anamnese detalhada e minucioso exame físico do paciente com desarranjos internos, não se conseguir definir um plano de tratamento devido à inconsistência do diagnóstico obtido, deve-se então partir para exames complementares de imagem, como a RM.


Link do Artigo na Integra via Scielo:

domingo, 1 de março de 2009

Pensamento da Semana




"A verdadeira ignorância não é a ausência de conhecimento, mas a recusa em conhecer."


Karl Popper
1902 - 1994