ORTODONTIA CONTEMPORÂNEA: Biomecânica
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segunda-feira, 28 de setembro de 2020

A biomecânica de expansão do arco maxilar posterior utilizando aparelhos fixos vestibulares e linguais

 



Neste artigo de 2020, publicado na Angle Orthodontist, pelos autores Harsimrat Kaur; Brandon Owen; Bill Tran; Raymond Guan; Jeramy Luo; Alexander Granley; Jason P. Carey; Paul W. Major; Dan L. Romanyk. Do Department of Dentistry, Faculty of Medicine and Dentistry, University of Alberta, Edmonton, Alberta, Canada e do Department of Mechanical Engineering, Faculty of Engineering, University of Alberta, Edmonton, Alberta, Canada. Teve o objetivo de comparar a biomecânica dos sistemas de arco vestibular reto, lingual reto e lingual em cogumelo quando usados na expansão do arco posterior.

Um simulador ortodôntico eletromecânico que permite deslocamentos vestibulo/linguais e verticais de dentes individuais em que realiza medições tridimensionais de força / momento foi instrumentado com dentes anatômicos para o arco superior. Os braquetes In-Ovation L foram colados às superfícies linguais e os braquetes Carriere SLX às superfícies vestibulares para garantir a consistência das dimensões da fenda. Os arcos de TMA foram dobrados em uma forma de arco ideal e os dentes no simulador ortodôntico foram colocados em uma posição passiva. Os dentes posteriores do canino ao segundo molar foram movidos lingualmente para replicar um arco contraído. Da posição contraída, os dentes posteriores foram movidos simultaneamente até que a força expansiva diminuísse abaixo de 0,2 N. Os sistemas de força / momento inicial e a quantidade de expansão prevista foram comparados para os dentes posteriores a um nível de significância.

O tipo de arco afetou tanto a expansão esperada quanto os sistemas de força/momento iniciais produzidos na posição contraída. Em geral, os sistemas linguais produziram a maior expansão. Os sistemas de arcos não foram capazes de retornar os dentes à sua posição ideal, com o sistema mais próximo alcançando 41% da expansão pretendida.

Os Autores concluiram que em geral, os sistemas linguais foram capazes de produzir maior expansão nas regiões posteriores quando comparados aos sistemas vestibulares. No entanto, menos da metade da expansão do arco pretendida foi alcançada com todos os sistemas testados.


Link do Artigo na integra via Angle Orthodontist:

https://meridian.allenpress.com/angle-orthodontist/article/90/5/688/438698/The-biomechanics-of-posterior-maxillary-arch

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Molas feitas de TMA também "cansam"?


 A técnica do arco segmentado (TAS) se utiliza de alças pré-calibradas para realizar os movimentos dentários desejados, o que dimunui imprevistos entre as consultas e uma maior previsibilidade no tratamento. Para o fechamento de espaços, a TAS prioriza o uso de molas T, que foram desenvolvidas a partir da evolução da alça vertical, e desde então diversos estudos tentam aprimorar o uso dessas molas. Apesar de suas vantagens, as molas T não são a primeira escolha para realizar o fechamento de espaços entre os ortodontistas brasileiros. Mesmo assim, entender os conceitos envolvidos é importante independente da mecânica utilizada.

Nesse aspecto o recente artigo brasileiro publicado na Angle Orthodontist “Effects of stress relaxation in beta-titanium orthodontic loops: Part II” avaliou o efeito do relaxamento de tensão nessas molas, que pode alterar a mecânica pré-estabelecida, e identificou onde tal efeito ocorre.

Autores: Roberto S.S. Júnior; Sergei G.F.R. Caldas; Lídia P. Martins; Renato P. Martins


O relaxamento de tensão é a deformação sofrida por um determinado material quando submetido a uma carga ou estresse constante dentro do seu limite elástico. Por exemplo, imagine uma mola que possui um limite elástico de 100g (só sofrerá deformação quando for submetida a uma tensão maior ou igual a 100g), sendo submetida a uma tensão constante de 50g (abaixo de seu limite elástico) por um certo período de tempo. Essa tensão constante ao longo do tempo irá causar a deformação plástica (permanente). Esse processo acomete as molas T quando aplicadas clinicamente, uma vez que são submetidas a uma tensão constante até que ocorra o fechamento de espaços. A deformação provocada pelo relaxamento de tensão pode alterar toda a mecânica planejada, fazendo com que o fechamento planejado não ocorra ou ocorra de forma ineficiente.
A literatura já relatou o efeito do relaxamento de tensão em arcos ortodônticos de diferentes ligas metálicas e em molas T, mas ainda não havia sido identificado em qual região da mola o relaxamento de tensão era mais intenso.
O estudo em questão dividiu cada mola em 9 ângulos (figura 1) e mensurou cada ângulo de cada mola antes e após a simulação de uso clínico ao longo de 12 semanas para identificar qual região sofreu maior deformação. Ao realizar a simulação de ativação da mola no Loop software, identifica-se as regiões de alta tensão da mola (figura 2).




Figura 1 – Mola T pré-ativada por dobra com seus ângulos a serem mensurados, enumerado de 1 a 9.


Figura 2 – Simulação da ativação de uma mola T pré-ativada por dobra mostrando uma maior concentração de tensão, indicada pelas setas, nas dobras presentes nas hastes horizontais.

Após a simulação de uso clínico foi observado que o efeito do relaxamento de tensão ocorreu com maior intensidade nas primeiras 24 horas e continuou aumentando, em menor proporção, até o período de 12 semanas. A deformação se concentrou nas regiões de maior tensão da mola (os pares de ângulos 5 e 6, 7 e 8), como observado pela simulação de ativação (figura 2), que representam as regiões onde são realizadas dobras agudas (durante a confecção da mola e para a pré-ativação) (figura 3).


Figura 3 – Gráfico mostrando a variação de cada ângulos nos 5 períodos avaliados.

Os autores concluíram que para diminuir o efeito do relaxamento de tensão em molas T é realizar a pré-ativação por curvatura ao invés da pré-ativação por dobra, de forma que a tensão seja distribuída por toda a extensão da haste horizontal da mola.