ORTODONTIA CONTEMPORÂNEA: Artigos
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segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Implantes extra alveolares: Aço ou Titânio? Gengiva inserida ou mucosa?

Há algum tempo que os implantes infrazigomáticos tem sido usados na ortodontia e isso foi popularizado pelo taiwanês Chris Chang. Seu canal do youtube rapidamente levou sua técnica a milhares de colegas ao redor do mundo. Naquele momento, no Brasil, não tínhamos os implantes de aço inoxidável, os preconizados,  e muitos se perguntavam se poderíamos usar os implantes de titânio.  Agora, o próprio Dr. Chang tenta responder essa pergunta:


Um estudo do Dr. Chris Chang, Joshua Lin e Eugene Roberts objetivou comparar as taxas de falha para parafusos de aço inoxidável e de ligas de titânio colocados na crista infrazigomática (IZC).

Eles usaram total de 386 pacientes consecutivos (76 homens, 310 mulheres; idade média de 24,3 anos, variando de 10,3 a 59,4 anos) que receberam IZC (aço inoxidável ou Ligas de titânio) por meio de um estudo duplo-cego de boca dividida. 
Os implantes ósseos penetraram na gengiva (GENGIVA INSERIDA) ou na mucosa móvel (MM) com 5 mm distante dos tecidos moles. Todos os implantes ósseos foram imediatamente carregados e reativados mensalmente com 397 g aplicadas diretamente no arco superior bilateralmente por 6 meses para retrair a maxila para corrigir a Classe II ou protrusão bimaxilar. Eles acharam,  dos 772 dispositivos, 49 (6,3%) falhas: 27 aço inoxidável  (7,0%) e 22 Ligas de titânio (5,7%). A diferença de 1,3% não foi estatisticamente significativa (P 1⁄4.07). Não houve relação significativa entre falhas de aço inoxidável  ou Ligas de titânio em relação a (1) lado direito vs lado esquerdo, (2) unilateral vs bilateral, ou (3) idade versus fracasso. Significativamente (P, .05) houve aumento nas taxas de falha observadas para os parafusos aço inoxidável  em apenas dois subgrupos: local gengiva inserida (7,4%) e lado direito (7,8%). Falha unilateral ocorreu em 21 pacientes (5,4%), e falhas bilaterais ocorreram em 14 do total de 772 pacientes (1,8%).

                   
Conclusões: A taxa global de sucesso de 93,7% indica que tanto o aço inoxidável quanto o  de titânio são clinicamente aceitáveis para os implantes ósseos IZC.
􏰁Os parafusos de aço colocados na gengiva inserida e no lado direito apresentaram uma taxa de falha leve, mas significativamente maior (P, .05) em comparação com os de titânio.
􏰁Nenhum dos 772 IZC fraturou ou resultou em dor significante.

Para o artigo na íntegra, accesse esse link para a Angle Orthodontist. Não esqueça de fazer uma doação e ajudar a manter essa revista incrível gratuita.


segunda-feira, 30 de julho de 2018

A precisão da mensuração com uma nova técnica radiográfica panorâmica dental baseada em tomossíntese


Noriyuki Kitai; Yousuke Mukai; Manabu Murabayashi; Atsushi Kawabata; Kaei Washino; Masato Matsuoka; Ichirou Shimizu; Akitoshi Katsumata

Department of Orthodontics, School of Dentistry, Asahi University, Gifu, Japan.

Angle Orthod. 2013; 83: 117-126





As radiografias panorâmicas, que permitem uma visão geral das estruturas dentoalveolares com baixo custo e relativamente com baixa exposição, são bastante usadas na clínica e pesquisa dentro da odontologia. As maiores desvantagens desta técnica de imagem são ditas como a irregularidade da distorsão, inconstância da magnificação e por apresentar uma camada fina de imagem.


Nos últimos anos, a tomografia computadorizada (TC) tem sido amplamente utilizado no campo das ciências da saúde. No entanto, a TC pode ser desnecessário dependendo da finalidade de um exame individual.  A metodologia de tomosíntese tem sido considerada como uma alternativa para a CT para optimização da exposição. 

Tomosíntese (cunhado a partir de uma combinação das palavras "tomografia" e "síntese'') é uma tecnologia que reconstrói os cortes tomográficos em qualquer plano desejado. Tomosíntese tem sido aplicada nas radiografias na região dentária. Pode resolver as desvantagens da radiografia panorâmica e fazer imagens desfocadas tornarem-se mais clara. 



No entanto, os detectores, que podem adquirir dados a alta velocidade, não têm estado disponíveis. Como resultado, a radiografia panorâmica usando tomosíntese não tem sido utilizado na prática clínica. Um novo detector semicondutor foi desenvolvido e está agora disponível para a radiografia panorâmica. As radiografias feitas usando a tecnologia tomossíntese mostram pouca ou nenhuma distorção de imagens. Imagens tridimensionais panorâmicas (3D) podem ser obtidas usando uma técnica de mapeamento de imagem. 

A nova radiografia panorâmica é adequado para medições quantitativas, incluindo componentes 3D. Como o material tem uma camada de imagem maior do que a radiografia panorâmica convencional, antecipa-se que o posicionamento da cabeça do paciente terá pouca influência sobre as medições. A fim de avaliar a utilidade clínica da nova tecnologia, um novo equipamento radiográfico panorâmico dentário (QRmaster-P, Telesytems Co Ltd, Osaka, Japão) usado neste estudo para determinar a magnitude dos erros de medição e para investigar a influência de diferentes posições da cabeça do paciente.

Portanto, o objetivo do presente estudo foi investigar os erros de medição e os efeitos de posicionamento da cabeça em medições feitas com equipamentos novos radiografia panorâmica dental que envolve o uso de tecnologia de tomossíntese.



CONCLUSÕES
 Os erros de medição em radiografias feitas utilizando o novo equipamento de radiografia panorâmica dental eram pequenos em qualquer direção.

  Em posições de deslocamento da cabeça de 4 mm,  não teve efeito sobre as medidas de uma variedade de dimensões.

  Em posições de deslocamento da cabeça de 12 mm, as medições de dimensões verticais foram pouco afetados pelo posicionamento da cabeça, enquanto os de dimensões laterais e ântero-posterior foram fortemente afetados.


Para o artigo na íntegra, clique aqui.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

O que será que os pacientes falam, de forma espontânea, sobre braquetes e alinhadores?

Saber se comunicar bem com o paciente pode ser um grande diferencial na vida clínica. Para isso, entender as demandas, expectativas e o que sente os pacientes antes, durante e após o tratamento é muito importante.

Ao serem perguntados sobre sua experiência com os parelhos, os pacientes podem se sentir acanhados para responder abertamente o que sentem. Daí um grupo de pesquisadores Americanos da Virginia Commonwealth University em Richmond, Va, pesquisaram os comentários espontâneos dos usuários do twitter (rede social) para saber o que pensam eles sobre os aparelhos ortodônticos e se eles expressam mais pontos positivos na rede sobre aparelhos tradicionais ou sobre Invisalign. Legal, não!?
Os autores (Daniel Noll ; Brendan Mahon ; Bhavna Shroff ; Caroline Carrico ; Steven J. Lindauer) objetivaram, neste estudo, examinar as experiencias ortodônticas dos paciente com aparelhos tradicionais de braquetes em comparação com as dos que usam Invisalign, por meio de uma análise em grande escala do Twitter. A hipótese nula foi a de que não há diferença entre os sentimentos expressados nos tweets sobre braquetes e Invisalign.

Foi criado um programa personalizado de coleta de dados que coletou tweets contendo as palavras '' braquetes '' ou '' Invisalign '' por um período de 5 meses. Uma análise de classificação de sentimento foi desenvolvida para classificar os tweets em cinco categorias: positivo, negativo, neutro, propagandas, ou não aplicável. Cada categoria então teve seu conteúdo específico analisado.
Resultados: Foram coletados um total de 419.363 tweets aplicáveis à ortodontia. Usuários postaram
Tweets significativamente mais positivos (61%) do que tweets negativos (39%; P .0001). Não houve diferença significativa na distribuição do sentimento positivo e negativo entre braquetes e tweets Invisalign (P .4189). Tweets positivos relacionados à Ortodontia muitas vezes destacou gratidão por um grande sorriso acompanhado com selfies. Tweets ortodônticos negativos freqüentemente focava na dor.


Conclusões: 

  • Os usuários do Twitter compartilharam sentimentos mais positivos do que negativos sobre suas experiências ortodônticas.
  • Não houve diferença significativa na distribuição do sentimento positivo e negativo entre tweets sobre braquetes e tweets sobre Invisalign.
  • Tweets ortodônticos negativos freqüentemente focados na dor.
  • Tweets ortodônticos positivos muitas vezes ressaltou a gratidão por um grande sorriso acompanhado por selfies.
Link para o artigo original aqui.




quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

A Expansão Rápida da Maxila tem efeito na voz?





Assistindo o filme "Sing - Quem canta seus males espanta", em cartaz, vi esse super ratinho cantor. No filme, ele se chama Mike e é um dos destaques de uma competição de canto que centraliza todos os atos desta animação.

Quando ele começou a cantar me surpreendi com o timbre grave da sua voz (ao contrário de outros tantos ratos da televisão e cinema que são dublados com voz aguda) e pensei: Será que ratos com a anatomia tão estreita deveria mesmo ter a voz mais aguda? E mais: Se expandirmos o palato dele com um disjuntor teríamos influência na sua voz?

Esse mês, a Angle Orthodontist apresenta um artigo dos autores, Gizem Yurttadur, Faruk Ayhan Bascıftcı e Kayhan Ozturk, da Turquia, que testaram exatamente o efeito da expansão rápida da maxila na voz.
A hipótese testada nesse estudo foi que a expansão rápida da maxila (ERM) afeta a qualidade da voz pois posiciona a língua mais anteriormente.



20 pacientes com dentição permanente, classe I, com deficiência transversal foram avaliados quando pronunciavam o fonema /a/ antes e após a ERM. Utilizando o teste t pariado para os tempos T1 (antes) e T2 (depois), bem como o teste t independente para os grupos tratado e controle, não foi detectado diferenças na qualidade ou ressonância da voz nos pacientes tratados.

Os autores concluíram que 

é seguro indicar a Expansão Rápida da Maxila para pacientes que temem alterações na voz.

Ufa! Se o Mike do filme aparecer no consultório, não precisa ter receio de indicar a ERM.

Para ver o artigo na íntegra, clique aqui.





quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Molas feitas de TMA também "cansam"?


 A técnica do arco segmentado (TAS) se utiliza de alças pré-calibradas para realizar os movimentos dentários desejados, o que dimunui imprevistos entre as consultas e uma maior previsibilidade no tratamento. Para o fechamento de espaços, a TAS prioriza o uso de molas T, que foram desenvolvidas a partir da evolução da alça vertical, e desde então diversos estudos tentam aprimorar o uso dessas molas. Apesar de suas vantagens, as molas T não são a primeira escolha para realizar o fechamento de espaços entre os ortodontistas brasileiros. Mesmo assim, entender os conceitos envolvidos é importante independente da mecânica utilizada.

Nesse aspecto o recente artigo brasileiro publicado na Angle Orthodontist “Effects of stress relaxation in beta-titanium orthodontic loops: Part II” avaliou o efeito do relaxamento de tensão nessas molas, que pode alterar a mecânica pré-estabelecida, e identificou onde tal efeito ocorre.

Autores: Roberto S.S. Júnior; Sergei G.F.R. Caldas; Lídia P. Martins; Renato P. Martins


O relaxamento de tensão é a deformação sofrida por um determinado material quando submetido a uma carga ou estresse constante dentro do seu limite elástico. Por exemplo, imagine uma mola que possui um limite elástico de 100g (só sofrerá deformação quando for submetida a uma tensão maior ou igual a 100g), sendo submetida a uma tensão constante de 50g (abaixo de seu limite elástico) por um certo período de tempo. Essa tensão constante ao longo do tempo irá causar a deformação plástica (permanente). Esse processo acomete as molas T quando aplicadas clinicamente, uma vez que são submetidas a uma tensão constante até que ocorra o fechamento de espaços. A deformação provocada pelo relaxamento de tensão pode alterar toda a mecânica planejada, fazendo com que o fechamento planejado não ocorra ou ocorra de forma ineficiente.
A literatura já relatou o efeito do relaxamento de tensão em arcos ortodônticos de diferentes ligas metálicas e em molas T, mas ainda não havia sido identificado em qual região da mola o relaxamento de tensão era mais intenso.
O estudo em questão dividiu cada mola em 9 ângulos (figura 1) e mensurou cada ângulo de cada mola antes e após a simulação de uso clínico ao longo de 12 semanas para identificar qual região sofreu maior deformação. Ao realizar a simulação de ativação da mola no Loop software, identifica-se as regiões de alta tensão da mola (figura 2).




Figura 1 – Mola T pré-ativada por dobra com seus ângulos a serem mensurados, enumerado de 1 a 9.


Figura 2 – Simulação da ativação de uma mola T pré-ativada por dobra mostrando uma maior concentração de tensão, indicada pelas setas, nas dobras presentes nas hastes horizontais.

Após a simulação de uso clínico foi observado que o efeito do relaxamento de tensão ocorreu com maior intensidade nas primeiras 24 horas e continuou aumentando, em menor proporção, até o período de 12 semanas. A deformação se concentrou nas regiões de maior tensão da mola (os pares de ângulos 5 e 6, 7 e 8), como observado pela simulação de ativação (figura 2), que representam as regiões onde são realizadas dobras agudas (durante a confecção da mola e para a pré-ativação) (figura 3).


Figura 3 – Gráfico mostrando a variação de cada ângulos nos 5 períodos avaliados.

Os autores concluíram que para diminuir o efeito do relaxamento de tensão em molas T é realizar a pré-ativação por curvatura ao invés da pré-ativação por dobra, de forma que a tensão seja distribuída por toda a extensão da haste horizontal da mola.




segunda-feira, 5 de outubro de 2015

OrtoPodCast Episódio 36 - Folga do fio e slot, Congresso da ABOR, Contenção


Novo episódio do Ortopodcast!

Não sabe o que é um podcast? Leia esse poste que explicamos: (O que é um pode cast)

Neste PodCast falamos sobre o congresso da ABOR nacional, Folga do fio e slot e como instalar a contenção fixa 3-3 inferior!

Grande prazer estar novamente com vocês neste canal de comunicação!

Não deixem de comentar !




Para assinar gratuitamente pela iTunes Store (usuários de iPhone, iPod, iPad ou Mac) clique:


Mas se não quiser assinar, mas apenas escutar este episódio, basta fazer o download abaixo.

Para download, clique aqui

sábado, 28 de junho de 2014

Extrações dentárias em Ortodontia: avaliação de elementos de diagnóstico





Neste artigo de 2010, publicado pelo Dental Press Journal Orthodontics, pelos autores Antônio Carlos de Oliveira Ruellas, Ricardo Martins de Oliveira Ruellas, Fábio Lourenço Romano, Matheus Melo Pithon, Rogério Lacerda dos Santos; do departamento de Ortodontia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Ortodontia da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo (USP). Apresenta casos clínicos e discutir alguns elementos de diagnóstico utilizados na elaboração do plano de tratamento, auxiliando na decisão de extrair dentes.

Não resta dúvida quanto à necessidade de exodontias em pacientes com severa discrepância de modelos, apinhamento, etc. Mas quando se trata de casos limítrofes, usualmente, perdemos algum tempo ponderando as opções. As exodontias jamais poderíam ser indicadas para facilitar a mecânica, mas sempre para oferecer o melhor tratamento ao paciente. Como bem escreveu o autor.
Para os iniciantes na ortodontia, esse artigo pode ser útil como mais um guia de diagnóstico. Para os mais experimentados, a leitura pode ser uma oportunidade de reflexão.

Desde os primórdios da Ortodontia discute-se sobre a necessidade de extrações dentárias em algumas situações ortodônticas. Angle, no início do século XX, defendeu o tratamento ortodôntico
sem extrações baseando-se no conceito da linha de oclusão. Segundo o autor, havia potencial para que os 32 dentes se posicionassem corretamente na arcada dentária e, quando isso acontecia, os tecidos adjacentes (tegumento, osso e músculo) se adaptavam a essa nova posição. Pensando dessa forma, ensinou aos seus alunos e tratou inúmeros casos.

Um dos maiores opositores de Angle foi Calvin Case, que defendia o tratamento ortodôntico com extrações em alguns casos. Relatava que extrações dentárias nunca deveriam ser realizadas com a finalidade de facilitar a mecânica ortodôntica, mas para propiciar o melhor tratamento ao paciente.

Tweed, um dos mais brilhantes alunos da escola de Angle, durante muitos anos seguiu fielmente os conceitos de seu mestre, realizando tratamentos sem extrações dentárias. Como clínico criterioso, observou que muitos de seus casos recidivaram, principalmente aqueles em que os incisivos inferiores não terminavam em posição vertical em relação à base óssea. Dessa forma, retratou pacientes com extrações de quatro pré-molares e obteve melhores resultados estéticos e funcionais. De seguidor fiel, Tweed tornou-se opositor das ideias não-extracionistas de Angle, motivo pelo qual foi criticado pelos ortodontistas da época.

A decisão sobre extrações dentárias vai além da necessidade de obter espaços na arcada, seja para alinhar dentes ou retrair dentes anteriores. Algumas vezes, a extração para alinhar dentes pode comprometer a estética facial, tornando o perfil mais côncavo. Entretanto, obter espaço à custa de movimento distal de dentes posteriores pode também comprometer a estética, tornando o terço inferior mais longo, o que pode resultar em dificuldade de selamento labial. Foram propostos sete itens para serem avaliados como auxiliares nessa decisão e que serviram como guias qualitativos. Ou seja, isso não significa que seis itens favoráveis à extração determinem a sua realização, há casos em que apenas um item pode ser determinante para a decisão.

Cooperação

Todo tratamento ortodôntico necessita de colaboração do paciente como, por exemplo, manter uma higiene bucal adequada, não quebrar ou danificar os acessórios ortodônticos ou, simplesmente, comparecer regularmente às consultas. Porém, para determinados tipos de má oclusão, necessita-se de colaboração adicional para que o tratamento seja executado com sucesso. Para a correção de certos tipos de má oclusão de Classe II, principalmente as de origem esquelética, é necessário o uso de aparelho extrabucal. Também no tratamento de má oclusão de Classe III com deficiência maxilar (paciente com potencial de crescimento), o uso da máscara facial para protração maxilar é um dos tratamentos indicados. É necessário, em grande parte dos tratamentos, o uso de elásticos intermaxilares como auxiliar na correção da má oclusão ou na fase final do tratamento, para intercuspidação, os quais também exigem empenho do paciente em seu uso regular. Todos os recursos citados acima, devido ao comprometimento estético, oferecem dificuldades quanto à aceitação e uso por parte dos pacientes.

Discrepância de modelo

A discrepância de modelo deve ser avaliada tanto na arcada superior quanto na inferior. Mas, para fins de diagnóstico, a arcada inferior é prioridade, devido à maior dificuldade em se obter espaço. Quando o ortodontista se depara com uma discrepância de modelo (DM) negativa acentuada na arcada inferior, dificilmente consegue tratar o paciente sem extrações dentárias. Para pequenas discrepâncias negativas, em grande parte dos casos, o tratamento é realizado sem
extrações.

Discrepância cefalométrica e perfil facial
Em situações de acentuada inclinação vestibular dos incisivos, evidenciando-se grande discrepância cefalométrica (DC) e expressiva convexidade facial, muitas vezes são necessárias extrações para reposicioná-los, refletindo positivamente no perfil do paciente.

Idade esquelética (crescimento ) e relações antero-posteriores

Nas más oclusões com discrepância esquelética, verificar se o paciente ainda apresenta crescimento facial expressivo é de fundamental importância no diagnóstico e prognóstico do caso.
O surto máximo de crescimento puberal ocorre, aproximadamente, por volta dos 11 a 12 anos nas meninas e 13 a 14 anos nos meninos, excetuando-se as variações individuais. O método mais utilizado para avaliação da idade esquelética é a radiografia de mão e punho, analisando-se o tamanho das epífises em relação às diáfises. Caso o paciente se encontre nesse período do desenvolvimento, é possível corrigir uma displasia esquelética com uso de aparelhos com efeitos ortopédicos.

Assimetria dentária

A avaliação das estéticas dentária e facial é item importante no processo de diagnóstico e planejamento do tratamento ortodôntico. Um dos maiores desafios nesse binômio é o correto posicionamento das linhas medianas dentárias superior e inferior entre si e em relação à face.

Padrão facial

Pacientes com diferentes padrões faciais requerem mecânicas diferenciadas e as respostas ao tratamento ortodôntico não são semelhantes. Pacientes dolicofaciais são aqueles que apresentam a altura da face maior do que a largura, evidenciando uma face longa, estreita e protrusiva. Além disso, possuem musculatura facial hipotônica no sentido vertical, podendo apresentar mordida aberta anterior8. Nesses pacientes, normalmente ocorre maior perda de ancoragem, o que auxilia no fechamento de espaços, porém, necessita-se de maior controle para evitar a perda excessiva de ancoragem e a consequente falta de espaço para a devida correção planejada. Mecânicas extrusivas devem ser evitadas, bem como o movimento distal de dentes posteriores.

Patologias

Algumas patologias têm grande contribuição na definição do planejamento do tratamento ortodôntico. Os pacientes podem apresentar dentes que interromperam sua formação, agenesias, ectopias, anomalias de forma ou, até mesmo, processos cariosos e lesões endodônticas que indiquem a extração do dente. No diagnóstico, essas patologias devem ser consideradas, podendo alterar, em determinadas situações, o planejamento do dente a ser extraído.

Conclusão

A decisão quanto à necessidade de extrações de dentes durante a terapêutica ortodôntica não está apenas na dependência da falta ou presença de espaços nas arcadas. Outros aspectos devem ser avaliados para se conseguir correção adequada da má oclusão, manutenção ou melhora da estética facial e estabilidade dos resultados obtidos.

Link do artigo na íntegra via Scielo:

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Aprenda a ler artigos!



Muitos são os artigos disponíveis para leitura na net. Prova disso é a grande procura do Ortodontia Contemporânea. Blog que seleciona, comenta e cataloga artigos por área.

E se a demanda aumenta, a produção tem que correr atrás.

Hoje são mais de 700 artigos neste site e muito mais soltos pela web, no Brasil e em muitos outros países. Com alguma freqüência, utilizamos técnicas para acessar conteúdos de outros países que não são visualizados com facilidade para poder disponibilizar neste site (sempre de forma legal e citando com destaque a fonte, autores e instituições das quais participam)

Mas, com tantos artigos assim, você consegue filtrar o que tem mesmo relevância e os que foram feito com certo descaso, apenas para cumprir as obrigações de curso? Consegue fazer uma análise crítica do que está lendo? Consegue entender o porquê de um artigo não ser aceito para publicação ? Talvez não seja política.

Este trabalho publicado na Arquivos em Odontologia, Belo Horizonte, em 2004, traz um passo-a-passo de como realizar uma análise crítica de um artigo. Muito bom !

Parabenizo os autores, Aline Nascimento Crato, Letícia Ferreira Vidal, Patrícia Andrade Bernardino, Humberto de Campos Ribeiro Júnior, Patrícia Maria Pereira de Araújo Zarzar, Saul Martins de Paiva e Isabela Almeida Pordeus do Departamento de Odontopediatria e Ortodontia da FO-UFMG, pelo belo trabalho .

Palavra dos autores:

Atualmente, muitos periódicos científicos são publicados; porém, nem todas as informações contidas nestes são confiáveis. Faz-se necessário, então, que os profissionais de saúde adquiram o hábito de realizar uma leitura crítica da literatura científica para que possam julgar a validade dos trabalhos publicados. Neste contexto, o objetivo desse estudo foi auxiliar os leitores a identificar e selecionar artigos com valor científico e ainda analisá-los criticamente. Para esse fim, os requisitos necessários para realização de uma análise crítica da literatura científica foram analisados.


Para o trabalho completo clique no link abaixo.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Quantidade de tecido ósseo relacionado à inclinação dos incisivos superiores

 O conhecimento das características do periodonto, antes de se iniciar o tratamento, é de extrema importância na determinação do risco do paciente em desenvolver problemas periodontais futuros quando da movimentação dentária induzida.

Este estudo realizado no Brasil, pelos autores, Ana Carla Raphaelli Nahás-Scocate, Aluana de Siqueira Brandão, Mayara Paim Patel, Michel Eli Lipiec-Ximenez, Israel Chilvarquer e Karyna Martins do Valle-Corotti, avaliou a quantidade de tecido ósseo de suporte vestibular e lingual de 60 incisivos centrais superiores e a relação com suas respectivas inclinações dentárias (1.PP).



Trinta pacientes adultos, sem tratamento ortodôntico prévio, foram avaliados por meio da tomografia computadorizada de feixe cônico. Quantificou-se o tecido ósseo nos terços cervical, médio e apical em cortes sagitais.

Concluiu-se que a quantidade de tecido ósseo na região apical era maior que as regiões média e cervical, e a região média maior que a região cervical e que quanto maior era o 1.PP maior era a quantidade de osso na região apical vestibular, porém com valores do coeficiente baixos.

Gostaria de parabenizar os autores pela publicação em tão renomada revista e pela seriedade com que conduzem suas pesquisas, em especial a Prof.Dra. Ana Carla Raphaelli Nahás-Scocate.


Clique aqui para ver PDF completo do artigo via Angle Ortodontist.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Efeito da variação da direção da força na protração ortopédica da maxila


O objetivo deste estudo foi examinar o efeito da variação da direção da força em protração maxilar.

Um total de 20 pacientes com classe III por retrognatismo maxilar foram divididos aleatoriamente em dois grupos. O grupo 1 foi composto de nove pacientes com idade média de 8,58 anos, e grupo 2, composto por 11 pacientes com idade média de 8,51 anos.

Ambos os grupos receberam um expansor palatino e o parafuso foi activado duas vezes por dia, durante 10 dias. Após o processo de expansão a máscara facial para o procedimento de protração foi iniciado. No grupo 1, foi aplicada a força intra-oral da região de canino para frente e para baixo em um ângulo de 30 graus ao plano oclusal.



No grupo 2, a força foi aplicada extraoral 20 mm acima do plano oclusal maxilar.




Em ambos os grupos, a força aplicada foi de 500 g de cada lado e os pacientes foram instruídos a usar a máscara facial de 16 h / d para os primeiros três meses e 12 h / d para os três meses seguintes. O teste de Wilcoxon Rank sinal foi utilizado para avaliar o efeito das duas máscaras diferentes, e um teste de Mann-Whitney U-teste foi realizado para avaliar as diferenças entre os dois grupos. Os resultados mostraram que ambos os sistemas de força foram igualmente eficazes para protração da maxila, no entanto, no grupo 1 observou-se que a maxila avançou para a frente com uma rotação anti-horária. No grupo 2, observamos uma translação anterior da maxila sem rotação.

 Os efeitos de ambos os métodos odontológicos também foram diferentes. O plano oclusal maxilar não  girou no grupo 1, em contraste com a rotação no sentido horário no grupo 2.

Os incisivos superiores foram vestibularizados ligeiramente no grupo 1, mas, em contrapartida foram retroinclinados e extruídos no grupo 2.

Em conclusão, a aplicação da força a partir de perto do centro de resistência da maxila é um método eficaz para prevenir os efeitos colaterais indesejados, tais como a rotação anti-horária da maxila, no grupo 1. No grupo 2 os resultados sugerem que este método pode ser utilizado com eficácia em pacientes que se apresentam como classe III combinado com uma mordida aberta anterior. (Ângulo Orthod 2002;. 72:387-396)




Para ler o arquivo na íntegra via Angle Orthodontist clique aqui:
PDF (1663 KB)

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

OrtoPodCast - Episódio 15 Como realizar uma análise crítica de um artigo científico


Olá amigos leitores do Ortodontia Contemporânea!

Decidimos gravar a postagem do dia 20 de outubro em áudio para aqueles que acharam interessante a abordagem, mas ainda não conseguiram ler. Ouçam no trânsito!

Atualmente, muitos periódicos científicos são publicados; porém, nem todas as informações contidas nestes são confiáveis. Faz-se necessário, então, que os profissionais de saúde adquiram o hábito de realizar uma leitura crítica da literatura científica para que possam julgar a validade dos trabalhos publicados. Neste contexto, o objetivo desse estudo foi auxiliar os leitores a identificar e selecionar artigos com valor científico e ainda analisá-los criticamente. Para esse fim, os requisitos necessários para realização de uma análise crítica da literatura científica foram analisados.

Para o trabalho completo clique no link abaixo.


Para ir à página com todos os OrtoPodCasts gravados clique no link abaixo:


Para assinar gratuitamente na iTunes:


quinta-feira, 17 de março de 2011

As resinas compostas como complemento à Ortodontia na obtenção de sorrisos naturais












Este artigo descreve um caso clínico onde existe a correlação interdisciplinar entre a Ortodontia e a Dentística Restauradora.
Relata-se passo a passo a reconstituição de um sorriso com o uso de braquetes nos incisivos centrais por um curto período de tempo, apenas com o objetivo de fechar parcialmente um diastema.
Em seguida, com auxílio de uma guia de silicone, os dentes foram restaurados com resinas compostas de modo que o diastema foi completamente fechado, assim como bordas incisais bem posicionadas; forma, textura e cor foram fielmente reproduzidas, conciliando a integração da estética dental e facial, obtendo um conjunto harmônico e natural.



A integração de especialidades tornou-se uma prática comum na Odontologia moderna e planejada, principalmente, quando o objetivo final do tratamento é a reabilitação estética e funcional do paciente. Nesse contexto, a Dentística Restauradora tem se destacado, infuenciado, de maneira decisiva, o resultado fnal de alguns casos. Contudo, algumas considerações se fazem necessárias em um tratamento interdisciplinar, no caso ortodôntico restaurador, para uma correta fnalização10 com resultados satisfatórios. A evolução de materiais restauradores diretos e dos sistemas para adesão disponíveis no mercado, oferece maior durabilidade e previsibilidade de resultados, bem como um trabalho restaurador de melhor qualidade técnica e estética, que reproduz a beleza natural dos dentes. O presente trabalho visa discutir e direcionar, por meio de um caso clínico, alguns procedimentos restauradores interrelacionados com o tratamento ortodôntico, objetivando uma possível solução para uma fnalização estética do mesmo. Além disso, o aspecto restaurador teve importância decisiva neste contexto fren-te à determinação do ortodontista, sendo res-tabelecido um sorriso harmônico e natural para a paciente.


Link para arquivo PDF:

http://www.dentalpress.com.br/cms/wp-content/uploads/2008/01/v1n105.pdf