ORTODONTIA CONTEMPORÂNEA

domingo, 31 de janeiro de 2010

Pensamento da Semana



"Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade."



Mário Quintana

1906 - 1994


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quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

EZ Space Maintainer





Este recuperador de espaço, criado pelo Dr. Enis Güray de Istanbul na Turquia e comercializado pela Ortho Technology, promete resultados rápidos, em sessões curtas e sem moldagens. Dando desta forma, conforto ao paciente e agilidade ao tratamento. O artefado possui pontos de colagem com telas (parecidos com a base de braquetes) e funciona com molas de Niti.

O que o fabricante diz:

Tratamento em sessão única !

Não Precisa de moldagens !

NEW Ortho Technology, o EZ Space Maintainer é mais rentável e menos moroso que os aparelhos mantenedores de espaço tradicionais. Não requer nenhuma moldagem, nenhuma montagem de laboratório, e pode ser diretamente montado durante uma visita ao consultorio. O EZ Space Maintainer é mais estético e higiênico do que os aparelhos mantenedor do espaço tradicional. Simples e fácil de usar, o EZ Space Maintainer está disponível como um aparelho fixo, possui fácil manutenção da dimensão mésio-distal de qualquer dente perdido, decíduos ou como um dispositivo ajustável usando a bobina de NiTi incluído para recuperar algum espaço.

Características e Benefícios:

• Simples e fácil de usar
• Aparelho com montagem direta
• Menor tempo de cadeira, menor despesa
• Sem taxas de laboratório
• Mais higienico, maior estética
• Correção e mantenedor com opções ajustáveis de espaço
• Cor codificada e marcas de identificação por quadrante

Link da Ortho Technology:


Link do catalogo do produto:

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Avaliação comparativa entre agradabilidade facial e análise subjetiva do Padrão Facial




Neste artigo de 2009, publicado pela Revista Dental Press, Pelos autores Olívia Morihisa, Liliana Ávila Maltagliati; da Pós-graduação em Odontologia, área de concentração Ortodontia, da Universidade Metodista de São Paulo (Umesp); Mostra um estudo de duas análises subjetivas faciais utilizadas para o diagnóstico ortodôntico, avaliação da agradabilidade facial e definição de Padrão Facial, e verificar a associação existente entre elas.

O diagnóstico na Ortodontia já foi guiado pela oclusão como sendo o principal objetivo do tratamento ortodôntico e se acreditava que uma ótima oclusão levaria, consequentemente, a uma estética facial ideal. Durante quase todo o século XX persistiu a ideia de oclusão em primeiro plano nos objetivos do tratamento, talvez impulsionada pela cefalometria, que guiava o tratamento por meio do padrão de normalidade dentoesquelética.

Contrariamente, Tweed e Stoner foram unânimes em afirmar que a melhor estética é meta tão ou mais importante para o ortodontista do que a oclusão. Nesse período, iniciou-se o estudo de algumas normas para tecidos moles nas análises cefalométricas dentoesqueléticas. Um dos precursores dessa tendência foi Burstone, que concluiu que a análise esquelética e dentária poderia levar à falsa interpretação do tecido mole, fato que foi reiterado por Legan e Burstone.

Brandão, Domínguez-Rodríguez e Capelozza Filho citaram que medidas cefalométricas nem sempre concordam com a análise clínica, já que essas visões bidimensionais do esqueleto seriam reflexos imperfeitos do que existe clinicamente.

Fernández-Riveiro et al., em 2003, lembraram que as análises faciais informam sobre a morfologia do perfil, bem como sua relação com o tecido ósseo subjacente. Se estendermos essa conclusão para as demais etnias existentes, verificaremos valores de normalidade próprios para cada uma, assim como para diferentes raças, variando inclusive o perfil médio de acordo com épocas diferentes11. Estudaram valores médios para os tecidos moles do perfil facial que pudessem ser utilizados como um guia a se alcançar ao final do tratamento estético e concluíram que os valores obtidos na amostra só poderiam ser comparados aos de indivíduos com as mesmas características e seguindo a mesma técnica fotogramétrica.

Ao observar que muitos indivíduos nunca apresentariam, ao final do tratamento, os valores normais cefalométricos, estudos passaram a ser realizados enfatizando o equilíbrio individual da face. Assim, surgiram as Análises Faciais de Proporção, onde se inclui a Análise de Proporção Áurea Facial e, a denominada Análise Facial Subjetiva.

Para Landgraf et al., a Análise Facial sistematiza o diagnóstico ortodôntico e se associa à análise cefalométrica para oferecer ao paciente uma oclusão funcional com a melhor harmonia facial possível.

A maior parte dos estudos referentes às análises faciais subjetivas utilizou escalas como método para quantificar a estética facial. Dentre elas, três tipos são mais citados na literatura: a escala visual análoga, a de referência e a escala de ranking. A primeira consiste em classificar a estética facial apresentada em cada fotografia em uma escala de 0 a 100, por exemplo, representada por uma linha horizontal dividida em 10 secções iguais. O segundo tipo consiste em se determinar uma fotografia de referência e dar um valor para ela, sendo que as demais fotografias receberiam
notas maiores ou menores. A terceira forma consiste em apresentar todas as fotografias para os avaliadores e esses colocarem as mesmas em ordem, do menos para o mais estético.

Conclusão

Com base nos resultados obtidos e de acordo com a metodologia empregada, conclui-se que não houve associação entre a avaliação subjetiva da agradabilidade facial em norma frontal e o Padrão Facial em ambos os grupos de avaliadores; porém, em norma lateral houve associação fortemente positiva.


Link do artigo na integra via Scielo:

sábado, 23 de janeiro de 2010

Biocompatibilidade dos materiais em Ortodontia: mito ou realidade?











Neste artigo de 2009, publicado pela Revista Dental Press, pelas autoras Luciane Macedo de Menezes, Maria Perpétua Mota Freitas, Tatiana Siqueira Gonçalves; da Faculdade de Odontologia da PUCRS - Rio Grande do Sul. Aborda este tema que as vezes passa despercebido pelo profissional, mas de muita relevância para o conforto e segurança do paciente. Um belo artigo.

É notável, nos últimos anos, uma crescente preocupação com a biocompatibilidade dos materiais odontológicos. Não se sabe se esse fato está associado a um aumento real na frequência de alergia aos materiais ou a um maior cuidado com os efeitos colaterais provocados pelos mesmos. Como nenhum material dentário é absolutamente seguro, sua seleção deve ser baseada na garantia de que os benefícios se sobreporão aos riscos biológicos.

Na maioria dos casos em Ortodontia, as reações de hipersensibilidade apresentam manifestações locais, podendo, eventualmente, causar desordens sistêmicas. Com isso, a preocupação em relação à segurança e saúde geral do paciente tem sido objeto de estudo na literatura, uma vez que grande parte dos aparelhos e dispositivos utilizados na especialidade é composta por elementos químicos relacionados a alterações no sistema imune.

A realização da anamnese – um dos elementos essenciais de diagnóstico em Ortodontia – deve fazer parte da rotina da primeira consulta. A anamnese deve conter um breve histórico da saúde geral do paciente, assim como um bom questionário, que abranja também perguntas relacionadas à ocorrência de alergias e reações de hipersensibilidade. Assim, o primeiro passo é incluir, na consulta inicial, algumas perguntas relacionadas a alergias: “Você apresenta/apresentou algum tipo de reação alérgica a medicamentos, metais, borracha, resinas,ou outro produto ou material?”.

Tendo o paciente relatado algum tipo de alergia, o segundo passo seria encaminhá-lo a um médico (alergista ou dermatologista) para avaliação mais aprofundada. O médico poderá requerer a realização de um Teste de Contato, para confirmação das respostas alérgicas. Esses testes têm como objetivo avaliar a resposta da pele frente a diferentes substâncias. Porém, questiona-se a validade dos mesmos, pela possibilidade de apresentarem “falsos positivos” e de sensibilizarem o paciente.

Dentre os materiais mais frequentemente associados às reações alérgicas podem ser citados os elásticos derivados do látex, resinas acrílicas e compostas, bem como as diversas ligas metálicaspresentes nos acessórios e fios empregados nos tratamentos ortodônticos.

Metais

Os metais são considerados as toxinas mais antigas. Inicialmente, havia grande preocupação com
os efeitos agudos determinados pelos íons metálicos, entretanto, esses efeitos são considerados incomuns, devido aos padrões ambientais e ocupacionais que regem as regulamentações legais. Dessa forma, tem aumentado o interesse acerca das alterações crônicas ou de longo prazo, visto que a relação causa-efeito nem sempre é imediatamente perceptível, podendo ter efeitos subclínicos.

Embora as interações entre uma liga metálica e os tecidos possam ocorrer de diversas formas, a liberação de elementos da liga na cavidade bucal é o foco primário dos estudos, visto que efeitos biológicos adversos – como alergias e inflamação – têm sido atribuídos a esse processo, em virtude da liberação iônica advinda dos aparelhos ortodônticos poder, hipoteticamente, aumentar a concentração dos íons no corpo, acima da concentração de ingestão ou exposição aos metais pelo meio ambiente. Outro ponto de fundamental importância na avaliação do emprego de metais pesados na Ortodontia é o seu potencial genotóxico, citotóxico e carcinogênico, uma vez que elementos metálicos como o níquel e o cromo apresentam resultados positivos relacionados à toxicidade genética.

Um dos pontos determinantes da biocompatibilidade das ligas metálicas em Odontologia é a resistência à corrosão. A corrosão representa uma perda de metal ou sua conversão num óxido. No ambiente úmido da cavidade bucal, todas as ligas sofrem corrosão, pelo menos em alguma extensão. A saliva é um ambiente ativo de constituintes orgânicos, íons e não-eletrólitos que são arrastados constantemente contra os anéis, braquetes e arcos. As diferenças galvânicas entre a saliva e os metais podem dar início a reações eletroquímicas, gerando a corrosão galvânica, que geralmente se manifesta pelo processo corrosivo acelerado dos metais menos nobres (ânodos). O aparelho ortodôntico representa um exemplo típico, cuja corrosão pode causar sérias implicações clínicas que variam da perda de dimensão – resultando em forças menores aplicadas aos dentes – à falha (quebra) do aparelho em regiões de tensão. Além disso, a produção de possíveis produtos tóxicos da corrosão dos aparelhos e sua absorção pelos tecidos circundantes é indesejável.

Na literatura, é grande a diversidade de trabalhos com enfoque na liberação de íons metálicos de braquetes ortodônticos – principalmente ferro, cromo e níquel, que representam os principais produtos da corrosão do aço inoxidável. Entretanto, de acordo com o International Register of Potentially Toxic Chemical of United Nations Environment Program, outros íons metálicos, presentes na solda de prata utilizada na aparelhagem ortodôntica – como o cádmio, o cobre e o zinco – podem ser liberados na cavidade bucal e já são considerados produtos químicos potencialmente perigosos, sendo incluídos na lista de substâncias e processos considerados de grande risco para a vida humana. Em estudo sobre a liberação iônica e citotoxicidade da solda de prata, Freitas observou alta toxicidade desse material para fibroblastos, denotando alterações na adesão, proliferação e crescimento celular, bem como liberação significativa dos íons constituintes da solda de prata, com concentrações elevadas imediatamente após a instalação do aparelho, em ordem decrescente, de cobre, prata, zinco e cádmio, representando risco de absorção e retenção desses íons pelo organismo humano.

Em decorrência da liberação iônica, a utilização de aparelhos ortodônticos tem sido associada a algumas reações de hipersensibilidade. Dentre os metais, o níquel tem sido considerado uma das causas mais comuns da dermatite de contato. Infelizmente, a associação com o níquel faz parte da vida moderna e, devido à onipresença do mesmo, as reações a esse metal apareceram com muito mais frequência na população em geral, e não são mais exclusivas dos funcionários da indústria, como era observado anteriormente. O cromo também está relacionado a reações de hipersensibilidade, sendo apontado como a segunda causa mais frequente de dermatite de contato. Em média, 8% da população é sensível a esse metal.

Na Alemanha, o Departamento Federal de Saúde recomendou que não se utilizem acessórios contendo níquel em Ortodontia. Assim, os fabricantes estão produzindo braquetes livres de níquel, utilizando novas ligas. O titânio, apesar de ser muitas vezes mais caro do que o aço inoxidável, vem sendo utilizado para confecção de acessórios. Os braquetes de titânio puro apresentam maior tolerância tecidual, maior biocompatibilidade e resistência, quando comparados aos de aço inoxidável. Os braquetes denominados “nickel-free”, geralmente compostos por cromo e cobalto, também podem ser empregados como material alternativo para pacientes com sensibilidade ao aço. Nesse contexto, não se pode deixar de ressaltar que os braquetes estéticos, sejam eles de cerâmica ou policarbonato, também servem como alternativa para pacientes com alergia ao níquel. Está disponível no mercado brasileiro um fio ortodôntico estético totalmente livre de metais – pois é um polímero – e, da mesma forma, serve como uma alternativa, nos estágios iniciais de tratamento, para pacientes com alergia ao níquel. É de extrema importância ressaltar também que o uso de acessórios reciclados não é recomendado, uma vez que esse tipo de material apresenta uma maior liberação de íons para o ambiente bucal, quando comparada à dos braquetes novos.

Látex

É alta a prevalência da hipersensibilidade ao látex, em virtude da sua ampla utilização em produtos manufaturados contendo borracha. De acordo com Weiss e Hirshman, o advento da vulcanização – por Charles Goodyear, em 1839 – levou à aplicação do látex em mais de 40.000 itens, tais como: produtos odontológicos (luvas, máscaras, borrachas de isolamento e acessórios ortodônticos), equipamentos médicos (luvas, catéteres, tubos, implantes e próteses), luvas de uso doméstico, balões e bolas, preservativos, adesivos, chupetas, carpetes, calçados, capachos e equipamentos esportivos.

Na literatura, diversos são os relatos de reações ao látex. Em geral, aparecem em jovens, sendo muito frequentes nos adultos em profissões de risco, como Odontologia e outras profissões da área de Saúde, com maior prevalência em mulheres. Segundo Fisher, 7% dos profissionais (médicos, enfermeiras e dentistas) manifestam uma reação alérgica tardia (dermatite de contato), enquanto 3% mostram uma reação imediata. Devido ao grande número de relatos de reações adversas ao látex, em 1993 foi regulamentado que os rótulos de produtos médicos contendo látex devem indicar sua presença.

O látex é basicamente composto de moléculas grandes, que não parecem provocar alergias, sendo o poli-isopreno o principal constituinte da borracha, além de proteínas, que perfazem um total de 2 a 3% do produto final. Por outro lado, substâncias de baixo peso molecular, como aditivos, antioxidantes e vulcanizadores – comumente utilizados na manufatura da borracha e responsáveis pelas propriedades finais desejadas – são, muitas vezes, responsáveis pela sensibilização. Esses aditivos são frequentemente liberados da borracha, principalmente luvas e botas, em ambiente morno e úmido.

Resinas acrílicas

As resinas acrílicas são, também, amplamente utilizadas na Ortodontia, nos aparelhos removíveis, de contenção e/ou aparelhos fixos auxiliares. Desde a década de 60, existem relatos de hipersensibilidade às resinas acrílicas, sendo, na grande maioria dos casos, associados à presença de um alto conteúdo de monômero de metilmetacrilato residual. Em função disso, diversos autores procuraram quantificar o conteúdo desse monômero residual. Além do metilmetacrilato, podem-se citar também outros componentes de baixo peso molecular – tais como formaldeído, peróxido de benzoíla e plastificantes como dibutil-ftalato – que podem ser considerados fatores desencadeadores das reações de hipersensibilidade.

Quando as reações são localizadas, pode-se utilizar medicamentos contendo anti-inflamatórios esteroides, para alívio das reações inflamatórias. Entretanto, o conforto efetivo só é alcançado após remoção do fator etiológico, o que muitas vezes significa buscar materiais alternativos, para evitar o contato com o material desencadeador da reação de hipersensibilidade. Algumas possibilidades em Ortodontia seriam utilizar aparelhos confeccionados somente com metais ou, nos casos de aparelhos de contenção, substituir por contenções coladas. Além disso, estão disponíveis no mercado internacional as resinas acrílicas fotopolimerizáveis, dificilmente encontradas no mercado brasileiro.

Resinas compostas

A presença de monômeros não polimerizados, oriundos das resinas compostas utilizadas durante os procedimentos de colagem ortodôntica, também pode ser considerada fator etiológico no aumento da frequência das reações imunológicas adversas em Ortodontia. Assim como ocorre com as resinas acrílicas, a reação de polimerização das resinas compostas pode permanecer incompleta por tempo indefinido, logo, moléculas de monômero livre de trietileno glicol metacrilato (TEGDMA) ou 2-hidroxi-etil-metacrilato (HEMA) podem ser diretamente responsáveis pelas reações de citotoxicidade e hipersensibilidade ocasionadas por esse material. Nesse aspecto, pode-se ressaltar o contato dos tecidos gengivais com os primers de colagem, compostos essencialmente por monômeros não-polimerizados, que pode levar a um aspecto inflamatório gengival. Vande Vannet e Hanssens comprovaram que os primers apresentam alta toxicidade quando comparados às resinas de colagem de acessórios ortodônticos previamente polimerizadas.

Diante do exposto, conclui-se que é de fundamental importância o conhecimento por parte do ortodontista sobre a composição dos materiais que utiliza na sua rotina clínica, bem como a possibilidade dos mesmos ocasionarem reações a si mesmo e aos seus pacientes. Frente à ocorrência de uma reação alérgica, o profissional deve ter condições de dar o devido suporte e encaminhamento a tal situação, trabalhando em conjunto com áreas associadas, especialmente a Dermatologia, oferecendo ao paciente a melhor solução. Nesse aspecto, é de grande valia a proposição de materiais alternativos, priorizando a saúde geral do paciente.


Link do Artigo na Integra via Scielo:

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

A trajetória da Ortodontia no Brasil e os 50 anos da SPO Parte 02




Neste artigo de 2009, publicado pela Revista de OrtodontiaSPO; pelo Autor Adilson Fuzo; Mostra que as sementes deixadas pelos pioneiros da Ortodontia começaram a germinar e a especialidade experimenta o seu primeiro grande salto nos anos 1960, com a criação da SPO, do Congresso Paulista de Ortodontia e da revista OrtodontiaSPO. Na área da educação, o curso da UFRJ deslancha, enquanto em São Paulo são criadas as especializações da FOP e da USP.

Praticar a Ortodontia no Brasil era praticamente uma aventura na primeira metade do século 20. Não existiam escolas nacionais, a literatura sobre o assunto era rara e os instrumentos e equipamentos eram importados com dificuldade. Os maiores responsáveis pela mudança desse cenário foram José Édimo Soares Martins e Arthur do Prado Dantas, que contribuíram decisivamente para o desenvolvimento da especialidade no Rio de Janeiro e em São Paulo. Graças a eles, dois importantes núcleos de ortodontistas se consolidaram em cada uma dessas cidades.

Sendo assim, a década de 1950 marcou o início de uma nova etapa na Ortodontia brasileira, com a criação dos primeiros cursos regularmente estabelecidos e a criação das duas entidades que serviriam como eixo para o desenvolvimento da especialidade, a Sociedade Brasileira de Ortodontia (SBO) e a Sociedade Paulista de Ortodontia (SPO).

Antes da criação da SPO, que aconteceria em 1959, a vertente paulista dos profissionais da área e interessados na especialidade se agrupava no Departamento de Ortodontia da Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas (APCD). Foi esse mesmo grupo que organizou a I Semana Paulista de Ortodontia, com palestrantes internacionais e com grande repercussão para a época.

Desta forma, o trabalho do Departamento de Ortodontia da APCD na década de 1950 se destacava no cenário associativista nacional. Isso não impedia, porém, que os paulistas sonhassem mais alto. "Desde 1954, 1955, já havia alguns colegas idealistas que falavam em fundar uma entidade voltada unicamente para a Ortodontia", revela Paulo Affonso de Freitas, que dirigia o departamento naquela época.

Depois de tanto tempo ensaiando, finalmente aconteceu a primeira reunião que definiria a criação da SPO em 4 de dezembro de 1959, com a presença de 22 jovens ortodontistas e cirurgiões-dentistas em fase de especialização. Esse encontro, assim como as demais reuniões desse primeiro período da entidade, aconteciam num espaço emprestado pela Associação dos Professores de Educação Física (Apef ), na rua Cesário Mota Júnior, no bairro da Consolação. Quem presidiu a entidade na fase inicial foi Oswaldo A. Mesquita Sampáio.

Apesar do entusiasmo dos jovens ortodontistas, a SPO atuou muito pouco no seu primeiro ano de funcionamento. A crescente divergência entre as lideranças tornou a entidade apática. As reuniões eram cada vez mais raras e vazias. A situação se desenrolava de tal maneira que se cogitou até mesmo a dissolução da SPO. A salvação veio numa memorável assembleia em outubro de 1962 em que se decidiu, praticamente, recriar a entidade, destituindo a antiga diretoria e trazendo sangue novo para o comando da associação.

A aproximação da SPO com a região de Piracicaba, no interior paulista, se deu justamente por iniciativa de Müller de Araújo, que atuava como professor na FOP e havia acabado de instituir, em 1962, o curso de especialização em Ortodontia na instituição. Vale lembrar que, naquela época, a FOP ainda não estava ligada à Unicamp, como acontece hoje.

O curso da FOP ocupou uma importante lacuna no ensino da Ortodontia no Estado de São Paulo, já que não havia nenhuma outra opção de especialização na região desde o fechamento do curso de Arthur do Prado Dantas na APCD, que funcionou entre os anos de 1951 e 1955.

Enquanto o ensino de Ortodontia se estruturava em São Paulo, o curso de especialização do Rio de Janeiro já se desenvolvia em solo firme desde 1959 sob o comando de José Édimo Soares Martins na Faculdade Nacional de Odontologia da Universidade do Brasil (hoje denominada Faculdade de Odontologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro). Devemos ressaltar que, antes da UFRJ, um curso de especialização em Ortodontia era oferecido pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) entre os anos de 1956 e 1958, por Tobias Kant Rothier.

A capital paulista só veio a ter um curso universitário de especialização a partir de 1966, na Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo (USP). O passo decisivo para que isso acontecesse, no entanto, foi dado bem antes, quando o jovem promissor Sebastião Interlandi foi o escolhido para receber uma bolsa de estudos na Universidade de Sant Louis, no Missouri (EUA), entre os anos de 1961 e 1963.

No início da década de 1960, Dantas estava no final de sua carreira e procurava por alguém que pudesse sucedê-lo no ensino de Ortodontia na USP e a tal bolsa de estudos ia justamente servir a esse propósito. Reynaldo Baracchini atuava como assistente de Dantas na USP e, por ser o discípulo mais experiente de Dantas, era o herdeiro natural da bolsa. Ele conta, porém, que procurou Dantas certo dia para lhe avisar que pretendia se desligar da USP por motivos pessoais e, consequentemente, desistiria da bolsa de estudos. Para ocupar sua vaga como assistente de Dantas, Baracchini indicou Interlandi que, por mérito, acabou ganhando o curso de aprimoramento nos EUA. "Ele trabalhava como meu assistente no Serviço Dentário Escolar.

Logo percebi que ele era muito inteligente e esforçado. Ele estudou, se preparou, gostava de lecionar. Fico feliz em ter cedido a minha oportunidade a alguém que merecia", comenta Baracchini. "Depois de tantos anos, eu posso dizer que talvez eu não tivesse ido tão longe como ele foi."

Alguns meses depois que voltou para o Brasil, Interlandi criou o curso de especialização da USP, o que foi fundamental para a evolução da Ortodontia em todo o Estado de São Paulo, bem como a contribuição acadêmica de Interlandi na formação de outros professores. O reflexo desse desenvolvimento pôde ser visto na década de 1970, quando outros importantes núcleos de especialização em Ortodontia se formaram.

Diante de tal cenário, a SPO preparava-se para realizar um evento que se tornaria um marco na história brasileira da especialidade, o I Congresso Paulista de Ortodontia, marcado para acontecer entre os dias 28 de janeiro e 3 de fevereiro de 1968 na Cidade Universitária. Entre os participantes do evento que se destacaram, estavam Allan G. Brodie (Universidade de Illinois, EUA), Ernest H. Hixon (Universidade de Oregon, EUA), Quentin M. Rigenberg (Universidade de Saint Louis, EUA) e Hector A. Tarasido (Argentina), além dos palestrantes nacionais, que estavam cada vez mais preparados.

Faltando poucos dias para o Congresso, no momento em que todos corriam atarefados, uma notícia triste surpreendeu toda comunidade nacional de ortodontistas: Arthur do Prado Dantas havia falecido.

O Congresso Paulista de Ortodontia de 1968 foi um sucesso, bem como o lançamento da revista OrtodontiaSPO. Acabava naquele momento mais um capítulo da história da Ortodontia nacional, ao mesmo tempo que se anunciava a chegada de novos personagens, novos desafios e novas revoluções.


Link do artigo na integra via Revista SPO:

domingo, 17 de janeiro de 2010

Pensamento da Semana


"É muito melhor arriscar coisas grandiosas, alcançar triunfo e glória, mesmo expondo-se à derrota, do que formar fila com os pobres de espírito, que não gozam muito e nem sofrem muito, porque vivem na penumbra cinzenta que não conhece nem vitória nem derrota."


Theodore Roosevelt

1858 ---- 1919


Link sobre o autor:

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

A trajetória da Ortodontia no Brasil e os 50 anos da SPO - Parte 01









Neste artigo de 2009, publicado pela Revista de OrtodontiaSPO, pelo autor Adilson Fuzo, no qual mostra que o ensino estruturado da Ortodontia chegou ao Brasil por dois caminhos distintos. Um deles, que desembarcou em São Paulo, veio pelas mãosde Arthur do Prado Dantas. O outro, chegou ao Rio de Janeiro, com José Édimo Soares Martins. Antes deles, a práticada Ortodontia no Brasil era restrita a um grupo pequeno de cirurgiões-dentistas muito determinados.

O livro mais antigo que descreve tratamentos ortodônticos é "Lè Chirurgien Dentiste ou Traitè des Dents", publicado em 1723 pelo francês Pierre Fauchard. Desde aquela época e até muito tempo depois, as técnicas empregadas eram bastante rudimentares, muitas vezes aplicadas apenas aos dentes anteriores. Foi só no final do século 19 que a Ortodontia deu um passo decisivo em direção ao aprimoramento científico com o americano Edward Hartley Angle.

Como era de se esperar, todo conhecimento produzido naquela época nos EUA e na Europa demorava muito para chegar ao Brasil. Dessa forma, a Ortodontia só era praticada aqui por uns poucos cirurgiões-dentistas brasileiros que tiveram vontade de aço, espírito de aventura e recursos suficientes para enfrentar uma viagem de estudos ao exterior durante vários meses.

Conforme o ortodontista Oswaldo Vasconcellos Villella relata em seu livro, "A história da Ortodontia no Brasil", um dos pioneiros nessa difícil empreitada e, provavelmente, o primeiro profissional a praticar a Ortodontia como especialidade no Brasil, foi Carlos de Almeida Lustosa. Já no início da década de 1920, Lustosa fez as primeiras tentativas com pacientes no Rio de Janeiro usando o ribbon arch, tendo como base apenas a descrição das técnicas de Angle publicadas em revistas científicas americanas. Tomado por uma série de dúvidas em relação aos resultados que obteve, Lustosa decidiu que viajaria aos EUA para buscar diretamente na fonte as informações de que precisava.

Apesar do entusiasmo de Lustosa, Angle recusou inicialmente a inscrição do carioca na Angle Scholl of Orthodontia, alegando que lhe faltava conhecimento em matérias básicas, como Anatomia, Embriologia e Histologia. Para ser aceito, Lustosa foi obrigado a cursar a pós-graduação em Ortodontia da Universidade da Pensilvânia e a fazer um estágio no consultório de Harvey Stallard, um proeminente ortodontista americano.

Em 1923, Lustosa desembarcou no Rio de Janeiro com a tão almejada especialização na bagagem. No ano seguinte, tornou-se também o autor do primeiro livro brasileiro totalmente voltado para o tema, "A Orthodontia e a Creança", destinado a pais e clínicos gerais. Alguns anos depois, Lustosa convidou Kant Rothier para ser seu assistente, a quem passou seus conhecimentos. Rothier, por sua vez, também percorreu a rota de aperfeiçoamento nos EUA e, posteriormente, difundiu o que aprendeu entre diversos seguidores.

Em 1925, o presidente Arthur Bernardes determinou que a cadeira de "Ortodontia e Prótese dos Maxilares" constasse no currículo oficial dos cursos de graduação em Odontologia. Em 1931, quando Getúlio Vargas estava no poder, a disciplina foi reestruturada e rebatizada para "Ortodontia e Odontopediatria". O conhecimento transmitido durante o curso de graduação, no entanto, ainda era muito vago e insuficiente para que o aluno pudesse abraçar a Ortodontia sem antes fazer um curso adicional. Como nenhuma instituição oferecia esses cursos no Brasil durante as décadas de 1920, 1930 ou 1940, a especialidade continuou relegada a um grupo muito restrito de profissionais.

A atuação de dois grandes professores foi decisiva para mudar esse quadro. Arthur do Prado Dantas, de São Paulo, e José Édimo Soares Martins, do Rio de Janeiro. Foi a partir do trabalho destes dois mestres que uma importante geração de aspirantes se arregimentou na década de 1950, permitindo que a Ortodontia se estruturasse como especialidade e consolidasse sua presença no Brasil.

Dantas foi o coordenador do primeiro curso de especialização em Ortodontia de que se tem notícia no Brasil. O curso, com duração de dois anos, foi ministrado entre 1951 e 1955 por iniciativa do Departamento de Ortodontia da Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas (APCD), sendo que duas turmas se formaram.

A clínica do antigo Serviço Dentário Escolar, onde Dantas era responsável pela coordenação da equipe de ortodontistas, também foi um importante núcleo de preparação dessa geração. Para acompanhar o dia-a-dia das atividades na clínica, Dantas recrutou Reynaldo Baracchini. Ele, por sua vez, trouxe Jairo Corrêa, Hênio Heiras e Sebastião Interlandi para atuar como assistentes. A prática na clínica deu a esse grupo os subsídios necessários para que suas carreiras deslanchassem nos anos 1950 e 1960, sendo que Interlandi foi o que mais se destacou na área da educação, coordenando mais tarde o curso de especialização em Ortodontia da USP. Alguns anos mais tarde, este grupo de seguidores de Dantas ajudou a fundar a Sociedade Paulista de Ortodontia.

O primeiro curso de especialização montado no Rio de Janeiro aconteceu em 1956, na Pontifícia Universidade Católica (PUC), pela coordenação de Tobias Kant Rothier, filho do antigo assistente de Carlos Lustosa, Kant Rothier. Durante três anos, formaram-se três turmas, com cerca de dez alunos cada. As aulas eram ministradas no próprio consultório, já que naquela época a PUC não dispunha da infraestrutura necessária.

A maior estrela do ensino de Ortodontia do Rio de Janeiro, no entanto, foi o mineiro Soares Martins, que desde 1937 lecionava na Faculdade Nacional de Odontologia da Universidade do Brasil (hoje denominada Faculdade de Odontologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro). Se valendo de uma bolsa de estudos oferecida pela W.K. Kellog Foundation, Soares Martins viajou para os EUA em 1950, onde se pós-graduou na Universidade de Washington.

Neste mesmo período em que o ensino da Ortodontia se estruturava no Rio de Janeiro, formou-se a Sociedade Brasileira de Ortodontia, em 1955. Ela se formou a partir da união dos três grupos que praticavam Ortodontia no Rio de Janeiro, liderados por Kant Rothier, Newton de Castro e Soares Martins. A primeira presidência foi dada a Moacyr Rutowisch, considerado um ponto de equilíbrio para a entidade, já que não pertencia a grupo nenhum. A SBO teve também como fundadores Armando Werneck de Carvalho, Tobias Kant Rothier, Lineu Marcondes da Silva, Delfino Lustosa, Spencer Rothier e Odilon Frossard de Souza.

Vale lembrar que, na década de 1940, uma entidade denominada Sociedade Brasileira de Ortodontia foi criada no Rio de Janeiro. No entanto, essa entidade teve suas atividades rapidamente encerradas, uma vez que nem todos os sócios praticavam a Ortodontia e havia grande divergência de interesses em seu quadro social.

Dois eventos científicos da Ortodontia de São Paulo marcaram a segunda metade dos anos 1950. O primeiro deles foi a I Semana Paulista de Ortodontia, em 1957, promovida pelo Departamento de Ortodontia da APCD e presidida por Paulo Affonso de Freitas. A presença de ministradores argentinos, como Raul Otaño Antier, Fernando Archain e José Mayoral, além da participação de renomados especialistas de todo o País, transformaram o evento num símbolo da evolução científica que a Ortodontia experimentaria a partir de então, como bem definiu Admar Raupp Terra, de Porto Alegre, em seu discurso de encerramento.

O segundo evento científico se deu em 1959, com um curso especial que mobilizou os mais bem preparados ortodontistas do País. Tratava-se da visita de Earl W. Renfroe, um celebrado especialista da Universidade de Illinois (EUA) que veio ao Brasil pela primeira vez para apresentar a técnica Edgewise, criada por Angle.


Link do artigo na integra via Revista Ortodontia SPO:

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Um estudo in vitro simulando os efeitos da dieta diária do paciente e das trocas dos elasticos ortodônticos de látex




Neste artigo de 2004, publicado pela Angle Orthodontist, pelos autores Sean Beattie; Peter Monaghan; da School of Dentistry, Marquette University, Milwaukee. Mostra um estudo realizado in vitro sobre degradação dos eslaticos ortodonticos de latex.

Este estudo investigou os efeitos da exposição de alimentos e adesão do paciente com a mudança e degradação de forças em elásticos 3/16 médio, de látex durante simulações em dias de uso clínico.

Seis níveis de dieta diária / com adesão dos pacientes foram escolhidos como representante de paientes ortodonticos e um grupo controle. Os grupos diferiram com relação à exposição quanto a saliva artificial e dos géneros alimentícios que experimentaram. Após a exposição na tensão leve e dieta diária e com base no cumprimento com instruções sobre como alterar elásticos ortodônticos, os elásticos foram testados no modo de traçãode 25 mm, onde a carga foi registrada em newtons.

Os elasticos de três fabricantes, RockyMountain Orthodontics (RMO), 3M Unitek (ONU), e American Orthodontics (AMO), foram examinados, com 10 por grupo, por fabricante, formando um corte. Duas análises de variância e testes Tukey-Kramer de diferença significativa foi utilizado para identificar a significância estatística (P>. 05).

Com respeito às faixas de um único fabricante, não foram encontradas diferenças entre a dieta diária / os niveis de adesão dos pacientes. No entanto, diferenças (P< .0001) foram encontradas entre as bandas dos fabricantes. RMO, UNO e AMO em todos os ambientes. Ao longo de um período de 24 horas, os elásticos de látex mantiveram sua carga aplicada nos ambientes orais simulados.


Link do artigo na integra via Ange Orthodontist:

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Estudo in vitro da degradação da força de elásticos ortodônticos de látex sob condições dinâmicas




Neste artigo de 2009, publicado pela Revista Dental Press, pelos autores Alexandre Moris, Kikuo Sato, Adriano Francisco de Lucca Facholli, José Euclides Nascimento, Fábio Ricardo Loureiro Sato; do curso de especialização em Ortodontia e Ortopedia Facial da EAP-APCD, regional Sorocaba - São Paulo; Analisa 3 tamanhos de elásticos ortodônticos de látex (1/8”, 3/16” e 5/16”), todos classificados como de força pesada pelos seus fabricantes (Dental Morelli, 3M Unitek Corporation e American Orthodontics).

Desde os preceitos preconizados por Angle, nos primórdios do século passado, houve um aumento no estudo e desenvolvimento da mecânica ortodôntica, bem como dos dispositivos incorporados aos aparelhos. Dispositivos esses que visam auxiliar a mecânica ortodôntica e, assim, possibilitar ao profissional um maior controle nos movimentos desejáveis e indesejáveis dos dentes, dentro dos objetivos propostos pelo aparelho utilizado. Entre os vários dispositivos, temos os elásticos de látex, cuja importância singular tem despertado o interesse de diversos pesquisadores e devido ao seu baixo custo e grande versatilidade, são largamente utilizados na Ortodontia.

Vários trabalhos têm investigado o comportamento dos elásticos em condições estáticas e sob diferentes condições de meio ambiente, como saliva artificial, água destilada e ao ar livre, sendo muitas vezes a temperatura controlada a 37ºC e em outros experimentos a temperatura do ambiente da sala foi utilizada. Entretanto, os elásticos, quando utilizados em funções intramaxilares, sofrem na cavidade bucal variações nos seus alongamentos, devido à fala, bocejos, mastigação, enfim, movimentos que deslocam a mandíbula da posição de repouso e, dessa forma, aumentam as distâncias entre os ganchos dos dentes da maxila e mandíbula.

O presente trabalho propôs-se a avaliar:

• A força inicial e a degradação ao longo do tempo dos elásticos pesados de diâmetros 1/8”, 3/16” e 5/16”.

• O tempo clínico ideal de uso dos elásticos pesados de diâmetros 1/8”, 3/16” e 5/16”.

• Se existe diferença dimensional, estatisticamente significativa, entre as marcas Dental Morelli, 3M Unitek e American Orthodontics.

O estudo dos elásticos de látex foram divididos em 3 baterias de ensaios, de acordo com o tamanho dos elásticos (1/8”, 3/16” e 5/16”). Cada bateria consumiu 72 horas, sendo 4 dias corridos e 24 elásticos testados. No total, tivemos 12 dias, 72 elásticos e 1.584 dados de força, pois, em cada ensaio de tração, o elástico teve sua força liberada medida em 26mm e 44mm. Assim, para facilitar o entendimento, os dados serão apresentados em forma de tabelas e gráficos
das médias. Primeiramente, serão apresentadas as análises dimensionais de todos os elásticos usados na pesquisa e, a seguir, as forças obtidas dos elásticos, separados por tamanho (1/8”, 3/16” e 5/16”), e comparados entre si com os dados anotados daforça liberada em 26mm e 44mm distintamente.

CONCLUSÕES

• Para o elástico 1/8” alongado à distância de 26mm: o elástico da Dental Morelli mostrou ter uma força muito superior aos demais testados, sendo que o da 3M Unitek apresentou uma força um pouco superior ao da American Orthodontics, com exceção para as amostras do 2º dia coletadas no período da manhã. A degradação da força, em relação à inicial, foi nas 2 primeiras horas de 12,4%; 22,7% e 14,8%; após 24 horas de 21,9%; 34,6% e 18,5%; depois de 48 horas 30,1%; 47,8% e 40,5%; e ao final de 72 horas 31,7%; 57,2% e 51,5%, respectivamente Dental Morelli, 3M Unitek e American Orthodontics. O elástico 1/8” deve ser trocado, pelo menos, a cada 24 horas, caso se deseje níveis de força próximos dos iniciais.

• Para o elástico 3/16” alongado à distância de 26mm: os elásticos da Dental Morelli apresentaram força muito superior aos da 3M Unitek e American Orthodontics, que por sua vez não tiveram diferença estatisticamente significativa em todas as medições. A degradação da força, em relação à inicial, foi nas 2 primeiras horas de 15,1%; 13,5% e 9,8%; após 24 horas de 18,1%; 23,6% e 22,6%; depois de 48 horas 19,9%; 24,8% e 18,6%; e ao final de 72 horas 20,4%; 27,4% e 19,3%, respectivamente Dental Morelli, 3M Unitek e American Orthodontics. O elástico 3/16” pode ser trocado a cada 72 horas.

• Para o elástico 5/16” alongado à distância de 26mm: o elástico da Dental Morelli apresentou maior força do que as duas outras marcas, entretanto, a diferença para esse tipo de elástico foi a menor entre as três marcas no estudo. O elástico da 3M Unitek foi semelhante ao da American Orthodontics, com exceção para a amostra 5, cujo valor da força da American Orthodontics foi superior ao da 3M Unitek. A degradação da força, em relação à inicial, foi nas 2 primeiras horas de 14,8%; 17,6% e 14,3%; após 24 horas de 18,4%; 23,2% e 18,3%; depois de 48 horas 18,5%; 25,1% e 21,6%; e ao final de 72 horas 19,0%; 25,6% e 22,8%, respectivamente Dental Morelli, 3M Unitek e American Orthodontics. O elástico 5/16” pode ser trocado a cada 72 horas.

Os elásticos apresentaram diferenças estatisticamente significativas tanto em espessura quanto
em largura.

Link do artigo na integra via Scielo:

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Confecção de uma ferramenta para se fazer Stripping


Nese artigo de 2009, publicado pelo Journal of Clinical Orthodontics, pelos autores ANKUR AGGARWAL, U.S. KRISHNA NAYAK; do Department of Orthodontics A.B. Shetty Memorial Institute of Dental Sciences Deralakatte, Mangalore, Karnataka, India. Mostra a construção e a utilização de um arco que se adapta a lixas para Slice(Stripping) feito com fio Ortodontico.

Os autores relatara que Criaram um instrumento simples para se realizar stripping interproximal. A fabricação é feita da seguinte forma:

1. Dobre uma loop com três círculos com um diâmetro de 6 milímetros no centro de uma num fio de secção 0.040 "de aço inoxidável rígido. As pernas livres devem formar um ângulo de aproximadamente 130 °.

2. Confecciona-se curvas adicionais de 30 ° no centro da cada perna e com duas curvas de volta no final de cada perna.

3. Inserir uma lixa para stripping interproximal em uma das duas curvas de volta, enrolando-lo através dela duas vezes para prendê-la. Depois de comprimir o compartimento de forma que os fins fiquem paralelos entre si, insira a outra extremidade da lixa interproximal na segunda curvatura do lado oposto, em volta da mesma maneira. A tira de lixa agora está pronta para uso. Esta ferramenta é facilmente fabricada, e a tira interproximal pode ser trocada rapidamente no consultório.


Link do artigo na integra via JCO-online:

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

A importância da tomografia computadorizada volumétrica no diagnóstico e planejamento ortodôntico de dentes inclusos






Neste artigo de 2009, publicado pela Revista Gaucha de Odontologia, pelos autores Mariana Martins e MARTINS, Maria Teresa de Andrade GOLDNER, Álvaro de Moraes MENDES, Alfredo Soares VEIGA, Tatiana Araújo de LIMA, Rúbens RAYMUNDO JÚNIOR; da Universidade Veiga de Almeida, Pós-Graduação em Odontologia - Rio de Janeiro. Aborda a Tomografia Cone Bean, intrumento de diagnostico imprescindivel para o ortodontista, principalmente nas situações onde ocorram a presença de unidades dentarias inclusas.

Um dente é considerado incluso quando está em posição intra-óssea após seu período de erupção. Esta situação ocorre em cerca de 25% a 50% da população. De acordo com Bishara, a etiologia dos dentes inclusos pode ser dividida em: fatores gerais e locais que incluem a deficiência de espaço no arco para sua erupção, retenção prolongada de dentes decíduos, posicionamento atípico do germe dentário, presença de fenda palatina, anquiloses, formações císticas e neoplásicas, trauma dentoalveolar e dilaceração radicular.

Os casos que apresentam dentes inclusos aumentam a complexidade do tratamento ortodôntico. Nestes casos, os primeiros exames complementares solicitados, geralmente, são as radiografias panorâmicas e periapicais. Porém, estes exames são bidimensionais e muitas vezes fornecem informações limitadas a respeito da real posição do dente impactado e da condição em que este se encontra. Muitas vezes, podem apresentar dilacerações e reabsorções imperceptíveis nos exames tradicionais.

Recentemente foi introduzida na odontologia a Tomografia volumétrica computadorizada. Este tipo de exame permite a visualização das estruturas anatômicas em três dimensões, fornecendo muito mais detalhes e informações.

A tomografia volumétrica computadorizada é uma ferramenta de diagnóstico essencial para os casos de dentes inclusos, pois fornece a localização precisa deste elemento e dos dentes e estruturas adjacentes. Permite um planejamento mais seguro e preciso com relação à movimentação ortodôntica, além de fornecer importantes informações da condição radicular.

Tanaka et al. relataram que devem ser avaliadas a posição e direção do dente incluso, a quantidade de formação radicular e o grau das dilacerações presentes para decidir se os dentes inclusos podem ou não ter sucesso no tracionamento. Alertam também para o fato que os dentes inclusos quase sempre apresentam dilacerações radiculares que pioram com o passar do tempo. Deste modo, o tratamento ortodôntico, que envolve dentes inclusos, demanda um planejamento detalhado de como e quando este dente será tracionado com o objetivo de eliminar a progressão da dilaceração.

A principal forma de tratamento de dentes inclusos é o tracionamento ortodôntico após exposição cirúrgica destes elementos. Porém algumas falhas podem ocorrer nesta opção de tratamento, devido à anquilose ou reabsorções radiculares. E mesmos alguns casos de sucesso de tracionamento podem apresentar formação radicular irregular ou uma margem gengival esteticamente inadequada. Todos estes dados também devem ser passados para os responsáveis do paciente.

A tomografia computadorizada volumétrica se mostrou uma ferramenta de diagnóstico essencial para os casos de dentes inclusos, pois fornece a localização precisa deste elemento e dos dentes e estruturas adjacentes. Permite um planejamento mais seguro e preciso com relação à movimentação ortodôntica, além de fornecer importantes informações da condição radicular.


Link do Artigo na Integra via RGO (Clicar em PDF no final da Pagina):

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Sliding Jig: confecção e mecanismo de ação






Neste artigo de 2004, pela Revista Dental Press, pelas(os) autores(as) Adriana Simoni Lucato, Eloísa Marcantônio Boeck, Silvia Amelia Scudeler Vedovello, João Sarmento Pereira Neto, Maria Beatriz Borges de Araújo Mangnani; do Departamento de Odontologia Infantil da FOP-UNICAMP - Sao Paulo. Apresentam o método de confecção e o mecanismo de ação de um dispositivo ortodôntico auxiliar na movimentação dentária conhecido como Sliding Jig. Hoje muito utilizado em associação com os mini implantes como meio de distalização de molares.

A má oclusão de Classe II foi descrita por Angle, no início do século XX, como sendo uma displasia ântero-posterior caracterizada pelo menor desenvolvimento mandibular em relação à maxila. Segundo McNamara Jr. a má oclusão de Classe II não representa uma entidade clínica única, e sim o resultado de combinações de componentes dentários e esqueléticos.

A correção da Classe II tem despertado grande interesse de parte dos ortodontistas, principalmente no que tange a utilização de aparelhos removíveis. A partir de Oppenheim (1936), que obteve sucesso ao corrigir a Classe II divisão 1 com o uso da ancoragem extrabucal, vários profissionais se empenharam em desenvolver novos aparelhos e novas técnicas para a correção da Classe II, demonstrando os efeitos dentários e ortopédicos que poderiam ser obtidos por meio destes aparelhos.

A correção da Classe II pode ser realizada, também, por sistemas de forças como a utilização de fios, cursores e elásticos, no intuito de produzir a distalização dos molares para que ocorra o correto engrenamento em Classe I. Em casos que não se indica a extração de prémolares, a distalização dos molares por meio de dispositivos auxiliares é tida como meta do tratamento.

Várias técnicas e aparelhos auxiliares têm sido desenvolvidos com o intuito de se corrigir a Classe II, seja ela esquelética, dentária ou uma combinação entre ambas. Porém, quando nos referimos ao uso de aparelhos extrabucais, entre eles, Kloehn, utilizado para movimentar dentes individualmente ou em grupo, nota-se rejeição de parte da maioria dos pacientes. Pesquisas recentes têm incentivado a busca de meios, através de aparelhos fixos inter ou intramaxilares, para a correção da má oclusão, sem depender da colaboração do paciente.

Dentre as variações de aparelhos fixos interarcos encontram-se o Herbst, Jasper Jampers, Aparelho de Protração Mandibular, Eureka Spring que produzem efeitos ortodônticos e ortopédicos. Há também, neste grupo aparelhos que requerem pequena colaboração dos pacientes, tais como os elásticos com cursores e o arco de Wilson. Ainda na tentativa de distalizar molares, porém com força e ancoragem intra-arco encontram-se o Jones Jig, o aparelho de Nance Modificado com molas superelásticas, Barra Transpalatina, Magnetos Repelentes e o Pendulum, sendo que estes dependem menos ainda da cooperação dos pacientes.

É dada preferência, portanto, à utilização de aparelhos intrabucais para correção das más oclusões, desde que com eficácia, segurança e menor desconforto ao paciente venha solucionar a má oclusão. Assim, demonstraremos a confecção e o mecanismo de ação de um dispositivo intrabucal, interarcos, conhecido como Sliding Jig que promove a distalização de dentes corrigindo a Classe II.

O uso do cursor deslizante associado a elásticos de Classe II foi descrito por Tweed com a finalidade de distalizar os dentes superiores, mantendo um preparo prévio de ancoragem inferior.

A mecânica de Sliding Jig faz uso de um cursor deslizante tracionado por um elástico intermaxilar sobre o fio de nivelamento que deve ser um fio de calibre .020”ou até mesmo um fio retangular que não ofereça atrito para o deslize. Este dispositivo pode ser utilizado como método auxiliar para distalização de dentes (molares, pré-molares e caninos) ou como ancoragem, e que pode ser aplicado em qualquer técnica ortodôntica. Podemos considerar que o elástico intermaxilar parte de um arco de estabilidade inferior ou superior, Classe II e Classe III respectivamente e são colocados no gancho dos cursores.

Ao se utilizar a mecânica de distalização com apoio de elásticos intermaxilares, deve-se ter em mente que os elásticos de Classe II e Classe III podem apresentar efeitos indesejáveis, como a componente de força vertical sobre o dente de apoio do elástico podendo causar extrusão e ou giro do mesmo e, uma componente mesial que tende a mesializar os dentes anteriores, resultando em inclinação vestibular dos incisivos superiores ou inferiores. Portanto, torna-se necessário o conhecimento de manobras ortodônticas que possam atuar minimizando ou neutralizando os efeitos colaterais decorrentes do uso de elásticos intermaxilares.

CONCLUSÃO

1) O dispositivo Sliding Jig é de fácil confecção e baixo custo, principalmente por dispensar a fase laboratorial.

2) A mecânica com Sliding Jig é simples e eficiente e pode ser usada para movimentar molares e também outros dentes, uni ou bilateralmente.

3) Durante a mecânica com Sliding Jig são necessárias manobras que visam eliminar os efeitos colaterais decorrentes do uso de elástico intermaxilar.

4) A mecânica de Sliding Jig requer colaboração do paciente.

5) O Sliding Jig é bem aceito pelo paciente por ser um dispositivo intrabucal.


Link do artigo na integra via Dental Press:

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Noticias do BLOG



“Natal não é uma época nem uma estação, mas um estado da mente. Apreciar a paz e benevolência, ser abundante em clemência, é ter o real espírito de Natal.”

Calvin Coolidge


Boas Festas a TODOS !!!!!!!!!

Marlos Loiola

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Tratamento ortodôntico em pacientes com periodonto de inserção reduzido


Neste artigo de 2009, publicado pela Revista Gaúcha de Odontologia, pelos autores Fernanda Labayle Couhat CARRARO, Cristina JIMENEZ-PELLEGRIN; do Centro de Pesquisas Odontológicas São Leopoldo Mandic, Programa de Pós-Graduação, Faculdade de Odontologia, Campinas, São Paulo, Brasil. Realiza uma revisão de literatura sobre o tratamento ortodôntico para pacientes com periodonto de inserção reduzido.

As doenças periodontais estão entre as doenças crônicas mais comuns nos seres humanos, afetando de 5 a 30% da população adulta de 25 a 75 anos de idade, sendo a causa mais frequente de perdas dentárias em adultos. Sabe-se também que na presença da doença periodontal a saúde geral pode ficar comprometida. Existem evidências de que as periodontites aumentam o risco de certas afecções sistêmicas, entre elas, algumas doenças cardíacas, parto prematuro e baixo peso ao nascer. Dessa forma, a prevenção e o tratamento da doença periodontal devem ser necessários e fundamentais não apenas para a manutenção da saúde do periodonto, mas também para evitar problemas de ordem geral.

Os primeiros sinais da doença periodontal se manifestam na forma de uma gengivite, decorrentes do acú-mulo de placa bacteriana sobre a superfície dos dentes, levando a uma resposta inflamatória nos tecidos gengivais. A persis-tência da gengivite fará com que a placa bacteriana subgengival ganhe uma composição mais complexa, com a colonização secundária por bactérias Gram-negativas anaeróbias, o que contribuirá para aumentar sua patogenicidade. Assim, e também conforme as respostas imunológicas do hospedeiro, podem se iniciar as variadas formas de periodontite, como a prevalente periodontite no adulto ou, mais raras, as periodontites de acometimento precoce, como a periodontite pré-puberal, a periodontite juvenil localizada e a periodontite de acometimento precoce generalizada. Todas se caracterizam pela destruição do periodonto de sustentação, ou seja, ligamento periodontal, cemento e osso alveolar.

O tratamento ortodôntico é baseado na aplicação de uma força em um dente, que irá produzir o movimento dentário, à medida que ocorre remodelação das estruturas adja-centes. Dessa forma, nota-se que uma estrutura periodontal sadia é extremamente importante para a movimentação dentária, para que se obtenham resultados satisfatórios. Portanto, torna-se importante a integração multidisciplinar entre a ortodontia e a periodontia, com a associação do tratamento ortodôntico e periodontal nos pacientes acometidos pela doença periodontal.

Nota-se que a doença periodontal pode ocorrer tanto em jovens como em adultos, provocando o comprometi-mento do periodonto de sustentação. Nas últimas décadas, houve um aumento significativo de adultos procurando por tratamento ortodôntico. Para todo adulto que procure por tratamento ortodôntico, deve-se realizar uma relação de fatores de risco de doença periodontal e esses fatores, como, por exemplo, estresse, doenças sistêmicas, fumo, osteoporose e predisposição genética, devem ser controlados antes do início do tratamento ortodôntico, para que os problemas não se desenvolvam.

Atingindo frequentemente os elementos dentários anteriores, a doença periodontal pode causar perda de inserção periodontal, perdas ósseas e migração dentária patológica, agravando a estética e a função dentária do paciente; o comprometimento estético é o principal fator de preocupação pelo qual o paciente procura por tratamento ortodôntico6. Essas migrações podem contribuir para o desenvolvimento das maloclusões, pois, com a diminuição do nível de inserção periodontal, o centro de resistência dos dentes afetados desloca-se apicalmente, resultando em um desequilíbrio da posição dentária. Isto leva a uma oclusão traumática que, se associada à placa bacteriana, pode aumentar a destruição periodontal, e, portanto, o tratamento ortodôntico neste caso estaria indicado.

Devem-se estabelecer as metas e os objetivos do tratamento ortodôntico. No tratamento de crianças e adolescentes o objetivo é a finalização, atingindo as seis chaves de oclusão de Andrews, porém, para os pacientes com periodonto reduzido, procura-se levar os dentes para posições isentas de interferências oclusais, possibilitando sua estabilidade e condições periodontais que facilitem a higienização. Os objetivos, assim como as limitações, devem ser explicados ao paciente desde o início do tratamento ortodôntico, pois as expectativas podem superar as possibilidades de resultados.

Existe um consenso entre os autores pesquisados de que se deve iniciar a movimentação ortodôntica somente após o controle da doença periodontal, caso contrário, o processo da doença periodontal será acelerado, mesmo com boas con-dições de higiene bucal, acelerando-se, assim, a perda de inserção. Até mesmo pacientes com condição periodontal satisfatória podem sofrer perdas dentárias se não realizarem a manutenção da higiene bucal durante o tratamento ortodôntico.

Existem controvérsias quanto ao tempo de espera entre o tratamento periodontal e o início da movimentação ortodôntica. Harfin e Zachrisson indicam que se deva aguardar de 2 a 6 meses, avaliando-se a motivação do paciente quanto à higiene bucal e, também, para que ocorra a reparação óssea, contudo, para Re et al. a movimentação ortodôntica deve ser iniciada logo após a realização da terapia periodontal, para que sejam rapidamente estimuladas as células progenitoras do tecido conjuntivo, necessárias para a regeneração tecidual.

Quanto à aparatologia para o tratamento ortodôntico de pacientes com periodonto reduzido, por obter melhor controle do movimento, indica-se o aparelho fixo. Nos molares, é preferível utilizar acessórios colados, no lugar de bandas, pois estas apresentaram maior tendência à retenção de placa bacteriana, provocando reações adversas nos tecidos periodontais. No entanto, essas alterações serão temporárias e reversíveis, desde que sejam respeitados os princípios biológicos durante o movimento ortodôntico. Indica-se, quando possível, o tratamento ortodôntico parcial, restrito à área onde a estética e/ou função necessitam ser melhoradas. Posições mais favoráveis de coroa e raiz são obtidas utilizando o nível ósseo como referência para o posicionamento dos acessórios. O uso de forças leves e mais próximas ao centro de resistência são fatores importantes no controle da movimentação ortodôntica.

A possibilidade de realizar o movimento ortodôntico está relacionada ao tipo de defeito ósseo, devendo ser planejado segundo esse critério, sendo um fator tão impor-tante quanto o diagnóstico, para o sucesso do tratamento. Para o defeito ósseo horizontal, o melhor tratamento é o movimento puro de intrusão ou, ainda, associado ao uso de membranas para a regeneração tecidual guiada. Nos defeitos ósseos verticais, o tratamento adequado é a extrusão, pois o osso alveolar tende a acompanhar o movimento dentário no sentido oclusal, eliminando ou minimizando, dessa forma, o defeito ósseo, entretanto, se existir envolvimento da região de furca, o movimento ortodôntico poderá exacerbar o problema periodontal.

Durante a última década, a possibilidade de restaurar, mesmo dentições severamente comprometidas, foi realmente melhorada. O trabalho da clínica ortodôntica tornou-se mais desafiador com a perspectiva de sucesso no tratamento reabilitador de pacientes com severo grau de comprometimento periodontal, porém, deve-se dar ênfase ao trabalho multidisciplinar, pois está clara a importância da posição dentária na manutenção ou no agravamento da doença periodontal, sobretudo em pacientes com pobre ou má higiene dentária.

Indica-se a realização do tratamento ortodôntico em pacientes com periodonto reduzido, portadores de maloclusões que agravem a condição periodontal e/ou que sofreram migração dentária patológica. A realização do tratamento está contraindicada na presença da doença periodontal ativa.

Os principais riscos do tratamento ortodôntico no paciente que foi acometido pela doença periodontal estão relacionados ao controle da higienização e à magnitude da força utilizada.

Os benefícios do tratamento ortodôntico são: possibilidade de remodelação óssea alveolar e reconstrução da crista óssea por meio do restabelecimento dos pontos de contato; restabelecimento da função; melhora no aspecto estético, atuando positivamente na autoestima do paciente.

Os principais cuidados antes, durante e após o tratamento ortodôntico, em pacientes com periodonto reduzido são: diagnóstico periodontal minucioso; manutenção constante no controle da higiene bucal que deve ser realizada pelo paciente e supervisionada pelo profissional; evitar o posicionamento dos acessórios próximo à margem gengival; uso de forças leves; evitar movimentos extensos, restringindo-se à área onde a estética e/ou função devam ser melhoradas; individualização da contenção.


Link do artigo na integra via Revista RGO:

domingo, 20 de dezembro de 2009

Pensamento da Semana


"A vida é mais simples do que a gente pensa; basta aceitar o impossível, dispensar o indispensável e suportar o intolerável."


Kathleen Norris

1880 - 1966


Link sobre a Autora:


sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Noticias do BLOG


É com muita satisfação que apresento nossos leitores um novo BLOG ligado a Odontologia o Odontologia Forense, o qual conta com a participação dos colegas e autores Rohan Ferreira Silva e do meu amigo e autor também do nosso BLOG, Wendel Shibasaki. Um Blog atualisado constantemente com temas e abordagens interessantes. Conheçam e aproveitem !!!


Link do BLOG:

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Auxiliares Odontológicos em Ortodontia


É com muito prazer que posto um artigo de um, além de amigo, grande nome da odontologia legal do centro oeste e desponta como um dos mais populares produtores científicos do país, nesta área.

Rhonan Ferreira da Silva é professor universitário e de pós-graduação, além e Perito Oficial do Estado de Goias. http://lattes.cnpq.br/4551378145791273

Atualmente é o principal responsável pelo Blog Odontologia Forense, que atende a crescente demanda por conhecimento na área.


Neste artigo, Dr. Rhonan discorre sobre as implicações éticas legais da utilização de auxiliares odontológicos em Ortodontia:

Resumo


Palavras-chave: Ortodontia. Auxiliares de Odontologia. Odontologia legal. Ética.

Introdução: o mercado de trabalho tem se mostrado saturado de profissionais atuando nos
grandes centros urbanos e, por este motivo, as estratégias de produtividade são imprescindíveis.
A delegação de funções aos auxiliares odontológicos tem se tornado vital e corriqueira para
aqueles que exercem a Ortodontia.


Objetivo: conhecer o perfil do cirurgião-dentista especialista nesta área e as funções delegadas por ele à equipe auxiliar.


Metodologia: foi aplicado um questionário a todos os especialistas em Ortodontia e Ortopedia Facial inscritos no Conselho Regional de Odontologia de Goiás, com atividade em Goiânia e Aparecida de Goiânia.

Resultados e Conclusões: os resultados demonstraram que os ortodontistas, de um modo geral,
aproveitam bem a mão-de-obra auxiliar chegando até a ultrapassar os limites ético-legais.



Para visualizar e baixar o artigo completo clique aqui


quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Aplicações da Tomografia Computadorizada na Odontologia


Neste artigo publicado em 2007, pela Revista Pesq. Bras. Odontoped. Clin. Integr., pelos autores Andréia Fialho RODRIGUES, Robert Willer Farinazzo VITRAL; da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Juiz de Fora/MG, Brasil. Descreve as principais técnicas tomográficas existentes e suas aplicações na Odontologia. Realizou uma revisão da literatura sobre os avanços das principais técnicas tomográficas que resultaram em maior acurácia no diagnóstico, menor tempo de exame e menor quantidade de radiação.

O processo da tomografia computadorizada foi baseado num princípio matemático, primeiramente apresentado em 1917, por Randon, um matemático australiano. A primeira técnica tomográfica foi anunciada cinqüenta e cinco anos depois.

A tomografia computadorizada é um método não invasivo, rápido, fidedigno e de alta precisão diagnóstica. Este extraordinário sistema, que permite visualização imediata das lesões cranianas, sem qualquer risco para o paciente e sem a necessidade de internação, foi idealizado por Godfrey N. Hounsfield, engenheiro eletrônico inglês, cujo grande mérito foi a utilização do computador como elemento centralizador dos complexos mecanismos relacionados à tomografia computadorizada.

A tomografia computadorizada é considerada o método de escolha para a imagem das estruturas ósseas. Ela é um método radiológico que permite obter a reprodução de uma secção do corpo humano com finalidade diagnóstica.

Durante as últimas duas décadas as modalidades de imagem por tomografia computadorizada (TC) se desenvolveram de maneira tão rápida que as descrições do equipamento atualmente mais moderno permanecem válidas por apenas alguns meses.

A tomografia computadorizada (TC) é, algumas vezes, comparada à tomografia convencional porque o tubo de raios x e os detectores de dados se movem em relação ao paciente durante a obtenção de imagens. Este movimento resulta na obtenção de uma secção anatômica. Uma diferença fundamental, no entanto, é que a tomografia convencional usa uma técnica de borramento, enquanto a TC usa técnicas de reconstrução matemática computadorizada.

A tomografia é considerada uma técnica radiográfica que fornece a imagem de uma secção ou corte da estrutura de interesse, enquanto que as estruturas que estão acima ou abaixo da região de corte aparecem borradas. As imagens das estruturas são produzidas como se nelas tivessem sido realizado vários cortes, em vários planos de espessura, relativamente pequenos. É uma técnica bastante útil quando é necessário obter imagem de alguma estrutura que sofra sobreposição de estruturas anatômicas como no caso de componentes do ouvido médio e interno que são encobertos pelo osso temporal.

A tomografia computadorizada tem três vantagens gerais importantes sobre a radiografia convencional: a primeira é que as informações tridimensionais são apresentadas na forma de uma série de cortes finos da estrutura interna da parte estudada. Como o feixe de raios está rigorosamente colimado para aquele corte em particular, a informação resultante não é superposta por anatomia sobrejacente e também não é degradada por radiação secundária e difusa de tecidos fora do corte que está sendo estudado. A segunda é que o sistema é mais sensível na diferenciação de tipos de tecido quando comparado com a radiografia convencional, de modo que diferenças entre tipos de tecidos podem ser mais claramente delineadas e estudadas. A radiografia convencional pode mostrar tecidos que tenham uma diferença de pelo menos 10% em densidade; já a tomografia computadorizada pode detectar diferenças de densidade entre tecidos de 1% ou menos. Uma terceira vantagem é a habilidade para manipular e ajustar a imagem após ter sido completada a varredura, como ocorre de fato com toda a tecnologia digital. Esta função inclui características tais como ajustes de brilho, realce de bordos e aumento de áreas específicas. Ela também permite ajuste do contraste ou da escala de cinza, para melhor visualização da anatomia de interesse.

Com o advento da tomografia computadorizada helicoidal, foi alcançada grande melhora nas reconstruções tridimensionais e diminuição na dose de exposição do paciente à radiação.

Durante os primeiros anos da década de 1990, um novo tipo de scanner foi desenvolvido, chamado de scanner de TC por volume (helicoidal). Com este sistema, o paciente é movido de forma contínua e lenta através da abertura durante o movimento circular de 360º do tubo de raios X e dos detectores, criando um tipo de obtenção de dados helicoidal. Desta forma, um volume de tecido é examinado, e dados são coletados, em vez de cortes individuais como em outros sistemas. O tempo total de varredura é a metade ou menos daqueles de outros scanners de terceira ou quarta geração.
Imagens reconstruídas bidimensionais e tridimensionais podem ser obtidas a partir de dados originais da tomografia computadorizada, os quais possibilitam reconstruções indiretas em qualquer plano desejado. É um exame no plano axial, mas que permite a reprodução de imagens em qualquer plano. Tomógrafos mais novos permitem que sejam realizados cortes sem intervalos, o que possibilita a criação de imagens tridimensionais.

A tomografia computadorizada helicoidal provém vantagens sobre a não helicoidal como menor tempo de avaliação e realização de reconstrução multiplanar. A tomografia computadorizada axial, em conjunto com as reconstruções coronal e sagital, tem maior eficácia no diagnóstico que tomografias convencionais. Ela propicia imagens com alta resolução espacial e a mesma dose de radiação da tomografia computadorizada convencional.

No final de 1998, quatro fabricantes de TC anunciaram novos scanners multicorte, todos capazes de obter imagens de quatro cortes simultaneamente. Estes são scanners de terceira geração com capacidades helicoidais e com quatro bancos paralelos de detectores, capazes de obter quatro cortes de TC em uma rotação do tubo de raios X.

Os avanços na TC proporcionam algumas vantagens como tempo de aquisição de imagens mais curtos e redução de 40% na dose de radiação que o paciente recebe nas exposições. A capacidade de adquirir um grande número de cortes finos rapidamente também é considerada uma vantagem.

Uma vez que a varredura multislice produz cortes superpostos e colimação de corte mais fina (abaixo de 1mm), as resoluções espaciais planas e reconstruídas são agora potencialmente similares, mesmo para imagens por TC com pequenos campos de visão.

Uma desvantagem dos scanners de multicorte são os custos significativamente maiores. Há também algumas limitações neste momento quanto à tecnologia de ligação de dados, incapaz de processar o grande volume de dados que pode ser obtido por este sistema.

A tomografia computadorizada tem muitas aplicações na Odontologia. Ela pode ser usada para identificar e delinear processos patológicos, visualizar dentes retidos, avaliar os seios paranasais, diagnosticar trauma, mostrar os componentes ósseos da articulação temporomandibular e os leitos para implantes dentários.

A tomografia computadorizada é muito útil na avaliação de patologias na região de cabeça e pescoço. Ela avalia a presença ou extensão do tumor envolvendo a maxila ou mandíbula, infecção ou outra patologia. Um programa denominado DentaScan ou reformatação multiplanar obtém imagens axial e panorâmica da mandíbula e maxila. Este programa é útil na localização, avaliação, monitoramento e tratamento de várias patologias da mandíbula e maxila. Ele define o contorno, a altura e a espessura do osso alveolar, mostra a posição do nervo alveolar inferior e do assoalho do seio maxilar, sendo muito útil na realização de implantes dentários.

Quando o exame é realizado com cortes de espessura menor que 1,5mm, é possível visualizar a forma e a posição do dente retido, tão bem quanto lesões em dentes permanentes vizinhos. Se o espaço do ligamento periodontal do dente estiver visível será possível a intervenção ortodôntica.

Avaliação dos Seios Paranasais A tomografia computadorizada mostra imagem dos seios maxilar, frontal, etmoidal e esfenoidal. Ela é efetiva na avaliação do tecido ósseo ou mudanças neoplásicas nos tecidos moles dos seios paranasais. Portanto, a habilidade da tomografia computadorizada para identificar alterações com baixo contraste pode ser usada para diferenciar tecidos moles e secreções líquidas nas sinusites.

A avaliação de fraturas complexas dos ossos faciais é de difícil visualização na radiografia convencional. Com o exame de tomografia computadorizada, as estruturas anatômicas podem ser vistas no plano axial, sagital e coronal. Imagens tridimensionais também podem ser obtidas para auxiliar o cirurgião no plano de tratamento.

É consenso entre os autores que a tomografia computadorizada é considerada o método de escolha para a imagem das estruturas ósseas da articulação temporomandibular. A tomografia computadorizada é indicada em condições patológicas como: anomalia congênita, trauma maxilofacial, doenças do desenvolvimento, infecções e neoplasias envolvendo o tecido ósseo. É recomendada também na avaliação da cortical óssea podendo-se observar erosões ósseas, cistos subarticulares, esclerose e osteófitos. Quando neoplasias estão presentes, ocorre um alargamento irregular do côndilo, destruição do côndilo ou cavidade articular, e calcificações do tecido mole. A imagem por ressonância magnética pode ser requerida se houver necessidade de informação sobre a invasão neoplásica nos tecidos moles.

Muitos fatores têm um importante papel no sucesso do tratamento de pacientes com implante osteointegrado. Defeitos ósseos podem ocorrer após a extração de dentes com lesão periapical, com doença periodontal avançada ou como resultado de trauma. Quando um dente é perdido devido a trauma ou a uma causa endodôntica, a parte esponjosa do osso reabsorve rapidamente causando uma concavidade no córtex labial podendo necessitar de procedimentos de reconstrução para que seja possível a colocação de implantes.

CONCLUSÕES

1) A Tomografia Computadorizada é o exame de eleição no diagnóstico de muitas condições que envolvem o complexo maxilo-mandibular;

2) Alguns princípios devem ser respeitados antes de escolher o exame a ser solicitado: saber o que se está procurando, ter conhecimento da técnica que melhor visualizará o tecido a ser observado, ser pouco invasivo, expor o paciente à mínima radiação possível, evitar gastos desnecessários e iniciar o estudo sempre pela técnica mais simples;

3) O valor clínico das técnicas de tomografia computadorizada depende da condição que se está sendo diagnosticada através das imagens, do modelo e da idade do equipamento usado, do protocolo do exame, da experiência e capacidade dos operadores do equipamento e do radiologista.


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