ORTODONTIA CONTEMPORÂNEA

sexta-feira, 17 de maio de 2019

Resultados tridimensional do tratamento em pacientes portadores de Classe II tratados com o aparelho Herbst: Um estudo piloto




Neste artigo de 2013, publicado pelo American Journal of Orthodontics and  Dentofacial Orthopedics. Pelos Autores Megan LeCornu, Lucia H. S. Cevidanes, Hongtu Zhu, Chih-Da Wu, Brent Larson, and Tung Nguyen. Do Department Orthodontics and Pediatric Dentistry, University of Michigan, Ann Arbor, Michigan;  Department of Biostatistics, Gilling School of Global Public Health, University of North Carolina, Chapel Hill, University of Minnesota, Minneapolis.

Os objetivos deste estudo foram analisar as alterações esqueléticas tridimensionais em indivíduos com má oclusão de Classe II tratados com o aparelho de Herbst e compará-las com grupo controles Classe II tratados utilizando técnicas de sobreposição tridimensional.

Sete pacientes consecutivos tratados com Herbst e 7 controles Classe II tratados com elásticos de Classe II que atenderam aos critérios de inclusão tiveram tomografias computadorizadas de feixe cônico tomadas antes do tratamento, e após a remoção de Herbst ou no pós-tratamento para os controles. Modelos tridimensionais foram gerados a partir das imagens de tomografia computadorizada de feixe cônico, registrados nas bases cranianas anteriores, e analisados por meio de mapas de cores e medidas ponto-a-ponto.

Os pacientes tratados com Herbst demonstraram translação anterior dos côndilos e das  fossas glenoides (fossa anterior direita, 1,69 ± 0,62 mm; fossa anterior esquerda, 1,43 ± 0,71 mm; côndilo anterior direito, 1,20 ± 0,41 mm; côndilo anterior esquerdo, 1,29 ± 0,57 mm) enquanto o deslocamento posterior predominou nos controles (fossa anterior direita, -1,51 ± 0,68 mm; fossa anterior esquerda, -1,31 ± 0,61 mm; côndilo anterior direito, -1,20 ± 0,41 mm; côndilo anterior esquerdo, -1,29 ± 0,57 mm). Houve mais projeção anterior do ponto B nos pacientes com Herbst (2,62 ± 1,08 mm versus 1,49 ± 0,79 mm). O deslocamento anterior do ponto A foi mais predominante nos controles quando comparado aos pacientes com Herbst (1,20 ± 0,53 mm vs -1,22 ± 0,43 mm).

Os Autores concluíram que os  Pacientes moradores de Classe II tratados com o aparelho de Herbst demonstraram deslocamento anterior dos côndilos e fossas da glenoide juntamente com restrição maxilar quando comparados com os controles Classe II tratados; isso pode resultar em mais projeção anterior da mandíbula.

Link do Artigo na Integra via  NCBI:



quarta-feira, 15 de maio de 2019

15 de maio, dia Mundial da Saúde em Ortodontia - Iniciativa da World Federation of Orthodontists




15 de maio é o Dia Mundial da Saúde Ortodôntica, e a World Federation of Orthodontists, criou um logotipo especial e cartazes que irão estabelecer a identidade da marca desta celebração anual para a frente. O logotipo, disponível em uma variedade de formatos, está disponível para download (veja abaixo). Os membros da WFO usam este logotipo em todos os materiais promocionais para esta celebração. Clique nos cartazes ou veja a página do site em cartazes para obter mais informações.

O Comitê de Promoções da WFO composto pelo Dr. Nikhilesh Vaid, presidente; Dr. Ricardo Machado Cruz do Brasil e Dr. Yanheng Zhou da China avaliaram mais de 25 projetos voltados para criar um logotipo que simbolicamente representa o Dia Mundial da Saúde Ortodôntica.

O artista, Ananth Shankar,  renomado designer e cartunista, escreve sobre o logotipo escolhido:





"O Dia Mundial da Saúde Ortodôntica é comemorado por um logotipo que visa tornar-se um ícone facilmente reconhecido de cuidados ortodônticos em todo o mundo."

O Comitê Executivo da WFO escolheu o dia 15 de maio para o Dia Mundial de Saúde em Ortodontia, uma vez que marca a assinatura do estatuto da WFO em 1995 durante o IV Congresso Internacional de Ortodontia, em São Francisco. Dia Mundial da Saúde em Ortodontia é projetado para amarrar o passado e futuro da WFO juntos.



As organizações afiliadas foram encorajadas a planejar atividades neste dia com sua associação. Essas atividades podem ser de natureza promocional ou científica. Outras celebrações serão realizadas em todo o mundo.  


Maiores informações no site da World Federation of Orthodontists e do THE WORLD ORTHODONTIC HEALTH DAY:

http://www.wfo.org/about-wfo/world-orthodontic-health-day/



segunda-feira, 13 de maio de 2019

Movimento dentário humano induzido por tensões contínuas altas e baixas




Neste artigo de 2014, publicado pela Angle Ortohodontist, pelos autores Whitney N. DeForest; Jodi K. Hentscher-Johnson; Ying Liu; Hongzeng Liu; Jeffrey C. Nickel; Laura R. Iwasaki; do Departments of Orthodontics & Dento-facial Orthopedics and Oral & Craniofacial Sciences, University of Missouri-Kansas City UMKC SOD) , Kansas City, Mo. Mostra um estudo realizado para avaliar a eficiência biomecanica com níveis de força variáveis no procedimento de retração dos caninos superiores.

O estudo foi realizado com o intuito de comparar movimentos dentários tridimensionais resultantes de tensões relativamente mais elevadas e menores em um desenho de boca dividida.

Oito voluntários cujos primeiros pré-molares superiores foram removidos para tratamento ortodôntico participaram. Caninos superiores de cada indivíduo aleatoriamente foram retraídos por tensões constantes de 78 kPa e 4 kPa através de mecânica segmentar. Modelos de gesso representando 8-10 visitas por sujeito em mais de 84 dias e um microscópio de três eixos foram usados ​​para medir movimentos em série. A Estatística descritiva e modelagem linear mista foram aplicados para análise de dados.

Dentes movidos por 78 kPa apresentaram significativamente movimento distal mais rápido  (0,066 +- 0,020 milímetros / dia) em comparação com os dentes movidos por 4 kPa (0,031 +- 0,012 milímetros / dia). O movimento lateral e rotação distopalatal também foram significativamente mais rápidos (quatro vezes e 10 vezes, respectivamente) com a tensão mais elevada do que com  mais baixa. A Média de extrusão-intrusão, torque coroa, e de tip foram pequenos, oscilou, e não foram significativamente diferentes entre as tensões altas e baixas. Nenhuma fase atraso da movimentação dentária foi evidenciada.

Os autores concluíram que os Caninos superiores foram retraídos mais rápido com 78 kPa do que por 4 kPa. A Translação Controlada foi possível com 4 kPa, mas 78 kPa ultrapassou limitações do aparelho, fazendo com que ocorresse uma rotação distopalatal.

Link do artigo na integra via Angle Orthodontist, (Angle Orthod. 2014;84:102–108.):

terça-feira, 7 de maio de 2019

Estudo qualitativo fotoelástico do sistema de forças gerado pela mola “T” de retração com diferentes pré-ativações



Neste artigo de 2010, publicado pelo Dental Press Journal of Orthodontics, pelos autores Luiz Guilherme Martins Maia, Vanderlei Luiz Gomes, Ary dos Santos-Pinto, Itamar Lopes Júnior, Luiz Gonzaga Gandini Jr. Da da Disciplina de Ortodontia do curso de Odontologia da Universidade Tiradentes/SE; Do departamento de Prótese Removível e Materiais Odontológicos da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal de Uberlândia. Mestre e Doutor em Odontologia pela USP - Ribeirão Preto /SP; da Disciplina de Ortodontia do Departamento de Clínica Infantil da Faculdade de Odontologia de Araraquara – UNESP.

Objetivou avaliar o sistema de forças gerado pela mola T utilizada para fechamento de espaços.

Por meio do método experimental fotoelástico, avaliou-se a mola T utilizada no fe- chamento de espaços com duas variações de pré-ativação em sua porção apical, sendo uma com 30º e a outra com 45º. As molas foram confeccionadas com fio retangular de titânio-molibdênio (TMA) de secção 0,017” x 0,025”, centralizadas no espaço interbraquetes de 27mm e ativadas em 5,0mm, 2,5mm e posição neutra. Para melhor confiabilidade dos resultados, os testes foram repetidos em três modelos fotoelásticos igualmente reproduzidos e confeccionados pelo mesmo operador. Para compreensão dos resultados, as franjas fotoelásticas visualizadas no polariscópio foram fotografadas e analisadas qualitativamente.

Por meio da análise qualitativa da ordem de franjas no modelo fotoelástico, notou-se que, nas extremidades de retração e anco- ragem, a mola T com 30º de ativação apical apresentou um acúmulo de energia discretamente maior para o sistema de forças liberado.

Concluiram que utilizando o método experimental fotoelástico para análise qualitativa do sistema de forças libera-do pela mola T centralizada e confeccionada com fio de TMA 0,017” x 0,025”,  observaram que:

1. O estado de tensão em toda a superfície radicular da mola T com pré-ativação preconizada por Souza et al. em 2003 mostrou-se discretamete maior quando comparado com a mola T com pré-ativação preconizada por Marcotte em 1993.

2. Com ativação de 2,5mm, a ordem de franjas exibiu uma tendência de movimento de inclinação controlada.

3. A ordem de franjas mostrou-se semelhante na ativação de 2,5mm para as pré-ativações de 30° e de 45°.

4. Com ativação de 5,0mm, a concentração de energia, ou de força, mostrou-se claramente maior em ambas as pré-ativações.


Referencias:

. Souza RS, Santos-Pinto A, Shimizu RI, Sakima MT, Gandini LG Jr. Avaliação do sistema de forças gerado pela alça T de retração, pré-ativada segundo o padrão UNESP-Araraquara. Rev Dental Press Ortod Ortop Facial. 2003 set-out;8(5):113-22

.  Marcotte MR. Biomecânica em Ortodontia. São Paulo: Ed. Santos; 1993.


Link do artigo na Integra via Scielo:

terça-feira, 30 de abril de 2019

Taxa de falha primária de 1680 mini-parafusos inferiores extra-alveolares "Buccal Shelf" inseridos na mucosa livre ou na gengiva inserida








Neste artigo de 2015, publicado pela Angle Orthodontist, pelos autores Chris Chang ; Sean S.Y. Liu; W. Eugene Roberts. Da Private Practice, Beethoven Orthodontic Center, Hsinchu City, Taiwan. Apresenta um estudo que compara a taxa de insucesso inicial  (≤4 meses) de mini-parafusos extra-alveolares mandibulares buccal shelf (MBS) instalados em mucosa livre(ML)  ou gengiva inserida (GI).

No presente estudo, foram inseridos 1680 mini-parafusos MBS de aço inoxidável de 2 x 12-mm  em 840 pacientes (405 homens e 435 mulheres, com idade média, 16 ±5 anos). Todos os parafusos foram colocados o mais paralelo possível, lateralmente ao processo alveolar, entre  primeiro e segundo molares inferiores, próximo à junção mucogengival (abordagem extra-alveolar). As cabeças dos parafusos ficaram pelo menos 5 mm acima dos tecidos moles. Foram aplicadas cargas de 227g-397g com elásticos em cadeia para retrair o segmento  mandibular anterior durante pelo menos 4 meses. Os pacientes foram orientados como realizar a higiene oral de forma correta para controlar inflamação e a estabilidade dos mini-parafusos MBS foram testadas a cada consulta.

Os autores observaram que no total de 1680 miniparafusos, 121 falharam (7,2%): 7,31% estavam em ML e 6,85% em GI (diferença estatisticamente insignificante). As falhas foram unilaterais em 89 pacientes e bilaterais em 16. As falhas do lado esquerdo (9,29%) foram significativamente maiores (P< .001) em comparação com as do lado direito (5,12%). A idade média para pacientes com falha foi de 14 ± 3 anos.

Concluíram que os mini-parafusos MBS foram altamente bem sucedidos (aproximadamente 93%), mas não houve diferença significativa entre a colocação em MM ou GI. As falhas foram mais comuns do lado esquerdo do paciente e em pacientes adolescentes mais jovens. Tendo 16 pacientes com falhas bilaterais, sugere-se que uma pequena fração dos pacientes (1,9%) estão predispostos a falhas com este método. (Angle Orthod. 2015; 85: 905-910.)

PALAVRAS-CHAVE: Mandibular Buccal Shelf; Mini-parafusos; Ancoragem esquelética; Gengiva inserida; Mucosa alveolar; Ancoragem ortodôntica extra-alveolar

Nossos Agradecimentos pela tradução a Dra Nathalia Torres

Link do Artigo na integra via Angle Orthodontist:

terça-feira, 23 de abril de 2019

Luto na Ortodontia Brasileira - Com muito pesar, perdemos o Professor Dr. Sebastião Inetrlandi



Prof. Dr Sebastião Interlandi no inicio de sua carreira na Ortodontia

Prof. Dr Sebastião Interlandi com seu Amigo e Colega, o Professor Dr Décio Rodrigues (USP/Bauru)


Prof. Dr Sebastião Interlandi e sua Esposa Professora Dra 
Solange Fantini (USP/São Paulo) com o Prof. Dr. Ravindra Nanda (Universidade de Connecticut - EUA)




É com grande pesar que soubemos da inestimável perda na Ortodontia Brasileira e Mundial, faleceu  Professor Dr. Sebastião Interlandi, um dos pioneiros da nossa especialidade.  O único professor Emérito em Ortodontia da USP. Recebeu o título em novembro de 2002.

Foi contratado em 1957 como Professor Assistente da cadeira de Ortodontia e Odontopediatria, da Faculdade de Odontologia da USP, que naquela época constituíam uma só disciplina. Dr.  Sebastião  Interlandi,  após  2 anos de intensos estudos de Pós-Graduação em Ortodontia, com o título de “Master of  Science” pela Universidade  de  Saint Louis. Voltou  entusiasmado e  com  sua  vocação inata  para  a  docência, entabulava conversações com o Diretor da Faculdade de Odontologia, Dr. Adamastor Corrêa para a criação de um curso “Stricto  Sensu” ao  nível de  mestrado, em  Ortodontia.

Em 1966, o professor Sebastião Interlandi tornou-se o primeiro coordenador do curso de especialização em Ortodontia da Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo (USP). Ao qual, mais tarde, se juntaria o título de Livre Docente concedido pela USP (1968). O ensino básico abrangia a técnica Edgewise e informações sobre outras técnicas ortodônticas. Em 1974 o curso foi credenciado junto ao Conselho Federal de Educação (CFE) como Mestrado em Odontologia, área de concentração em Ortodontia. Naquele mesmo ano, o professor Sebastião Interlandi concorreu a concurso público e alcançou o cargo de Professor Titular. 


Referencias Bibliográficas:

1- Dr. Décio Rodrigues Martins, Histórico da Ortodontia Paulista, Maringá, v. 9, n. 2, p. 18-20, mar./abr. 2004 

2-Oswaldo de Vasconcellos Vilella, O desenvolvimento da Ortodontia no Brasil e no mundo, Maringá, v. 12, n. 6, p. 131-156, nov./dez. 2007 

Links dos artigos que contam uma parte da Historia da Ortodontia no Brasil:




segunda-feira, 22 de abril de 2019

Decisão de tratamento em pacientes adultos com má oclusão de classe III: cirurgia versus ortodontia



Neste artigo de 2018, publicado pela Progress in Orthodontics, pelos Autores Sara Eslami, Jorge Faber, Ali Fateh, Farnaz Sheikholaemmeh, Vincenzo Grassia e Abdolreza Jamilian. Do Department of Orthodontics, Tehran Dental Branch, Craniomaxillofacial Research Center, Islamic Azad University, No 14, Pesiyan Ave., Vali Asr St., Tehran, Iran. Department of Orthodontics, Faculty of Health Science, University of Brasilia, Brasilia, Brazil. Craniomaxillofacial Research Center, Tehran Dental Branch, Islamic Azad University, Tehran, Iran.Multidisciplinary Department of Medical-Surgical and Dental Specialties, University of Campania ‘Luigi Vanvitelli’, Naples, Italy.

Discorre sobre uma das questões mais controversas no planejamento do tratamento de pacientes com má oclusão de classe III que é a escolha entre camuflagem ortodôntica e cirurgia ortognática. O objetivo do estudo foi delinear medidas diagnósticas em casos de classe III limítrofes para a escolha do tratamento adequado.

Telerradiografias de pré-tratamento de 65 pacientes exibindo classe esquelética moderada III foram analisadas. O grupo de camuflagem foi composto por 36 pacientes com idade média de 23,5 (DP 4,8), e o grupo de cirurgia foi composto por 29 pacientes com idade média de 24,8 anos (DP 3,1). O tratamento de camuflagem consistiu na vestibularização dos incisivos superiores e na retração dos incisivos inferiores, e o grupo cirúrgico foi corrigido pelo recuo da mandíbula, avanço maxilar ou cirurgia bimaxilar. O teste U de Mann-Whitney foi usado para comparar as variáveis entre os dois grupos. A análise discriminante stepwise foi aplicada para identificar as variáveis dentoesqueléticas que melhor separam os grupos.

O ângulo de H Holdaway e a avaliação de Wits foram capazes de diferenciar entre os pacientes adequados para camuflagem ortodôntica ou tratamento cirúrgico. Casos com um ângulo de Holdaway maior que 10,3 ° e avaliação de Wits maior que - 5,8 mm seriam tratados com sucesso por camuflagem, enquanto aqueles com ângulo Holdaway inferior a 10,3 ° e com avaliação Wits menor que - 5,8 mm podem ser tratados cirurgicamente . Com base nesse modelo, 81,5% dos pacientes foram devidamente classificados.

Os Autores concluíram que o ângulo H de Holdaway e a avaliação de Wits podem ser usados como um parâmetro diagnóstico crítico para determinar a modalidade de tratamento em casos limítrofes de classe III.

Link do Artigo na Integra via NCBI:

quinta-feira, 18 de abril de 2019

Utilização de recursos 3D na rotina ortodôntica






Neste artigo publicado em 2019, na Revista Ortodontia SPO, pelo autor Marlos Loiola, do Programa de pós graduação a nível de Doutorado em Ciências Odontológicas (Ortodontia) – Unesp Araraquara

Mostra que nas últimas décadas, a Ortodontia vem passando por enormes transformações, principalmente com a incorporação de novos recursos digitais e tridimensionais nos campos do diagnóstico, planejamento e execução do tratamento. Inevitavelmente, o ortodontista contemporâneo terá que, paulatinamente, se familiarizar e incorporar na rotina clínica diária, tornando assim os tratamentos cada vez mais previsíveis e seguros – tanto para suas condutas quanto para o conforto e satisfação do paciente –, não deixando de ter a convicção de que sempre e independente do tipo de tecnologia, o conhecimento científico, clínico e técnico estarão pautados em estudos que nortearão o julgamento do profissional, que sempre estará à frente conduzindo esses novos recursos.

O artigo mostra e descreve diversas aplicações práticas da utilização de tecnologias digitais e tridimensionais dentro de uma rotina clinica do Ortodontista do século XXI. Artigo direto ao ponto da revista OrtodontiaSPO, que selecionou algumas das palestras do Congresso Brasileiro de Ortodontia de 2018 e a transformou em artigo escrito.

Link do Artigo via OrtoCiencia:





terça-feira, 16 de abril de 2019

Retração de caninos realizada com mini-implante e micro-osteoperfuração: Um ensaio clínico randomizado em boca dividida




Neste artigo de 2019, publicado na Angle Orthodontist, pelos autores Saritha Sivarajan; Jennifer Geraldine Doss; Spyridon N. Papageorgiou; Martyn T. Cobourne; Mang Chek Wey. Do Department of Pediatric Dentistry and Orthodontics, Faculty of Dentistry, University Malaya, Kuala Lumpur, Malaysia; Department of Community Oral Health and Clinical Prevention, Faculty of Dentistry, University Malaya, Kuala Lumpur, Malaysia; Clinic of Orthodontics and Pediatric Dentistry, Center of Dental Medicine, University of Zurich, Zurich, Switzerland; Center of Craniofacial Development and Regen- eration, Department of Orthodontics, King’s College, London, United Kingdom.

Teve o objetivo de realizar uma pesquisa  usando um desenho clínico randomizado em boca dividida, para avaliar o efeito da micro-osteoperforação (MOP) em regiões próximas a mini-implantes que apoiavam uma retração canina utilizando aparelhos fixos.

Trinta pacientes (sete do sexo masculino e vinte e três do sexo feminino) com idade média de 22,2 (3,72) anos foram randomizados em três grupos de retração canina: Grupo 1 (MOP 4-semanal maxila / 8-semanal mandíbula; n 1⁄4 10); Grupo 2 (MOP 8-semanalmente maxila / 12-semanal mandíbula; n 1⁄4 10) e Grupo 3 (MOP 12-semanal maxila / 4-semanalmente mandíbula; n 1⁄4 10) medido em intervalos de 4 semanas durante 16 semanas . Os pacientes também preencheram questionários sobre dor (escala Likert de 5 pontos) e o impacto da dor (Escala Visual Analógica). O desfecho primário foi a quantidade de retração canina ao longo de 16 semanas nos locais MOP (experimental) e não-MOP (controle).

A retração total média dos caninos foi de 4,16 (1,62) mm com MOP e 3,06 (1,64) mm sem a MOP. Após o ajuste das diferenças, todos os grupos MOP exibiram uma distalização canina significativamente maior do que o grupo controle: 0,89 mm a mais (intervalo de confiança de 95% [IC] 1⁄4 0,19 a 1,59 mm; P 1⁄4 .01) no MOP- 4 grupo, 1,08 mm a mais (IC 95% 1,44 a 0,68 mm; P 1,4 -1,00) no grupo MOP-8 e 1,33 mm a mais (IC 95% 1 a 4 0,55 a 2,10 mm; P 1 4,002) no grupo MOP-12. Todos os indivíduos relataram dor associada à MOP com 60%, classificando-a como moderada e 15% grave. O principal impacto dessa dor relatada foi relacionado à mastigação e fala.

O MOP pode aumentar a retração total canina suportada por mini-implantes ao longo de um período de observação de 16 semanas, mas é improvável que esta diferença seja clinicamente significativa.

Link do artigo na integra via Angle Orthodontist:





quinta-feira, 28 de março de 2019

Historia da Ortodontia - Dr. Spencer Roane Atkinson










Neste artigo publicado no site da University of the Pacific - São Francisco - California, pelo autor Doutor Dorothy Dechan, que conta a Historia do Dr.Spencer Atkinson, grande nome da Ortodontia. Foi aluno e posteriomente professor da Angle School de Ortodontia, que com seus estudos presenteou a Ortodontia com fundamentações Biologicas embasadas nos estudos de anatomia sobre crescimento, realizados em Crânios.


Nascido em 02 setembro de 1886 na fazenda da família em Camden County perto de Brunswick, Georgia, Spencer Roane Atkinson foi o filho de um dentista pioneiro da Geórgia. Seguiu o seu ensino preparatório no Colégio Marista, em Atlanta e na Faculdade de Tecnologia da Geórgia, ele voltou sua atenção para a odontologia, na qual se licenciou em 1917 em DDS no Dental College do Sul de Atlanta, depois na Universidade de Emory.


De 1917 a 1924 Spencer Atkinson ensinou anatomia e ortodontia na Emory. Durante esses anos, o seu exercicio Prófissional prático era realizado em Atlanta e foi dedicado exclusivamente à ortodontia. Sua decisão de se especializar em odontologia voltada a crianças, e particularmente em ortodontia, foi alcançado depois de muita reflexão. A Ortodontia como qualidade de Vida, Dr. Atkinson explicava:


"Ortodontia é necessário? Levei quatro anos para encontrar minha primeira resposta. Eu tinha muitos problemas que poderiam ser resolvidos por intervenções ortodônticas que eu pensei que, como muitas pessoas ainda pensam hoje em dia, que dentes tortos são o menor dos males. Comecei na faculdade a me especializar em placas dentárias (dentaduras). Isto pareceu-me ser o campo onde eu poderia doar um grande serviço ao mundo. O trabalho do homem parecia mais necessário nessa prática e mais propicio a servir as pessoas de idade. Evoluí meus estudos universitários, e percebi que a boca desdentada, não foi o começo ideal para um jovem com ideais.


Por que trabalhar com placas, quando eu poderia ser capaz de salvar alguns dos dentes? Então, estudei. O ideal mesmo levou-me passo a passo para uma decisão de tentar evitar próteses especializando-se com estudo de prevenções que evitassem fazer inlays desnecessárias. Pouco antes da formatura, eu havia me inserido na área de odontologia voltado para crianças. "


Não demorou muito para que o Dr. Atkinson percebesse a nocividade dos dentes tortos para as crianças. Não só eles eram desconcertantes cosmeticamente, mas, mais importante, que levava à evolução para outros problemas dentários. Ele decidiu que só especializado no estudo da ortodontia ele poderia se tornar proficiente em tratar as causas subjacentes de uma dentição pobre e, portanto, fornecer os melhores cuidados odontologicos possíveis a seus pacientes.


Em 1919, o Dr. Atkinson fez contato com o Dr. Edward H. Angle, então famoso mestre da especialidade da Ortodontia nascente, que recentemente tinha mudado para Pasadena, Califórnia, por razões de saúde. Angle, impressionado com os conhecimentos do Dr. Atkinson em anatomia, o convidou a participar como um dos três estudantes em aulas particulares, sendo ensinado fora da sua casa. Dr. Atkinson aceitou o convite e participou durante o ano de 1920. Quatro anos mais tarde mudou-se com a família para Pasadena, onde ele aceitou um cargo de professor no recém-incorporado Colégio de Ortodontia do Dr. Angle. Enquanto um morador na escola há seis anos, o Dr. Atkinson ensinou a técnica e a etiologia da má oclusão, foi assistente na clínica e, finalmente, recebeu o título de superintendente.


Foi em meados da década de 1920, quando o ensino na Escola de Ortodontia do Angle, que Spencer Atkinson começou a questionar a validade da metodologia ortodôntica praticada na época. As técnicas que defendia com a pressão prolongada, forte para mover os dentes eram muito violentas e não-natural para ser um benefício duradouro para o paciente. O trabalho do Dr. Albin Oppenheim (professor de investigação em ortodôntia na Faculdade de Odontologia da Universidade do Sul da Califórnia durante o início de 1900) teve uma profunda influência sobre o pensamento de Spencer Atkinson. Dr. Oppenheim defendia o uso de pressões leves que permitiria um processo natural de reabsorção óssea e a deposição que deveria ocorrer em um ritmo e sem pressa. Quando o osso está condicionado a adaptar-se a força sutil, o movimento eficaz do dente permanente poderia ser alcançado.


Em 1934, um departamento de pós-graduação em ortodontia foi estabelecido na University of Southern Califórnia, com Dr. Spencer Atkinson nomeado diretor . Durante seu mandato na USC, a coleção de crânios que tinha começado em 1919, continuou a se expandir. Originalmente mantida em sua casa em Pasadena, a coleção acumulanda logo ultrapassou seu espaço alocado, e Dr. Atkinson construiu uma sala, à prova de fogo, com uma construção de ar-condicionado ao lado de sua casa para acomodar os espécimes. Totalmente equipado para fins de sua pesquisa, o laboratório abrigava um número de câmaras, microscópios, uma unidade de raio-x, e uma instalação de câmara escura. Durante o período de quarenta e cinco anos que os crânios estavam em sua posse, o Dr. Atkinson tipicamente começava seu dia às 4:00 da manhã, cortando, examinando, relizando raios-x, fotografando e escrevendo sobre o crescimento do osso craniano, uma vez que relacionadas com os dentes.


Ao longo de sua vida profissional, Dr. Atkinson continuou a adquirir peças para sua coleção de crânios. Alguns foram comprados de empresas de fornecimento biológico, enquanto outros foram adquiridos durante as visitas a América do Sul e Central. Vários colegas do exterior, conscientes da sua invulgar coleção privada, trouxeram amostras para ele com admiração a sua dedicação para o progresso da sua especialidade.


Na década de 50 o Dr. Atkinson acumulou 1.000 crânios em seu laboratório particular. A maioria de suas publicações profissionais resultava da observação contínua, comparação e avaliação dos padrões de crescimento facial e dental atributos exibido entre os espécimes de sua coleção. Partilhando assim seus conhecimentos, sempre ansioso ele convidou publicamente seus colegas e acadêmicos de odontologia para o seu laboratório para realizar seus próprios estudos. Seminários e grupos de estudo eram realizadas em sua casa.


Além de servir como diretor do Departamento de Ortodontia da Pós-Graduação da Universidade do Sul da Califórnia, durante vinte anos, o Dr. Atkinson foi nomeado para as faculdades de quatro outras universidades nos Estados Unidos. O Colégio de Médicos e Cirurgiões desfrutou de uma longa e frutífera associação com o Dr. Atkinson na sua qualidade de professor visitante da ortodontia de 1938 à década de 1960. De inúmeras homenagens Dr. Atkinson dentro os EUA, vários outros reconhecimentos incluiam seu curriculum: diplomata do Conselho Americano de Ortodontia, destinatário da H. Albert Ketcham Memorial Award (1953), colegas do Colégio Americano dos Médicos Dentistas, membro da Associação Internacional Dental Research, a título póstumo e membro da Universidade de Southern California Hall da Fama (1979) para o ensino de excelência.


De deduções do Dr. Atkinson e de observações de centenas de seções anatômicas evoluiu a filosofia de aplicação de força leve na terapia Ortodontica. Assim, deu origem ao aparelho universal, concebido e adaptado para a movimentação dentária fisiológica. Os princípios do aparelho são favoráveis ao reconhecimento e tratamento precoce de anomalias dentofaciais.


Desde 1967, centenas de pesquisadores visitam a Universidade da Escola de Odontologia do Pacífico para estudar esta coleção única. Eles representam áreas como odontologia geral, ortodontia, cirurgia craniofacial, antropologia biológica e anatomia. Vinham de diferentes instituições locais, nacionais e internacionais.


Em 31 de outubro de 1970, Atkinson R. Spencer faleceu. Em 1963, ele expressou esperança de que a coleção de crânios iria continuar a servir de inspiração para os futuros profissionais:


"Se uma biblioteca de crânios era disponível para todos os estudiosos e pesquisadores, especialmente os das diversas especialidades da medicina, odontologia, antropologia física, arte, etc. Várias informações para novas pesquisas seriam descobertos. O pesquisador ou estudante estaria inspirado a penetrar ainda mais no reino do desconhecido. "


Numerosas publicações resultaram de seus estudos. Hoje a instalação do instituto de investigação, centrado na sala 612, continua a atrair profissionais convidados, professores e seus alunos. Localizado na área de triagem no sexto andar, garante um ambiente propício à pesquisa e ensino com turmas pequenas na Library of Applied Anatomy. A generosa doação da costa do Pacífico Ortodontia Grupo de Consulta, em 1996. Com armários de armazenamento de alta qualidade para preservar os crânios e equipamentos de informática para armazenar imagens e informações descritivas. Recentemente foram adquiridos instrumentos de osteométrica para mensuração e equipamentos fotográficos  através de prémios da escola Thayer Fundo ter facilitado estudo da coleção.


A Biblioteca de Anatomia Aplicada continua a crescer. Recentemente, o instituto adquiriu 135 crânios originalmente comprados em casas de fornecimento anatômicos para utilização dos alunos do primeiro ano de odontologia. Acrescentados como um subconjunto da coleção principal da pesquisa, estas amostras estão disponíveis para empréstimos aos docentes da Faculdade de Odontologia para fins didáticos. Nos últimos dois anos, as doações de meia-dúzia de crânios adquiridos pelos alunos durante seus dias de escola dental têm contribuído para a expansão da coleção.




Link do artigo na integra via Dental Pacific:


quarta-feira, 27 de março de 2019

Resultados pós-contenção após cinco anos utilizando três métodos de contenção - Um ensaio clínico randomizado




Neste artigo de 2014, publicado na European Journal of Orthodontics, pelos Autores Gudrun Edman Tynelius, Sofia Petrén, Lars Bondemark and Eva Lilja-Karlander, do Departmento de Ortodontia, Faculdade de Odontologia, Malmö University, Sweden.

O estudo teve o objetivo de realizar uma comparação de três diferentes estratégias de contenção em 5 anos ou mais pós-contenção.

Foi realizado um ensaio clínico randomizado, prospectivo, em um centro único. Quarenta e nove pacientes (33 meninas e 16 meninos) foram aleatoriamente designados para utilizar um de três métodos de contenção durante dois anos, escolhendo uma cédula um pouco antes do início do tratamento de contenção. Os critérios de inclusão foram ausência de ortodontia prévia, dentição permanente, relações esqueletais sagitais, verticais e transversais normais, relação dentária Classe I, deficiências de espaço, plano de tratamento com extrações de quatro pré-molares seguido de aparelho fixo de arco reto. O índice de irregularidade de Little, mandibular e maxilar (LII), largura intercaninos e intermolares, comprimento do arco e overbite / overjet foram registrados de forma cega, totalizando 10 medidas em cada paciente. Diferenças significativas nas médias dentro dos grupos avaliadas pelo teste t e entre os grupos pela análise de variância unidirecional. 

Intervenções: métodos de contenção: contentor removível confeccionado a vácuo (VFR) cobrindo o palato e os dentes anteriores superiores de um contentor de canino para canino e arco inferno colado de canino-canino  (grupo V-CTC); VFR maxilar combinado com desgastes interproximais nos dentes anteriores inferiores (grupo V-S); e posicionador pré-fabricado (grupo P).

A média da LII maxilar variou de 1,8 a 2,6mm, largura média intercaninos de 33,6 a 35,3mm, com diferença significativa entre os grupos V-S e P, largura intermolar média de 46,8 a 47,4 mm e comprimento médio do arco de 21,8 a 22,8 mm. A média mandibular de LII variou de 2,0 a 3,4 mm, com diferença significativa entre os grupos V-S e P, largura média intercaninos de 25,4 a 26,6mm, largura intermolar média de 40,8 a 40,9 mm e comprimento médio do arco de 16,9 a 17,3 mm. A sobremordida média variou de 1,8 a 2,7 mm e o overjet médio de 3,7 a 4,1 mm.

Limitações: Um estudo realizado em centro único poderia ser menos replicavel.

Os autores concluir que  os três métodos de retenção revelaram resultados clínicos igualmente favoráveis.

Link do Artigo na Integra via EJO:





terça-feira, 26 de março de 2019

Por que os caninos induzem a reabsorção das raízes vizinhas? Uma correlação com imagens




Neste artigo de 2019, publicado no Dental Press Journal of Orthodontics, pelos autores, Alberto Consolaro, Omar Hadaya, Taisa Maeshiro Estorce. Da Universidade de São Paulo, Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto, Programa de Pós-Graduação de Odontopediatria; Universidade de São Paulo, Faculdade de Odontologia de Bauru (Bauru/SP, Brazil) e da Universidade de Guarulhos, Curso de Especialização em Ortodontia (Guarulhos/SP,Brazil).

Apesar das explicações dos mecanismos e dos porquês os folículos pericoronários dos caninos superiores não irrompidos podem reabsorver as raízes dos dentes vizinhos, questiona-se a inexistência de previsibilidade do tempo em que isso ocorre e a ausência de protocolos de condutas clínicas preventivas, como insights para novas pesquisas. Correlaciona-se, também, esses mecanismos com os aspectos imaginológicos de cortes tomográficos e reconstruções 3D de um caso clínico característico.

Considerações dos autores do artigo:

As principais funções de um folículo dental são:
1) Proteger o esmalte da reabsorção pelos osteoclastos.
2) Impedir que o osso se forme diretamente na superfície do esmalte.
3) Essencialmente, promover erupção dentária, liberando mediadores.
4) Dar origem ao epitélio juncional primário, pois ele se funde com a mucosa oral e permite que o dente irrompa na cavidade oral sem exposição ao ambiente externo altamente contaminado.

Caninos superiores, quando não erupcionados, são epigeneticamente afetados por vários fatores em sua patogenicidade. Esses fatores epigenéticos, somados ao já conhecido potencial e funções biológicas, sugerem que os problemas com erupção do canino superior são previsíveis e que podem ser prevenidos durante o crescimento craniomandibular. 

Além disso, quando submetidos a procedimentos cirúrgicos com ou sem colocação de braquetes, os tecidos foliculares epiteliais e conjuntivos proliferam e regeneram imediatamente após alguns dias. 

Por todas essas propriedades, o folículo pericoronário promove a reabsorção das raízes vizinhas quando localizado muito próximo ao seu ligamento periodontal. A indução da reabsorção óssea em torno dele é parte de sua natureza fisiológica, mas não distingue o que é osso do que é dente!

Link do Artigo na Integra via Scielo: