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Ortodontia Contemporânea, com muita honra dividiremos com você nosso leitor, esta entrevista com o Prof. Dr. Marcio Rodrigues Almeida, Ortodontista Clinico, Professor de Ortodontia, Autor de vários artigos de
relevância na Ortodontia, Autor do Livro Ortodontia Clinica e
Biomecânica, publicado pela Editora Dental Press. Que conta com 16 capítulos que abordam
mecânicas ortodônticas contemporâneas, ilustrados com mais de 3.000 fotografias
e grande casuística clinica. Leitura
necessária para o especialista clinico e alunos em processo de formação na área. Também teremos o imenso prazer de contar com sua presença no curso Avançado em Ortodontia, da Academia da Ortodontia Contemporânea, em Salvador - Bahia.
Marlos Loiola - Dr.
Márcio nos fale da sua formação acadêmica, trabalhos
publicados, e da sua atuação na área acadêmica e profissional.
Dr. Marcio Almeida - Caro Marlos,
primeiramente gostaria de te agradecer pelo convite para esta entrevista e
também parabeniza-lo pela iniciativa de criar este excelente Blog que permite a
troca de ideias e opiniões entre os que militam nesta maravilhosa área dentro
da Odontologia que é a Ortodontia.
Bem, desde muito cedo já sabia que iria
fazer a Faculdade de Odontologia, pois meu pai (Dr Renato Almeida) serviria de
espelho para seguir nesta profissão. E especialmente a escolha da Ortodontia não
foi tão difícil assim, já que quando criança andava prá lá e prá cá dentro da
clínica do meu pai, tropeçando em modelos de gesso, fios, typodonts e outros
dispositivos e com certeza atrapalhava muito o trabalho dele e dos outros
profissionais que militavam na época. A espiadinha num ou noutro paciente era
inevitável, assim como o espanto com os aparelhos extrabucais (freio de burro)
vigentes para a época. No entanto, meu
pai nunca fez questão de que eu o ajudasse na clínica quer seja recortando
modelos ou dobrando arcos, coisa que alguns até sugerem que na minha infância
isto seria inevitável de acontecer. Assim, não nasci com um alicate ortodôntico
na mão e muito menos cheguei a dobrar os “arames” ortodônticos daquela época. Eu
gostava mesmo do cheiro que o consultório tinha e até hoje me recordo da
fragrância que o alginato saborizado deixava no ar. Bom, a partir daí, me
recordo muito do meu pai trabalhando nos seus cursos de Ortodontia preventiva
aos finais de semana, especialmente aos sábados e das festas na nossa casa que
eram frequentes com seus alunos.
A minha
graduação em Odontologia ocorreu em 1993 na Faculdade de Odontologia de
Lins-SP. Como toda a família dos meus pais eram de Lins-SP e região e o meu pai
também fez a sua graduação por lá, se houve uma influência dele sobre mim foi
quanto a escolha da Faculdade. Lembro-me de ter estudado especificamente para
passar no vestibular de Lins no ano de 1989 que na época era bastante
concorrido e graças a Deus meu sonho se concretizou. Já durante o último ano de graduação iniciei
a minha formação ortodôntica com meu pai no curso de typodont e de preventiva
ao mesmo tempo. Não perdi tempo não. E aí se alguma coisa ajuda quando temos um
pai dentista e professor é que podemos ter mais facilidade que aqueles que não
tem nenhum familiar na área. Optei que iria estudar Ortodontia a clinicar como
clínico geral com meu pai na retaguarda financeira. Assim em 1994 já havia
concluído a formação ortodôntica básica, como cefalometria, typodont,
preventiva e interceptora que fora realizada em Bauru e em São Paulo. Neste
mesmo ano fui contratado como auxiliar de ensino na área de Ortodontia pela
Faculdade de Odontologia de Lins, onde comecei a lecionar em laboratório na
disciplina de Ortodontia sobre os aparelhos removíveis do curso de graduação.
A
docência era uma meta a ser atingida, muito embora ainda me considerava neófito
no campo. Surgiu então, deste modo, a oportunidade de ingressar num curso de
pós-graduação em Ortodontia em Bauru. No final de 1994, prestei o exame para
adentrar no Curso de Mestrado em Ortodontia na Faculdade de Odontologia de
Bauru (FOB). Nesta época, me afastei da docência de Lins para poder frequentar
o Mestrado na FOB que exigia daqueles que pretendiam ingressar no curso a
contratação prévia por uma universidade, ou seja, o aluno para ingressar no
mestrado deveria ser contratado como auxiliar de ensino ou já ser professor de
uma Faculdade. Neste sentido, meu pai foi um grande incentivador para iniciar o
mais breve possível a formação docente. Apesar da facilidade de já ser docente
numa faculdade, sabia também dos obstáculos que estariam por vir no meu caminho
sendo filho de um professor militando tanto de Lins como em Bauru na FOB. A
cobrança pelo desempenho certamente é muito maior, o que por um lado até pode
ajudar como estímulo a estudar cada vez mais, mas por outro pode atrapalhar
pelo receio do fracasso. Fiz muitos amigos durante o Curso de Mestrado em
Bauru, alguns deles foram, são e serão pessoas que ficarão para sempre marcados
em minha memória. Num ambiente sadio com muita discussão sobre ortodontia e
muito crítico iniciamos a primeira etapa docente.
Aprendi que a carreira
acadêmica é interessante para despertar a análise e o senso crítico sobre um determinado assunto e assim
se passaram 8 anos na minha vida. Em 2003 conclui o Programa de Pós-Doutorado
em Ortodontia na FOB. Durante todos estes anos, pude estar também ajudando nos
Cursos do meu pai em Bauru e também na Faculdade de Lins a qual retornei como
professor durante o Curso de Doutorado. Iniciei a minha prática privada também
muito cedo com meu pai e minha tia Celina que já trabalha com Ortodontia desde
os primórdios dos anos 80. O assunto de maior interesse da minha parte na época
era o tratamento da má oclusão de Classe II. Trabalhei extensivamente em
algumas amostras de aparelhos corretores de Classe II, como Ativadores,
Aparelhos extrabucais, Fränkel, Bionator, Herbst, Jone jig, Pendulum, Jasper
Jumper. A discussão era acirrada sobre o desempenho destes aparelhos sobre o
comportamento do crescimento craniofacial maxilomandibular. A dicotomia de
opiniões a respeito de conseguir ou não um maior aumento no crescimento
mandibular levou a calorosas discussões sobre o tópico Ortodontia e Ortopedia
facial. Acho que no final valeu a pena o esforço.
Atualmente mais da metade dos
casos que tratamos no consultório são de pacientes portadores de Classe II. Aprendi
com estes trabalhos que de uma forma ou de outra acabamos corrigindo a má
oclusão de Classe II, quer seja com distalização molar superior, avanço
dentoalveolar mandibular, restrição do crescimento maxilar, extração de 2
pré-molares ou cirurgia ortognática. Obviamente que os efeitos sobre o complexo
craniofacial diferem em magnitude e em extensão. A experiência profissional, a
evidência cientifica assim como o julgamento clínico são fatores primordiais
para a indicação de um ou outro aparelho. Com o aumento de evidencias
científicas sobre o tema Classe II, muitas abordagens terapêuticas parecem ter
efeitos similares sobre a face. A vasta possibilidade terapêutica de aparelhos
protratores mandibulares fixos, a exemplo do Herbst, APM, Twin-Force, Forsus parece
ser um dos caminhos de eleição para o Ortodontista (compensação dentoalveolar).
A mecânica
ortodôntica também sempre me intrigou, haja vista que não obstante escolhi pela
carreira docente, trabalho em consultório particular a 15 anos. E assim, uma
das coisas de comecei a me preocupar foi com a mecânica ortodôntica em si.
Portanto, nestes últimos anos tenho apregoado que trabalhar com bons braquetes
torna-se crucial para executar uma boa ortodontia, desde que se conheça os
princípios básicos de biomecânica da movimentação dentária. Há 8 anos atrás
pude adentrar no campo da Biomecânica estudando com os grandes nomes da mesma,
o Dr Nanda e O Dr Burstone em Connecticut. Este contato foi o pontapé inicial
para exercer uma ortodontia mais consciente e mais refinada. Mencionaremos mais
a respeito deste contato mais a frente na entrevista. No presente momento, atuo
lecionando em Bauru e Londrina-PR na Universidade Norte do Paraná (UNOPAR) no
curso de Mestrado em Ortodontia.
Marlos Loiola - O seu livro oferece uma abordagem
ampla no que se diz respeito a biomecânica ortodontica e suas aplicações
clinicas, você e os co-autores se preocuparam não só em oferecer a visão
clinica do tratamento mas também em se alicerçar em conceitos evidenciados
cientificamente. Dr. Marcio, qual a
importância do profissional que trabalha com ortodontia em conhecer as
aplicações e limitações de cada uma das filosofias e técnicas ortodônticas?
Dr. Marcio Almeida - Penso
que o bom Ortodontista deve vislumbrar a especialidade sob a óptica que
transcende técnicas, filosofias ou prescrições específicas de braquetes que
recheiam os dias atuais inundando o vasto mercado ortodôntico em função do
excessivo marketing profissional e empresarial das firmas. É sabido que
conforme se angariam conhecimento e experiência clínica, percebe-se que uma
Ortodontia de excelência pode ser executada com qualquer tipo ou sistema de
braquetes disponíveis no arsenal ortodôntico. Para tanto, basta se alicerçar em
princípios sólidos fundamentados em evidências científicas, num diagnóstico
preciso, plano de tratamento adequado e na utilização de sistemas de forças que
minimizem efeitos colaterais, possibilitando maior controle dos movimentos
dentários durante a correção das más-oclusões.
Neste contexto, os aspirantes a uma Ortodontia
eficiente devem direcionar o foco especialmente para os parâmetros estéticos e
funcionais durante a elaboração dos objetivos ortodônticos, assim como entender
o funcionamento dos diversos aparelhos e dispositivos biomecânicos empregados e
elaborados para serem incorporados em qualquer
técnica ou filosofia ortodôntica. Muito provavelmente não viveremos o
suficiente para experimentar todas as técnicas e filosofias ortodônticas.
Amanhã outra parte desta imperdível entrevista, muito útil ao Ortodontista Contemporâneo !!!
Curso avançado presencial com o Dr. Marcio Almeida:
Venda do livro do Dr. Marcio Almeida:
Link da Clinica do Dr. Marcio Almeida: