ORTODONTIA CONTEMPORÂNEA

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Entrevista com Prof. Dr. Marcio Rodrigues Almeida - Parte 4







Blog Ortodontia Contemporânea  divide com os nossos leitores, a ultima parte da entrevista com o Prof. Dr. Marcio Rodrigues Almeida, Ortodontista Clinico, Professor de Ortodontia, Autor de vários artigos de relevância na Ortodontia, Autor do Livro Ortodontia Clinica e Biomecânica, publicado pela Editora Dental Press. Que conta com 16 capítulos que abordam mecânicas ortodônticas contemporâneas, ilustrados com mais de 3.000 fotografias e grande casuística clinica.  Leitura necessária para o  especialista clinico e alunos em processo de formação na área. Também teremos o imenso prazer de contar com sua presença  no curso Avançado em Ortodontia, da Academia da Ortodontia Contemporânea, em Salvador - Bahia.


Marlos Loiola - Os Ortodontistas vem paulatinamente  incorporando a utilização braquetes autoligáveis e consequentemente criando uma maior dependência da mecânica de arco reto no dia a dia clinico. Ao seu ver, os mini implantes e Mini placas Ortodônticas, surgem como alternativas, principalmente no controle Vertical? E a biomecânica segmentada nestes casos? Como e quando você aconselha?


Dr. Marcio Almeida - Como mencionei anteriormente, não acho que os mini-implantes sejam imprescindíveis para a execução de uma ortodontia de excelência. Penso que eles nos ajudam em casos de intrusão molar, fechamento de mordida aberta esquelética, mesialização molar e outros, mas também vejo com cautela pois o índice de insucesso como perdas deve ser levado em conta. Os braquetes autoligáveis sem sombra de dúvida são alternativas interessantes principalmente para pacientes que moram fora da sua cidade de origem e para aqueles que você quer oferecer um produto diferenciado. Já sabemos que estes braquetes não são mais eficientes na correção do apinhamento, nem na velocidade do fechamento de espaço de extrações em comparação aos convencionais. 



Acho que para o controle vertical em casos com sobremordida profunda já abordamos a resposta anteriormente. Por outro lado para casos com mordida aberta esquelética o uso das mini-placas tem funcionado bem durante a intrusão molar. Apesar de não termos muitos trabalhos que avaliaram a longo-prazo a estabilidade do fechamento da mordida, parece ser um recurso útil para os pacientes que não querem executar a cirurgia ortognática. Obviamente a biomecânica segmentada pode seu útil em alguns poucos casos com problemas verticais, como mordida profunda e casos com mordida aberta dentoalveolar.




Marlos Loiola - Professor, quais são seus próximos projetos na Ortodontia? Cursos, artigos, Livros,.... O que teremos de novidade para os próximos anos?


Dr. Marcio Almeida - Na ortodontia somos como os cardumes de peixes que migram na mesma direção em busca de alimento. O ortodontista é igual e procura usar os mais diversos recursos tecnológicos a sua disposição. Obviamente existe a fase de empolgação com o novo material, a fase de aprendizado e por fim a desilusão com alguns produtos.

Assim, penso que estaremos sempre aprendendo na Ortodontia, não importando quantos anos de experiência você tenha. Penso ainda que este não será meu único livro, pois tudo é mutável. Neste momento estou vivenciando o conteúdo do livro. Quem sabe daqui a alguns anos vivenciarei outro momento e assim outras ideias surgirão. O projeto do livro só foi possível pela colaboração dos meus amigos que contribuíram exaustivamente com o material que lhes foram requerido. Agradeço a todos eles que fizeram um trabalho maravilhoso. Agora vamos partir para a segunda edição, pois a primeira já se esgotou. Aproveito o momento para agradecer a Dental Press, em nome do Laurindo e Da Teresa Furquim pela confiança em mim depositada.









Amigos leitores do Ortodontia Contemporânea, espero que tenham gostado destas excelentes informações compartilhadas pelo Prof. Dr. Marcio Rodrigues de Almeida, a quem só temos que agradecer pela riqueza de detalhes com que respondeu cada uma das perguntas !!!



Curso avançado presencial com o Dr. Marcio Almeida:



Venda do livro do Dr. Marcio Almeida:


Link da Clinica do Dr. Marcio Almeida:

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Entrevista com Prof. Dr. Marcio Rodrigues Almeida - Parte 1






Nos do Blog Ortodontia Contemporânea, com muita honra dividiremos com você nosso leitor, esta entrevista com o Prof. Dr. Marcio Rodrigues Almeida, Ortodontista Clinico, Professor de Ortodontia, Autor de vários artigos de relevância na Ortodontia, Autor do Livro Ortodontia Clinica e Biomecânica, publicado pela Editora Dental Press. Que conta com 16 capítulos que abordam mecânicas ortodônticas contemporâneas, ilustrados com mais de 3.000 fotografias e grande casuística clinica.  Leitura necessária para o  especialista clinico e alunos em processo de formação na área. Também teremos o imenso prazer de contar com sua presença  no curso Avançado em Ortodontia, da Academia da Ortodontia Contemporânea, em Salvador - Bahia.

Marlos Loiola - Dr. Márcio nos fale da sua formação acadêmica, trabalhos publicados, e da sua atuação na área acadêmica e profissional.

Dr. Marcio Almeida - Caro Marlos, primeiramente gostaria de te agradecer pelo convite para esta entrevista e também parabeniza-lo pela iniciativa de criar este excelente Blog que permite a troca de ideias e opiniões entre os que militam nesta maravilhosa área dentro da Odontologia que é a Ortodontia. 

Bem, desde muito cedo já sabia que iria fazer a Faculdade de Odontologia, pois meu pai (Dr Renato Almeida) serviria de espelho para seguir nesta profissão. E especialmente a escolha da Ortodontia não foi tão difícil assim, já que quando criança andava prá lá e prá cá dentro da clínica do meu pai, tropeçando em modelos de gesso, fios, typodonts e outros dispositivos e com certeza atrapalhava muito o trabalho dele e dos outros profissionais que militavam na época. A espiadinha num ou noutro paciente era inevitável, assim como o espanto com os aparelhos extrabucais (freio de burro) vigentes para  a época. No entanto, meu pai nunca fez questão de que eu o ajudasse na clínica quer seja recortando modelos ou dobrando arcos, coisa que alguns até sugerem que na minha infância isto seria inevitável de acontecer. Assim, não nasci com um alicate ortodôntico na mão e muito menos cheguei a dobrar os “arames” ortodônticos daquela época. Eu gostava mesmo do cheiro que o consultório tinha e até hoje me recordo da fragrância que o alginato saborizado deixava no ar. Bom, a partir daí, me recordo muito do meu pai trabalhando nos seus cursos de Ortodontia preventiva aos finais de semana, especialmente aos sábados e das festas na nossa casa que eram frequentes com seus alunos. 

A minha graduação em Odontologia ocorreu em 1993 na Faculdade de Odontologia de Lins-SP. Como toda a família dos meus pais eram de Lins-SP e região e o meu pai também fez a sua graduação por lá, se houve uma influência dele sobre mim foi quanto a escolha da Faculdade. Lembro-me de ter estudado especificamente para passar no vestibular de Lins no ano de 1989 que na época era bastante concorrido e graças a Deus meu sonho se concretizou.  Já durante o último ano de graduação iniciei a minha formação ortodôntica com meu pai no curso de typodont e de preventiva ao mesmo tempo. Não perdi tempo não. E aí se alguma coisa ajuda quando temos um pai dentista e professor é que podemos ter mais facilidade que aqueles que não tem nenhum familiar na área. Optei que iria estudar Ortodontia a clinicar como clínico geral com meu pai na retaguarda financeira. Assim em 1994 já havia concluído a formação ortodôntica básica, como cefalometria, typodont, preventiva e interceptora que fora realizada em Bauru e em São Paulo. Neste mesmo ano fui contratado como auxiliar de ensino na área de Ortodontia pela Faculdade de Odontologia de Lins, onde comecei a lecionar em laboratório na disciplina de Ortodontia sobre os aparelhos removíveis do curso de graduação.

A docência era uma meta a ser atingida, muito embora ainda me considerava neófito no campo. Surgiu então, deste modo, a oportunidade de ingressar num curso de pós-graduação em Ortodontia em Bauru. No final de 1994, prestei o exame para adentrar no Curso de Mestrado em Ortodontia na Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB). Nesta época, me afastei da docência de Lins para poder frequentar o Mestrado na FOB que exigia daqueles que pretendiam ingressar no curso a contratação prévia por uma universidade, ou seja, o aluno para ingressar no mestrado deveria ser contratado como auxiliar de ensino ou já ser professor de uma Faculdade. Neste sentido, meu pai foi um grande incentivador para iniciar o mais breve possível a formação docente. Apesar da facilidade de já ser docente numa faculdade, sabia também dos obstáculos que estariam por vir no meu caminho sendo filho de um professor militando tanto de Lins como em Bauru na FOB. A cobrança pelo desempenho certamente é muito maior, o que por um lado até pode ajudar como estímulo a estudar cada vez mais, mas por outro pode atrapalhar pelo receio do fracasso. Fiz muitos amigos durante o Curso de Mestrado em Bauru, alguns deles foram, são e serão pessoas que ficarão para sempre marcados em minha memória. Num ambiente sadio com muita discussão sobre ortodontia e muito crítico iniciamos a primeira etapa docente.

Aprendi que a carreira acadêmica é interessante para despertar a análise e o senso  crítico sobre um determinado assunto e assim se passaram 8 anos na minha vida. Em 2003 conclui o Programa de Pós-Doutorado em Ortodontia na FOB. Durante todos estes anos, pude estar também ajudando nos Cursos do meu pai em Bauru e também na Faculdade de Lins a qual retornei como professor durante o Curso de Doutorado. Iniciei a minha prática privada também muito cedo com meu pai e minha tia Celina que já trabalha com Ortodontia desde os primórdios dos anos 80. O assunto de maior interesse da minha parte na época era o tratamento da má oclusão de Classe II. Trabalhei extensivamente em algumas amostras de aparelhos corretores de Classe II, como Ativadores, Aparelhos extrabucais, Fränkel, Bionator, Herbst, Jone jig, Pendulum, Jasper Jumper. A discussão era acirrada sobre o desempenho destes aparelhos sobre o comportamento do crescimento craniofacial maxilomandibular. A dicotomia de opiniões a respeito de conseguir ou não um maior aumento no crescimento mandibular levou a calorosas discussões sobre o tópico Ortodontia e Ortopedia facial. Acho que no final valeu a pena o esforço. 

Atualmente mais da metade dos casos que tratamos no consultório são de pacientes portadores de Classe II. Aprendi com estes trabalhos que de uma forma ou de outra acabamos corrigindo a má oclusão de Classe II, quer seja com distalização molar superior, avanço dentoalveolar mandibular, restrição do crescimento maxilar, extração de 2 pré-molares ou cirurgia ortognática. Obviamente que os efeitos sobre o complexo craniofacial diferem em magnitude e em extensão. A experiência profissional, a evidência cientifica assim como o julgamento clínico são fatores primordiais para a indicação de um ou outro aparelho. Com o aumento de evidencias científicas sobre o tema Classe II, muitas abordagens terapêuticas parecem ter efeitos similares sobre a face. A vasta possibilidade terapêutica de aparelhos protratores mandibulares fixos, a exemplo do Herbst, APM, Twin-Force, Forsus parece ser um dos caminhos de eleição para o Ortodontista (compensação dentoalveolar).

A mecânica ortodôntica também sempre me intrigou, haja vista que não obstante escolhi pela carreira docente, trabalho em consultório particular a 15 anos. E assim, uma das coisas de comecei a me preocupar foi com a mecânica ortodôntica em si. Portanto, nestes últimos anos tenho apregoado que trabalhar com bons braquetes torna-se crucial para executar uma boa ortodontia, desde que se conheça os princípios básicos de biomecânica da movimentação dentária. Há 8 anos atrás pude adentrar no campo da Biomecânica estudando com os grandes nomes da mesma, o Dr Nanda e O Dr Burstone em Connecticut. Este contato foi o pontapé inicial para exercer uma ortodontia mais consciente e mais refinada. Mencionaremos mais a respeito deste contato mais a frente na entrevista. No presente momento, atuo lecionando em Bauru e Londrina-PR na Universidade Norte do Paraná (UNOPAR) no curso de Mestrado em Ortodontia.

Marlos Loiola - O seu livro oferece uma abordagem ampla no que se diz respeito a biomecânica ortodontica e suas aplicações clinicas, você e os co-autores se preocuparam não só em oferecer a visão clinica do tratamento mas também em se alicerçar em conceitos evidenciados cientificamente.  Dr. Marcio, qual a importância do profissional que trabalha com ortodontia em conhecer as aplicações e limitações de cada uma das filosofias e técnicas ortodônticas?

Dr. Marcio Almeida - Penso que o bom Ortodontista deve vislumbrar a especialidade sob a óptica que transcende técnicas, filosofias ou prescrições específicas de braquetes que recheiam os dias atuais inundando o vasto mercado ortodôntico em função do excessivo marketing profissional e empresarial das firmas. É sabido que conforme se angariam conhecimento e experiência clínica, percebe-se que uma Ortodontia de excelência pode ser executada com qualquer tipo ou sistema de braquetes disponíveis no arsenal ortodôntico. Para tanto, basta se alicerçar em princípios sólidos fundamentados em evidências científicas, num diagnóstico preciso, plano de tratamento adequado e na utilização de sistemas de forças que minimizem efeitos colaterais, possibilitando maior controle dos movimentos dentários durante a correção das más-oclusões.

Neste contexto, os aspirantes a uma Ortodontia eficiente devem direcionar o foco especialmente para os parâmetros estéticos e funcionais durante a elaboração dos objetivos ortodônticos, assim como entender o funcionamento dos diversos aparelhos e dispositivos biomecânicos empregados e elaborados para serem incorporados em qualquer técnica ou filosofia ortodôntica. Muito provavelmente não viveremos o suficiente para experimentar todas as técnicas e filosofias ortodônticas.

Amanhã outra parte desta imperdível entrevista, muito útil ao Ortodontista Contemporâneo !!!







Curso avançado presencial com o Dr. Marcio Almeida:



Venda do livro do Dr. Marcio Almeida:



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Entrevista com Prof. Dr. Marcio Rodrigues Almeida - Parte 2










Dando continuidade, o Blog Ortodontia Contemporânea  disponibiliza a segunda parte da entrevista com o Prof. Dr. Marcio Rodrigues Almeida, Ortodontista Clinico, Professor de Ortodontia, Autor de vários artigos de relevância na Ortodontia, Autor do Livro Ortodontia Clinica e Biomecânica, publicado pela Editora Dental Press. Que conta com 16 capítulos que abordam mecânicas ortodônticas contemporâneas, ilustrados com mais de 3.000 fotografias e grande casuística clinica.  Leitura necessária para o  especialista clinico e alunos em processo de formação na área. Também teremos o imenso prazer de contar com sua presença  no curso Avançado em Ortodontia, da Academia da Ortodontia Contemporânea, em Salvador - Bahia.


1  Marlos Loiola - No primeiro capitulo do seu livro é mostrado de uma forma bem ilustrada os aspectos básicos da biomecânica ortodontica no qual existe uma preocupação sua em informar os níveis de força, limitações e aplicações das diversas alças e acessórios ortodônticos (Dicas Clinicas). Este capitulo mostra também aplicações dos mini implantes para promover o movimento de translação.  Seria este o melhor método ou mais um, para o profissional que domina a técnica do arco segmentado? Quais seriam as outras alternativas eficientes?



Dr. Marcio Almeida - Apesar das diversas técnicas e braquetes ortodônticos desenvolvidos nos últimos 100 anos, dentre os quais os principais podem-se considerar o Sistema Angle e o Sistema Andrews, os princípios básicos que se utiliza para tratar uma má oclusão dependem da força e da direção empregada para movimentar dentes na direção ideal. Deste modo, pode-se inferir que: na Ortodontia exercem-se forças para movimentar dentes na direção desejada empregando-se os princípios de física que são exatamente os mesmos para todas as técnicas e sistemas de aparelhos existentes no mercado. Assim, o movimento dentário ortodôntico ocorrerá em resposta ao sistema de forças controlado realizado por clínicos. 



Os requisitos para uma aplicação clínica consistente com a Biomecânica exigem informações básicas necessárias para entender os princípios físicos comuns a todos os aparelhos ortodônticos. Os conceitos físicos que fundamentam a mecânica ortodôntica são as peças chaves para entender como os aparelhos funcionam. Os princípios não são únicos na Ortodontia, porém são básicos à ciência da mecânica estática. As leis estáticas da física podem ser aplicadas para explicar o sistema de forças desenvolvidas pelas ativações dos aparelhos. Princípios simples de mecânica podem ajudar a compreender como os dentes são deslocados como resultado da aplicação do sistema de forças. Para se controlar o movimento dentário objetivando atingir resultados previsíveis baseados em planos de tratamento pré-determinados, deve-se entender plenamente as ativações dos aparelhos. Várias situações clínicas demandam o correto estudo do emprego da direção da força em relação ao Centro de Resistência (Cr) dos dentes a serem movimentados. Por exemplo, se a força aplicada ao braquete passar distante do Cr, uma tendência rotacional poderá ocorrer e um movimento de inclinação tomará lugar. 



Se por outro lado a mesialização de um molar inferior é requerida, a força deve estar direcionada sobre o Cr deste dente. Com a força incidindo diretamente sobre o Cr do dente o movimento de translação ocorrerá. Existem várias formas de se aplicar esta força nesta direção. Uma delas é com o emprego da biomecânica dos mini-parafusos. No entanto, devemos pensar que nem todo paciente quer ser “parafusado”. Aí que entram em cena os dispositivos biomecânicos como alavancas, alças, cursores e braços de força para se empregar nestas situações. Deste modo achei oportuno escrever este capitulo para o leitor poder se familiarizar com termos que não são frequentes para a maioria dos clínicos. Os conceitos físicos que fundamentam a mecânica ortodôntica são as peças chaves para entender como os aparelhos funcionam. Deste modo, é importante para o Ortodontista conhecer os sistemas de força compostos por centro de resistência, centro de rotação, unidades de ancoragem, momento da força, proporção momento/força, tipos de movimento dentário e sistemas estaticamente determinado e indeterminado. O entendimento destes princípios básicos de biomecânica permite controlar melhor a movimentação dentária e obter resultados mais previsíveis com mínimos efeitos colaterais.





Marlos Loiola - O capitulo que aborda os “Efeitos colaterais decorrentes da mecânica de arcos contínuos”.  Você mostra as  limitações: Aumento do Overbite e Overjet, Maior perda de ancoragem, Inclinação dos planos oclusais e incisais, excesso de atrito durante o fechamento de espaços e dificuldade de controle de torque anterior durante a retração anterior. Apesar da técnica do arco continuo ser amplamente difundida e utilizada, o conhecimento e domínio da técnica do arco segmentado seria também uma necessidade? Porque?



Dr. Marcio AlmeidaPosso dizer que um dos maiores motivos para escrever este livro baseou-se na quantidade de efeitos colaterais que pude vivenciar durante estes anos na minha vida acadêmica e de prática privada. De capital importância friso ainda que no início de nossa carreira não estamos ainda aptos para entender bem como estes efeitos funcionam ou como eles podem nos atrapalhar no decorrer do tratamento.

Um tratamento ortodôntico eficiente, independente do tipo de técnica utilizada, exige um plano diagnóstico bem dimensionado assim como uma mecânica precisa. Além disso, conhecer os princípios biomecânicos que governam as forças permite obter melhores resultados num período menor de tratamento (eficiência). Estas forças desenvolvidas pela aplicação de aparelhos fixos ou removíveis resultam em 4 tipos principais de movimentos dentários utilizados rotineiramente na clínica. A inclinação controlada ou descontrolada, a rotação, a translação e o movimento radicular. Isto significa dizer que para cada fase mecânica, deve-se empregar distintos tipos de movimentos para alcançar um posicionamento dentário final adequado. Deste modo, para conseguir eficiência no tratamento ortodôntico, torna-se imperioso controlar adequadamente cada tipo de movimento supracitado. 


O controle de movimento dentário tornou-se possível graças ao desenvolvimento do conceito Edgewise, que foi uma revolução sem precedentes na maneira de se realizar a Ortodontia no início da década de 30 por Angle. O aparelho Edgewise foi e continua sendo uma das técnicas ortodônticas mais utilizadas para o tratamento das más oclusões. O clínico poderia movimentar os dentes em todos os três planos do espaço, mediante a confecção de dobras nos fios ou modificando a posição dos braquetes no ato da soldagem ou colagem do acessório ao dente. Deste modo, a prática da Ortodontia exigia daqueles que desejavam a ela se dedicar, além de profundos conhecimentos científicos, uma excelente habilidade manual no que diz respeito à confecção de dobras nos fios, pois até então era por meio delas que se conduzia o tratamento.


Aprendi com Michel Marcotte que o maior segredo na Ortodontia reside na eliminação ou minimização dos efeitos colaterais durante o tratamento clínico. No mesmo sentido, pude entender com o Dr. Nanda que num tratamento ortodôntico convencional de 2 anos, leva-se um ano tratando os problemas pertinentes a má oclusão do paciente e o outro ano os efeitos colaterais resultantes da própria mecânica empregada. O neófito na Ortodontia pode se confrontar com alguns destes efeitos clinicamente que certamente dificultarão a finalização dos casos ortodônticos, aumentando o seu tempo de tratamento


Marlos Loiola - Você mostra que as assimetrias faciais representam aproximadamente em 34% dos pacientes e afetando principalmente a região inferior da face (74%). As assimetrias com desvios de linha média são condições comuns, ocorrendo em 46% dos pacientes ortodônticos. Como alternativa de tratamento para as Classe II subdivisão é apresentada a distalização unilateral sem auxílio de extrações e utilização de cantilevers. Esta abordagem de tratamento é mais eficaz que a distalização com SlidingJig + Mini-implantes? Existe um maior controle com os cantilevers?

Dr. Marcio Almeida - No capítulo de diagnóstico ortodôntico do nosso livro, o leitor pode observar que a lista de problemas constitui a base para o correto tratamento de acordo com um plano mecânico meticuloso e individualizado para cada paciente. Um dos aspectos mais importantes no diagnóstico é a visualização dos erros que podem acometer os pacientes. O primeiro passo para o correto diagnóstico de pacientes assimétricos é a identificação das mesmas. O Ortodontista deve ser cauteloso na avaliação de casos assimétricos, pois uma posição de 9 a 11 horas na cadeira odontológica pode mascarar ou dificultar a visualização da referida assimetria. Deve-se avaliar a face olhando de frente com visão direta, conforme as figuras abaixo. 





A ferramenta mais poderosa de diagnóstico das assimetrias ainda é o exame clínico direto do paciente, assim como da oclusão. Vejo que o maior problema de alguns alunos consiste em enxergar onde está o erro!!

Com relação ao caso explicitado na pergunta, onde de um lado existe uma oclusão de Classe I e uma relação de Classe II do outro lado, causada principalmente por um erro na inclinação do molar superior que se encontra mesializado, pode-se optar pelo uso dos cantileveres. Na verdade a grande maioria das más oclusões com mesialização unilateral dos molares pode ser tratada com distalização destes dentes independente do tipo de dispositivo. Se o clínico domina o uso de alavancas pode ter mais simplicidade na sua aplicação em relação ao mini-implante e ao sliding-jig. Não acho que exista maior controle com o cantilever, mas penso que como o caso requer apenas a verticalização molar, um dispositivo simples pode ser empregado. 

O fato é que na má oclusão de Classe II subdivisão, o maior componente envolvido causando uma relação molar de Classe II é a posição distal dos molares inferiores.  Deste modo, conclui-se que a grande maioria das assimetrias na Classe II subdivisão são decorrentes de uma posição distal do molar inferior fruto de um problema dentoesquelético mandibular.  Portanto, para os pacientes que apresentam uma Classe II subdivisão com um desvio óbvio das linhas médias, o Ortodontista deveria focar principalmente o arco inferior durante o tratamento.  Para esta correção pode-se utilizar mecânicas de extrações assimétricas (3 pré-molares) ou extrações simétricas (4 pré-molares), levando-se em consideração o perfil dos pacientes.  No entanto, para alguns casos com um perfil facial reto, a terapêutica de extração dentária, não deveria ser realizada em função de uma modificação estrutural deletéria na face. Portanto, os cantilevers (alavancas) são ferramentas importantes que podem ser utilizadas no tratamento de casos assimétricos de Classe II, permitindo alcançar resultados previsíveis com mínima colaboração do paciente e poucos efeitos colaterais.

  

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terça-feira, 10 de novembro de 2015

Coluna OrtoTecologia - Escaneamento tridimensional da face


Este mês foi publicada na Revista Cientifica da Sociedade Paulista de Ortodontia, mais uma Coluna OrtoTecnologia. Que abordou o tema: "Escaneamento tridimensional da face". Um novo instrumento de precisão e fidedignidade no diagnostico e planejamento em Ortodontia e Cirurgia BucoMaxiloFacial. 

Avaliar as dimensões e proporções da face, quantificar suas alterações após tratamento, além da necessidade de se estabelecer padrões de normalidade fazem com que ortodontistas e cirurgiões bucomaxilofaciais utilizem cefalometrias para estudo dos tecidos duros e moles. No entanto, erros nesta análise são muito comuns devido à sobreposição de imagens, sua inerente ampliação e dificuldades em determinar os pontos referenciais. Para minimizar esses fatores, vários métodos foram desenvolvidos para viabilizar a análise tridimensional da face. O objetivo deste artigo foi compilar a literatura recente sobre o assunto, revisar criticamente e expor as principais características desses métodos.


Link da Revista SPO:



quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Aparelho removível simples para corrigir uma mordida cruzada anterior e posterior na dentição mista: Relato de caso

Neste artigo de 2013, publicado pelo The Saudi Dental Journal, pelo autor Naif A. Bindayel, do Department of Pediatric Dentistry and Orthodontics, College of Dentistry, King Saud University,  Riyadh, Saudi Arabia. Mostra a utilização de um aparelho removível na correção de uma mordida cruzada.

Diferentes técnicas têm sido utilizadas para corrigir as mordidas cruzadas anterior e posterior na dentição mista. Este relato de caso ilustra o tratamento de uma mordida cruzada posterior unilateral e anterior na dentição mista. O paciente era um menino de 9 anos de idade, com mordida cruzada superior direita e do incisivo central permanente, também de uma mordida cruzada posterior unilateral direita, ambos expressos por uma mudança funcional nas dimensões sagital e transversal. 

Dois aparelhos removíveis acrílicos superiores, cada um com um  parafuso de expansão, foram usados para corrigir os cruzamentos. O tempo total de tratamento ativo foi de 4 meses, os resultados do tratamento foram mantidos com sucesso para as seguintes 4 meses. Dentistas em geral e pediatras  bem como ortodontistas, pode achar esta técnica útil na gestão de casos de mordida cruzada na dentição mista e utilizar a discussão e ilustrações para orientação clínica.






O artigo apresentou um aparelho removível simples para a correção da mordida cruzada anterior e posterior unilateral com desvio funcional. Uma avaliação clínica completa e um diagnóstico preciso deve ser realizado a fim de planejar estratégias de tratamento adequados e o design do aparelho. Os profissionais podem utilizar esta técnica para gerir casos com maloclusões semelhantes.

Link do artigo na integra via elsevierhealth :

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3723276/pdf/main.pdf

domingo, 25 de outubro de 2015

Dia do Dentista


Parabéns a todos os colegas que abraçaram esta Nobre Profissão !

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Molas feitas de TMA também "cansam"?


 A técnica do arco segmentado (TAS) se utiliza de alças pré-calibradas para realizar os movimentos dentários desejados, o que dimunui imprevistos entre as consultas e uma maior previsibilidade no tratamento. Para o fechamento de espaços, a TAS prioriza o uso de molas T, que foram desenvolvidas a partir da evolução da alça vertical, e desde então diversos estudos tentam aprimorar o uso dessas molas. Apesar de suas vantagens, as molas T não são a primeira escolha para realizar o fechamento de espaços entre os ortodontistas brasileiros. Mesmo assim, entender os conceitos envolvidos é importante independente da mecânica utilizada.

Nesse aspecto o recente artigo brasileiro publicado na Angle Orthodontist “Effects of stress relaxation in beta-titanium orthodontic loops: Part II” avaliou o efeito do relaxamento de tensão nessas molas, que pode alterar a mecânica pré-estabelecida, e identificou onde tal efeito ocorre.

Autores: Roberto S.S. Júnior; Sergei G.F.R. Caldas; Lídia P. Martins; Renato P. Martins


O relaxamento de tensão é a deformação sofrida por um determinado material quando submetido a uma carga ou estresse constante dentro do seu limite elástico. Por exemplo, imagine uma mola que possui um limite elástico de 100g (só sofrerá deformação quando for submetida a uma tensão maior ou igual a 100g), sendo submetida a uma tensão constante de 50g (abaixo de seu limite elástico) por um certo período de tempo. Essa tensão constante ao longo do tempo irá causar a deformação plástica (permanente). Esse processo acomete as molas T quando aplicadas clinicamente, uma vez que são submetidas a uma tensão constante até que ocorra o fechamento de espaços. A deformação provocada pelo relaxamento de tensão pode alterar toda a mecânica planejada, fazendo com que o fechamento planejado não ocorra ou ocorra de forma ineficiente.
A literatura já relatou o efeito do relaxamento de tensão em arcos ortodônticos de diferentes ligas metálicas e em molas T, mas ainda não havia sido identificado em qual região da mola o relaxamento de tensão era mais intenso.
O estudo em questão dividiu cada mola em 9 ângulos (figura 1) e mensurou cada ângulo de cada mola antes e após a simulação de uso clínico ao longo de 12 semanas para identificar qual região sofreu maior deformação. Ao realizar a simulação de ativação da mola no Loop software, identifica-se as regiões de alta tensão da mola (figura 2).




Figura 1 – Mola T pré-ativada por dobra com seus ângulos a serem mensurados, enumerado de 1 a 9.


Figura 2 – Simulação da ativação de uma mola T pré-ativada por dobra mostrando uma maior concentração de tensão, indicada pelas setas, nas dobras presentes nas hastes horizontais.

Após a simulação de uso clínico foi observado que o efeito do relaxamento de tensão ocorreu com maior intensidade nas primeiras 24 horas e continuou aumentando, em menor proporção, até o período de 12 semanas. A deformação se concentrou nas regiões de maior tensão da mola (os pares de ângulos 5 e 6, 7 e 8), como observado pela simulação de ativação (figura 2), que representam as regiões onde são realizadas dobras agudas (durante a confecção da mola e para a pré-ativação) (figura 3).


Figura 3 – Gráfico mostrando a variação de cada ângulos nos 5 períodos avaliados.

Os autores concluíram que para diminuir o efeito do relaxamento de tensão em molas T é realizar a pré-ativação por curvatura ao invés da pré-ativação por dobra, de forma que a tensão seja distribuída por toda a extensão da haste horizontal da mola.