ORTODONTIA CONTEMPORÂNEA

segunda-feira, 25 de março de 2019

Redução interproximal do esmalte como parte do tratamento ortodôntico









Neste artigo de 2014, publicado na Stomatologija, Baltic Dental and Maxillofacial Journal, pelas autoras Egle Lapenaite, Kristina Lopatiene. Da Lithuanian University of Health Sciences, Kaunas, Lithuania.

A redução do esmalte interproximal é uma parte do tratamento ortodôntico que objetiva ganhar uma quantidade modesta de espaço no tratamento do apinhamento. Atualmente, a redução do esmalte interproximal tornou-se uma alternativa viável à extração de dentes permanentes e ajuda a ajustar a discrepância do Índice de Bolton. Esse estudo avalia as várias técnicas de redução do esmalte interproximal, suas indicações, contra-indicações e complicações apresentadas em estudos científicos recentes.

Os artigos publicados em língua inglesa entre 2003 e 2012 foram pesquisados ​​nas bases de dados PubMed, ScienceDirect e The Cochrane Library, bem como na pesquisa na Web do Google Scholar. Pesquisas iniciais foram feitas para encontrar revisões sistemáticas revisadas por pares, meta-análises, revisões de literatura, ensaios clínicos, que analisaram pelo menos um método de redução do esmalte interproximal. E 31 dados publicados preencheram os critérios de inclusão.

De acordo com o estudo, tiras abrasivas de metal, discos de desgastes com revestimento diamantado e remoção com turbina de rotação são as principais técnicas de redução de esmalte interproximais. As indicações de uso são: apinhamento leve ou moderado nas arcadas dentárias, discrepância no índice de Bolton, alterações na forma do dente e estética dentária dentro do esmalte, aumento da eficiência da contenção e estabilidade após o tratamento ortodôntico, normalização do contorno gengival, eliminação de triângulos gengivais negros e correção da Curva de Spee. As complicações da redução do esmalte interproximal são hipersensibilidade, dano irreversível da polpa dentária, aumento da formação de placa, risco de cárie nas áreas de esmalte e doenças periodontais.

As autoras concluíram que a redução do esmalte interproximal é uma parte importante do tratamento ortodôntico para ganhar espaço na arcada dentária e para a correção da discrepância do índice de Bolton.

Link do artigo na integra via SBDMJ:

quinta-feira, 21 de março de 2019

Historia da Ortodontia - Calvin Case
























Calvin Suveril Case (1847-1923) formou-se em Odontologia em 1871 e em Medicina em 1884. Foi um dos primeiros profissionais a tentar realizar com a ortodontia a movimentação de corpo dentário com o controle de aparelhos, e a utilizar fios (.016" e ,018" ouro), e também em conjunto com Henry Baker, foram os primeiros a utilizar elásticos Classe II para correção Ortodontica, com um trabalho apresentado no congresso da Columbia Dental Association em 1893, no qual expos casos tratados com ortodontia associada a elásticos intermaxilares.


Ele também acreditava que, embora os arcos dentários pudessem ser expandidos para acomodar todos os dentes, isso não poderia garantir uma estabilidade a longo prazo. Sendo um dos defensores da “rational school” a qual ele se inseria se opunham, dessa forma, à teoria do criacionismo e da perfeição do homem, defendida pela “new school” de Angle.


Embora não possuísse um volume suficiente de pesquisas para subsidiar suas idéias, Case era um dos maiores anatomistas da época, afirmava que as contraposições à filosofia de Angle eram pelo fato da inabilidade de se expandir o osso basal, da limitação em se expandir o osso alveolar e pelo fato de muitas das más oclusões ocorrerem em virtude da discrepância basal maxilo-mandibular, não podendo, dessa forma, serem resolvidas em pacientes sem crescimento.


Ele defendia exodontias para corrigir deformidades faciais, embora menos do que 10% dos seus pacientes possuíam esta indicação, pois ele não acreditava que o paciente deveria ser tratado sob um modelo único, e que em alguns casos, a exodontia se fazia necessária. Ao fazer esta proposta de tratamento, incorreu na ira de Angle e seus discípulos. Case no outono de 1911 juntamente a Cryer, Dewey, Ferris, Buckley, Bowman y Hinman, na Reunião Anual da National Dental Association em Chicago, participaram de um debate que veio a ser conhecido como o "Grande Debate da Extração". Desde então se aceitam as extrações como um recurso terapêutico, imprescindível em muitos casos.


Calvin Case, criticava também no método de Angle, um certo descuido no relacionamento dos dentes com a face, isto é, no perfil facial. Outra crítica feita por Case e outros profissionais era que, embora a maloclusão fosse um problema tridimensional, no sistema de Angle somente os desvios antero-posteriores foram levados em consideração, condenando Angle por produzir "faces feias".


Angle inventou e patenteou inúmeros dispositivos para terapia ortodôntica. Em 1890, construiu um aparelho ortodôntico que denominou de arco "E", que consistia de um arco vestibular pesado de expansão unido por soldas a duas bandas parafusadas nos dois primeiros molares. Tal aparelho era vendido montado em cartões, deste modo, o dentista realizava soldagens simples, e instalava-o no paciente. Angle foi muito criticado por isso, principalmente pelo Dr. Calvin Case, que acreditava que os aparelhos deveriam ser feitos pelo ortodontista de forma personalisada para cada paciente.




Link de um artigo de 1904 do Dr. Calvin Case publicado pela Dental Cosmos:


quarta-feira, 20 de março de 2019

Escaneamento intraoral: O fim da era dos modelos de gesso








Neste artigo de 2019, publicado na coluna OrtoTecnologia da Revista da Sociedade Paulista de Ortodontia, os Autores Marlos LoiolaWendel ShibasakiLucineide LimaMaria Cecilia Vieira , Flaviana DiasThais PoletiRicardo GuiraldoLuiz Gandini Jr. e Flavio Cotrim-Ferreiraprograma de pós-graduação em Ciências Odontológicas – Unesp Araraquara; programa de pós-graduação em Odontologia – Unopar.

A incorporação de diversas tecnologias digitais e avanços significativos vêm ocorrendo na Ortodontia, cujo sucesso no planejamento do tratamento requer informações diagnósticas precisas. Os modelos digitais são representações fidedignas das arcadas dentárias e da relação entre elas, facilitando, desta forma, a tomada de decisão do clínico. 

A digitalização realizada com scanners intraorais é precisa e simples de realizar, causa pouco desconforto aos pacientes e elimina a necessidade de manter estoques de material de moldagem, permitindo, assim, virtualizar os arcos dentários do paciente, que possibilita realizar, com auxílio de softwares, todo diagnóstico e planejamento, eliminando a necessidade do modelo de gesso físico. 

Diversos estudos comprovam sua acurácia, mas sendo uma tecnologia de vanguarda ainda possui valor de mercado alto, o que dificulta o acesso para muitos profissionais, mas a tendência é, ano a ano, se popularizar e se tornar um item presente no dia a dia do clínico. 

Link do artigo via Ortodontia SPO:

sábado, 16 de março de 2019

Ação dos expansores de maxila dento suportados versus esqueleto suportados no final da adolescência






Neste artigo de 2015, publicado na Angle Orthodontist, pelos autores Lu Lin; Hyo-Won Ahn; Su-Jung Kim; Sung-Chul Moon; Seong-Hun Kim; Gerald Nelson.  Do Departmento de Ortodontia da Faculdade de Odonbtologia, Kyung Hee University, Seoul, Korea e da Divisão de Ortodontia, Departmento de ciencia Orofacial, University of California–San Francisco, San Francisco, California. Compara os efeitos dento esqueléticos de dois tipos de expansões, dento suportado e esqueleto suportado.

O estudo foi realizado com o intuito de avaliar os efeitos imediatos da expansão rápida da maxila (ERM) nas alterações transversais esqueléticas e dentoalveolares com expansores ósseos (Expansor C) e do tipo dento suportado, com tomografia computadorizada de feixe cone (TCFC) em adolescentes tardios.

Uma amostra de 28 pacientes do sexo feminino adulta tardia, foi dividida em dois grupos de acordo com o tipo de expansor: osso (expansor C, n=15, idade = 18,1 6 +- 4,4 anos) e o dentário (hyrax , bandas em pré-molares e molares, n = 13, idade=17,4 +- 3,4 anos). As varreduras de TCFC foram tomadas com tamanho de voxel de 0,2 mm antes do tratamento (T1) e 3 meses após o RME (T2). A expansão transversa esquelética e dentária, inclinação alveolar, eixo dentário, altura vertical do dente e deiscência bucal foram avaliadas em pré-molares e molares superiores. Testes estatísticos fora realizados.

O grupo do expansor  C produziu maior expansão esquelética, exceto na região do primeiro pré-molar, que apresentava pouca inclinação vestibular do osso alveolar. O grupo Hyrax teve maior inclinação vestibular do osso alveolar e dos eixos dentários, exceto na região do segundo molar. A expansão dentária no nível do ápice foi similar nos dentes com bandas (no primeiro pré-molar e no primeiro molar). As mudanças de altura vertical foram evidentes no segundo pré-molar no grupo hyrax. A deiscência vestibulares significativas ocorreram no primeiro pré-molar no grupo hyrax .Não houveram diferenças significativas entre os tipos de dentes para quaisquer variáveis ​​no grupo expansor de C.

Os autores concluíram que  para os pacientes no final da adolescência, os expansores ossos produziram maiores efeitos ortopédicos e menores efeitos colaterais dentoalveolares em comparação com os expansores de hyrax.


Link do artigo na integra via Angle Orthodontist:



quinta-feira, 14 de março de 2019

Historia da Ortodontia - Disjunção Maxilar










O primeiro relato científico abordando a expansão rápida da maxila foi feito pelo Dr. Emerson C. Angell no ano de 1860 na Revista Dental Cosmos. Desde então a expansão rápida da maxila apresentou períodos de popularidade e desuso não sendo utilizada por 40 anos nos Estados Unidos. A partir de 1961, com os trabalhos do Dr. Andrew Haas, este procedimento alcançou grande aceitação e reconhecimento por parte da comunidade científica, sendo utilazada até os dias de hoje, podendo ser empregada na infância e adolescência ou associada a cirurgia na idade adulta.



Link do Artigo do Dr. Angell na Dental Cosmos de 1860:


1ª Parte do Artigo:





2ª Parte do artigo:



* Clinica fundada pelo Dr. Haas em Ohio, atualmente dirigida pelos filhos, pois ele está aposentado:

quarta-feira, 13 de março de 2019

Avaliação da perda de força dos elásticos intraorais ortodônticos de látex e sem-látex: estudo in vivo




Neste artigo de 2018, Publicado pelo Dental Press Journal of Orthodontics, pelos Autores Daniela Ferreira de Carvalho Notaroberto,  Mariana Martins e Martins, Maria Teresa de Andrade Goldner, Alvaro de Moraes Mendes, Cátia Cardoso Abdo Quintão. Da  Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Programa de Pós-graduação em Odontologia, Departamento de Odontologia Preventiva e Comunitária (Rio de Janeiro/RJ, Brazil),  da Universidade Federal Fluminense, Faculdade de Odontologia, Disciplina de Ortodontia (Niterói/RJ, Brazil) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Departamento de Odontologia Preventiva e Comunitária, Disciplina de Ortodontia (Rio de Janeiro/RJ, Brazil).

Este estudo clínico foi realizado com o objetivo de avaliar a perda de força ao longo do tempo de elásticos intraorais ortodônticos de látex e sem-látex.

Os pacientes (n = 15) foram avaliados utilizando elásticos de látex e sem-látex nos períodos de: 0, 1, 3, 12 e 24 horas. Os elásticos foram transferidos para uma máquina de teste (EMIC DL-500 MF), e os valores de força foram registrados após o estiramento elástico até um comprimento de 25mm. O teste t pareado foi aplicado e a análise de variância (ANOVA) foi utilizado para avaliar a variação da força gerada. O teste post-hoc de LSD (diferença menos significativa de Fisher) foi também empregado. 

Quanto às forças iniciais (tempo zero), os valores de força para o elástico sem-látex foram ligeiramente superiores aos do elástico de látex. Nos tempos subseqüentes, as forças geradas pelo elástico de látex apresentaram valores mais elevados. Em relação à degradação do material, ao final de 24 horas, o maior percentual foi observado para o elástico sem-látex. 

Os autores do artigo concluíram que os elásticos de látex apresentaram comportamento mais estável durante o período estudado, quando comparados com os sem-látex.


Link do artigo na integra via Scielo:

http://www.scielo.br/pdf/dpjo/v23n6/2176-9451-dpjo-23-06-00042.pdf

segunda-feira, 11 de março de 2019

Planejamento de tratamento tridimensional voltado a cirurgias segmentadas da maxila e mandibula para uma Classe III adulta: Onde velho encontra novo



Neste artigo publicado em 2019, na Angle Orthodontist, pelos autores R. Scott Conley; Sean P. Edwards. Do Departmento de Ortodontia, University at Buffalo School of Dental Medicine, Buffalo, NY, EUA. Departmento de cirurgia Oral e Maxillofacial, School of Dentistry, University of Michigan, Ann Arbor, MI, EUA.

A má oclusão de mordida aberta associada a Classe III pode estar entre os tipos de casos mais difíceis para se obter um excelente resultado oclusal, esquelético e facial. As opções de tratamento incluem modificação do crescimento, extração para camuflagem ortodôntica e cirurgia ortognática. Em pacientes mais gravemente afetados e que cessaram o período de crescimento, a cirurgia ortognática é frequentemente a mais previsível e, em algumas situações, a única maneira viável de alcançar um resultado ideal. 

Os riscos e benefícios das opções de tratamento cirúrgico podem ocasionalmente ser difíceis de avaliar, particularmente para provedores com experiência limitada. Previsões cirúrgicas bidimensionais podem ajudar, mas não permitem que a terceira dimensão seja visualizada. Novas técnicas de simulação cirúrgica assistida por computador podem permitir que o cirurgião, o ortodontista e o paciente visualizem e compreendam melhor a abordagem do tratamento e permitam que tomem as decisões mais eficazes e eficientes relacionadas ao tratamento.

Este artigo relata um caso mescla o conhecimento de todo o espectro das técnicas cirúrgicas históricas com a nova abordagem da simulação cirúrgica auxiliada por computador (CASS) para realizar cirurgias segmentares complexas maxilar e mandibular para obter um excelente resultado funcional e estético.

Link do artigo na Integra via Angle Orthodontist:

quarta-feira, 6 de março de 2019

A relação entre medidas de fotogrametria dentofacial 3D e medidas cefalométricas tradicionais






Neste artigo de 2019, publicado na Angle Orthodontist, pelos autores Jose C. Castillo; Grace Gianneschi; Demyana Azer; Amornrut Manosudprasit; Arshan Haghi; Neetu Bansal; Veerasathpurush Allareddy; Mohamed I. Masoud. Do departmento de Ortodontia, University of Florida, Gainesville, Fla, EUA. Department of Ortodontia, Khon Kaen University, Khon Kaen, Tailandia. Department of Developmental Biology, Harvard School of Dental Medicine, Boston, Mass, EUA. Departmento de Ortodontia, University of Illinois College of Dentistry, Chicago, Ill, EUA. Do department of Developmental Biology, advanced Graduate Education in Orthodontics, Harvard School of Dental Medicine, Boston, Mass, USA.


O estudo teve o objetivo de Determinar a relação entre medidas cefalométricas tradicionais e medidas de fotogrametria tridimensionais (3D) não radiográficas correspondentes.

Estudo realizado foi transversal com 20 pacientes ortodônticos (10 homens e 10 mulheres) que realizaram radiografias cefalométricas laterais e registros fotogramétricos dentofaciais em 3D, cada paciente controlando seu próprio tamanho para uma amostra total de 40 imagens. (20 por método). Uma análise 3D que se assemelhava a uma análise cefalométrica tradicional foi estabelecida usando os olhos e a orientação natural da cabeça como substitutos da base do crânio. Coeficientes de correlação de Pearson e de regressão linear multivariada foram calculados para avaliar a relação entre as medidas de fotogrametria e as medidas cefalométricas.

O ângulo ANB, ângulo do plano mandibular, altura facial anterior inferior, ângulo do incisivo superior à SN, ângulo do incisivo superior à NA e todas as medidas de posição e inclinação do incisivo inferior apresentaram coeficientes de correlação de Pearson positivos com as medidas de fotogrametria 3D correspondentes. Gráficos de regressão estatisticamente significantes demonstraram que as relações cefalométricas entre as mandíbulas e a orientação dos incisivos podem ser previstas a partir das medidas de fotogrametria 3D correspondentes.

Os autores concluíram que as medidas de fotogrametria 3D relacionando as bases ósseas entre si e a orientação dos incisivos têm uma forte correlação positiva com as correspondentes medidas cefalométricas tradicionais e podem servir como preditores cefalométricos. Capturar os olhos usando a fotogrametria 3D pode evitar a necessidade de expor a base do crânio e permitir limitar o campo radiográfico à área de interesse.

Link do artigo na integra via Angle Orthodontist:

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Entrevista Doutora Julia Harfin - Parte 01



Com muita honra irei dividir com vocês mais uma valiosa entrevista, com um dos grandes nomes da Ortodontia Classica e Contemporânea Mundial, a Professora Doutora Julia Harfin,  titular da Faculdade de Odontologia da Universidade Maimónides e presidente da Associação Latino-americana de Ortodontia, autora de livros e artigos, tem seus estudos fundamentados em pacientes adultos a mais de 37 anos, pacientes com comprometimento Periodontal e atualmente vem trabalhando com um novo livro de Ortodonta Lingual. Ela prontamente aceitou dividir seus conheçimentos conosco. Espero que gostem e aproveitem.




1) Marlos Loiola - Olá Dra. Julia Harfin, gostaria de saber um pouco sobre sua formação acadêmica, quando e onde se formou, pós-graduação, onde ensinou, realizou pesquisas, livros e capítulos publicados.


Drª. Julia Harfin - Terminei meus estudos na Universidade de Buenos Aires. Durante os anos seguintes trabalhei como pesquisadora em tempo integral no Departamento de Fisiologia, O título da minha tese foi: Regulamentação hormonal e nervosa das glândulas submandibulares. Dr. Alberto Houssay, filho do nosso primeiro Prêmio Nobel foi o meu diretor. Esta tese foi homenageada com uma medalha de ouro "Professor Imaz Award" como a melhor tese dos últimos 10 anos.


Até agora eu tenho 3 livros publicados: 2 relacionadas com a Adultos e Ortodontia (1999 e 2005) e a última sobre a ortodontia lingual (2009). Editoria Médica Panamericana.


Também escrevi 10 capítulos em diferentes livros e proferi mais de 200 palestras em todo o mundo. Além de ser Presidente e Diretor do Programa pois-graduação da Ortodontia da Universidade Maimónides.




2) Marlos Loiola - Temos um levantamento histórico no BLOG, da vida de muitos autores relacionados à ortodontia e observamos que todos eles se espelharam ou seguiram exemplos e ensinamentos de grandes mestres que os precederam, gostaria de saber se doutora teve algum ou alguns autores que serviram como referência na escolha de sua especialidade?


Drª. Julia Harfin - Claro que eu tive alguns professores que tiveram um impacto importante na minha carreira, foram Professor Dr. Jorge Romanelli (Periodontia e Reabilitação Oral) e Dr. Rodolfo Lopez Otero em Ortodontia.




3) Marlos Loiola - Atualmente, muitos estudos mostram a eficiência inegável dos mini-implantes ortodônticos, utilizados em diversas situações. De acordo com sua experiência e estudos, em que situações devemos ser mais cautelosos no uso desses dispositivos?

Drª. Julia Harfin - Os mini-implantes têm tido um papel importante na ortodontia moderna, mas estes dispositivos tem que ser usado com um protocolo rigoroso para evitar resultados indesejados.




4) Marlos Loiola - Seus tratamentos e artigos mais recentes tem um foco de tratamento oferecido aos pacientes adultos, aqui no Brasil, esses pacientes são cada vez mais presentes no nosso consultório. Quais são cuidados devemos ter com estes pacientes?


Drª. Julia Harfin - Eu comecei a tratar pacientes adultos, em 1972. Agora, com 37 anos de experiência, posso confirmar que todos os tipos de pacientes adultos podem ser tratados ortodonticamente. A única condição para ter em conta é que todos estes pacientes têm que ter inserção periodontal saudável.




5) Marlos Loiola - Gostaria que a doutora nos fale quais são os procedimentos de especial atenção no tratamento ortodôntico em pacientes adultos e com necessidade de cuidados de procedimentos periodontais.

Drª. Julia Harfin - Pacientes com redução de inserção periodontal saudável, precisa de um plano de tratamento realista, não idealista. Alguns objetivos idealistas são impossíveis de conseguir em pacientes adultos sem dentes posteriores ou com prótese fixa ou implantes.




6) Marlos Loiola - Pacientes adultos do sexo feminino com problemas periodontais, possui limitações ou risco do tratamento ortodôntico na menopausa ou com história de osteoporose?


Drª. Julia Harfin - Pacientes adultos do sexo feminino não possui grandes limitações e riscos do tratamento ortodôntico na menopausa. A quantidade de inserção periodontal é a questão mais importante. No caso de um paciente com histórico de osteoporose é diferente, especialmente quando vem tomando bifosfonatos por um longo período de tempo.


Existem alguns artigos que confirmam a relação entre os bifosfonatos, Osteoporose e osteonecrose. Alguns autores recomendam evitar extrações quando é possível.


Eu não tive problemas e é importante tratar estes pacientes, mas nós temos que usar as forças muito leves, ativando durante longos períodos de tempo. Dr Rinchuse sugere que os pacientes que tomem bifosfonatos têm que assinar um termo de consentimento.




7) Marlos Loiola - Sabemos que é muito importante o tratamento periodontal em pacientes com problemas diagnosticados. Durante a programação do tratamento ortodôntico com que periodicidade o paciente deve procurar o periodontista? Existe um protocolo de atendimento que a doutora segue com este tipo de paciente?


Drª. Julia Harfin -Todos os pacientes têm diferentes protocolos de acordo com seu diagnóstico, e plano de tratamento, Alguns pacientes têm de ir para a periodontia a cada 3 meses, outros a cada dois meses ou a cada 2 semanas para o seu estado anterior periodontal.


Ao mesmo tempo, o ortodontista tem que controlar o estado gengival periodontal e têm de reforçar os procedimentos de higiene bucal em cada visita.




Link da clinica da Doutora Julia Harfin:


Entrevista Doutora Julia Harfin - Parte 02


Dando continuidade, segue abaixo a ultima parte da entrevista que a Doutora Julia Harfin deu a Blog Ortodontia Contemporânea.


8) Dr. Marlos Loiola - O paciente com perda de suporte ósseo precisa de força ortodôntica moderada. Que tipos de fio de escolha nestes casos? O que evitar? Com a perda do apoio ósseo ocorre alteração do centro de resistência do dente. Que cuidados devem ser tomados com relação à posição dos braquetes destes dentes ou dobras em fios?


Drª. Julia Harfin - Usamos forças muito leves em todos os pacientes com perda de suporte ósseo. Não há um fio específico para todos eles. O tamanho dos fios depende do tamanho do slot do braquete.


Mas há algumas recomendações a ter em conta:


A) Fios TMA apresentam 50% da força em comparação com o mesmo tamanho dos fios aço iox.


B) Fios retangulares turbo (0,017 "x 0,025") funcionam como um fio 0,014 "fios de NiTi. Este fio é muito útil, Porque como um fio retangular pode manter o torque e ao mesmo tempo proporciona muito pouca força.


Em geral nós não mudarmos a posição dos braquetes. A chave para o tratamento ortodôntico de sucesso é o acompanhamento de suporte preciso.

9) Dr. Marlos Loiola - Ao ler seus artigos, percebi que a doutora trabalha muito com braquetes estéticos, é uma ótima maneira de motivar o paciente adulto. Mas e o atrito gerado por estes materiais no tratamento em pacientes periodontalmente envolvidos? Que cuidados devem ser tomados com este tipo de tratamento?


Drª. Julia Harfin - Normalmente, eu trabalho com braquetes estéticos, não só nos adultos mas também em adolescentes. Eu prefiro usar braquetes de policarbonato estético com slot metálico para diminuir o atrito e não há grandes problemas com este protocolo.




10) Dr. Marlos Loiola - Pacientes adultos com perda de vários dentes as vezes requerem tratamento ortodôntico anterior a reabilitação oralprotética. Este tratamento são muitas vezes limitados ao alinhamento e nivelamento, é difícil alcançar as chaves de oclusão ideal. A estabilidade do tratamento só será alcançada com a prótese ou com o uso de contenções por tempo indeterminado?


Drª. Julia Harfin - Infelizmente, cada paciente tem um tratamento completamente diferente e plano de contenção de acordo com o número de dentes, a quantidade e a qualidade da inserção periodontal, o tipo de prótese fixa ou removível, etc.


Estabilidade a longo prazo está relacionada a uma série complexa de situações e em todos estes pacientes o plano de tratamento realista é mais importante do plano de tratamento idealista. É impossível tratar todos os pacientes com o mesmo protocolo que todos eles são diferentes.




11) Dr. Marlos Loiola - O Tratamento Multidisciplinar atualmente é o principal foco dos autores da Ortodontia contemporânea. Hoje e no futuro, os ortodontistas terão sair mais dos seus consultórios e terão de interagir com seus colegas de diversas especialidades, e em grupo integrado poder alcançar um objetivo comum, o bem-estar dos seus pacientes. O que Dra. Julia Harfin, pensa da odontologia multidisciplinar, focada principalmente nos pacientes adultos?


Drª. Julia Harfin - Quando você está tratando pacientes adulto, você tem que trabalhar com uma equipe multidisciplinar. Em nosso programa na Universidade Maimónides os alunos foram ensinados a tratar todos os tipos de pacientes com problemas periodontais, falta de dentes, os pacientes flap, etc, com a colaboração de uma equipe multidisciplinar.




12) Dr.Marlos Loiola - Os métodos de diagnóstico baseado em CT cone bean, é um recurso de diagnóstico por imagem mais preciso. Além de ajudar no diagnóstico e no planejamento do tratamento de dentes inclusos como os caninos. Existe alguma aplicação em pacientes com perda óssea ou perda de dentes entre adultos?


Drª. Julia Harfin - Ninguém pode negar que a tomografia computadorizada de feixe cônico é o futuro. Com o passar do tempo será mais barato e podemos recomendá-lo em todos os nossos pacientes para obter um diagnóstico mais eficaz e seguro.




13) Dr. Marlos Loiola - Há alguns limites ortodônticos. O seio maxilar é um obstáculo a ser considerado, especialmente nos casos de retração? Não vejo muitos artigos publicados sobre este assunto. Sua migração ocorre principalmente nos casos de perda dos primeiros molares superiores. A doutora considera que este é um problema? Como proceder nestes casos?

Drª. Julia Harfin - Não é um problema real. Se mover o dente com uma força baixa e contínua, o dente é movido com osso e os seios maxilares são remodelados nesta área.




14) Dr. Marlos Loiola - Muitos artigos mostram o uso de mini-implantes para intrusão ortodôntica molares superiores para promover o fechamento da mordida aberta. Com base em seus estudos e experiência, este procedimento pode ser instável no longo prazo? Que precauções devem ser tomadas para a estabilidade a longo prazo?


Drª. Julia Harfin - Até agora não há nenhuma evidência científica sobre a forma como os músculos reagem após a intrusão de molares com mini-implantes para corrigir mordidas abertas. Eu não tive uma experiência tem longa com mini-implantes Precisamos de no mínimo 10 anos pós-tratamento de controles para avaliar os resultados reais.




15) Dr.Marlos Loiola - Quando a dra. Julia Harfin irá retornar para o Brasil? Quais são os temas estão sendo estudados pela Dra.?


Drª. Julia Harfin - Em 2010 vou voltar duas vezes.
Estou realizando vários novos estudos.


A) Um novo protocolo para o tratamento de pacientes com graves problemas periodontais, ortodonticamente


B) Os diferentes tipos de movimentos em doentes que tomam bifosfonatos por mais de 4 anos


C) Diferentes protocolos para o tratamento de pacientes flap uni e bilateral


D) Vários protocolos para o tratamento de crianças e adolescentes com ortodontia lingual




16) Dr.Marlos Loiola - Sua mensagem final para os leitores do BLOG.


Drª.Julia Harfin - Minha mensagem é: temos de continuar a estudar, pois a ortodontia está em constante evolução e temos que estar preparados para gerir estas mudanças.


É importante não acreditar que um único tipo de braquete pode ser usado e sim determinados de acordo com diagnóstico e plano de tratamento.


Não é só tipo de braquete pode mover um dente, e sim os tipos diferentes de fios, e suas ligas que são os responsáveis pelo movimento.

Link site da Doutora Julia Harfin:

http://www.drajuliaharfin.com.ar/

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Quer estudar Ortodontia nos Estados Unidos? Você pode.


     Lembro quando terminei a especialização e via fotos das grandes universidades americanas... Conhecer uma programa americano era um sonho, mas muuuuito distante. 

   Com o tempo, tivemos convites para visitar algumas universidades do mundo e participamos de alguns cursos feitos para brasileiros lá fora. 

O que resultou tudo isso? 

Juntamos tudo de bom que vimos em todas essas oportunidades para oferecer o mais incrível curso em uma das mais importantes universidades americanas, dentro do departamento de ortodontia: Universidade de Houston, no Texas-EUA.

Por que Houston?
A cidade de Houston é incrível! Uma mistura futurística com o Space Center (Houston, we have a problem!) com o passado do velho oeste americano. 

Com direito a barzinho com música country, dança, jogos e cerveja.



Unindo passeio,  estudo e todas as experiências que a cidade pode dar.




O centro médico de Houston, onde fica a faculdade de Odontologia, é uma grande atração e o maior do mundo! 

Aproximadamente 10 milhões de pacientes atendidos por ano e mais 105 mil pessoas trabalham ou estudam lá! 

Alguns dos colegas e investiram nesse sonho em 2018. Sul, sudeste, centro-oeste, norte e nordeste. Todas as regiões do Brasil com representntes nesta turma fantástica.


Todo  o curso dentro da sala de reuniões do departamento. Um curso oficial da universidade! Com diploma oficial. Na foto abaixo, pausa para almoço fornecido pelo curso, mas não paramos de discutir a nossa especialidade.


Se você ficou interessado para participar deste programa, agende para novembro de 2020 e fique ligado no site de cursos da Ortodontia Contemporânea. Siga a Ortodontia Contemporânea nas redes sociais e estaremos juntos lá!

Aos colegas que foram em 2018 e à Orthometric que nos apoiou de forma determinante para o sucesso, nosso muito obrigado!




segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Implantes extra alveolares: Aço ou Titânio? Gengiva inserida ou mucosa?

Há algum tempo que os implantes infrazigomáticos tem sido usados na ortodontia e isso foi popularizado pelo taiwanês Chris Chang. Seu canal do youtube rapidamente levou sua técnica a milhares de colegas ao redor do mundo. Naquele momento, no Brasil, não tínhamos os implantes de aço inoxidável, os preconizados,  e muitos se perguntavam se poderíamos usar os implantes de titânio.  Agora, o próprio Dr. Chang tenta responder essa pergunta:


Um estudo do Dr. Chris Chang, Joshua Lin e Eugene Roberts objetivou comparar as taxas de falha para parafusos de aço inoxidável e de ligas de titânio colocados na crista infrazigomática (IZC).

Eles usaram total de 386 pacientes consecutivos (76 homens, 310 mulheres; idade média de 24,3 anos, variando de 10,3 a 59,4 anos) que receberam IZC (aço inoxidável ou Ligas de titânio) por meio de um estudo duplo-cego de boca dividida. 
Os implantes ósseos penetraram na gengiva (GENGIVA INSERIDA) ou na mucosa móvel (MM) com 5 mm distante dos tecidos moles. Todos os implantes ósseos foram imediatamente carregados e reativados mensalmente com 397 g aplicadas diretamente no arco superior bilateralmente por 6 meses para retrair a maxila para corrigir a Classe II ou protrusão bimaxilar. Eles acharam,  dos 772 dispositivos, 49 (6,3%) falhas: 27 aço inoxidável  (7,0%) e 22 Ligas de titânio (5,7%). A diferença de 1,3% não foi estatisticamente significativa (P 1⁄4.07). Não houve relação significativa entre falhas de aço inoxidável  ou Ligas de titânio em relação a (1) lado direito vs lado esquerdo, (2) unilateral vs bilateral, ou (3) idade versus fracasso. Significativamente (P, .05) houve aumento nas taxas de falha observadas para os parafusos aço inoxidável  em apenas dois subgrupos: local gengiva inserida (7,4%) e lado direito (7,8%). Falha unilateral ocorreu em 21 pacientes (5,4%), e falhas bilaterais ocorreram em 14 do total de 772 pacientes (1,8%).

                   
Conclusões: A taxa global de sucesso de 93,7% indica que tanto o aço inoxidável quanto o  de titânio são clinicamente aceitáveis para os implantes ósseos IZC.
􏰁Os parafusos de aço colocados na gengiva inserida e no lado direito apresentaram uma taxa de falha leve, mas significativamente maior (P, .05) em comparação com os de titânio.
􏰁Nenhum dos 772 IZC fraturou ou resultou em dor significante.

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