ORTODONTIA CONTEMPORÂNEA

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Entrevista com Prof. Dr. Marcio Rodrigues Almeida - Parte 2










Dando continuidade, o Blog Ortodontia Contemporânea  disponibiliza a segunda parte da entrevista com o Prof. Dr. Marcio Rodrigues Almeida, Ortodontista Clinico, Professor de Ortodontia, Autor de vários artigos de relevância na Ortodontia, Autor do Livro Ortodontia Clinica e Biomecânica, publicado pela Editora Dental Press. Que conta com 16 capítulos que abordam mecânicas ortodônticas contemporâneas, ilustrados com mais de 3.000 fotografias e grande casuística clinica.  Leitura necessária para o  especialista clinico e alunos em processo de formação na área. Também teremos o imenso prazer de contar com sua presença  no curso Avançado em Ortodontia, da Academia da Ortodontia Contemporânea, em Salvador - Bahia.


1  Marlos Loiola - No primeiro capitulo do seu livro é mostrado de uma forma bem ilustrada os aspectos básicos da biomecânica ortodontica no qual existe uma preocupação sua em informar os níveis de força, limitações e aplicações das diversas alças e acessórios ortodônticos (Dicas Clinicas). Este capitulo mostra também aplicações dos mini implantes para promover o movimento de translação.  Seria este o melhor método ou mais um, para o profissional que domina a técnica do arco segmentado? Quais seriam as outras alternativas eficientes?



Dr. Marcio Almeida - Apesar das diversas técnicas e braquetes ortodônticos desenvolvidos nos últimos 100 anos, dentre os quais os principais podem-se considerar o Sistema Angle e o Sistema Andrews, os princípios básicos que se utiliza para tratar uma má oclusão dependem da força e da direção empregada para movimentar dentes na direção ideal. Deste modo, pode-se inferir que: na Ortodontia exercem-se forças para movimentar dentes na direção desejada empregando-se os princípios de física que são exatamente os mesmos para todas as técnicas e sistemas de aparelhos existentes no mercado. Assim, o movimento dentário ortodôntico ocorrerá em resposta ao sistema de forças controlado realizado por clínicos. 



Os requisitos para uma aplicação clínica consistente com a Biomecânica exigem informações básicas necessárias para entender os princípios físicos comuns a todos os aparelhos ortodônticos. Os conceitos físicos que fundamentam a mecânica ortodôntica são as peças chaves para entender como os aparelhos funcionam. Os princípios não são únicos na Ortodontia, porém são básicos à ciência da mecânica estática. As leis estáticas da física podem ser aplicadas para explicar o sistema de forças desenvolvidas pelas ativações dos aparelhos. Princípios simples de mecânica podem ajudar a compreender como os dentes são deslocados como resultado da aplicação do sistema de forças. Para se controlar o movimento dentário objetivando atingir resultados previsíveis baseados em planos de tratamento pré-determinados, deve-se entender plenamente as ativações dos aparelhos. Várias situações clínicas demandam o correto estudo do emprego da direção da força em relação ao Centro de Resistência (Cr) dos dentes a serem movimentados. Por exemplo, se a força aplicada ao braquete passar distante do Cr, uma tendência rotacional poderá ocorrer e um movimento de inclinação tomará lugar. 



Se por outro lado a mesialização de um molar inferior é requerida, a força deve estar direcionada sobre o Cr deste dente. Com a força incidindo diretamente sobre o Cr do dente o movimento de translação ocorrerá. Existem várias formas de se aplicar esta força nesta direção. Uma delas é com o emprego da biomecânica dos mini-parafusos. No entanto, devemos pensar que nem todo paciente quer ser “parafusado”. Aí que entram em cena os dispositivos biomecânicos como alavancas, alças, cursores e braços de força para se empregar nestas situações. Deste modo achei oportuno escrever este capitulo para o leitor poder se familiarizar com termos que não são frequentes para a maioria dos clínicos. Os conceitos físicos que fundamentam a mecânica ortodôntica são as peças chaves para entender como os aparelhos funcionam. Deste modo, é importante para o Ortodontista conhecer os sistemas de força compostos por centro de resistência, centro de rotação, unidades de ancoragem, momento da força, proporção momento/força, tipos de movimento dentário e sistemas estaticamente determinado e indeterminado. O entendimento destes princípios básicos de biomecânica permite controlar melhor a movimentação dentária e obter resultados mais previsíveis com mínimos efeitos colaterais.





Marlos Loiola - O capitulo que aborda os “Efeitos colaterais decorrentes da mecânica de arcos contínuos”.  Você mostra as  limitações: Aumento do Overbite e Overjet, Maior perda de ancoragem, Inclinação dos planos oclusais e incisais, excesso de atrito durante o fechamento de espaços e dificuldade de controle de torque anterior durante a retração anterior. Apesar da técnica do arco continuo ser amplamente difundida e utilizada, o conhecimento e domínio da técnica do arco segmentado seria também uma necessidade? Porque?



Dr. Marcio AlmeidaPosso dizer que um dos maiores motivos para escrever este livro baseou-se na quantidade de efeitos colaterais que pude vivenciar durante estes anos na minha vida acadêmica e de prática privada. De capital importância friso ainda que no início de nossa carreira não estamos ainda aptos para entender bem como estes efeitos funcionam ou como eles podem nos atrapalhar no decorrer do tratamento.

Um tratamento ortodôntico eficiente, independente do tipo de técnica utilizada, exige um plano diagnóstico bem dimensionado assim como uma mecânica precisa. Além disso, conhecer os princípios biomecânicos que governam as forças permite obter melhores resultados num período menor de tratamento (eficiência). Estas forças desenvolvidas pela aplicação de aparelhos fixos ou removíveis resultam em 4 tipos principais de movimentos dentários utilizados rotineiramente na clínica. A inclinação controlada ou descontrolada, a rotação, a translação e o movimento radicular. Isto significa dizer que para cada fase mecânica, deve-se empregar distintos tipos de movimentos para alcançar um posicionamento dentário final adequado. Deste modo, para conseguir eficiência no tratamento ortodôntico, torna-se imperioso controlar adequadamente cada tipo de movimento supracitado. 


O controle de movimento dentário tornou-se possível graças ao desenvolvimento do conceito Edgewise, que foi uma revolução sem precedentes na maneira de se realizar a Ortodontia no início da década de 30 por Angle. O aparelho Edgewise foi e continua sendo uma das técnicas ortodônticas mais utilizadas para o tratamento das más oclusões. O clínico poderia movimentar os dentes em todos os três planos do espaço, mediante a confecção de dobras nos fios ou modificando a posição dos braquetes no ato da soldagem ou colagem do acessório ao dente. Deste modo, a prática da Ortodontia exigia daqueles que desejavam a ela se dedicar, além de profundos conhecimentos científicos, uma excelente habilidade manual no que diz respeito à confecção de dobras nos fios, pois até então era por meio delas que se conduzia o tratamento.


Aprendi com Michel Marcotte que o maior segredo na Ortodontia reside na eliminação ou minimização dos efeitos colaterais durante o tratamento clínico. No mesmo sentido, pude entender com o Dr. Nanda que num tratamento ortodôntico convencional de 2 anos, leva-se um ano tratando os problemas pertinentes a má oclusão do paciente e o outro ano os efeitos colaterais resultantes da própria mecânica empregada. O neófito na Ortodontia pode se confrontar com alguns destes efeitos clinicamente que certamente dificultarão a finalização dos casos ortodônticos, aumentando o seu tempo de tratamento


Marlos Loiola - Você mostra que as assimetrias faciais representam aproximadamente em 34% dos pacientes e afetando principalmente a região inferior da face (74%). As assimetrias com desvios de linha média são condições comuns, ocorrendo em 46% dos pacientes ortodônticos. Como alternativa de tratamento para as Classe II subdivisão é apresentada a distalização unilateral sem auxílio de extrações e utilização de cantilevers. Esta abordagem de tratamento é mais eficaz que a distalização com SlidingJig + Mini-implantes? Existe um maior controle com os cantilevers?

Dr. Marcio Almeida - No capítulo de diagnóstico ortodôntico do nosso livro, o leitor pode observar que a lista de problemas constitui a base para o correto tratamento de acordo com um plano mecânico meticuloso e individualizado para cada paciente. Um dos aspectos mais importantes no diagnóstico é a visualização dos erros que podem acometer os pacientes. O primeiro passo para o correto diagnóstico de pacientes assimétricos é a identificação das mesmas. O Ortodontista deve ser cauteloso na avaliação de casos assimétricos, pois uma posição de 9 a 11 horas na cadeira odontológica pode mascarar ou dificultar a visualização da referida assimetria. Deve-se avaliar a face olhando de frente com visão direta, conforme as figuras abaixo. 





A ferramenta mais poderosa de diagnóstico das assimetrias ainda é o exame clínico direto do paciente, assim como da oclusão. Vejo que o maior problema de alguns alunos consiste em enxergar onde está o erro!!

Com relação ao caso explicitado na pergunta, onde de um lado existe uma oclusão de Classe I e uma relação de Classe II do outro lado, causada principalmente por um erro na inclinação do molar superior que se encontra mesializado, pode-se optar pelo uso dos cantileveres. Na verdade a grande maioria das más oclusões com mesialização unilateral dos molares pode ser tratada com distalização destes dentes independente do tipo de dispositivo. Se o clínico domina o uso de alavancas pode ter mais simplicidade na sua aplicação em relação ao mini-implante e ao sliding-jig. Não acho que exista maior controle com o cantilever, mas penso que como o caso requer apenas a verticalização molar, um dispositivo simples pode ser empregado. 

O fato é que na má oclusão de Classe II subdivisão, o maior componente envolvido causando uma relação molar de Classe II é a posição distal dos molares inferiores.  Deste modo, conclui-se que a grande maioria das assimetrias na Classe II subdivisão são decorrentes de uma posição distal do molar inferior fruto de um problema dentoesquelético mandibular.  Portanto, para os pacientes que apresentam uma Classe II subdivisão com um desvio óbvio das linhas médias, o Ortodontista deveria focar principalmente o arco inferior durante o tratamento.  Para esta correção pode-se utilizar mecânicas de extrações assimétricas (3 pré-molares) ou extrações simétricas (4 pré-molares), levando-se em consideração o perfil dos pacientes.  No entanto, para alguns casos com um perfil facial reto, a terapêutica de extração dentária, não deveria ser realizada em função de uma modificação estrutural deletéria na face. Portanto, os cantilevers (alavancas) são ferramentas importantes que podem ser utilizadas no tratamento de casos assimétricos de Classe II, permitindo alcançar resultados previsíveis com mínima colaboração do paciente e poucos efeitos colaterais.

  

Curso avançado presencial com o Dr. Marcio Almeida:

Venda do livro do Dr. Marcio Almeida:


Link da Clinica do Dr. Marcio Almeida:

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Coluna OrtoTecologia - Escaneamento tridimensional da face


Este mês foi publicada na Revista Cientifica da Sociedade Paulista de Ortodontia, mais uma Coluna OrtoTecnologia. Que abordou o tema: "Escaneamento tridimensional da face". Um novo instrumento de precisão e fidedignidade no diagnostico e planejamento em Ortodontia e Cirurgia BucoMaxiloFacial. 

Avaliar as dimensões e proporções da face, quantificar suas alterações após tratamento, além da necessidade de se estabelecer padrões de normalidade fazem com que ortodontistas e cirurgiões bucomaxilofaciais utilizem cefalometrias para estudo dos tecidos duros e moles. No entanto, erros nesta análise são muito comuns devido à sobreposição de imagens, sua inerente ampliação e dificuldades em determinar os pontos referenciais. Para minimizar esses fatores, vários métodos foram desenvolvidos para viabilizar a análise tridimensional da face. O objetivo deste artigo foi compilar a literatura recente sobre o assunto, revisar criticamente e expor as principais características desses métodos.


Link da Revista SPO:



quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Aparelho removível simples para corrigir uma mordida cruzada anterior e posterior na dentição mista: Relato de caso

Neste artigo de 2013, publicado pelo The Saudi Dental Journal, pelo autor Naif A. Bindayel, do Department of Pediatric Dentistry and Orthodontics, College of Dentistry, King Saud University,  Riyadh, Saudi Arabia. Mostra a utilização de um aparelho removível na correção de uma mordida cruzada.

Diferentes técnicas têm sido utilizadas para corrigir as mordidas cruzadas anterior e posterior na dentição mista. Este relato de caso ilustra o tratamento de uma mordida cruzada posterior unilateral e anterior na dentição mista. O paciente era um menino de 9 anos de idade, com mordida cruzada superior direita e do incisivo central permanente, também de uma mordida cruzada posterior unilateral direita, ambos expressos por uma mudança funcional nas dimensões sagital e transversal. 

Dois aparelhos removíveis acrílicos superiores, cada um com um  parafuso de expansão, foram usados para corrigir os cruzamentos. O tempo total de tratamento ativo foi de 4 meses, os resultados do tratamento foram mantidos com sucesso para as seguintes 4 meses. Dentistas em geral e pediatras  bem como ortodontistas, pode achar esta técnica útil na gestão de casos de mordida cruzada na dentição mista e utilizar a discussão e ilustrações para orientação clínica.






O artigo apresentou um aparelho removível simples para a correção da mordida cruzada anterior e posterior unilateral com desvio funcional. Uma avaliação clínica completa e um diagnóstico preciso deve ser realizado a fim de planejar estratégias de tratamento adequados e o design do aparelho. Os profissionais podem utilizar esta técnica para gerir casos com maloclusões semelhantes.

Link do artigo na integra via elsevierhealth :

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3723276/pdf/main.pdf

domingo, 25 de outubro de 2015

Dia do Dentista


Parabéns a todos os colegas que abraçaram esta Nobre Profissão !

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Molas feitas de TMA também "cansam"?


 A técnica do arco segmentado (TAS) se utiliza de alças pré-calibradas para realizar os movimentos dentários desejados, o que dimunui imprevistos entre as consultas e uma maior previsibilidade no tratamento. Para o fechamento de espaços, a TAS prioriza o uso de molas T, que foram desenvolvidas a partir da evolução da alça vertical, e desde então diversos estudos tentam aprimorar o uso dessas molas. Apesar de suas vantagens, as molas T não são a primeira escolha para realizar o fechamento de espaços entre os ortodontistas brasileiros. Mesmo assim, entender os conceitos envolvidos é importante independente da mecânica utilizada.

Nesse aspecto o recente artigo brasileiro publicado na Angle Orthodontist “Effects of stress relaxation in beta-titanium orthodontic loops: Part II” avaliou o efeito do relaxamento de tensão nessas molas, que pode alterar a mecânica pré-estabelecida, e identificou onde tal efeito ocorre.

Autores: Roberto S.S. Júnior; Sergei G.F.R. Caldas; Lídia P. Martins; Renato P. Martins


O relaxamento de tensão é a deformação sofrida por um determinado material quando submetido a uma carga ou estresse constante dentro do seu limite elástico. Por exemplo, imagine uma mola que possui um limite elástico de 100g (só sofrerá deformação quando for submetida a uma tensão maior ou igual a 100g), sendo submetida a uma tensão constante de 50g (abaixo de seu limite elástico) por um certo período de tempo. Essa tensão constante ao longo do tempo irá causar a deformação plástica (permanente). Esse processo acomete as molas T quando aplicadas clinicamente, uma vez que são submetidas a uma tensão constante até que ocorra o fechamento de espaços. A deformação provocada pelo relaxamento de tensão pode alterar toda a mecânica planejada, fazendo com que o fechamento planejado não ocorra ou ocorra de forma ineficiente.
A literatura já relatou o efeito do relaxamento de tensão em arcos ortodônticos de diferentes ligas metálicas e em molas T, mas ainda não havia sido identificado em qual região da mola o relaxamento de tensão era mais intenso.
O estudo em questão dividiu cada mola em 9 ângulos (figura 1) e mensurou cada ângulo de cada mola antes e após a simulação de uso clínico ao longo de 12 semanas para identificar qual região sofreu maior deformação. Ao realizar a simulação de ativação da mola no Loop software, identifica-se as regiões de alta tensão da mola (figura 2).




Figura 1 – Mola T pré-ativada por dobra com seus ângulos a serem mensurados, enumerado de 1 a 9.


Figura 2 – Simulação da ativação de uma mola T pré-ativada por dobra mostrando uma maior concentração de tensão, indicada pelas setas, nas dobras presentes nas hastes horizontais.

Após a simulação de uso clínico foi observado que o efeito do relaxamento de tensão ocorreu com maior intensidade nas primeiras 24 horas e continuou aumentando, em menor proporção, até o período de 12 semanas. A deformação se concentrou nas regiões de maior tensão da mola (os pares de ângulos 5 e 6, 7 e 8), como observado pela simulação de ativação (figura 2), que representam as regiões onde são realizadas dobras agudas (durante a confecção da mola e para a pré-ativação) (figura 3).


Figura 3 – Gráfico mostrando a variação de cada ângulos nos 5 períodos avaliados.

Os autores concluíram que para diminuir o efeito do relaxamento de tensão em molas T é realizar a pré-ativação por curvatura ao invés da pré-ativação por dobra, de forma que a tensão seja distribuída por toda a extensão da haste horizontal da mola.




quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Feliz Dia do Professor


Nossas reverências a todos aqueles que de forma direta ou indireta buscam inspirar todos os apaixonados pela Ciência Ortodontia !

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

10º Congresso Internacional da Associação Brasileira de Ortodontia (ABOR)



A Ortodontia Contemporânea estará presente no 10º Congresso Internacional da Associação Brasileira de Ortodontia que será realizado em Florianópolis - Santa Catarina. Todos os nossos canais de comunicação estarão funcionando, inclusive com transmissões ao vivo via Periscope (@ORTODONTIA). Teremos também um canal via WathsApp +71 8872 2226. O qual teremos vários sorteios e novidades compartilhadas. Contamos com a sua participação !



terça-feira, 6 de outubro de 2015

Prof. Dr. Luiz Gonzaga Gandini Jr. - Curso Avançado para Especialistas 2016



    Em entrevista dada à Revista DentalPress, em 2007, o Prof. Luiz Gandini fala sobre sua trajetória e sobre seus pensamentos a cerca da ortodontia Brasileira.

    Em 2016, teremos a enorme satisfação em termos esse ícone da excelência em nossa grade curricular do curso avançado para Especialistas da Academia da Ortodontia Contemporânea (link de pré-Lançamento). 

    Veja alguns trechos da entrevista ou a leia completamente pelo link no final do post.

Como chegar à excelência na ortodontia?

Como sugestão para atingir a excelência em Ortodontia poderia enumerar:

1) sempre acredite que você ainda precisa aprender mais e mantenha a atualização profissional em evidência;

2) tente acabar seus casos de forma perfeita e impecável, mas jamais acredite que ainda não poderia fazer melhor;

3) seja ético com seus pacientes e colegas;

4) nunca perca o romantismo ortodôntico que te guiou para a especialidade;

5) tenha consciência de suas limitações e jamais coloque o resultado financeiro como a primeira meta a ser atingida.

Qual a sua opinião a respeito da aplicação dos recursos mecânicos da Técnica do Arco Segmentado (TAS)?

 ...O segredo é mesclar as duas formas de tratamento e utilizar, em cada situação, a que melhor se adeque ao fim desejado. Como uma colocação clínica, poderia dizer que tenho utilizado aproximadamente 15% de mecânica segmentada em certas fases do tratamento e que os outros 85% tenho tratado baseado na forma do arco, com algum tipo de filosofia Straight wire...




 Qual elemento de diagnóstico você considera primordial no planejamento de tratamento de adultos, aquele que define a sua conduta em casos limítrofes? 

O diagnóstico de um caso é feito por um conjunto de informações, que normalmente são pesadas em conjunto para definir a tomada de decisão, e é exatamente esse conjunto que contribui para o poder na identificação do problema. Porém, no caso de separar-se em elementos individualizados, e especificamente para pacientes adultos e casos limítrofes, eu diria que dois fatores são determinantes: 

1) a queixa principal do paciente e 
2) a condição periodontal do mesmo, no caso de pensar-se em expansão para futura contenção permanente ou camuflagens ortodônticas. 

No adulto, a queixa principal é melhor definida e a maioria das vezes o paciente sabe bem o que espera do tratamento ortodôntico. Por outro lado, a saúde periodontal é o fator que limita tratamentos mais ou menos audaciosos. 





segunda-feira, 5 de outubro de 2015

OrtoPodCast Episódio 36 - Folga do fio e slot, Congresso da ABOR, Contenção


Novo episódio do Ortopodcast!

Não sabe o que é um podcast? Leia esse poste que explicamos: (O que é um pode cast)

Neste PodCast falamos sobre o congresso da ABOR nacional, Folga do fio e slot e como instalar a contenção fixa 3-3 inferior!

Grande prazer estar novamente com vocês neste canal de comunicação!

Não deixem de comentar !




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Mas se não quiser assinar, mas apenas escutar este episódio, basta fazer o download abaixo.

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domingo, 4 de outubro de 2015

Pensamento da Semana


É uma grande irresponsabilidade esperar que façam algo por nós. É a sua vez de jogar! 
Faça mais!

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Já estou no fio retangular e longe de finalizar. Sabe por quê?

       
       O aparelho ortodôntico deveria nos fornecer todos os movimentos que desejamos para os dentes até a finalização do tratamento. No entanto, na etapa de finalização percebe-se algumas inconsistências entre aquilo que esperávamos e aquilo que realmente conseguimos, principalmente em relação aos torques. 

É bastante comum também visualizarmos erros de finalização mesmo utilizando os aparelhos "totalmente pré-ajustados”. Isso acontece porque as dimensões dos slots dos braquetes e também dos fios ortodônticos não correspondem, exatamente, a prescrição indicada pelo fabricante. A limitação da fabricação faz com que os slots fiquem levemente maiores e os fios levemente menores além dos seus ângulos com algum grau arredondamento. Toda essa imprecisão é evidenciada na posição final dos dentes. 

Então, se você finaliza sua sequência de fios e percebe que ainda tem muita coisa pra fazer, mesmo tendo colado com muito critério, saiba que pode não ser um erro seu. Embora não o exima da responsabilidade de conhecer essa folga.

Um grupo de pesquisadores da Itália pesquisaram sobre a folga entre os fios ortodônticos e o slot dos bráquetes. 

Comparative analysis of real and ideal wire-slot play in square and rectangular archwires 
Luca Lombardoa; Angela Arreghinib; Elena Brattic; Francesco Mollicad; Giorgio Spedicatoe; Mattia Merlind; Annalisa Fortinif; Giuseppe Siciliani

Eles testaram a hipótese de que as dimensões dos fios (retangulares e quadrados) não diferem significativamente das dimensões ideais (indicadas pelos fabricantes) e que o arredondamento dos cantos dos fios não afetam a interação destes com o braquete.
O que você acha?

Os autores testaram arcos de fabricantes que vendem no mundo inteiro, como Ormco, Ortho Technology, GAC, 3M entre outros. Escolheram várias dimensões diferentes e ligas diversas também.
A folga entre o fio e o braquete chega a quase 35º quando utilizado o fio 16x22 de aço da Ormco em um braquete de slot 22!
O que isso significa!?
A menos que o dente esteja absurdamente mal posicionado (vestibularizado ou lingualizado excessivamente) o fio 16x22 e o redondo fazem o mesmo efeito de torque: 0. 

Os autores concluem:
  • Os arcos ortodônticos no mercado têm dimensões diferentes das declaradas pelos fabricantes; alguns são grandes e alguns são subdimensionados, num intervalo entre - 26,47% e + 5,10%.
  • Estas discrepâncias são de tamanho estatisticamente significativas em relação ao ideal em alguns casos e em outros não significativas.
  • Há fraca correlação entre a precisão dimensional dos arcos e a liga ou fabricante.
  • Em secção transversal, fios quadrados e retangulares apresentam arredondamento dos cantos  variável em cada canto, e isso tem uma influência significativa sobre a interação dos fios com o braquete.
  • A folga real é invariavelmente maior do que o ideal, caindo dentro do intervalo + 0.98º e + 17.38º; em alguns casos, a folga real é de até três vezes maior do que o ideal.
  • O grau de arredondamento dos cantos do fio está correlacionado com o material usado para fazer o fio ortodôntico; fios revestidos e TMA apresentam menor arredondamento, enquanto esta medição é maior em arcos de aço inoxidável convencionais e super temperado.
  • Para estimar com mais precisão a capacidade de expressão de terceira ordem (torque) dos aparelhos ortodônticos, os clínicos se beneficiariam se mais informações sobre a tolerância dimensional dos fios fossem divulgadas, especialmente o raio de arredondamento dos cantos.


Vale à pena ler este artigo publicado pala Angle (link)

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Modelos digitais vs modelos de gesso obtidos por moldegens com alginato e materiais substitutos ao alginato


Neste artigo de 2010, publicado pelo Angle Orthodontist, pelos autores Gilda Torassian; Chung How Kau; Jeryl D. English; John Powers; Harry I. Bussa; Anna Marie Salas-Lopez; John A. Corbett; do Department of Orthodontics, University of Texas Health Science Center at Houston, Houston, Texas; do Department Chair, Department of Orthodontics, University of Alabama, Birmingham; Avalia os modelos de gesso tradicionais obtidos com alginatos e outros materiais de moldagem.

Este estudo compara a estabilidade dimensional de quatro materiais de impressão ao longo do tempo e comparar aos modelos digitais OraMetrix vs modelos de gesso tradicional.


Dois alginatos tradicionais (identic e imprEssix) e dois substitutos de alginato (Alginot FS e position PentaQuick) foram usados para tomar várias impressões de um Typodont maxilar. Quinze impressões para cada material foram tomados e evazados com gesso em três momentos: 72 horas, 120 horas, e uma semana. Cinco impressões de cada material foram retiradas e foram enviados para OrthoProof para a reprodução do modelo digital de 72 horas. Os modelos digitais foram, então, integrados com o software OraMetrix. Modelos de gesso e digitais foram medidos nas dimensões ântero-posterior, transversal e vertical. Os modelos Typodont controle e gesso foram medidos com paquímetro digital, e os modelos digitais foram medidas utilizando o software OraMetrix.


Alterações estatisticamente significativas foram encontradas para os modelos replicados de material de impressão idêntico em todas as três dimensões, por 72 horas. Alterações estatisticamente significativas foram observadas em impressões imprEssix nas dimensões vertical e intercaninas. Os modelos digitais foram significativamente menores em todas as dimensões em comparação com modelos de gesso e ao controle.

O material de moldagem Identic apresentou uma variação estatisticamente e clinicamente significativos em todas as dimensões dentro de 72 horas e, portanto, não deve ser usado se as impressões não vão ser despejado imediatamente. Substitutos de alginato foram dimensionalmente estável durante um período prolongado. Os modelos digitais produzidos pela OraMetrix não foram clinicamente aceitáveis em comparação com modelos em gesso.

Link do artigo na integra via Angle Orthodontist:

http://www.angle.org/doi/pdf/10.2319/072409-413.1