ORTODONTIA CONTEMPORÂNEA

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Entrevista exclusiva com Dr. Maurício Casa




Dr. Mauricio Casa
Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo
Especialista em Ortodontia e Ortopedia Facial
Diretor Clínico da Align Tecnology do Brasil


Olá amigos do Ortodontia Contemporânea ! Publicamos hoje uma entrevista cedida pelo Dr. Maurício Casa que fala sobre o sistema invisalign e suas perspectivas para o futuro. Não percam!

Não deixem de compartilhar esta entrevista e comentar suas impressões e opiniões. Isso é muito importante para nós!

Um abraço a todos!

Wendel Shibasaki - Iniciando, gostaria que fizesse um resumo das sua formação e suas atividades acadêmicas.

Dr. Maurício Casa - Me graduei em odontologia em 1990 pela Universidade de Santo Amaro (UNISA). Seguindo a orientação e caminho de meu pai decidi ser ortodontista, fiz o curso de especialização em Ortodontia e Ortopedia Facial na Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas (APCD) Central, curso o qual fiquei como professor assistente por 10 anos. A vontade de ser pesquisador me levou até o departamento de histologia na Universidade de São Paulo (USP) o qual obtive o doutorado em Ciências, mas decidi abrir mão da pesquisa em 2002 em troca de um grande desafio, ser diretor clínico da Align Technology do Brasil, empresa que distribui Invisalign no território brasileiro. O trabalho com um novo conceito em ortodontia, quebrando paradigmas, lidando diariamente com preconceitos e tirando o ortodontista de sua zona de conforto foi e ainda é um grande desafio e prazer para mim.  

Wendel Shibasaki -  Como foi seu primeiro contato com a Align?

Dr. Maurício Casa -  No final de 2001 tive meu primeiro contato com os diretores da empresa aqui no Brasil, como a empresa ainda estava se estruturando, este primeiro contato gerou muitas dúvidas e falta de entendimento de como funcionaria este produto no Brasil. Nenhum dos diretores conhecia tecnicamente o produto e a dúvida sobre sua eficiência era o que nos preocupava. Logo após este contato li os escassos artigos científicos e comecei a entender o propósito do sistema. Entendi que a peça chave no planejamento e na condução do caso era o ortodontista, o que mudou minha visão em relação a este novo produto e fez acreditar que teria futuro.

Wendel Shibasaki -  Há quanto tempo o sistema Invisalign foi criado e há quanto tempo está disponível no Brasil?

Dr. Maurício Casa -  Invisalign começou a ser oferecido aos doutores americanos em 1997, e em 2001 a Align Technology se tornou uma empresa de capital aberto e começou expandir seu mercado para todo o mundo, Austrália, Europa e America Latina. No Brasil a operação teve início em 2002.

Wendel Shibasaki -  A Align está presente em diversos países. Cada região tem suas próprias necessidades e potenciais. O que a Align muda ou pode mudar para atingir mercados emergentes e até mesmo mercados menores, como a África?

Dr. Maurício Casa -  A Align tem que se adaptar para cada mercado, cada região apresenta empresas reguladoras e taxação alfandegária específicas e também a ortodontia é aplicada de forma diferente em cada área. Como o processo de manufatura e logística é todo centralizado algumas limitações e/ou maneiras de atuar podem divergir em regiões.

Wendel Shibasaki -  A possibilidade de simular o tratamento virtualmente com o ClinCheck dá ao ortodontista a possibilidade de errar várias vezes até acertar, antes mesmo de iniciar o tratamento real. O Senhor acredita que isto será visto futuramente como uma revolução do planejamento ortodôntico?


Dr. Maurício Casa -  O setup de ClinCheck, sim, é a grande revolução na ortodontia. Funciona como se fosse um setup de modelo de gesso, mas com uma precisão altíssima. Para casos limítrofes podemos criar diversas simulações de tratamento, ajudando no planejamento do caso. Quando planejamos um tratamento virtual podemos colocar nosso conhecimento e experiência em cada passo do tratamento. Por exemplo, se desejo alinhar o arco inferior sem vestibularização de incisivos posso verificar isto com alto detalhamento analisando as imagens inicial e final de sobreposição.  
No futuro penso que um programa de ClinCheck melhorado no qual tivéssemos a associação das alterações do tecido mole e com medidas cefalométricas poderia se tornar fundamental para auxiliar o diagnóstico e traçar a conduta de tratamento em todos os tipos de pacientes ortodônticos independente da técnica utilizada.

Wendel Shibasaki -  Nos parece que após os estudos e aparelho de Dr. Andrews (Técnica StraightWire) esta é a maior alteração no modo como vemos a biomecânica na ortodontia. Poderia nos explicar a biomecânica do sistema Invisalign e quais os recursos para ampliar as possibilidades de movimento?

Dr. Maurício Casa -  A biomecânica do Invisalign é baseada em incrementos muito sutis de movimentação dentária. O movimento ocorre à custa de uma série de alinhadores que são utilizados e trocados a cada 2 semanas e a pequena diferença de forma de cada alinhador da série proporciona a movimentação dentária desejada. A quantidade de movimento, torque, angulação e momento deste pode ser individualmente estipulado pelo o ortodontista conforme sua experiência.
Para auxiliar determinados movimentos com Invisalign são colocados Attachments (botões de resina), ou Power Ridges (ranhuras nos alinhadores). Estes ajudam a movimentação em determinadas situações que são mais difíceis de atingir com alinhadores somente, como por exemplo, em certos movimentos de extrusão, rotação, torque e angulação. Os attachments atuais têm uma face pré-ativada que libera uma força controlada.
Desde de 2010 os Attachments e Power Ridges são baseados em "Smart Force", este é fundamentado em pesquisas de biomecânica de movimentação dos alinhadores, esta biomecânica feita a partir de simulações virtuais e depois testados em um aparelho de validação física. Portanto, cada movimento dentário individual é monitorado por um programa que identifica a largura, altura, o longo eixo do dente e o movimento em questão e se necessário o programa irá colocar um Attachment ou Power Ridge para auxiliar determinado movimento. Desde 2009 a Align tem lançado pelo menos duas inovações por semestre, portanto ano a ano temos visto uma crescente melhora em eficiência e em resultados clínicos, possibilitando o tratamento de casos mais complexos.

  
Wendel Shibasaki - Os alinhadores são trocados a cada duas semanas na técnica recomendada pela Align. Os protocolos usuais de atendimento ortodôntico preconizam o mínimo de 3 semanas de intervalo entre as ativações, a título de tempo para reparação tecidual. O que faz o sistema Invisalign mais rápido?

Dr. Maurício Casa -  Conceitos de ativação de aparelhos ortodônticos há muito tempo se baseiam em resultados de reparação tecidual com base em pesquisas da década de 60, principalmente com uso de força intermitentes e fios de aço inoxidável. Com o surgimento de fios de liga de níquel-titânio e pesquisas com força contínua é comprovado que mesmo com este tipo força contínua aplicada ao tecido periodontal é possível uma movimentação dentária com reparação tecidual e sem prejuízo ao tecido dentário.
A Align pesquisou grande variedade de movimentos e tempo de troca de alinhadores e concluiu que o melhor resultado clínico é atingido com a troca de alinhadores a cada duas semanas. Podemos notar em relatos de casos clínicos na literatura, assim com em nossa clínica que dificilmente deparamos com arredondamento apical evidenciado movimentos com forças ideais.      

Wendel Shibasaki -  Como diretor clínico da Align no Brasil e como ortodontista, para onde aponta a linha de desenvolvimento da técnica com o Invisalign?  

Dr. Maurício Casa -  Em abril de 2011 a Align adquiriu a Cadent http://www.cadentinc.com/index.html empresa Americana líder no setor de scaneamento intra-oral. Nos EUA já começaram a substituir as moldagens em PVs por este tipo de scaneamento, deixando o processo mais rápido e preciso.
A Align ano a ano tem apresentado melhores resultados clínicos. A evolução dos "Smart Force", protocolos de ClinCheck e a combinação de mini-implantes e/ou elásticos intermaxilares com Invisalign aponta um caminho para tratar quase todos os tipos de maloclusões com eficiência. 

Wendel Shibasaki -  O preço do sistema Invisalign é um fator que inviabiliza sua utilização em algumas regiões do Brasil?

Dr. Maurício Casa -  Nosso grande mercado está concentrado nas capitais, mas encontramos profissionais com um bom desempenho em cidades muito pequenas. Com quase 10 anos de experiência identificamos que quem limita a venda ao paciente não é a região e sim o próprio ortodontista que não sabe ou tem medo de valorizar seu próprio trabalho. Pelo menos de uma década e meia para cá, devido ao surgimento de convênios, excesso de cursos de pós-graduação e conseqüentemente muitos profissionais, o tratamento ortodôntico perdeu significantemente seu valor se compararmos com outras intervenções odontológicas. Podemos dizer que “nivelaram por baixo” a ortodontia. Para confirmar estes dados é muito simples, converse com seus colegas de outras especialidades, pergunte qual é o valor médio de implantes, próteses, facetas, reabilitação oral. Na maioria das vezes colegas me falam que após fazer esta rápida pesquisa viram que realmente o valor de seu tratamento estava defasado.
Podemos afirmar que Invisalign não é para todos, é um produto premium, mas quantas pessoas em sua família ou círculo social não aceitam usar bráquetes? Para estas pessoas o Invisalign pode ser a única opção para corrigir os dentes.    

Wendel Shibasaki -  Gostaria de deixar este espaço para que o doutor fique à vontade para finalizar e expor o que desejar.

Dr. Maurício Casa -  Invisalign é a grande revolução da ortodontia nos tempos atuais. A possibilidade de fazer um tratamento virtual é um caminho que não tem mais volta, pois é um processo muito vantajoso para o paciente, assim como para o ortodontista. O importante no entendimento do sistema Invisalign é que apesar deste ser feito com a mais alta tecnologia de imagens 3D o que conta é a capacidade e experiência do ortodontista diagnosticar e planejar um tratamento.
Em conclusão, vejo que bons resultados clínicos estão associados a um diagnóstico e planejamento correto.

Agradeço a oportunidade de apresentar esta nova possibilidade de tratamento ortodôntico.




Links relacionados: 



terça-feira, 24 de setembro de 2013

Artigo na Coluna OrtoTecnologia - Terapia BioCriativa Lingual




Saiu este mês na coluna OrtoTecnologia, da Revista da Sociedade Paulista de Ortodontia, mais um artigo que descreve a Terapia BioCriativa, criada e desenvolvida em Seul - Coreia do Sul, pelos Professores Drs. Kyu-Rhim Chung e Seong-Hun Kim

Filosofia baseada numa biomecânica associada a varias modalidades de ancoragens esqueléticas e em algumas situações a procedimentos cirúrgicos voltados ao tratamento acelerado em pacientes adultos. A grande satisfação foi poder contar mais uma vez com a colaboração dos autores e desenvolvedores da técnica, que disponibilizaram um caso clinico para ilustrar o artigo. 


Autores do Artigo: Terapia BioCriativa Lingual


Com foco voltado a novas tendencias, protocolos de tratamento, protocolos de diagnóstico e planejamento, entre outras possibilidade ligadas a Ortodontia Contemporânea, a coluna OrtoTecnologia da Revista da SPO, vem mês após mês compartilhando com os leitores da revista estas possibilidades. 

Diversos artigos sobre a Terapia BioCriativa vem sendo publicados em inúmeros periódicos científicos ao redor do mundo, inclusive um foi classificado como o destaque da edição de setembro de 2013, pelo American Journal of Orthodontics and Dentalfacial Orthopedics. Assistam o vídeo abaixo postado pelo AJODO e apresentado pelo próprio pesquisador e autor do artigo, Professor Dr. Seong-Hun Kim.



Link deste artigo via AJODO:


Link da revista SPO:

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

OrtoPodCast - Episódio 33 - Prof. Carlos Cabrera explicando tudo sobre diagnóstico ortodontico.





Não sabe o que é um podcast? Temos um post que responde sua dúvida: O que é PODCAST?

Um grande privilégio falar com um dos mais conhecidos professores de ortodontia do Brasil e precisava compartilhar isso com vocês. O Prof. Cabrera discorre sobre o sistema orthológica e mostra sua linha de raciocínio para o diagnostico ortodôntico. Vale à pena ouvir o que ele tem a nos dizer.

Nao percam!

Faça a sua avaliação do podcast agora mesmo:

Não é usuário dos iTrecos? Acesse a página e faça os dowloads de todos os episodios:




sexta-feira, 13 de setembro de 2013

3º Modulo da Academia da Ortodontia Contemporânea



No mês de Julho aconteceu mais um modulo da Academia da Ortodontia Contemporânea, nossos alunos tiveram o grande privilégio de assistir aulas com grandes nomes da Ortodontia Brasileira. Clínicos e autores de livros voltados a prática ortodontica de relevância significativa na especialidade.

Tivemos o grande prazer de poder ver, conhecer e interagir (Hands-On) com o sistema OrthoLógica. Concebido pelos Professores Drs. Carlos Cabrera e Marise Cabrera. Uma aula incrível, que contou também com uma vasta casuística clinica e controle longitudinal de proservação dos casos concluídos. Excepcional ! 

Prof. Dr. Carlos A. Cabrera




O Prof. Dr. Ertty Silva, deu um show, com seu protocolo de tratamento utilizando ancoragem esquelética através de miniplacas ortodonticas. Foram demonstradas as varias possibilidades e segurança que o sistema permite. Tendo um foco voltado principalmente na intervenção em pacientes adultos. Podemos ver casos primorosamente finalizados. Explendido !

Prof. Dr. Ertty Silva


As diversas formas de tratamentos voltados para a má oclusão de classe II, foi o tema abordado pelo Professor Dr. Marcio Almeida. Tendo todas as abordagens respaldadas por uma rica casuística clinica associada a varias publicações do autor e colaboradores em diversos periódicos científicos de impacto na literatura internacional e nacional. Primoroso !


Prof. Dr. Marcio Almeida


O Professor Dr. Maurício Accorsi, dividiu com toda a turma de alunos, o seu conhecimento sobre o Diagnóstico 3D em Ortodontia. As possibilidades e aplicabilidade dos diversos recursos disponíveis no campo de diagnóstico e planejamento de tratamentos Ortodonticos. Os nossos alunos também tiveram a oportunidade de realizar o Hands-On com softwares de reconstrução 3D e avaliação de Tomografias Cone Beam. Vanguarda !

Prof. Dr. Mauricio Accorci


A cada modulo e ano que passa, ficamos cada vez mais felizes, pois a missão do Ortodontia Contemporânea: "Compartilhamento do Conhecimento de Qualidade". Vem paulatinamente  crescendo, nas diversas plataformas de abordagens: Aulas presenciais, Blog, Twitter, Facebook, Youtube, entre outros....

Uma grande satisfação é ver o fruto deste trabalho, a Turma da Academia de 2014, já vem se formando e conta com colegas especialistas oriundos de diversas cidades e estados já pré-inscritos. Prova de que o Ortodontista Contemporâneo é o  profissional que busca conhecimento de qualidade esteja ele onde estiver.



Muito Obrigado: aos nossos Alunos, ex-Alunos, futuros Alunos, Professores, Colegas e Familiares ! Entusiastas desta causa ....


Link para da Academia da Ortodontia Contemporânea 2014:

domingo, 8 de setembro de 2013

Pensamento da Semana



"Cada novo amigo que ganhamos no decorrer da vida aperfeiçoa-nos e enriquece-nos, não tanto pelo que nos dá, mas pelo que nos revela de nós mesmos."

Miguel Unamuno

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Perspectiva Ortodôntica da Cirurgia do Mento












Neste artigo de 2009, publicado pela Revista Portuguesa de Estomatologia, Medicina Dentária e Cirurgia Maxilofacial, pelos autores Patrícia Almeida Pinto, Afonso Pinhão Ferreira, Adriano Figueiredo; da Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto - Portugal. Mostra um belo levantamento bibliográfico sobre esta importante manobra da cirurgia Ortognática, grande aliada da Ortodontia.

O mento é uma das estruturas mais evidentes na face humana. A sua dimensão e posição podem ser alteradas através de dois procedimentos, quer pela adição de um material (osso, cartilagem ou materiais aloplásticos) ou mediante a osteotomia do bordo inferior da mandíbula. Esta última técnica é extremamente versátil, pois permite o reposicionamento do mento nos três planos do espaço.

Atualmente, a mentoplastia é vista como um ato cirúrgico que pode ser utilizado isoladamente ou em simultâneo com outros procedimentos cirúrgicos para a correcção de desarmonias transversais, verticais e sagitais do terço inferior da face.
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As deformidades dento-faciais (DDF), em geral, não se manifestam num só plano do espaço, apresentando alterações em dois ou três desses planos. Por esse motivo, o planejamento de uma mentoplastia envolve a análise estética do mento no contexto facial, considerando a sua forma, dimensão e posição nos três planos do espaço.
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Durante a avaliação clínica de uma DDF é imprescindível posicionar corretamente a cabeça do paciente. Este aspecto é particularmente importante nos indivíduos com assimetrias faciais, uma vez que estes apresentam com frequência posições compensatórias da cabeça com o intuito de disfarçar a assimetria. Assim, idealmente, no plano frontal, a horizontal de Frankfurt e a linha interpupilar devem estar paralelas ao solo. Isto permite avaliar a relação entre a linha média do mento e a linha média da face. Também devem ser comparadas as distâncias verticais das comissuras labiais aos respectivos bordos inferiores da mandíbula. Qualquer discrepância superior a dois milímetros deve ser valorizada. No que diz respeito à largura do mento, esta deve equivaler aproximadamente à distância intercantal.

Na avaliação estética da face é mais importante considerar a relação das estruturas entre si do que as medidas absolutas de cada estrutura. A análise de Delaire modificada é uma das formas de avaliar as proporções faciais no sentido vertical na radiografia cefalométrica. Nesta análise, a altura da parte superior da face mede-se do nasion (Na) à espinha nasal anterior (Ena) e a da porção inferior da face mede-se desta última ao menton (Me). Num indivíduo que apresente as proporções faciais correctas, a porção superior da face corresponde a 45% da altura total, equivalendo a porção inferior a 55%. Isto significa que se o clínico medir com um compasso a parte superior da face, cujo valor médio é de 50 milímetros, e transferir essa distância para a porção inferior da mesma, vai verificar que a altura inferior deve ser equivalente ao valor encontrado para a superior acrescido de cerca de 10 milímetros na mulher e de 15 milímetros no homem. Se a distância entre os pontos Ena e Me exceder consideravelmente estes valores pode estar indicada uma mentoplastia de redução no plano vertical.

A avaliação da estética cervico-mentoniana é outro dos pontos importantes a considerar na altura da programação de uma cirurgia do mento, especialmente nos procedimentos de redução. Uma distância muito curta entre o mento e o pescoço terá implicações na quantidade possível de recuo ou redução mandibular. Nestes casos, poderá até ser necessário incluir uma cirurgia maxilar de avanço num plano de tratamento que inicialmente só contemplava a cirurgia mandibular.

Por outro lado, em determinados pacientes ortodôntico-cirúrgico-ortognáticos torna-se, por vezes, necessário realizar uma mentoplastia devido ao impacto morfológico e funcional que as outras osteotomias planeadas para correção da sua deformidade dento-facial terão sobre o mento.

Existe uma grande variedade de técnicas para aumento postero-anterior do mento. Estas incluem a osteotomia horizontal do bordo inferior da mandíbula, os enxertos de osso autógeno, a colocação de material aloplástico e combinações dos vários métodos anteriores. De todas estas técnicas, a osteotomia horizontal com avanço do segmento mobilizado é a que apresenta, segundo a maior parte dos autores, os resultados mais previsíveis e estáveis.
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Até cerca de 1960, a mentoplastia de avanço era realizada através da colocação de implantes de silicone, que embora apresentassem bons resultados estéticos a curto prazo, tinham uma certa tendência para se afundarem na superfície da mandíbula à medida que o osso sofria reabsorção por baixo do implante. Surgiram também alguns casos de infecção, mobilidade e mesmo de migração dos implantes para a região do pescoço.
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Nos anos 70 começaram a ser utilizados os materiais aloplásticos, que por serem porosos, permitiam o crescimento de tecido no interior da sua massa, evitando o deslocamento do material. Esta técnica tinha como desvantagens o descolamento de uma área muito ampla de periósteo (praticamente toda a superfície anterior e inferior do mento) e a reabsorção óssea que ocorria subjacente ao material com consequente perda de projeção do enxerto. Assim, mesmo com uma execução técnica muito cuidadosa, o resultado a longo prazo dos enxertos com materiais aloplásticos era bastante imprevisível. Estimava-se que passados seis meses da cirurgia apenas se conservava 80% da massa total do enxerto. Mais recentemente começaram a ser utilizados os blocos de hidroxiapatite e HTR como materiais aloplásticos que não causam reabsorção óssea.

Atualmente os enxertos ósseos autólogos são os mais utilizados. Os enxertos livres, habitualmente retirados da bacia ou das costelas, sofrem uma remodelação e uma substituição por novo osso produzido pelo paciente em resposta ao seu potencial osteogénico. Apresentam como principal problema a variabilidade na quantidade de reabsorção e remodelação que ocorre, o que acarreta resultados pouco previsíveis a nível dos tecidos moles. Neste aspecto, a técnica que apresenta maior previsibilidade para o aumento postero-anterior do mento é a osteotomia horizontal da mandíbula com reposicionamento do segmento mobilizado em qualquer direção dos três planos do espaço. Comparativamente às outras técnicas, esta apresenta excelente estabilidade a longo prazo. A relação entre o avanço verificado nos tecidos moles relativamente ao efetuado nos tecidos duros é praticamente de 1:1. Verifica-se que quanto menor for a quantidade de descolamento dos tecidos, melhor será a qualidade dos resultados.

O excesso horizontal do mento é habitualmente corrigido através de uma osteotomia mandibular com deslocamento posterior do segmento mobilizado da sínfise. Simultaneamente com a redução anteroposterior, a altura do mento pode ser aumentada ou reduzida variando a angulação da osteotomia. Se o paciente apresentar uma altura facial normal, o corte deve ser paralelo ao bordo inferior da mandíbula.

Quando a quantidade de redução horizontal indicada é substancial, o cirurgião terá que ter o cuidado de manter o contorno harmonioso dos tecidos moles, conformando a estrutura óssea do corpo da mandíbula.

A mentoplastia de redução pode comprometer a estética labial e cervico-mentoniana, sendo este um dos aspectos importantes, como já foi referido, a considerar durante o exame clínico do paciente. Assim, por princípio, são de evitar, na maior parte dos casos, reduções antero-posteriores superiores a cinco, seis milímetros.

Em qualquer tipo de mentoplastia há dissecação dos nervos mentonianos com consequente parestesia temporária na região do lábio inferior. É importante informar previamente os pacientes desta consequência, apesar de habitualmente ser temporária.
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Os estudos sobre a recidiva de mentoplastias através de osteotomia horizontal do bordo inferior da mandíbula são escassos e contraditórios. Alguns parecem demonstrar alguma instabilidade nas cirurgias de avanço, no entanto, os valores de recidiva apontados são extremamente variáveis. O único ponto em que os vários estudos concordam é que a maior quantidade de recidiva ocorre durante o primeiro ano após a cirurgia, mas existe uma grande variabilidade individual.

A mentoplastia pode considerar-se um procedimento com resultados altamente previsíveis e estáveis, cooperando para melhorar os resultados dos tratamentos ortodônticos e cirúrgicos ortognáticos, desde que o diagnóstico, plano de tratamento e a cirurgia sejam bem executados.

Diversas variações da osteotomia horizontal do bordo inferior da mandíbula podem ser adaptadas para irem de encontro às necessidades estéticas faciais do paciente. Assim, uma assimetria do mento pode corrigir-se mediante deslizamento lateral e/ou reposicionamento vertical, uma deficiência por deslocamento anterior e inferior e um excesso por deslocamento posterior e superior.


Link do artigo na itegra via SPEMD:

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Ancoragem esquelética utilizada para correção ortodôncia de severa protrusão maxilar anterior após tratamento ortodôntico








Neste artigo de 2008, publicado pela Angle Orthodonthist, pelos autores Eiji Tanaka; Akiko Nishi-Sasaki; Takuro Hasegawa; Clarice Nishio; Nobuhiko Kawai; Kazuo Tanne; do Department of Orthodontics and Craniofacial Developmental Biology, Hiroshima University Graduate School of Biomedical Sciences, Hiroshima, Japão. Mostra um caso clinico de severa protrusão maxilar tratada com mini placas ortodonticas.

A correção de um grave protrusão maxilar em uma adulta com movimento distal dos molares superiores, era um dos mais difíceis problemas biomecânicos em ortodontia. Este artigo relata o tratamento de uma adulta com caso de grave protrusão maxilar e um grande sobressaliência, tratada com um sistema de ancoragem esquelética. Uma paciente do sexo feminino, idade 22 anos e 3 meses, queixou da dificuldade de vedamento lábial, devido à severa protusão maxilar com um sorriso gengival. Overjet e overbite foram de 7,6 mm e 0,9 mm, respectivamente.

Ela tinha um histórico de tratamento ortodôntico em que seus primeiros pré-molares superiores foram extraídos. No final do procedimento foi promovido uma movimentação distal dos molares superiores, mini placas de âncoragem foram colocadas no processo zigomático. Após atingir uma relação molar Classe I, retração e intrusão dos incisivos superiores foram realizadas. Depois de 2 anos de tratamento, uma oclusão aceitável foi alcançado com uma relação molar Classe I. perfil dela continuou convexo e a protrusão lábio superior foi consideravelmente melhorada, e os lábios mostrou menos tensão durante vedamento. Após 2 anos de um período de contenção, uma oclusão aceitável foi mantida sem recorrência de protusão maxilar, indicando uma estabilidade da oclusão.

O resultado desta ancoragem esquelética indicou que o tratamento é de grande importância como um recurso para intrusão e retração dos incisivos superiores em casos graves de protrusão maxilar em pacientes que já tenham se submetido a tratamentos ortodônticos anteriormente.


Link do artigo via Angle Orthodonthist:

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Ultra-som pulsátil de baixa intensidade na aceleração da movimentação dentária através de ativação da via de sinalização BMP-2




Neste artigo de 2013, publicado pela PLOS ONE, pelos autores Hui Xue, Jun Zheng, Ziping Cui, Xiufeng Bai, Gang Li, Caidi Zhang, Sanhu He, Weihong Li,Shayanne A. Lajud, Yinzhong Duan, Hong Zhou. Do Department of Orthodontics, School of Stomatology, Fourth Military Medical University, Xi’an, China, Department of Dentistry, Hegang People’s Hospital, Hegang, China, Department of Oral and Maxillofacial Surgery, Stomatological Hospital of Xi’an Jiaotong University, Xi’an, China, Department of Digestive Diseases, Hegang People’s Hospital, Hegang, China, Department of Orthodontics, Stomatological Hospital of Xi’an Jiaotong University, Xi’an, China, Department of Orthodontics, Stomatological Hospital of Wenzhou Medical College, Wenzhou, China, Department of Otorhinolaryngology-Head and Neck Surgery, University of Pennsylvania School of Medicine, Philadelphia, Pennsylvania. Mostra um estudo ligado a expressão do BMP através do estimulo com ultra-som sobre a taxa de movimentação dentaria. 

O presente estudo foi desenhado para determinar o mecanismo subjacente no ultra-som pulsátil de baixa intensidade (LIPUS,) a remodelação óssea alveolar induzida e o papel da expressão da BMP-2 em um modelo de movimentação ortodôntica em ratos.

Aparelhos ortodônticos foram colocados entre os primeiros molares  superiores e os incisivos centrais superiores em ratos sob anestesia geral, seguido por aplicações diáriaso de 20 min LIPUS ou tratamento LIPUS simulado no início do dia 0. Distâncias de movimentação dentária e alterações moleculares foram avaliadas em cada ponto de observação. Os estudos in vitro e in vivo foram realizados para detectar o HGF (fator de crescimento de hepatócitos) / vias de sinalização Runx2/BMP-2  e da expressão do ativador de receptor de NF-kB ligante (RANKL)  por PCR em tempo real quantitativo (qRT-PCR), Western blot e imuno-histoquímica. 

No dia 3, o USP não teve nenhum efeito sobre a distância de movimento ortodôntico no rato  e na remodelação do osso alveolar BMP-2 induzida. Contudo, começando no dia 5 e para os seguintes pontos de tempo, o USP aumentou significativamente a distância movimentação ortodôntica e o BMP-2 e a sinalização da expressão RANKL, comparado com o grupo de controle. O qRT-PCR e os dados de Western blot, in vitro e in vivo para estudar a expressão de BMP-2 foram consistentes com as observações de imunohistoquímica.

O presente estudo demonstra que a LIPUS promove a remodelação do osso alveolar, estimulando a via de sinalização HGF/Runx2/BMP-2 e a expressão RANKL em um modelo de movimentação ortodôntica rato, e a LIPUS aumentou a expressão da BMP-2 via regulamentação do Runx2.

Link do artigo na integra via  ncbi:

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Avaliação dos efeitos de diferentes configurações de superfície na estabilidade de mini-implantes




Neste artigo de 2013, publicado pelo The Scientific World Journal, pelos autores Tolga Topcuoglu, A. AltuL Bicakci, M. Cihat Avunduk, Z. Deniz Sahin Inan, do Department of Orthodontics, School of Dentistry, University of Gaziantep, Sehitkamil, Gaziantep, Turkey,  Department of Orthodontics, School of Dentistry, University of Cumhuriyet, Sivas, Turkey, Department of Pathology, Meram Medical Faculty, University of Selcuk, Konya, Turke e do Department of Histology and Embryology, School of Medicine, Sivas, Turkey. Mostra um estudo histologico realizado com mini implantes ortodonticos com o objetivo de analizar a sua superfície e aplicação de força e seus efeitos na estabillidade do mesmo.

O objetivo deste estudo foi analisar os efeitos do desenho do parafuso e aplicação de força na estabilidade dos mini-implantes, usando RTT, SEM, e análise histomorfométrica.

Oitenta mini-implantes, auto-perfurantes e  de liga de Ti6Al4V (1,6 × 6 mm) foram utilizados. Quatro mini-parafusos foram inseridos em fíbulas de cada coelho, e 115 g de força foi imediatamente aplicada. Quatro miniparafusos foram inseridos no outros fíbulas, no qual foi aplicada qualquer força. Oito semanas após a inserção, a osseointegração entre miniparafuso e o osso circundante foi avaliada pelas análises histomorfométricas, SEM, e RTT. Os testes t pareado e Kruskal-Wallis foram utilizados para a análise estatística. 

Os valores obtidos a partir do Grupo I foram significativamente maiores do que aqueles dos outros grupos carregados. Não houve diferenças nas pontuações RTT entre os Grupos. Achados semelhantes também foram observados para os mini-parafusos descarregados (Sem força). Não houve diferença significativa entre os Grupos I e IC, enquanto as diferenças entre os controles carregados (Com força) e descarregadas (Sem força) em cada miniparafuso, foram estatisticamente significativas.

Os autores concluiram que os Mini-implantes de carga imediata não prejudicam a estabilidade do parafuso. Além disso, o diâmetro do miniparafuso e os locais de inserção mais frequentes tem um efeito positivo sobre a estabilidade, no entanto, o comprimento do mini-implantes não tem um efeito significativo sobre a estabilidade. 

Link do artigo na integra via ncbi :

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Abordagem ortodôntica frente ao paciente periodontal adulto



Neste artigo publicado em 2003, pela Revista Stomatos, pelos autores Mauro Cordeiro D’Ornellas, Luciane Hahn, Ernani Menezes Marchioro; da disciplina e especialização em Ortodontia do Curso de Odontologia da ULBRA - Canoas - Rio Grande do Sul. Discorre sobre a conduta ortodôntica perante o paciente adulto acometido de doença periodontal, com as considerações biomecânicas, indicações, contra-indicações, vantagens, desvantagens e limitações, não deixando de expor também as expectativas do mesmo.

Atualmente observa-se uma grande e crescente procura pelo tratamento ortodôntico por parte dos adultos. Estes pacientes, algumas vezes, estão acometidos de doença periodontal que apresenta uma série de conseqüências desagradáveis. Sendo assim, ao optar-se por um tratamento ortodôntico em circunstância tão adversa, o cirurgião-dentista deve-se estar ciente de como proceder para o sucesso da terapia ortodôntica que há de ser aplicada.

Segundo a literatura (Taichman, Lindhe, 1992; Lascala, Moussalli, 1993; Sanders, 1999; Johal, Ide, 1999; Janson, Janson, Ferreira, 2001), a doença periodontal é definida como uma reação inflamatória à presença da placa bacteriana.

Para Rabie, Deng, Jin (1998) e Sanders (1999), a retenção de placa bacteriana compreende o principal fator etiológico da doença periodontal. Entre outros fatores, o mal posicionamento dentário tem sido considerado um importante fator etiológico predisponente à doença periodontal (Diedrich, 1996; Rabie, Deng, Jin, 1998). Lascala, Moussalli (1993), Harfin 1999) e Tamburus, Teixeira, Garbin (2002), afirmaram que este constituía um fator de manutenção ou um agravante em relação à enfermidade periodontal, na medida em que dificultaria o controle da placa bacteriana pelo paciente, levando a uma má ou pobre higiene dentária.

A doença periodontal caracteriza-se primeiramente por alterações de cor e textura gengivais (Nyman, Lindhe, 1992). Quanto à alteração de cor, a gengiva torna-se vermelha a partir das papilas e a tumefação também pode se fazer presente (Lascala, Moussalli, 1993). A mesma, segundo Lascala, Moussalli (1993) compromete o contorno e a forma gengival. Há, por fim, a ocorrência de sangramento, provocado à sondagem na área do sulco ou bolsa periodontal (Nyman, Lindhe, 1992). De acordo com Wennström et al. (1993), o desenvolvimento da doença periodontal pode resultar na formação de crateras ósseas, defeitos ósseos angulares com tecido conjuntivo inflamado e num epitélio dentogengival localizado apicalmente à crista do osso alveolar.

Radiograficamente, a doença pode ser reconhecida pela redução da altura do osso alveolar de suporte. Se a perda óssea progrediu em ritmo semelhante em uma certa parte da dentição, o contorno da crista do osso remanescente é igual nas radiografias: perda óssea horizontal. Defeitos ósseos angulares representam a conseqüência de perda óssea que ocorreu em ritmos diferentes ao redor de dentes e/ou superfícies diferentes: perda óssea vertical (Nyman, Lindhe, 1992).

Uma das conseqüências mais comuns da doença periodontal no paciente adulto é a mudança de posição e de inclinação de um ou mais dentes (Ong, Wang, Smith, 1998; Harfin, 1999). Classicamente, o paciente apresenta o segmento labial superior acometido de rotações, extrusões, formação de espaços irregulares (Brunsvold, Zammit, Dongari, 1997; Johal, Ide, 1999), projeções para a região anterior (Johal, Ide, 1999), geralmente em forma de leque (Brunsvold, Zammit, Dongari, 1997; Melsen, Kalia, 2001) e inclinações para espaços edêntulos (Brunsvold, Zammit, Dongari, 1997).

É importante salientar que o tratamento ortodôntico não pode ser iniciado antes de uma terapia periodontal apropriada, visando o controle da inflamação (Capelozza et al., 2001; Janson, Janson, Ferreira, 2001; Cardaropoli et al., 2001; Tamburus, Teixeira, Garbin, 2002). Segundo Capelozza et al. (2001); Cardaropoli et al. (2001), a mesma deve ser mantida durante a terapia ortodôntica. Melsen, Kalia (2001); Tamburus, Teixeira, Garbin(2002) afirmaram que a inflamação deveria ser controlada não somente antes e durante, como também após a movimentação ortodôntica. Desta forma, Nett, Cirtu(2000) sugeriram um programa de manutenção periodontal de três meses, após o tratamento ortodôntico. Já Melsen, Kalia (2001) propuseram que o mesmo fosse mantido de forma permanente. De acordo com Tulloch (1995) e Johal, Lee (1998), o tratamento ortodôntico somente começaria após um período de 6 meses, onde os tecidos periodontais estariam estabilizados e destituídos da inflamação ativa. Para Cardaropoli et al. (2001), 7 a 10 dias após os procedimentos periodontais já seria possível instituir a mecanoterapia ortodôntica.

Segundo a literatura (Rabie, Deng, Jin, 1998; Sanders, 1999; Nett, Cirtu, 2000; Melsen, Kalia, 2001; Cardaropoli et al., 2001), o tratamento dos pacientes envolve uma ação multidisciplinar onde o periodontista, o clínico-geral e o ortodontista buscam o tratamento mais adequado para o paciente adulto.

No tratamento ortodôntico propriamente dito pode-se lançar mão de movimentos intrusivos(Nicolay, Fine, 1999; Aguirre-Zorzano et al., 1999; Cardaropoli et al., 2001; Janson, Janson, Ferreira, 2001), extrusivos (Ong, Wang, Smith, 1998; Sanders, 1999; Janson, Janson, Ferreira, 2001), de corpo (Ong, Wang, Smith, 1998; Sanders, 1999), de verticalização (Melsen, Agerbaek, Markenstam, 1989; Janson, Janson, Ferreira, 2001) e de inclinação (Duncan, 1997b; Ong, Wang, Smith, 1998). Por outro lado, alguns autores contra-indicam determinados movimentos tais como o de intrusão (Tulloch, 1995), o de inclinação e o extrusivo, quando agravante da situação periodontal (Proffit, 1995; Sanders, 1999).

Segundo Thilander (1992) e Ong, Wang, Smith (1998), de uma maneira geral, a força aplicada inicia num grau leve, em torno de 20 a 30g por dente, aumentando para 30 a 50g nos movimentos de inclinação e 50 a 80g nos movimentos de corpo, dependendo do grau de perda óssea marginal e da quantidade de osso alveolar remanescente. Especificamente, nos movimentos intrusivos, a força pode variar de 5 a 15g por dente (Ong, Wang, Smith, 1998; Johal, Ide, 1999) ou, segundo Rabie, Deng, Jin (1988) e Cardaropoli et al. (2001), de 10 a 15g. Já a força extrusiva, segundo Frank, Pearson, Booker (1995), pode manter-se entre 25 e 100g/cm2. Em relação à natureza da força, a mesma deve apresentar-se leve (Johal, IDE, 1999; Capelozza et al., 2001), intermitente (Thilander, 1992; Ong, Wang, Smith, 1998) e individualizada numa relação direta com a quantidade de periodonto de inserção (Tamburus, Teixeira, Garbin, 2002), sendo reativada a cada três ou quatro semanas (Thilander, 1992). Já, Harfin (1999) sugeriu individualizar o período de tempo entre uma ativação e outra.

Segundo Diedrich (1996), há a necessidade de uma abordagem biomecânica diferenciada frente a uma condição de perda de inserção, pois a mesma se traduz com reduzida superfície radicular frente ao osso, migração apical do centro de resistência e qualidade de ancoragem decrescente. Sendo assim, é necessário adaptação na magnitude da força, imprimindo um sistema de forças (força e momento) adequado, visando o tipo de movimento dentário desejado.

A forma de contenção dos dentes após o tratamento apresenta variações, podendo ser temporária, semi-permanente ou permanente (Thilander, 1992). Segundo Aguirre-Zorzano et al. (1999) e Harfin (1999), a contenção apresenta-se de forma permanente com fio ortodôntico trançado, colado na face palatina ou lingual de cada dente que foi movimentado. Já Johal, Lee (1998) e Johal, Ide (1999), sugeriram a colagem e também uma placa de Hawley, como segurança. Proffit (1995) preconizou como contenção, a curto prazo, a moldeira de plástico adaptada a vácuo, o splint oclusal ou a placa wraparound. Melsen, Kalia (2001) propuseram o uso de um splint removível ao dormir. Cardaropoli et al. (2001) indicaram a colagem de um dente ao outro, na região interproximal, com resina composta. De qualquer forma, segundo a literatura, é necessário que a contenção seja fixa e por um longo período, visando a diminuição dos movimentos secundários dos dentes e criando condições favoráveis para recuperação óssea (Tamburus, Teixeira, Garbin, 2002).

Segundo Tulloch (1995), entre as indicações têm-se a facilitação do tratamento restaurador, o melhoramento da saúde periodontal e o estabelecimento de uma proporção coroa-raiz favorável numa orientação vertical, fazendo com que as forças oclusais sejam transmitidas no sentido do longo eixo dos dentes.

De uma forma ampla, segundo a literatura, a estética e a função constituem fatores indicativos plausíveis de tratamento (Lascala, Moussalli, 1993; Feres, 1999). Para Fastlicht (1982) e Tamburus, Teixeira, Garbin (2002), assim como a estética e a função são importantes, o aspecto psicológico do paciente também consta da indicação.

Segundo Aguirre-Zorzano et al. (1999), a simples presença de placa bacteriana contra-indica o tratamento ortodôntico. Para Capelozza et al. (2001) e Janson, Janson, Ferreira (2001), a presença da inflamação é que constitui contraindicação. De acordo com Diedrich (1996), dentes com um prognóstico questionável apresentando perda de inserção acima do terço apical, envolvimento de furca avançado e formas avançadas de periodontite – periodontite de rápida progressão – devem ser tratados ortodonticamente somente em casos excepcionais.

Nicolay, Fine (1999) e Tamburus, Teixeira, Garbin (2002) apresentaram contra-indicações do tratamento ortodôntico as quais incluiam problemas sistêmicos que dificultam o controle do tratamento, falta de cooperação e motivação do paciente, falta de controle do processo inflamatório e infeccioso, inabilidade para conter os dentes nas novas posições obtidas e movimento ortodôntico resultando numa oclusão instável. Tamburus, Teixeira, Garbin (2002) colocaram a perda óssea acentuada ao nível do processo alveolar como importante contra-indicação.

Segundo a literatura, há inúmeras vantagens da realização do tratamento ortodôntico em pacientes com problemas periodontais. Entre elas destaca-se: o melhor acesso para higienização
(Cardaropoli et al., 2001; Capelozza et al., 2001), a redução das cargas não axiais (Duncan, 1997a; Rabie, Deng, Jin, 1998; Janson, Janson, Ferreira, 2001), o ganho de inserção (Janson, Janson, Ferreira, 2001), a redução dos defeitos ósseos (Janson, Janson, Ferreira, 2001), a restituição da oclusão incisal (Cardaropoli et al., 2001; Capelozza et al., 2001) a melhora da anatomia periodontal (Rabie, Deng, Jin, 1998; Cardaropoli et al., 2001; Janson, Janson, Ferreira, 2001), o aumento do selamento labial (Duncan, 1997a), a melhora no comprimento da coroa clínica e dos níveis de margem óssea (Cardaropoli et al., 2001), a estimulação do processo de cicatrização óssea e periodontal e o uso do movimento ortodôntico como subsídio na preparação de futuros sítios para colocação de implantes.

Capelozza et al. (2001) e Janson, Janson, Ferreira (2001), citaram a dificuldade na manutenção da limpeza da aparelhagem quanto a remoção da placa. Isto é comum em virtude do aparelho favorecer a formação e a retenção da mesma (Tamburus, Teixeira, Garbin, 2002). Duncan (1997a) comentou a respeito do aumento da mobilidade dental durante o tratamento. Diedrich (1996) salientou que o tratamento ortodôntico não apresentava garantias quanto à existência de um efeito global profilático, evitando toda e qualquer recorrência de doença periodontal futura.

Ao longo do diagnóstico e planejamento ortodôntico do paciente adulto com problemas periodontais, alguns pontos extremamente importantes devem ser considerados na busca do sucesso da terapêutica ortodôntica.

Primeiramente, deve-se sanar todo e qualquer processo inflamatório pré-existente para realmente iniciar a movimentação ortodôntica. O acompanhamento de um periodontista é essencial, não só antes, como também durante e após o tratamento. A ancoragem deverá ser reforçada e a força aplicada deverá ser leve e intermitente, respeitando a integridade periodontal remanescente.

Os períodos de reativação serão de 3 a 4 semanas, podendo ser aumentados em virtude das particularidades individuais envolvidas. O tratamento ortodôntico aplicado nesta circunstância visa o restabelecimento estético e funcional somente dos dentes migrados, não tendo a pretensão de ser uma terapia ortodôntica corretiva total.


Link do artigo na integra via ULBRA:

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Ajuste oclusal pós-tratamento ortodôntico em pacientes que não apresentam disfunção temporomandibular


Neste artigo de 2009, publicado pela Revista Inst Ciências Saúde, pelos autores Luís Paulo Ferreira Bellini; Cristina Lúcia Feijó Ortolani; Kurt Faltin Júnior; Sandra Maria Nobre David; Antonio Francisco David; da Escola de Aperfeiçoamento Profissional do Curso de Especialização em Ortodontia e Ortopedia Facial da Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas (APCD) – Regional de São Bernardo do Campo; da Disciplina de Ortodontia da Universidade Paulista (UNIP); do Curso de Especialização em Radiologia odontológica e Imaginologia da APCD Regional de São Caetano do Sul - São Paulo. Realiza uma revisão da literatura a respeito da necessidade do ajuste oclusal por desgaste seletivo pós-tratamento ortodôntico em pacientes que não apresentavam disfunção temporomandibular, visto que é um procedimento clínico que tem como finalidade obter uma estabilidade mandibular, livre de prematuridades e interferências oclusais.


O equilíbrio oclusal (ajuste oclusal) é a remodelação sistemática da anatomia oclusal dos dentes, a fim de minimizar todas as desarmonias oclusais nas posições oclusais mandibulares reflexas. A função balanceada é um fator desejado no desenvolvimento normal da oclusão, já que mordidas cruzadas funcionais ou maloclusões funcionais Classe II ou Classe III podem, com o tempo, criar complicações esqueléticas e disfunção temporomandibular.

O ajuste oclusal é uma técnica que envolve desgaste dentário, ou seja, perda de estrutura dentária hígida e se não for executada por profissional capacitado, pode ser fator iatrogênico determinante para um futuro problema que o paciente possa apresentar. Por esse motivo a utilização deste procedimento ainda gera opiniões diversas como uma técnica de tratamento preventivo em todos os pacientes pós-ortodônticos, principalmente os que não apresentam disfunção temporomandibular.


O ajuste oclusal, quando bem indicado, poderá levar a essa harmonia, evitando ou minimizando sobrecargas para determinado elemento desse sistema. O ajuste oclusal pode ser utilizado pelos ortodontistas como um complemento do tratamento ortodôntico, visando uma distribuição das forças oclusais o mais natural possível, eliminando interferências e traumas oclusais, que levariam a um desequilíbrio oclusal propiciando as recidivas e possíveis problemas de disfunção temporomandibular. Dentre as indicações, pode-se citar as razões de Moyers:


• estabilizar a oclusão corrigida
• alterar a deglutição anormal favorável e outros reflexos
• promover um meio funcional favorável para as mudanças de desenvolvimento
• fornecer um desgaste artificial para aquelas faces oclusais na maloclusão estabelecida que eram
usadas de maneira anormal
• minimizar os deslizes oclusais provenientes de interferências causa principal de apinhamento
incisal inferior durante a retenção.


Conforme citado por Angle (1899) o princípio básico da oclusão normal é o fundamento que rege a Ortodontia contemporânea. Esse conceito somente considerava a relação normal dos planos inclinados oclusais dos dentes com os arcos em oclusão como pré-requisito para a obtenção da chamada oclusão normal. O autor foi o pioneiro neste campo, pois, por meio de observações em uma coleção de crânios, reuniu as informações que considerou necessárias para formular seu conceito de oclusão normal. Enquanto sua forte influência prevaleceu, outras idéias eram rejeitadas. Somente após a sua morte, novos estudos tiveram seu valor reconhecido.


Roth(1981), e Roth e Rolfs(1981) afirmaram que um objetivo do tratamento ortodôntico seria o de produzir um resultado no qual a relação cêntrica e a máxima intercuspidação habitual coincidissem e em que, em relação cêntrica, todos os dentes opostos contactassem seus antagonistas simultaneamente, com a ausência de qualquer deslize mandibular, e, nas excursões excêntricas, os dentes anteriores, especialmente os caninos, desarticulassem os posteriores após um leve movimento. Além disto, acredita-se que o quanto mais próximo desta relação, mais estável será o resultado do tratamento ortodôntico e menor o risco de trauma oclusal.


Okeson (1992) definiu o ajuste oclusal como um equilíbrio da oclusão por meio de desgastes seletivos e afirmou que o uso deste procedimento é limitado pelo fato de serem permanentes e irreversíveis. Desgastes seletivos estão indicados para eliminar uma desordem temporomandibular e como tratamento complementar, associados com mudanças oclusais ao tratamento ortodôntico, por exemplo. Afirmou também que ajustes oclusais por desgastes são a eliminação do deslize das posições de relação cêntrica para máxima intercuspidação. O deslize da mandíbula é causado pela instabilidade dos contatos entre vertentes de dentes opostos. Quando a ponta de cúspide contata uma superfície plana em relação cêntrica e uma força é aplicada pelos músculos elevadores da mandíbula, não ocorre deslize. Assim, para se conseguirem contatos aceitáveis em relação cêntrica, deve-se alterar ou recontornar todas as vertentes em ponta de cúspide ou superfície plana. O desgaste de interferências durante os movimentos excêntricos tem como objetivo, complementar o aspecto funcional dos contatos dentários, que irão servir para guiar a mandíbula por meio destes movimentos. Em função, os dentes posteriores não são apropriados para receber forças geradas nos movimentos excêntricos e desgastes são realizados para que somente os dentes anteriores façam a desoclusão bilateral dos dentes posteriores.


Roth (2003) afirmou que o tratamento ortodôntico é uma forma de reabilitação bucal completa, obtida clinicamente em esmalte e, como tal, deve seguir as regras de oclusão exigidas para obter-se saúde bucal em longo prazo, em odontologia restauradora e protética, se os ortodontistas pretendem prover um serviço de saúde verdadeiro. O autor afirma também a importância da relação entre a oclusão e a articulação temporomandibular, e, além disso, a oclusão, se alterada, deve ser modificada para estar em harmonia com a posição articular ótima no fechamento e nos movimentos bordejantes. A estabilidade não será obtida na ausência de uma articulação estável, em posição articular também estável, além de contatos interoclusais cêntricos apropriados, com desoclusão dos dentes posteriores quando em movimento.

Conclusões

1. Após avaliar a opinião de diversos pesquisadores, conclui-se que o ajuste oclusal é um recurso muito importante e útil para o cirurgião-dentista e em especial para o ortodontista, na finalização de seus casos. Por meio dele pode-se obter uma estabilidade mandibular adequada, livre de prematuridades e interferências oclusais, visto que as interferências oclusais são fatores que levam à recidiva, apinhamentos e disfunções da articulação temporomandibular e devem ser eliminados. O ajuste oclusal por desgaste seletivo é um recurso terapêutico pela qual consegue-se uma estabilidade da oclusão, porém deve-se sempre levar em consideração que é um procedimento irreversível e para realizá-lo, o profissional deve ter um conhecimento profundo de oclusão e da função do sistema estomatognático. Os conceitos de relação cêntrica, oclusão cêntrica, máxima intercuspidação, movimentos excursivos mandibulares devem estar muito claros para o profissional, assim como a necessidade de se fazer uma avaliação prévia do caso com montagem dos modelos em articulador semi-ajustável e uma análise criteriosa de todas as funções mastigatórias.


2. Concluí-se também que o ideal seria iniciar o tratamento ortodôntico com o diagnóstico feito em relação cêntrica e a finalização também, mesmo que para se chegar a essa relação seja indicado o ajuste oclusal por desgaste seletivo, proporcionando contatos bilaterais e simultâneos em relação cêntrica, eliminação de prematuridades e interferências oclusais, promovendo uma guia anterior harmônica, distribuição axial das forças oclusais, contatos posteriores mais fortes do que os contatos anteriores em máxima intercuspidação. Todas essas referências vão proporcionar uma oclusão equilibrada, diminuindo a ocorrência de recidivas após o tratamento ortodôntico, e prevenindo futuros problemas na articulação temporomandibular.




Link do artigo na intgra via Lidbi Bireme: