ORTODONTIA CONTEMPORÂNEA

quarta-feira, 7 de março de 2012

Oclusão Dentária em uma População Indígena da Amazônia: A Genética prevalece sobre Meio Ambiente








Neste artigo de 2011, publicado pelo PLoS ONE, pelos autores David Normando, Jorge Faber, João Farias GuerreiroCátia Cardoso Abdo Quintão; do Departmento de Ortodontia, Universidade Federal do Pará, Departmento de Ortodontia, da Universidade de Brasilia, Laboratorio médico de Genética humana, Universidade Federeal do Pará e Departamento de Ortodontia, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Brasil. Mostra um belo estudo realizado por renomados profissionais brasileiros numa tribo indígena, onde foram avaliados fatores genéticos e ambientais na população.


Estudos examinando humanos e primatas apoiam a hipótese de que o recente aumento na ocorrência de desalinhamento dos dentes e / ou relações incorretas dos arcos dentários, nomeada de má oclusão dentária, são atribuídas principalmente à disponibilidade de uma dieta mais processada e a uma menor necessidade de ação mastigatória vigorosa. Pela primeira vez em populações humanas vivas, foram examinadas as influências do desgaste dental sobre a variação oclusal e a genética em uma população numa divisão indígena. O povo Arara-Iriri são descendentes de um único casal  expulso de uma aldeia maior. Na aldeia resultante, a expansão se deu através do acasalamento de parentes próximos, resultando em coesão genética acentuada com diferenças genéticas substanciais.

A má oclusão dentária, desgaste dental e coeficiente de endogamia foram avaliados. A amostra era composta por 176 indivíduos de ambos os povoados. Razão de Prevalência e diferenças descritivas na freqüência e nos resultados para cada estágio de desenvolvimento da dentição foram considerados. Apesar das semelhanças de desgaste dos dentes, os autores encontraram uma diferença marcante nos padrões oclusais entre as duas aldeias Arara. Na aldeia original, a má oclusão dentária estava presente em cerca de um terço da população; enquanto na aldeia resultante, a ocorrência foi quase o dobro. Além disso, as características morfológicas da oclusão foram fortemente diferente entre os grupos.
Os resultados minimizam o fato de que a influência que gera o desgaste dental, é uma evidência direta de que o indivíduo comeu no passado, sobre a variação oclusal de vida das populações humanas. Eles também sugerem que a genética desempenha o papel mais importante na etiologia da má oclusão dentária.


terça-feira, 6 de março de 2012

Ortodontia Lingual com Harmony - American Orthodontics






Há algum tempo postamos aqui sobre o incognito, ou iBraces, e percebemos o grande interesse entre os colegas por técnicas linguais.

Sistemas informatizados como o incognito tem passado, por marketing, a grande "facilidade" que seria tratar com a técnica lingual.

Apesar de não concordar com a abordagem das empresas sobre "sistemas ortodônticos", não podemos nos abster de divulgar novas tecnologias que nos cercam.

E falando em tecnologia, a American Orthodontics tem um papel de destaque no desenvolvimento da ortodontia. Prova disso é o lançamento do Harmony.

Quem ainda não conhece o Harmony, mas já leu nosso post sobre o Incognito e gostou, não pode deixar de ler mais um pouquinho.

De fato, se falamos sobre ortodontia invisível, como são chamadas as técnicas de ortodontia estética, a mais fiel à chamada seria a ortodontia lingual. Uma vez que esta oculta completamente o aparelho no interior da cavidade bucal. Muito do desenvolvimento desta técnica no Brasil tem se dado graças ao trabalho dos Profs. Marcos Prieto, Alexandre Moro, Henrique Bacci, Luis Fernando Eto, Valter Ossamu Arima, entre outros.

O professor Marcos Gabriel Prieto estará conosco no curso da Academia da Ortodontia Contemporânea, mostrando a ciência por trás de todo marketing.

Iniciando sobre as características do sistema, me chamou a atenção pelo fato dos brackets serem autoligáveis. Isso mesmo! Achei incrível a possibilidade dos brackets totalmente individualizados poderem ser montados com a aleta de fechamento, bem parecida com a dos vestibulares. A questão da eficiência da "interatividade" das aletas é uma outra história...



Outra característica interessante é a possibilidade de customizar a base do bracket e, inclusive transferindo a necessidade de dobras do fio para as bases, possibilitando o arco reto. Mas isso em nada tem com a "preguiça"de fazer dobras, uma vez que os fios, assim como no ingonito, são dobrados por um robô e entregues ao ortodontista todos os fios, passo a passo.

Para a colagem indireta inicial é fornecido uma moldeira. Mas no caso de recolagens, são fornecidos posicionadores metálicos para maior acurácia dos dentes anteriores.


O set-up eletrônico é o mais cativante de todos os recursos e é uma tendência próxima para todos e já uma realidade para alguns colegas.

Vamos ver como serão avaliados estes sistemas nos próximos números dos periódicos...

O que o fabricante fala:


Para mais informações em português, entre em contato com a HiPlus.

Para outras informações sobre a ortodontia lingual consulte nosso BLOG ou o Site da ABOL:




segunda-feira, 5 de março de 2012

A expressão da citocina e o movimento dentário acelerado


Nesse artigo publicado em 16 de julho de 2010 no Journal of Dental Research, os autores C.C. Teixeira1,2,3, E. Khoo1, J. Tran1, I. Chartres1, Y. Liu1, L.M.Thant2, I. Khabensky2, L.P. Gart2, G. Cisneros1,3, and M. Alikhani1,3; Falam sobre a biologia do movimento dentário induzido e procuram evidenciar o papel das citocinas neste processo.

1Department of Orthodontics, 2Department of Basic Science and Craniofacial Biology, and 3Consortium for Translational Orthodontic Research, New York University College of Dentistry.

Nossos agradecimentos ao Dr Mani Alikhani, co-fundador do Consortium for Translational Orthodontic Research (CTOR) da NYU, pela gentil indicação do artigo nas nossas pesquisas.


Sabemos que o movimento dental induz uma resposta inflamatória asséptica, aumento da permeabilidade vascular e infiltrado celular. Grandes concentrações de citocinas inflamatórias como interleucina-1, IL-2, IL-3, IL-6, IL-8, fator de necrose tumoral alfa, interferon e fator de diferenciação dos osteoclastos tem sido achados no fluido gengival dos dentes submetidos ao movimento.

Mas o papel das citocinas não está bem claro. Tem-se sugerido que as citocinas e outros marcadores inflamatórios, como a prostaglandina E2, pode ativar o remodelamento ósseo caracterizado pela reabsorção no lado de pressão e deposição nos lado de tensão do ligamento periodontal. Um mecanismo possível para isso seria o recrutamento de precurssores de osteoclastos da circulação, maturação e ativação pelas citocinas. Muitas delas capazes de promover a formação de osteoclastos e sua ativação foram achadas no fluido gengival de dentes em movimento.


O efeito da expressão das citocinas na remodelação óssea é importante, uma vez que a velocidade de movimentação dentária depende da eficiência da remodelação do osso alveolar.

Estudos com ratos deficientes de receptores para fator de necrose tumoral alfa mostraram uma taxa de movimentação baixa em resposta à força ortodôntica. Outros estudos mostram que anti-inflamatórios podem inibir o movimento dentário induzido.

Baseado nesses estudos, a hipótese dos autores é que pequenas perfurações superficiais da cortical da maxila seria suficiente para aumentar a expressão de citocinas inflamatórias, acelerando o processo de remodelaçãodos ossos e, portanto, a taxa de movimento de dente.






Para o estudo foram utilizados 48 ratos adultos divididos em 4 grupos de 12: C - Controle (molas sem ativação); O - Molas ativadas; OF - Molas ativadas e retalho de tecido mole; e OFP - Molas ativadas, retalho de tecido mole e perfurações superficiais da cortical vestibular.



Resultados:

As perfurações aumentaram a taxa de movimento (dobrou), mesmo comparado com o grupo que foi feito o retalho de tecido mole;


As perfurações aumentaram a expressão das citocinas;

As perfurações aumentaram a atividade osteoclástica, enquanto o grupo que sofreu o retalho de tecido mole se mostrou semelhante ao grupo que teve apenas a mola ativada;

As perfurações aumentaram a taxa de remodelação óssea e o osso produzido mostrou-se menos denso.
Os autores também sugerem que essas perfurações não necessariamente precisam ser muito próximas do dente a ser movido, para que as taxas sejam elevadas. Alertam que a inflamação é uma "faca de dois gumes" e enquando pode ser benéfica para acelerar a movimentação e a remodelação óssea, pode ser causadora de perdas periodontais e da estrutura dentária.

Para ler o artigo original clique aqui
Para saber mais sobre o Dr Mani Alikhani


sábado, 3 de março de 2012

A utilização do laser em Ortodontia




Neste artigo de 2005, publicado na Revista Dental Press, pelos autores Leniana Santos Neves, Cíntia Maria de Souza e Silva, José Fernando Castanha Henriques, Rodrigo Hermont Cançado, Rafael Pinelli Henriques e Guilherme Janson de Bauru - SP. Demonstram a eficiência e indicações deste recurso terapéutico na Ortodontia, já utilizado em outras areas da Odontologia.


A palavra laser é uma abreviatura para “Light Amplification of Stimulated Emission of Radiation” que na Língua Portuguesa significa Amplificação da Luz por Emissão Estimulada de Radiação. O laser é uma radiação que se encontra no espectro de luz que varia do infravermelho ao ultravioleta, passando pelo espectro visível.


A utilização terapêutica da energia luminosa vem desde os primórdios da civilização, e em 1903, o prêmio Nobel de medicina foi destinado ao Dr. Nielo Ryberg Finsen pelo tratamento realizado com a luz solar em um paciente que apresentava um tipo de tuberculose de pele. Albert Einstein, em 1916, formulou os princípios da amplificação da luz por emissão estimulada de radiação, quando percebeu em seu experimento que a emissão induzida poderia existir e a radiação eletromagnética seria produzida por um processo atômico. No ano de 1960, Theodoro H. Maiman desenvolveu o primeiro aparelho emissor de laser, a cristal de rubi, que passou a ser comercializado. No ano seguinte foi realizada a primeira intervenção cirúrgica com o laser, no Hospital Presbiteriano de Nova York, para a retirada de um pequeno tumor de retina que impedia a visão. Em 1965, Sinclair e Knoll desenvolveramo laser terapêutico, não mais com efeito de corte, mas de bioestimulação dos tecidos.


Os lasers são classificados de acordo com a potência de emissão da radiação podendo ser: laser de alta, média e baixa intensidade.


Os lasers de alta intensidade, também conhecidos como laser cirúrgico, laser quente, laser duro ou hard laser emitem radiação de alta potência, o que propicia um potencial destrutivo, sendo utilizados para viabilizar cirurgias ou remoção de tecido cariado, ou seja, possui uma ação fototérmica de corte, vaporização, coagulação e esterilização dos tecidos. Os principais lasers de alta intensidade são o Excimer, Argônio, Kripton, Dye, Rubi, Família YAG (ítrio-alumínio-granada) e CO2.


Os lasers de média intensidade ou mid-laser emitem radiações com potências medianas, sem poder destrutivo, sendo mais utilizados em fisioterapia. Entre eles se encontram o laser de Hélio-Neônio (He-Ne) e o Arseniato de gálio (AsGa).


Os lasers de baixa intensidade, também denominados laser mole, laser frio, laser terapêutico ou "soft-laser”, emitem radiações de baixas potências, sem potencial destrutivo, e possuem uma ação fotoquímica de analgesia, anti-inflamatória e de bioestimulação tecidual. Entre os lasers de baixa intensidade encontra-se os lasers: He-Ne (Hélio-Neônio), diodo (Arseniato de gálio - AsGa e Arseniato de gálio e alumínio - AsGaAl).


A partir dos anos 80 foram estabelecidas algumas normas de segurança para a utilização dos aparelhos a laser. De acordo com as normas éticas, o profissional não deve garantir resultados favoráveis aos pacientes; deve-se ter cuidado com os efeitos secundários, principalmente nos olhos e pele. O raio laser pode provocar alterações sistêmicas indesejáveis, principalmente quando aplicado em glândulas, como por exemplo, a tireóide.


Em relação às normas de segurança, os aparelhos de laser são classificados quanto ao espectro eletromagnético e seus riscos em provocar lesões oculares: luz visível (pode provocar lesões na retina), infravermelho (pode provocar lesões na córnea e cristalino), ultravioleta (pode provocar alterações celulares - citoplasma e núcleo - podendo provocar queimaduras ou câncer). Quando o feixe de luz laser é focalizado no olho, podese provocar queimaduras na retina com lesões irreversíveis de alteração visual. Portanto, torna-se indispensável a utilização de óculos de proteção pelo profissional, auxiliar e paciente, sendo que para cada comprimento de onda existe um tipo de óculos de proteção específico.


A utilização da luz laser vem se tornando cada vez mais freqüente na clínica odontológica, trazendo benefícios inquestionáveis ao pacientes nas diversas especialidades odontológicas. A Ortodontia também pode se beneficiar dos efeitos da laserterapia, apesar disto ainda não estar bem difundido entre os profissionais desta área. Pode-se utilizar o laser em Ortodontia com as finalidades de: descolagem de braquetes cerâmicos; reparação óssea após a expansão rápida da maxila; odontalgia decorrente da movimentação ortodôntica; polimerização da resina durante a colagem de braquetes; holografia, que permite o armazenamento das imagens dos modelos de gesso; scanner a laser permitindo a utilização de imagens tridimensionais no diagnóstico e planificação do tratamento ortodôntico ou ortodôntico/cirúrgico; diagnóstico de lesão de mancha branca em pacientes ortodônticos; inter-relação Ortodontia e Periodontia e reparo das úlceras traumáticas originadas pelos acessórios ortodônticos.


A luz laser vem sendo cada vez mais empregada na Odontologia, mostrando-se eficaz e benéfica quando bem utilizada. Sabe-se que o laser apresenta uma grande diversidade de indicações, podendo ser utilizado com efeitos de corte, de analgesia, de estimulação tecidual, entre vários outros; basta o profissional conhecer bem os tipos de lasers e o modo de ação de cada um deles. Na Ortodontia, a laserterapia também apresenta suas indicações, podendo contribuir sobremaneira com a evolução do tratamento, trazendo benefícios para o profissional e para o paciente. Porém, mais estudos devem ser realizados para verificar com mais detalhes as indicações e as possíveis contra-indicações desse meio auxiliar no tratamento ortodôntico.




Link do artigo na integra via Scielo:


sexta-feira, 2 de março de 2012

Entrevista com o Professor Doutor Weber Ursi - Parte 2




Dando continuidade, o Blog Ortodontia Contemporânea tem a honra de dividir com os nossos amigos leitores, uma entrevista com um grande nome da Ortodontia Brasileira o Professor Dr. Weber Ursi, Ortodontista Clinico em São José dos Campos - SP; Mestre e Doutor em Ortodontia pela FOB-USP, Professor Livre Docente da UNESP - São José dos Campos - SP e Coordenador da Especialização em Ortodontia da APCD - São José dos Campos. Estamos também muito felizes em poder contar com a sua presença no Curso Avançado da Academia da Ortodontia Contemporânea, que abordará tratamento com Braquetes Auto-ligáveis. Aproveitem a entrevista e mais uma grande oportunidade de conhecer e aprender com um profissional de grande gabarito.


Marlos Loiola - Parte do seu Doutorado foi realizado em Michigan nos Estados Unidos. Você teve alguma influência nos seus protocolos clinicos de tratamento, por alguns dos instituidos pelo Professor Dr.James McNamara, principalmente naqueles realizados em pacientes passando pelo surto de crescimento? Se sim, quais seriam e em até que fase você os preconizariam? O que você achou da separação da Ortodontia e da Ortopedia dos Maxilares ocorrida aqui no Brasil?


Dr. Weber Ursi - Ainda hoje acompanho e sigo as recomendações básicas dos protocolos instituídos pelo professor McNamara, com pequenas alterações. Vou responder esta pergunta da mesma maneira que fiz na estrevista da Revista Dental Press, publicada anos atrás, mas que ainda norteia minha conduta. 

Na dentição mista, a  maioria dos pacientes (casos com pequena discrepância),  é tratada somente visando a correção do componente transversa (Disjunção). Os casos mais severos são tratados ou com Ortopedia Funcional dos Maxilares (Twin-block) ou Splint de Thurow.  A utilização do  Extra-bucal ou Extra-oral,  é ainda imperativa quando na composição da maloclusão exista um componente esquelético vertical significante, o que praticamente eliminaria qualquer efeito positivo de um avanço mandibular, mesmo que cirúrgico, se feito isolado.
Com relação à época de sua utilização, entretando, deve-se ter em mente que o crescimento maxilar não acompanha a mesma curva de crescimento que a mandíbula. O crescimento mandibular acompanha a curva de crescimento geral, ou estatural, cuja aceleração maior se dá na adolescência. Em função de sua posição biomecânica e funcional, a maxila, entretanto, é influenciada pelas curvas de crescimento neural e estatural, apresentando um comportamento menos acentuado na adolescência. Em vista disto, a oportunidade para o uso das forças extra-bucais, neste conceito, estaria antes do surto de crescimento, a partir dos 8-9 anos de idade, utilizada por 10-12 horas por dia até a correção da maloclusão e, após, por 8 horas por dia, como contenção, até a irrupção dos segundos molares permanentes. Por inúmeros motivos  o modelo ideal seria o Splint de Thurow, que permite, ao mesmo tempo, o controle vertical e sagital do crescimento da maxila, ajuste de suas dimensões transversais à mandíbula, e libera a expressão do crescimento mandibular, com rotação antihorária, melhorando sua projeção anterior.
Casos excepcionais com discrepâncias esqueléticas acentuadas, com risco de fraturas de incisivos e com pouca colaboração, são tratados com mecânica Tip-edge e elásticos de Classe II, mesmo na dentição mista. Na dentição permanente em pacientes em crescimento utilizo  o aparelho de Herbst para diminuir a discrepância esquelética,  ou mesmo em final de crescimento, como método para aumentar as compensações pré-existentes.
Com relação à sua segunda pergunta, creio que ela fez sentido alguns anos atrás, quando a porcentagem de número de Ortopedistas/ Ortodontistas estava mais pareada. Hoje, com a quantidade de Ortodontistas que o inúmeros cursos formam, ela perdeu relevância, pela disproporção numérica dos especialistas em Ortodontia. Infelizmente em nosso país, cada vez que se faz uma legislação procurando normatizar algo, os espertos de plantão acham uma maneira de adaptar a lei às suas necessidades. Com toda certeza, hoje os Ortodontistas estão em situação difícil não em função desta separação, mas em função de sua própria especialidade. Ortodontistas brasileiros são como porcos-espinhos, se estão muito longe uns dos outros, passam frio, e quando se aproximam, se espetam....


Marlos Loiola - Com relação a utilização de braquetes auto-ligados, nos casos de preparo Ortodontico voltado a cirurgia ortognática. Existe alguma diferença em relação ao protocolo de tratamento instituido com os braquetes convencionais? Quais seriam as vantagens? Quais seriam as limitações?
Dr. Weber Ursi - Não creio que haja grandes diferenças, casos específicos de preparo com fins de resolução cirúrgica, entre brackets convencionais e auto-ligados. Por definição, os casos indicados para Cirurgia Ortognática vão ter maiores correções no momento da cirurgia que durante o tratamento Ortodôntico.
Somente em casos de grandes descompensações, com exodontias de pre-molares, talvez os brackets auto-ligados tenham alguma vantagem pela diminuição do atrito em uma mecânica de deslizamento. 
Uma outra possibilidade de vantagem dos auto-ligados frente aos convencionais seria o possível ganho transversal obtido, que poderia, em casos selecionados, evitar uma segmentalização da maxila ou a necessidade de uma Expansão assistida cirurgicamente.

Marlos Loiola - Professor Weber, este ano você está organizando mais uma vez em conjunto com o departamento de Ortodontia da Universidade de Michigan um curso voltado exclusivamente para Brasileiros nos Estados Unidos. Nos conte mais sobre este projeto excepcional que será realizado este ano.
Dr. Weber Ursi - Como você Marlos, pode atestar, o último curso, em 2010, foi excepcional em termos acadêmicos, de interrelação pessoal e congraçamento entre nós, os brasileiros, e os professores do Departmento de Ortodontia. 
Tivemos a oportunidade de conviver uma semana com todos os professores, visitamos o laboratório do Dr. Sunil Kapila (Chefe do Departamento), a clínica do Prof. McNamara, tivemos um cock-tail de boas vindas e um jantar de encerramento, quando todos os participantes receberam um certificado da Universidade de Michigan. 
Este ano vamos repetir a dose, de 10-14 de Setembro, e praticamente 1/3 do conteúdo do curso será renovado em relação a 2010, inclusive com a participação da mais nova aquisição do Departamento de Ortodontia, a Dra. Júlia Cevidanes, uma brasileira com uma enorme produção científica, que muito nos honra e eleva. Portanto, fica aqui o convite, para todos que quiserem uma experiência única e rica, de irem conosco a Ann Arbor por uma semana.



 









Marlos Loiola - Para mim esta Mini Residência foi um sonho realizado ! Um curso de ponta, numa renomada Universidade Americana, organização impecável, aulas com professores pesquisadores do departamento de Ortodontia, como o Ilustre Doutor James McNamara, que inclusive apresentou a todo o grupo de alunos sua clinica particular. Realmente foi EXCEPCIONAL !!!


Mais Informações: Clique aqui

Link da Clinica do Dr. Weber Ursi:



Ultima Mini Residência em Ortodontia na Universidade de Michigan 2010:


http://www.ortodontiacontemporanea.com/search/label/Universidade%20de%20Michigan

Link do local do Curso de Especialização que o Dr. Weber Coordena:



quinta-feira, 1 de março de 2012

Entrevista com o Professor Doutor Weber Ursi - Parte 1



Esta semana o Blog Ortodontia Contemporânea tem a honra de dividir com os nossos amigos leitores, uma entrevista com um grande nome da Ortodontia Brasileira o Professor Dr. Weber Ursi, Ortodontista Clinico em São José dos Campos - SP; Mestre e Doutor em Ortodontia pela FOB-USP, Professor Livre Docente da UNESP - São José dos Campos - SP e Coordenador da Especialização em Ortodontia da APCD - São José dos Campos. Estamos também muito felizes em poder contar com a sua presença no Curso Avançado da Academia da Ortodontia Contemporânea, que abordará tratamento com Braquetes Auto-ligáveis. Aproveitem a entrevista e mais uma grande oportunidade de conhecer e aprender com um profissional de grande gabarito.

Marlos Loiola - Professor Weber Ursi, divida conosco a sua Historia de vida. Nos contando sua trajetória acadêmica, profissional, na pesquisa e de docência. 

Dr. Weber Ursi - É uma pergunta interessante, pois nunca haviam me feito desta maneira. Me formei em Odontologia na Universidade Estadual de Londrina, em 1982, numa família que não tinha dentistas. Fui paciente de Ortopedia Funcional dos Maxilares, sendo tratado com aparelhos de Bimler por 4 anos, e talvez daí tenha vindo minha motivação para fazer Odontologia, já com o objetivo de estudar Ortodontia.

Após me formar fui trabalhar em Petrópolis, RJ, em uma clínica em que um dos sócios era o Dr. Luiz Felipe Figueiredo, irmão do presidente da república de então, João Figueiredo. O trabalho era árduo, de segunda a sábado das 7-21 horas, mas me deu condições para juntar dinheiro para ir para  Chicago, perto da região onde havia morado quando intercambista do American Field Service (AFS) durante o terceiro ano de colegial. Me deparei com uma barreira intransponível, não havia bolsas para Mestrado em Ortodontia no exterior e eu não tinha o dinheiro suficiente para pagar o curso e para sobreviver. Conheci lá na Universidade de Illinois o Dr. Mário Algodoal, professor da Faculdade de Odontologia de Bauru que estava fazendo pós-doc, que me recomendou para fazer o curso de Mestrado em Bauru, com o Dr. Décio Rodrigues Martins. 

Voltei ao Brasil e infelizmente teria que esperar 2 anos para o início do curso, e ainda por cima, ainda mais descapitalizado. Um colega me sugeriu ir trabalhar em Itaituba, nas margens do rio Tapajós, no Pará. Fiquei lá por 18 meses, onde, apesar das dificuldades, aprendi a apreciar as belezas da Amazônia e da cultura Paraense. A eletricidade era de gerador, e funcionava das 8-12, 14-22, depois era um escuro só, sem ar condicionado numa temperatura de fritar ovos. A experiência clínica, e principalmente, da interação paciente/profissional que este tempo me proporcionou certamente me ajudaram na vida toda. 

Voltei para Londrina onde um grande amigo me ajudou com as primeiras noções de Ortodontia, o Prof. Claudenir Rossato. Iniciei o Mestrado em Bauru, em Março de 1986, com duração de 3 anos, em período integral. Grande parte do que sei de Ortodontia hoje, se deve a estes anos de imersão total, e certamente devo a meus mestres da FOB-USP,  Drs. Décio,  Renato, Marcos, Arnaldo, Fernando, Guilherme e do Centrinho Dino e Omar.

Meu orientador de Mestrado foi o Dr. Renato Rodrigues de Almeida, grande amigo e incentivador, onde aprendi a apreciar quão difícil é coletar uma amostra. Selecionei a amostra em colégios da cidade, buscava cada participante do trabalho em casa, fazia toda a documentação necessária. Depois fiz todas as medidas com transferidor, digitei todos os resultados para elaboração da análise estatística e datilografei o boneco da tese inteiro numa máquina Olivetti Praxis. Resolvi ficar para o Doutorado, com os Drs. Guilherme de Almeida (Federal de Uberlândia) e Jussara Cansanção (Federal do Rio Grande do Norte), iniciado em Março de 1989.

Me interessei em me inscrever no programa de Bolsa Sandwich e felizmente fui aceito pelo Dr. James McNamara para ficar um ano na Universidade de Michigan, onde fui em Agosto de 1990. Foi um ano que mudou minha vida, pois tive o prazer de ter contato com muitos mestres que somente conhecia por seus trabalhos, como o Dr. Robert Moyers, cujo livro dei os primeiros passos na carreira. Em Michigan coletei todos os dados para minha tese de Doutorado, gentilmente cedidos pelo Prof. McNamara.  Quando estava para retornar, surgiu uma residência em Cirurgia Ortognática na New York University, no Departamento de Oral Surgery, que se iniciou em Julho de 1991. Durante um ano, fui o residente Ortodontista do Centro de Deformidades Dentofaciais. Minhas atribuições eram de tratar os pacientes que seriam submetidos a Cirurgia Ortognática, fazer o preparo pré-cirúrgico destes casos e de outros casos particulares dos professores, desde as radiografias, cirurgia de modelos, confecção de splints cirúrgicos, traçado predictivo, simulação em computador (isto em 1991), etc. Além disto, auxiliava e fotografava todas as cirurgias.

Em 1992, atendendo um convite do Dr. Antenor Araújo, fiz concurso para ingressar na UNESP de São José dos Campos, onde estou até hoje. Coordeno o Curso de Especialização em Ortodontia da APCD local e mantenho clínica privada, que é minha atividade que me toma mais tempo é meu ganha pão, e uma vez que não poderei contar com herança para aposentadoria, vou ter que continuar trabalhando por muitos anos ainda, o que é bom para nos manter ativos e saudáveis.


Wendel Shibasaki - Professor Weber Ursi, nos últimos anos temos visto um grande interesse por técnicas e equipamentos modernos na ortodontia. Acredita que a biomecânica ortodôntica está passando por um enfoque mais mecânico que biológico? Na sua visão, quais os desdobramentos disso?

Dr. Weber Ursi - Acredito que a fisiologia da movimentação ortodôntica não tenha mudado em nada, uma vez que “um osteoclasto, é um osteoclasto, é um osteoclasto...”. O que mudou nos últimos anos é como fazemos a movimentação ortodôntica de maneira mais eficiente que em décadas passadas, e mais confortável para o paciente. Não creio que a qualidade dos casos melhorou com mais tecnologia, mas certamente ficou mais fácil atingir um patamar de excelência, e isto continuará a nos guiar. 

Mesmo a biomecânica não mudou em nada, pois os princípios físicos que regem a movimentação dos dentes são os mesmos, a não ser que eu não tenha sido avisado.....  Novamente, o que mudou, foi a facilidade de se controlar biomecanicamente as movimentações pretendidas, com menor esforço e menos efeitos colaterais. 

O que eu vejo hoje, são arautos de firmas comerciais travestidos de professores, com uma bagagem cultural, geral e principalmente ortodôntica, muito aquém da exposição que tem na mídia. Mas não vamos nos ater a lamentações, a ortodontia atual é o que é, com coisas melhores e piores que nas décadas passadas, e nós temos que nos adaptar à estas tecnologias, senão, teremos apenas interesse arqueológico.

Wendel Shibasaki - O tratamento de adultos demanda, além de eficiência, eficácia. Tempo de tratamento é um fator decisivo para os candidatos a uso de aparelho ortodôntico. Os tratamentos ortodônticos de hoje são, em média, mais rápidos que os do passado? A que se deve isso?

Dr. Weber Ursi -Esta pergunta é carregada de armadilhas na resposta. O tratamento mais rápido é melhor ? Seguramente se você perguntar ao paciente ele dirá que sim, pois não há nada de prazeiroso ter os dentes cobertos por elementos estranhos a ele, que machucam e doem. 

Mas, a rapidez seguramente não pode ser o critério e objetivo precípuo do tratamento ortodôntico, senão o tratamento ortodôntico mais rápido seria o não-tratamento..... Outro problema é determinar quando um tratamento ortodôntico está terminado ? Será que o alinhamento das coroas determina o final do tratamento ? Seguramente a movimentação radicular é mais demorada que a movimentação ao nível incisal,  lembrando a máxima de Zachrisson “Torque takes time”. 

Onde entraria então a tecnologia, o desenvolvimento de ligas com propriedades super-elásticas, de brackets individualizados, etc ?  Na minha visão, seguramente a justificativa para seu uso é termos mais tempo para detalhamento e finalização dos casos, e após atingirmos os objetivos propostos, poder manter o aparelho por alguns meses, sem ativação, para que o tecido ósseo possa ter tempo para se remodelar adequadamente nas novas posições dentárias.  

Ao longo do tempo, qual Ortodontista terá mais sucesso em sua carreira, o que termina muito rápido mas os resultados não se mantêm, ou o que demora um pouco mais, mas tem melhor estabilidade ? Nossa especialidade tem como característica um crescimento de pacientes em progressão aritmética, e para que isto se mantenha, temos que entregar resultados excelentes, num tempo razoável e que tenham relativa estabilidade, senão estaremos diante da “comédia do alinhamento rápido, seguido da tragédia da recidiva”. Alinhamento das coroas, sem controle de torque está fadado à recidivas rápidas e certeiras.



Link da Clinica do Dr. Weber Ursi:


Conheça Mini Residencia em Ortodontia que o Dr. Weber organiza para Brasileiros na Universidade de Michigan:



Última Mini Residência em Ortodontia na Universidade de Michigan 2010:



Link do local do Curso de Especialização que o Dr. Weber Ursi Coordena: