ORTODONTIA CONTEMPORÂNEA

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

ESTERILIZADOR ULTRA-RÁPIDO ACROUS











A Acrous Equipamentos Odontológicos em Ribeirão Preto - São Paulo, desenolveu uma esterelizador Ultra-rápido, segundo eles em apenas 01 minuto. O equipamento de acordo com a industria é reconhecido e aprovada pela ANVISA.

O que o Fabricante fala do produto:

Esterilize qualquer instrumental metálico em apenas “01 minuto”

A metodologia foi aprovada pela ANVISA e reconhecida pelas mais importantes Universidades do País. Segundo EnsaiosMicrobiológicos realizados pelo Departamento de Análises Clínicas, Bacteriologia & Microbiologia da Faculdade de Ciências Farmacêuticas /Odontologia USP, Ribeirão Preto, SP, a metodologia é segura, absolutamente comprovada, possibilitando uma excepcional dinâmica no processo de Esterilização.
Cabe lembrar que “Esterilização” é um Termo Absoluto, que implica na eliminação de todas as formas de vida em um dado material. A empresa Acrous Equipamentos Odontológicos Ltda. desenvolveu o “Esterilizador Ultra-Rápido UR-3” , objetivando atender em um primeiro momento, aos profissionais da área de Ortodontia, onde a rotatividade de pacientes é consideravelmente grande, e a necessidade de ter a disposição um grande número de Instrumental devidamente esterilizado é imediata.

Partindo do princípio que um ciclo de Esterilização completo na Autoclave pode variar de 40 a 50 minutos, pressupõe-se uma enorme organização, rotatividade e funcionalidade nas salas de esterilização.A Esterilização pelo “calor seco” com alta temperatura através do contato direto com “Esferas de Vidro” (350oC) apresenta a vantagem de ser mais rápida e eficiente, onde o tempo de exposição do instrumental através desse sistema são muito rápidos, possibilitando fácil penetração do calor através do contato direto com as micro-esferas de vidro super aquecidas, mantendo uma transferência de calor imediata e distribuindo-se rapidamente de modo uniforme sobre o instrumental. Sua ação esterilizante resulta em destruição bacteriana que se dá pela oxidação celular.
A eficiência do equipamento dependerá dos cuidados especiais empregados na pré-lavagem, higienização e desencrustação do instrumental, procedimentos estes contidos no Manual Técnico de Biosegurança e Controle das Infecções Cruzadas da Secretaria doEstado da Saúde e regulamentado pela ANVISA.

PRINCIPAIS VANTAGENS:
. Indispensável nos atendimentos de alta rotatividade (Ortodontia)
. Destruição bacteriana total por oxidação celular
. Esterilização rápida, mínima exposição do instrumental, apenas 01 minuto
. O Instrumental não perde o “corte”
. Minimiza a utilização da Autoclave
. Não há necessidade de aguardar o ciclo de esterilização
. Atinge a temperatura de 350º em 15 minutos
. Proteção de Acrílico Transparente evitando risco de queimaduras
. Timer com Alarme Sonoro, segurança na determinação do tempo de exposição


Link do Fabricante:

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Estudo laboratorial tempo de fechamento das alças e grau de inclinação canina, durante procedimento de retração, empregando mecânica arco segmentado








Neste artigo de 2010, publicado pelo Dental Press Journal of Orthodontics, pelos autores Gilberto Kauling Bisol, Roberto Rocha; Do departamento de Ortodontia e Ortopedia Facial da faculdade de Odontologia da UFSC; Avalia o tempo de retração e o grau da inclinação sofrida pelo canino empregando três tipos de molas ortodônticas para retração – a alça em “T”, a alça em “L” e a alça em forma de gota.

Durante o tratamento ortodôntico, se espera que uma força ótima, empregada para promover movimentação dentária, proporcione um resultado satisfatório num período de tempo razoável, com dano mínimo às estruturas adjacentes e com mínimo de incômodo para o paciente. Parece haver uma amplitude ótima de variação nos valores de força, que produz uma quantidade máxima de movimentação do elemento dentário, sem que haja movimentação indesejável da unidade de ancoragem.

Alguns conceitos físicos precisam ser revisados para que se possa entender a relação entre as forças e a movimentação dentária. Cada objeto ou corpo tem um ponto sobre o qual ele pode ser perfeitamente equilibrado, o qual é conhecido como centro de gravidade do objeto. Contudo, os dentes têm uma complicação adicional: estão restritos por estruturas periodontais que envolvem a raiz, mas não a coroa. Usa-se, então, outro ponto: o centro de resistência. É importante salientar que a posição do centro de resistência varia com o comprimento radicular e também com a alturado osso alveolar. Geralmente, o dente pode se mover de três maneiras: translação, ou movimento de corpo; rotação pura, onde o dente vai girar em torno do seu centro de resistência; e translação e rotação combinados.

Vários autores discutiram as propriedades desejáveis nos dispositivos empregados na movimentação dentária. Dentre os relacionados, estão:

1. Deve gerar níveis de força apropriados, uma relação carga/deflexão baixa e uma relação M/F alta, para alcançar a movimentação dentária desejada. Para que se consiga aumento do nível de momento produzido, dobras do tipo Gable, ou dobras anti-inclinação, podem ser incorporadas aos dispositivos. Isso reflete num aumento da relação M/F; momentos diferenciais podem ainda ser gerados, alterando-se o posicionamento dos dispositivos.

2. Deve ser capaz de se submeter a uma razoável amplitude de ativação/desativação liberando forças e momentos relativamente constantes.

3. Deve ser pequeno o suficiente para se adaptar confortavelmente no espaço intrabucal disponível.

Com a intenção de atingir esses objetivos, vários dispositivos têm sido apresentados na literatura, com diferentes, capazes de obter diferentes resultados, que podem estar ligados a fatores relevantes do tratamento ortodôntico, como por exemplo o tempo necessário para a realização da movimentação dentária, bem como o efeito de inclinação sobre o elemento dentário. Outro fator a ser levado em consideração é o tipo de fio empregado, com o qual será construído o dispositivo ortodôntico. Há vários tipos de fios disponíveis no mercado, que, por sua vez, possuem diferentes características e propriedades mecânicas.


CONCLUSÃO

Conforme os resultados obtidos nesse trabalho, pôde-se concluir que:

1. Tempo de fechamento das alças: Não houve interação entre o tipo do fio e o tipo da alça para essa variante. Porém, independentemente, as diferenças foram significativas:

1.1. Tipo de alça: as alças em forma de “T” demoraram mais para desativar do que as demais.

1.2. Tipo de fio: as alças construídas com liga de beta-titânio demoraram mais para desativar do que as demais.

2. Grau de inclinação do canino: Neste caso, observou-se interação entre o tipo da alça e o tipo do fio. Procedeu-se, então, ao desdobramento da análise:

2.1. Tipo de alça: as alças em forma de gota promoveram uma inclinação dentária maior do que as demais avaliadas. As alças em forma de “T”, por outro lado, mantiveram-se relacionadas estatisticamente aos menores valores de inclinação. Porém, quando se empregou o fio de aço inoxidável da marca comercial 3M Unitek para confecção das alças, os três tipos não apresentaram diferença estatística para essa variante.

2.2. Tipo de fio: as alças constituídas de liga de beta-titânio mantiveram-se, independentemente
do desenho de alça empregado, relacionadas estatisticamente aos menores valores de inclinação observados para o elemento dentário movimentado.

Portanto, a combinação de um material com menor módulo de elasticidade e rigidez (beta-titânio) associado a um desenho de alça que utilize maior quantidade de fio para sua confecção (em forma de “T”) é capaz de formar um dispositivo que gere uma relação carga/deflexão relativamente mais baixa, proporcionando, consequentemente, magnitudes de força mais leves e constantes durante sua desativação, aumentando, dessa forma, a relação momento/força e proporcionando maior movimentação radicular.


Link do artigo na Integra via Scielo:

sexta-feira, 30 de julho de 2010

O USO DO LASER NA REMOÇÃO DE BRÁQUETES CERÂMICOS: UMA REVISÃO DA LITERATURA


Nesta Monografia de 2008, apresentada ao Programa e Especialização em Ortodontia do Instituto de Ensino e Pesquisa de Cruzeiro; pela autora Dra. DANIELLA BRITO FERREIRA; Orientador: Prof. Dr. Eduardo César Werneck do IEPC - INSTITUTO DE ENSINO E PESQUISA DE CRUZEIRO CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM ORTODONTIA, Cruzeiro-São Paulo. Teve como objetivo apresentar uma revisão de literatura sobre os resultados da utilização do laser na descolagem de bráquetes cerâmicos. Com o desenvolvimento do laser na área odontológica, muitos trabalhos relataram benefícios na sua utilização, incluindo a descolagem de bráquetes cerâmicos.

Na ortodontia fixa, principalmente entre adultos, a estética da aparatologia ortodôntica vem se tornando uma exigência crescente nos consultórios. No intuito de suprir tal demanda, surgiram os bráquetes cerâmicos que apresentam como grande vantagem, o menor contraste com o esmalte dentário quando comparados com os metálicos. Entretanto, sua utilização ainda é limitada, principalmente, devido ao seu alto custo, alta resistência do atrito à mecânica de deslizamento e danos iatrogênicos ao esmalte durante a sua remoção por exercer forte união na interface compósito bráquete. Sendo assim, a impossibilidade de sofrerem distorções gera uma tensão excessiva na união esmalte-compósito, podendo favorecer o aparecimento de fraturas e danos ao esmalte dentário durante os procedimentos de descolagem pelas técnicas convencionais.

Na literatura são escassos os trabalhos que relatam as técnicas de remoção de bráquetes estéticos e seus resultados na superfície dentána e este assunto não parece ser aprofundado entre os profissionais da área de Ortodontia. Sabe-se que a descolagem não deve ocasionar irregularidades no esmalte, como estrias profundas e fraturas tanto de bráquetes metálicos quanto estéticos. As técnicas que promovem a falha de união na interface bráquete/adesivo são mais indicadas, pois a permanência de resina no dente diminui o risco da remoção de esmalte durante a descolagem. São propostos inúmeros métodos de remoção de bráquetes, dentre esses se destacam: alicate removedor de bráquetes número 347, alicate tipo How, alicate removedor de bandas, alicate de corte de amarrilho, alicate indicado pelo fabricante, pistola removedora, descolagem eletrotérmica, utilização de ultra-som e laser.

A descolagem de bráquetes cerâmicos vem se tornando um problema para os ortodontistas, face às dificuldades encontradas principalmente no que se refere ao grande número de fraturas dos mesmos e injúrias ao esmalte dental. Diante deste fato, surgiram novas técnicas de remoção e entre elas as que utilizam o amolecimento da resina através do aquecimento com irradiação laser. A grande preocupação, no entanto, reside no fato de se avaliar qual a reação pulpar decorrente deste aumento de temperatura provocado pelo laser.

A área médica foi amplamente beneficiada com o desenvolvimento dos aparelhos de laser. Com a utilização dos diferentes tipos de lasers foi possível uma grande alteração nos procedimentos médicos e odontológicos, proporcionando uma redução significativa do tempo de duração das cirurgias, na recuperação dos pacientes, nas complicações pós-operatórias e na redução de edemas. Este ainda facilitou a biorregulação dos tecidos moles e um maior controle e domínio das dores crônicas. Os dentistas verificaram que este sistema de luz poderia ser aplicado em muitos procedimentos odontológicos e que havia um futuro promissor nesta nova fonte de investigação, logo após a difusão do laser na área médica.

Conforme demonstrou Wang, Meng, Tarng, o bráquete cerâmico com base de retenção mecânica tem a vantagem de boa estética, boa rigidez e força de adesão suficiente, sem apresentar danos ao esmalte depois de sua remoção e, portanto, consideramos ser o tipo de base mais adequado para tratamento com bráquetes estéticos. Entretanto, decorrente da fragilidade e friabilidade do material cerâmico, depois de meses em utilização, a fratura pode ocorrer em partes do bráquete durante a descolagem. Neste caso, recomenda- se retirar o remanescente com brocas diamantadas, em alta rotação sempre com irrigação abundante.

Strobl K. et al (1992) estudaram a remoção de bráquetes cerâmicos da superfície do esmalte dental usando laser de CO2 e YAG verificando que nenhum dano visível à superfície do esmalte foi observado. A remoção de bráquetes sem o uso do laser resultou em um ligeiro aumento de falhas. No entanto, nenhum dano visível à superfície do esmalte do dente foi observado. As vantagens da técnica de remoção de bráquetes com laser observado neste estudo foram: o calor produzido era localizado e controlado e o método pode ser utilizado para a remoção de vários tipos de bráquetes cerâmicos, não dependendo do seu design.

O laser de CO2 foi utilizado para atacar o esmalte e descolar o bráquete in vitro e in vivo por Obata et al (1999). Foi medida a resistência de cisalhamento de bráquetes e a temperatura da cavidade pulpar, utilizando os mesmos critérios, resultando em uma menor resistência adesiva de cisalhamento e um aumento de temperatura pulpar dentro dos limites aceitáveis fisiologicamente.

Azzeh E. et al (2003) após uma revisão de literatura concluíram que desde a invenção do laser de rubi no início dos anos 60, enormes progressos foram feitos na tecnologia do laser óptico. Ortodontistas têm encontrado vários usos para lasers, incluindo a descolagem de bráquetes cerâmicos. A energia do laser degrada a resina adesiva usada na colagem dos bráquetes. Conseqüentemente, forças menores podem ser usadas quando comparadas a descolagem mecânica, reduzindo o risco de dano no esmalte. No entanto, o calor produzido por alguns lasers pode prejudicar a polpa dentária. Selecionando-se a combinação apropriada laser, resina e bráquete pode-se minimizar os riscos e tornar mais eficiente a descolagem.

A energia do laser degrada a resina adesiva usada na colagem dos bráquetes. Conseqüentemente, forças menores podem ser usadas quando comparadas a descolagem mecânica, reduzindo o risco de dano no esmalte. Com isso diminui a quantidade de resina residual na superfície do esmalte, facilitando a aproximação das condições pré-tratamento. Apesar de o laser ser muito eficaz para a descolagem de bráquetes, sem apresentar fraturas, observa-se pequenas trincas no esmalte após a irradiação. Vindo de encontro a este estudo pode-se observar que apesar facilitar a descolagem, tanto o laser quanto o método mecânico promovem a remoção de tufos de prismas de esmalte, riscos ou fissuras.

Com o desenvolvimento de utilização do laser na Odontologia, muitos trabalhos relataram benefícios na sua utilização, incluindo a descolagem de bráquetes cerâmicos. A técnica à laser para remoção de bráquetes cerâmicos parece muito promissora, no entanto, requer novos estudos para avaliar as reações pulpares.


Link do Monografia na Integra via Instituto Werneck:

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Raça versus etnia: diferenciar para melhor aplicar


Neste artigo de 2010, publicado pelo Dental Press Journal of Orthodontics, pelos autores Diego Junior da Silva Santos, Nathália Barbosa Palomares, David Normando, Cátia Cardoso Abdo Quintão; do Curso de Especialização de Ortodontia e Doutorado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal do Pará (UFPA). Esplana os dois conceitos (raça e etnia) que são confundidos inúmeras vezes, mas existem diferenças sutis entre ambos: raça engloba características fenotípicas, como a cor da pele, e etnia também compreende fatores culturais, como a nacionalidade, afiliação tribal, religião, língua e as tradições de um determinado grupo.

Embora a categorização de indivíduos em raça e etnia seja amplamente utilizada, tanto em diagnóstico quanto na pesquisa científica, seus significados são frequentemente confundidos ou mesmo desconhecidos no meio acadêmico.

O uso da raça como uma característica distintiva nas populações ou indivíduos que procuram por assistência médica é um costume bem aceito na área de saúde. Apesar da origem dessa prática refletir atitudes preconceituosas do passado, seu uso atual tem sido defendido como um meio útil de aprimoramento de diagnóstico e de esforços terapêuticos.

A classificação de raça pode ser utilizada para verificar se estudos randomizados foram bemsucedidos. Também pode ser útil para os leitores como uma descrição da população participante de um determinado estudo. Na Ortodontia, a tentativa de identificar o grupo racial em uma amostra tenta controlar a variação inerente às características faciais específicas a determinados grupos raciais.

A primeira classificação racial dos homens foi a “Nouvelle division de la terre par les différents espèces ou races qui lhabitent” (Nova divisão da terra pelas diferentes espécies ou raças que a habitam) de François Bernier, publicada em 1684.

Carolus Linnaeus (1758), criador da taxonomia moderna e do termo Homo sapiens, reconheceu quatro variedades do homem:

1) Americano (Homo sapiens americanus: vermelho, mau temperamento, subjugável);
2) Europeu (europaeus: branco, sério, forte);
3) Asiático (Homo sapiens asiaticus: amarelo, melancólico, ganancioso);
4) Africano (Homo sapiens afer: preto, impassível, preguiçoso).

Linnaeus reconheceu também uma quinta raça sem definição geográfica, a Monstruosa (Homo sapiens monstrosus), compreendida por uma diversidade de tipos reais (por exemplo, Patagônios da América do Sul, Flatheads canadenses) e outros imaginados que não poderiam ser incluídos nas quatro categorias “normais”. Segundo a visão discriminatória de Linnaeus, a classificação atribuiu a cada raça características físicas e morais específicas.

Em 1916, Marvin Harris descreveu a teoria da hipodescendência, útil na classificação de um indivíduo produto do cruzamento de duas raças diferentes. Nessa teoria, a criança fruto destecruzamento pertenceria à raça biológica ou socialmente inferior: “o cruzamento entre um branco e um índio é um índio; o cruzamento entre um branco e um negro é um negro; o cruzamento entre um branco e um hindu é um hindu; e o cruzamento entre alguém de raça europeia e um judeu é um judeu”. Em alguns países, uma regra de 1/8 ou 1/16 foi estabelecida a fim determinar a identidade racial apropriada de indivíduos oriundos de mistura de raças. Sob essas regras, se o indivíduo for, pelas linhas da descendência, 1/8 ou somente 1/16 de negro (preto uniforme), o indivíduo é também negro.

O termo raça tem uma variedade de definições geralmente utilizadas para descrever um grupo de pessoas que compartilham certas características morfológicas. A maioria dos autores tem conhecimento de que raça é um termo não científico que somente pode ter significado biológico quando o ser se apresenta homogêneo, estritamente puro; como em algumas espécies de animais domésticos. Essas condições, no entanto, nunca são encontradas em seres humanos. O genoma humano é composto de 25 mil genes. As diferenças mais aparentes (cor da pele, textura dos cabelos, formato do nariz) são determinadas por um grupo insignificante de genes. As diferenças entre um negro africano e um branco nórdico compreendem apenas 0,005% do genoma humano. Há um amplo consenso entre antropólogos e geneticistas humanos de que, do ponto de vista biológico, raças humanas não existem.

Historicamente, a palavra etnia significa “gentio”, proveniente do adjetivo grego ethnikos. O adjetivo se deriva do substantivo ethnos, que significa gente ou nação estrangeira. É um conceito polivalente, que constrói a identidade de um indivíduo resumida em: parentesco, religião, língua, território compartilhado e nacionalidade, além da aparência física.

O censo norte-americano do ano 2.000 expandiu as categorias raciais para cinco: índios americanos ou nativos do Alaska, brancos, pretos ou afroamericanos, nativos havaianos, e asiáticos.

No Brasil, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia Estatística), o censo demográfico do ano 2.000 investigou a raça ou cor da população brasileira através da autoclassificação em: branco, preto, pardo, indígena ou amarelo. Há muito na literatura a respeito de classificações raciais; no entanto, são contraditórias entre si.


CONCLUSÕES

Raça e etnia são dois conceitos relativos a âmbitos distintos.

Raça refere-se ao âmbito biológico; referindo-se a seres humanos, é um termo que foi utilizado historicamente para identificar categorias humanas socialmente definidas. As diferenças mais comuns referem-se à cor de pele, tipo de cabelo, conformação facial e cranial, ancestralidade e genética.

Portanto, a cor da pele, amplamente utilizada como característica racial, constitui apenas uma das características que compõem uma raça. Entretanto, apesar do uso frequente na Ortodontia, um conceito crescente advoga que a cor da pele não determina a ancestralidade, principalmente nas populações brasileiras, altamente miscigenadas.

Etnia refere-se ao âmbito cultural; um grupo étnico é uma comunidade humana definida por afinidades linguísticas, culturais e semelhanças genéticas. Essas comunidades geralmente reclamam para si uma estrutura social, política e um território.


Link do artigo na integra via Scielo:

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Tomografia Computadorizada Cone Beam para avaliação das alterações mandibulares após cirurgia Ortognática




Mais uma colaboração do Cirurgião Buco Maxilo Facial Dr. Marcos Oliva o resumo abaixo:

Neste artigo de 2007, Publicado pelo American Journal of Orthodontics and Dentofacial Orthopedics; pelos autores Lucia H. S. Cevidanes, L’Tanya J. Bailey, Scott F. Tucker, Martin A. Styner, Andre Mol, Ceib L. Phillips, William R. Proffit, and Timothy Turvey; da School of Dentistry, University of North Carolina, Chapel Hill, NC - Estados Unidos da America. Mostra mais uma grande aplicação da Tomografia Cone Beam, que neste artigo auxilia na visualização das estruturas ósseas pré e pós cirurgia Ortognática.

Mudanças na posição condilar após cirurgia ortognática são difíceis de identificar e prever. Os movimentos complexos durante a cirurgia necessitam claramente de uma avaliação em três dimensões para melhorar a estabilidade e reduzir os sintomas das possíveis desordens da ATM pós cirurgia. Tem sido proposto que a reposição dos côndilos poderia assegurar estabilidade cirúrgica e reduzir os efeitos nocivos para ATM e melhorar a função pós-operatória, porém a extensão das alterações de posicionamento condilar compatíveis com a função normal pós-operatória não foi estabelecida.

Os objetivos dos autores foram avaliar uma nova ferrramenta para sobrepor reconstruções 3D pré e pós operatórias de tomografias computadorizadas (TC) cone-beam e avaliar as alterações na posição do côndilo e ramo mandibular em pacientes submetidos ao recuo mandibular associado ao avanço maxilar ou apenas à cirurgia maxilar.

Foram realizadas TC uma semana antes e uma semana após cirurgia em 21 pacientes (10 pacientes de maxila/ 11 de maxila e mandíbula) e depois as imagens foram sobrepostas. Para interpretação das imagens há uma barra abaixo das figuras com escalas de cores: a cor verde significa que não houve alteração, azul movimento para dentro e o vermelho movimento para fora. Em deslocamentos anteriores o vermelho estará na região anterior e o azul na região posterior. O contrário acontece em deslocamentos posteriores.

Todos os pacientes tiveram pequenos deslocamentos na posição dos côndilos. As médias foram 0,77mm e 0,70mm para cirurgia bimaxilar e apenas maxilar, respectivamente. Todos os pacientes submetidos à cirurgia na maxila tiveram um pequeno movimento posterior do ramo (média 0.78 mm). Os pacientes submetidos à cirurgia bimaxilar tiveram um movimento posterior do ramo com uma média maior (1.98 mm). As médias das distâncias do ramo mandibular foram estatisticamente diferentes quando os dois grupos foram comparados.

Os resultados deste estudo se referem apenas a achados pós operatórios imediatos, sendo necessários estudos a longo prazo. A visualização do modelo de sobreposição em 3D e o cálculo da distância da alteração claramente identificam a localização, a magnitude e a direção da rotação mandibular. Mesmo pequenas alterações podem ser identificadas com esse método.


Link do abstract do Artigo via PubMed:

sábado, 17 de julho de 2010

Dolphin Imaging & Management Solutions















A Dolphing Imaging é uma industria de alta tecnologia que trabalha com softwares gráficos de ultima geração, que foi fundada em 1988. Os softwares desta empresa possuem varios modulos, podendo ser comprados individualmente ou completos, eles funcionam em rede ou via internet, podendo o profissional utilizá-los na sua clinica ou em qualquer outro local via WEB.

Como são muitos modulos iremos inicialmente falar do modulo Dolphin 3D software, ele é uma poderosa ferramenta de processamento de dados 3D, que permite um amplo diagnóstico em todas as especialidades da Odontologia, possibilitando assim um planjamento seguro dos procedimentos. Ele permite uma boa visualisação da anatomia crânio facial, capatadas através de Tomografias Computadorizadas Cone Bean (Já discutido anteriormente aqui no Blog), Ressonância Magnética e sistemas de cameras digitais médicas 3D.

Este Software já vem sendo utilizado para pesquisa e ensino em varios centros de estudos mundiais. Ele possui algumas caracteristicas como: Importa uma variedade de formatos dados 3D; Faz analises tridimencionais das vias aereas; Faz analise das ATMs (TMJs); Gera teleradiografias cefalométricas e panorâmicas; Possibilita medidas 2D e 3D angulares, de distâncias e de áreas; Cria animações; Entre outras funções.



Link da Empresa:



Link do Dolphin 3D Software:

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Noticias do BLOG


Dr. Marcos Oliva
Doutorando em Biotecnologia - UEFS
Mestre Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial - USP
Especialista em Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial - CBCTBMF

O BLOG Ortodontia Contemporânea, agora conta com mais um colaborador. Expoente na Cirurgia Buco-Maxilo-Facial e Cirurgia Ortognática em Salvador - Bahia, com excelente formação e casuística, o Dr. Marcos Oliva vem somar com o seu valioso conhecimento e disposição em resumir artigos de livre acesso focados em Cirurgias Buco-Maxilo-Faciais.

Os Resumos realizados pelo Dr. Marcos Oliva se juntarão apartir de agora aos artigos de Ortodontia resumidos por mim e pelo Dr. Wendel Shibasaki, tentaremos dentro do possível dividir com os colegas de todo Brasil e exterior que nos visitam diariamente os conhecimentos valiosos publicados pelos brilhantes pesquisadores nacionais e estrangeiros, em revistas e periodicos respeitados nacionalmente e Internacionalmente que disponibilizam seus artigos na Internet com livre acesso.

Abaixo artigo resumido pelo Dr. Marcos.

Abraço a Todos,

Marlos Loiola

terça-feira, 13 de julho de 2010

Modelos Ortodonticos Digitais











Fui convidado recentemente pelo Prof. Dr. Anderson Pinheiro de Freitas, Prof. Adjunto das disciplinas de Prótese Total e Materiais Dentários da FO-UFBA; Doutor, Mestre e Especialista em Dentística/Materiais Dentários – FOB-USP; Pós-Doutorado em Reabilitação pela UWO – Canadá, Coordenador do NUPRO - Núcleo de pesquisa em Reabilitação Oral / FO-UFBA; Coordenador dos Cursos de Especialização e Atualização em Prótese da CIODONTO/CENO; Coordenador do Curso de Atualização em Prótese Sobre Implantes do NUPRO/UFBA; Professor dos Cursos de Especialização e Atualização em Prótese da UFBA e tive o grande prazer de ter acesso e conheçer o processo de scaneamento a laser de modelos de gesso, que é realizado pela empresa EasyDent.
Fiquei surpreso com a velocidade do processo de obtenção dos modelos ortodonticos digitais, e sei que pelos estudos que vem sendo mostrados em artigos, este é um caminho sem volta e de suma importância para os Ortodontistas. Tanto do ponta vista do Auxilio no diagnostico (mensurações de bolton, over-jet, over-bite, distâncias inter-caninas, inter-prés, inter-molares), como também na discurssão de casos com outros colegas via WEB, como também no armazenamento, pois sabemos que os modelos de gesso oculpam espaço substâncial nos nossos consultórios.

Agradeço ao Dr. Anderson Pinheiro, Dra. Tathiane Freitas, Dra. Karla Kal, Dr.Sergio Wendel e a EasyDent pela oportunidade a mim concebida.


Link da empresa:

domingo, 11 de julho de 2010

Pensamento da Semana


"O que mais surpreende é o homem, pois perde a saúde para juntar dinheiro, depois perde o dinheiro para recuperar a saúde. Vive pensando ansiosamente no futuro, de tal forma que acaba por não viver nem o presente, nem o futuro. Vive como se nunca fosse morrer e morre como se nunca tivesse vivido."


Dalai Lama
1959

Link sobre o autor:

domingo, 4 de julho de 2010

Pensamento da Semana


"Nunca conheci um homem tão ignorante que fosse impossível aprender algo dele. "


(Galileo Galilei)

1564 -- 1642


Link sobre o autor:

quarta-feira, 30 de junho de 2010

MOVIMENTAÇÃO ORTODÔNTICA EM PACIENTES PERIODONTALMENTE COMPROMETIDOS


Nesta Monografia de 2010, apresentada ao Curso de Especialização em Ortodontia da CIODONTO, pelo autor Dr. FELIPE GONÇALVES VIEIRA, Especialista em Ortodontia em João Pessoa - Paraíba. Revisa a literatura sobre o tema, mostrando a viabilidade do tratamento ortodôntico no paciente adulto periodontalmente comprometido, bem como os benefícios da referida terapia, tendo em vista que a movimentação ortodôntica não é mais contra-indicada para pacientes com perda de inserção decorrente de patologia periodontal, ressaltando que a infecção deve necessariamente ser debelada antes do início do tratamento ortodôntico.

É grande a preocupação na sociedade contemporânea com a estética, de tal forma que as pessoas desejam ter uma boa aparência para serem inclusas no padrão estético estabelecido socialmente, e assim elevar sua autoestima, o que evidencia um alto grau de competitividade. Essas exigências estéticas têm levado a um acréscimo significante no número de pacientes adultos que buscam tratamento ortodôntico. Entretanto, grande parte desse público apresenta migrações dentárias em decorrência de patologias periodontais.

No passado, preconizava-se o tratamento ortodôntico apenas para pacientes jovens, porém, a literatura atual tem demonstrado a viabilidade desse tratamento em pacientes com idades mais avançadas. Para tal é importante a cooperação entre as especialidades da periodontia e da ortodontia, uma vez que ambas desenvolvidas com excelência clínica podem transformar pacientes que possuem sorrisos esteticamente desagradáveis, com migrações dentárias ou extrusões, e periodonto inflamado e reduzido, em pessoas com dentições e sorrisos atraentes.

Para a obtenção de um prognóstico de sucesso, tanto do ponto de vista funcional quanto estético, nesses pacientes com comprometimento periodontal, faz-se necessário a intervenção no periodonto, previamente à terapia ortodôntica, a fim de restabelecer a saúde desse tecido, uma vez que a combinação de inflamação, tracionamento ortodôntico e trauma oclusal podem produzir uma destruição mais rápida do que aquela que poderia ocorrer com inflamação isoladamente, desvirtuando assim, o objetivo do tratamento.

O ligamento periodontal está sujeito a mudanças de acordo com a idade. Ele é mais espesso na criança, adelgaçando-se com o passar dos anos devido a deposição cementária e a neoformação óssea na região antes ocupada exclusivamente pelos componentes conjuntivos do ligamento periodontal. Já o osso alveolar apresenta uma camada cortical subjacente e em contato com o tecido gengival é bastante plástico, sofrendo remodelagem por ação de pressões transmitidas pelos dentes e ligamento periodontal. Esta característica de plasticidade existe no ser humano desde a infância e adolescência, permanecendo presente na idade adulta em menor grau.

A sociedade atual, cada vez mais, dita padrões estéticos, de modo que as pessoas se sentem movidas pelo desejo de se enquadrarem dentro desse perfil, possuindo uma aparência aceitável conforme as exigências estéticas. Em conseqüência disso, autores apontam o fator estética como o principal motivador para os adultos buscarem por tratamento ortodôntico, fazendo a ressalva de que os problemas de uma dentição afetada por alguma patologia periodontal são encontrados com mais facilidade nesses pacientes se comparados com a criança e o adolescente, em especial a periodontite, que consiste em uma doença inflamatória e infecciosa, provocada por bactérias, que afeta o periodonto.

Em um periodonto intacto, forças labiais e linguais não-balanceadas são geralmente compensadas por forças do ligamento periodontal. Entretanto, quando há destruição periodontal, sua função estabilizadora não mais existe, e os incisivos começam a se mover. Uma conseqüência dessa hipótese pode ser o fato de que pessoas com doença periodontal avançada e migração dentária podem precisar de contenção permanente após a correção ortodôntica, tendo em vista que em algumas situações, a força exercida pelos tecidos moles, língua, bochechas e lábios, são causas para a migração dentária, sendo também relatada a associação dessa patologia com os hábitos de higiene oral.

Nos casos de intrusão sem higiene oral, os resultados variam de moderada reparação periodontal até o agravo da perda óssea periodontal, tendo os autores concluído que a combinação do tratamento periodontal com a intrusão ortodôntica pode alcançar uma melhoria na condição periodontal, contanto que o sistema biomecânico de forças e a higiene oral passam ser mantidos sob controle.

O objetivo primordial da terapia periodontal é restaurar e manter a saúde e a integridade dos tecidos de suporte do dente, sendo a eliminação, ou redução, do acúmulo de placa e da inflamação gengival o elemento chave no tratamento ortodôntico de pacientes adultos com doença periodontal. Corroborando neste sentido, Goldman e Cohen (1973) estabeleceram que o momento mais indicado para se iniciar a movimentação ortodôntica seria após a redução da inflamação. Especificamente, esta deveria iniciar-se após o controle de cáries, terapia endodôntica, extrações, curetagem de tecidos moles e raspagem radicular, instruções de higiene bucal e geralmente antes da contenção, estabilização, ajuste oclusal e eliminação de bolsas, pois a movimentação dentária culmina em modificações na anatomia óssea.

O tratamento ortodôntico completo ou limitado movimento dental pode ser um auxiliar para prevenir ou interceptar a progressão da doença e até ser terapêutico do ponto de vista periodontal. O não controle do processo inflamatório durante o movimento dental em um paciente periodontalmente suscetível pode resultar na perda irreversível da crista óssea, causando possivelmente mais prejuízos que benefícios ao paciente.

A intensidade da força desempenha um papel essencial. Uma força leve de 51g usada no estudo de Gordillo, foi suficiente para aumentar o volume ósseo, diminuindo as condições de inflamação, levando os autores a concluir que a aplicação de forças ortodônticas, uma vez que a infecção periodontal tenha sido controlada, contribui para o aumento do volume do osso alveolar, conseqüentemente melhorando a qualidade óssea.

O tratamento ortodôntico inadequado feito em pacientes periodontais pode certamente contribuir para o futuro colapso dos tecidos periodontais. Em particular, a combinação de inflamação, forças ortodônticas e trauma oclusal pode produzir uma destruição mais rápida do que a que ocorreria com a inflamação isoladamente. Entretanto, com a realização de um tratamento adequado, pode-se conseguir uma movimentação ortodôntica extensa em adultos com um periodonto reduzido, mas sadio, sem a conseqüente deterioração periodontal.

A cooperação entre as especialidades da periodontia e da ortodontia é indiscutivelmente importante, estas que desenvolvida com excelência clínica pode transformar pacientes que possuem sorrisos esteticamente desagradáveis, com migrações dentarias ou extrusões e periodonto inflamado e reduzido, em pessoas com dentições e sorrisos mais atraentes.

O estudo de pacientes comprometidos periodontalmente com características similares permite o autor deste trabalho sugerir a possibilidade de se realizar tratamento ortodôntico em pacientes com periodonto de inserção reduzido, porém sadio. O tratamento periodontal prévio, bem como o controle da placa bacteriana antes, durante e após o tratamento ortodôntico, constituem requisitos básicos para evitar-se maior perda do periodonto de inserção.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Utilização de microparafusos ortodônticos na correção de assimetrias













Neste artigo de 2008, publicado na Revista Dental Press, pelos autores Henrique Mascarenhas Villela, Andréa Lacerda Santos Sampaio e Fábio Bezerra; professores da ABO-BA. Mostram as aplicabilidades dos mini impantes em diversas situações.

Um dos objetivos do tratamento ortodôntico é estabelecer simetria intra-arcos e interarcos. A decisão de onde posicionar a linha mediana é importante não só por considerações estéticas, mas também porque irá determinar a posição dos dentes posteriores. Extrações assimétricas podem ser indicadas no tratamento das assimetrias dentárias e esqueléticas suaves, apesar de a complexidade da mecânica, o controle da ancoragem e os efeitos colaterais indesejáveis dificultarem o tratamento.

Buscando solucionar os problemas no controle da ancoragem, os microparafusos surgem como uma alternativa extremamente útil no tratamento das assimetrias dentárias. Por terem um tamanho reduzido, podem ser inseridos em diversos locais do osso alveolar e basal, criando um sistema de ancoragem que permite realizar movimentos dentários apenas nos locais onde se deseja. Desta forma, obtém-se uma movimentação mais previsível e controlada, sem efeitos colaterais, além de simplificar a mecânica ortodôntica.

Várias são as causas das assimetrias dentárias, dentre elas: anquilose de molares decíduos; irrupções ectópicas de unidades permanentes; perda unilateral do leeway space; ausência congênita de dentes; dentes supranumerários, hábitos e perda precoce de dentes decíduos ou permanentes. Para seu correto diagnóstico, deve ser feita uma avaliação criteriosa das características dentárias, esqueléticas e faciais do paciente, sendo que o exame facial representa a chave do diagnóstico. A avaliação dos tecidos moles da face oferece indícios dos problemas esqueléticos existentes e deve ser feita através do exame clínico e de fotografias.

A utilização de microparafusos como elementos de ancoragem simplifica a aparatologia ortodôntica e minimiza efeitos colaterais de forças indesejadas. A possibilidade de escolha do local
mais conveniente para a instalação do ponto de ancoragem permite que o sistema de forças mais
adequado para cada caso seja utilizado, aumentando a previsibilidade dos movimentos dentários
realizados. Deste modo, é possível direcionara linha de ação de força em relação ao centro de resistência do dente ou grupo de dentes, de acordo com a movimentação desejada.

Os microparafusos podem ser empregados com sucesso nos diversos tipos de assimetrias dentárias, como: inclinação do plano oclusal, desvio de linha média, relação molar assimétrica e mordida cruzada posterior unilatera. Uma das vantagens da utilização de microparafusos em relação aos elásticos cruzados é a possibilidade de atuar em apenas um arco isoladamente, evitando efeitos deletérios no arco oposto, como, por exemplo, forças extrusivas. Da mesma forma, é possível realizar a distalização unilateral em grupo, sem efeitos no hemi-arco não afetado, corrigindo simultaneamente a relação molar e a linha média. Outra grande vantagem da distalização molar com microparafuso é o controle do plano mandibular, determinado pela posição vertical do implante, que permite incorporar um componente intrusivo, quando necessário.

Com a introdução dos microparafusos na prática ortodôntica, surge uma nova opção de ancoragem absoluta, que, dentre as inúmeras aplicações clínicas, pode ser utilizada na correção de assimetrias dentoalveolares. Este recurso simplifica a mecânica ortodôntica, evita efeitos colaterais indesejáveis, produz resultados mais previsíveis, dispensa a colaboração do paciente, tem fácil aceitação, reduz o tempo de tratamento e tem se mostrado confiável ao longo do tempo, provando ser um sistema eficaz de ancoragem.

Link do artigo na integra via Scielo:

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Benefício Antecipado: uma nova abordagem para o tratamento com cirurgia ortognática que elimina o preparo ortodôntico convencional







Neste artigo de 2010, publicado pela Dental Press Journal of Orthodontics, pelo autor Dr. Jorge Faber, Editor do Dental Press Journal of Orthodontics. Doutor em Biologia – Morfologia pelo Laboratório de Microscopia Eletrônica – UnB. Mestre em Ortodontia e Ortopedia Facial – UFRJ. Apresenta um novo protocolo, denominado Benefício Antecipado, ilustra com um caso clínico esta nova abordagem.

O tratamento ortodôntico-cirúrgico convencional para correção de deformidades dentofaciais abrange, após o diagnóstico e o plano de tratamento, uma fase de Ortodontia pré-cirúrgica, a cirurgia ortognática propriamente dita e uma fase de finalização ortodôntica.

Esse método de tratamento foi testado também pelo tempo – pois é implementado há décadas – e é eficaz. Entretanto, ele tem limitações, pois, ao decidir realizar o tratamento, o paciente precisa esperar quase um ano e meio para realizar a cirurgia, bem como, na maioria dos casos, ver a sua aparência facial piorar durante esse período. Isso é um tanto paradoxal, porque muitos pacientes que procuram tratamento o fazem buscando a melhora estética, ainda que o tratamento tenha um forte cunho funcional.

Essa nova metodologia antecipa os benefícios da cirurgia e por isso foi denominada de Benefício Antecipado. Ela não muda de forma significativa a técnica cirúrgica, mas sim o tratamento ortodôntico, tornando-o mais complexo, por incorporar a ancoragem esquelética na maior parte dos casos e requerer um comprometimento do ortodontista em atingir os objetivos traçados ao início.

Quando o diagnóstico é estabelecido, delineia-se a direção geral de tratamento. Por exemplo, uma cirurgia combinada das maxilas e mandíbula para correção de uma deformidade de Classe III. Esse delineamento é discutido com o paciente e, se for o caso, também com seus responsáveis. Nem sempre um tratamento tecnicamente ideal é o indicado para aquele paciente específico. Fatores culturais, sociais e econômicos interferem na tomada de decisão do paciente. Ao profissional cabe orientar sobre as vantagens e desvantagens de cada alternativa de tratamento.

O planejamento do tratamento requer a integração de todas as especialidades envolvidas no caso. Dessa forma, quando se opta por tratar uma deformidade dentofacial englobando a cirurgia ortognática, teremos pelo menos dois planejamentos distintos, porém consonantes: o ortodôntico e o cirúrgico. Por vezes, também é necessário incluir os tratamentos periodontal, protético e restaurador, entre outros.

Uma questão deve ser definida de pronto no traçado cefalométrico: a posição final dos incisivos superiores e inferiores. Para isso, é muito importante ter analisado criteriosamente as exposições dos incisivos em repouso e ao sorrir. A definição no traçado leva em consideração tanto as inclinações quanto as posições anteroposteriores e verticais desses dentes. Caso os planos oclusais maxilar ou mandibular forem ser alterados ortodonticamente por intrusão ou extrusão dos dentes posteriores, isso deve ser planejado nesse momento. Entretanto, essas alterações, associadas ao tratamento de mordidas abertas, raramente são implementadas.

Definidas as posições dos incisivos, o passo seguinte é realizar um set up que simula a movimentação dentária ortodôntica desejada. Essa técnica já foi detalhadamente descrita em outras publicações. O propósito do set up é visualizar as movimentações dentárias como um todo. Pode-se, por meio dele, visualizar espaços protéticos ao final do tratamento, detectar a necessidade de extrações dentárias, ajustes das discrepâncias de Bolton, etc. Entretanto, acima de tudo, o set up permite identificar as necessidades de ancoragem do caso.

As principais limitações para a realização da cirurgia ao início do tratamento são as curvas de Spee muito acentuadas e as assimetrias verticais. Na primeira situação, a curva de Spee pode dificultar o estabelecimento de uma posição mandibular previsível. Já nas assimetrias, é difícil uma correta avaliação do plano oclusal e das necessidades cirúrgicas de correção da assimetria, em decorrência das diferenças de alturas entre os dentes. Nos dois casos, é recomendável alinhamento e nivelamento prévios à cirurgia.

O tratamento ortodôntico-cirúrgico pela técnica do Benefício Antecipado traz vantagens para os pacientes que se submetem a essa modalidade de tratamento. Essas vantagens advêm da eliminação do período de preparo ortodôntico convencional, antecipando o ansiado momento cirúrgico. Ao final, com ambas as técnicas alcançamos excelentes resultados tanto funcionais quanto estéticos, contudo, o adiantar da cirurgia oferece um tratamento mais focado no paciente. Sua aplicação se justifica, pois, com o novo protocolo, pode se proporcionar melhoras significativas ao início do tratamento, tanto em problemas graves de saúde como a apneia, quanto em questões estéticas da face.

É importante destacar que o tratamento pelo Benefício Antecipado causa mudanças cirúrgicas das relações dentárias que diferem muito daquelas do tratamento convencional. No novo método, trocamos um tipo de má oclusão por outro e, a seguir, tratamos a nova má oclusão. Em outras palavras, devido ao padrão típico das posições dentárias nas deformidades de Classe III, após a cirurgia, o paciente terá um Padrão I facial, mas uma má oclusão que tenderá a ser, ou será, uma Classe II. O contrário é verdadeiro para as deformidades de Classe II.


Conclusão

Em síntese, o tratamento ortodôntico-cirúrgico de Benefício Antecipado utiliza os princípios já estabelecidos na literatura odontológica para inverter os tempos de tratamento, antecipando a realização da cirurgia. Ele é vantajoso por proporcionar melhorias estéticas e funcionais mais rápidas para o paciente, e evitar a piora transitória na estética facial que acompanha muitos tratamentos de deformidades dentofaciais.


Link do artigo na integra via Scielo:

domingo, 13 de junho de 2010

Pensamento da Semana





Frase do Ônibus da Seleção Brasileira de Futebol:


"Lotado! O Brasil inteiro está aqui dentro!"

Vamos Brasil ao Hexa Campeonato da Copa do mundo de futebol da Africa do Sul !!!!!!!!!!!!!!!!!!!

terça-feira, 8 de junho de 2010

Técnica de frenectomia associada a enxerto de mucosa mastigatória: relato de caso clínico




Neste artigo de 2008, publicado pela Revista Dental Press de Periodontia e Implantodontia, pelos autores Tiago Galvão Gonçalves Neiva, Daniela Cristina Diniz Ferreira, Bruno Gadelha Fernandes Maia, Marcos Blatt, Getúlio da Rocha Nogueira Filho, Urbino da Rocha Tunes; da Implantodontia da Universidade de Santo Amaro/SP; Odontologia pela Universidade Ibirapuera/SP; Periodontia e do Curso de Graduação em Odontologia da FBDC/BA- Salvador. Apresenta um caso clínico de frenectomia associada a enxerto de mucosa mastigatória.

Frênulos labiais são pregas sagitais da mucosa alveolar, em forma de lâmina de faca, inseridas da superfície interna do lábio à gengiva da linha mediana entre os incisivos centrais superiores.

Sua função consiste em delimitar os movimentos labiais, promovendo estabilização na linha média e impedindo a excessiva exposição da mucosa gengival. Sua constituição histológica apresenta superficialmente um epitélio estratificado orto ou paraqueratinizado, no plano intermediário apresenta tecido conjuntivo denso frouxo e, no plano mais profundo, submucosa contendo glândulas mucosas e vasos linfáticos.

O frênulo quando considerado anormal pode restringir os movimentos labiais, interferir no posicionamento dentário, estabilidade de próteses, mímica facial, fonação e estética do paciente. Além disso, o espessamento do tecido na região interincisal e a tensão direta exercida sobre a gengiva marginal facilitam o acúmulo de irritantes locais, dificulta a adequada higiene bucal, contribui para o agravamento de bolsas periodontais e interfere no processo reparativo tecidual pós-raspagem.

A cicatrização após a cirurgia de frenectomia ocasiona, como resultado final, uma área com pouca gengiva ceratinizada inserida. Este fato pode produzir, na área operada, mobilidade da gengiva marginal, o que predispõe ao acúmulo de placa bacteriana, bem como a possibilidade de recidiva com reinserção das fibras do freio na mesma posição anterior à cirurgia.

Para evitar que isto ocorra, preconiza-se realizar fenestrações no tecido periodontal em regiões mais altas da inserção do freio, o que poderia impedir a recidiva. Entretanto, esta técnica traz, em alguns casos, resultados ineficazes, com limitação quanto à estética.

A técnica de frenectomia associada ao enxerto gengival livre mantém a inserção do freio distante da gengiva marginal, promovendo aumento da gengiva ceratinizada, estética consistente, bem como não promove nenhum dano da área doadora.

CONCLUSÃO

A associação do enxerto gengival livre à frenectomia representa uma boa alternativa, com aumento da gengiva ceratinizada inserida na área, proporcionando uma melhor higienização e conforto para o paciente.


Link do artigo na integra via Dental Press:

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Análise da maturação óssea em pacientes de 13 a 20 anos de idade por meio de radiografias de punho




Neste artigo de 2010, publicado pela Dental Press Journal Orthodontics, pelos autores Yasmine Bitencourt Emílio Mendes, Juliana Roderjan Bergmann, Marina Fonseca Pellissari, Sérgio Paulo Hilgenberg, Ulisses Coelho; Da Faculdade de Odontologia da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) - Paraná; Avalia um método alternativo e simplificado de tomada radiográfica, oportunizando aos implantodontistas e ortodontistas verificarem o término do crescimento ósseo, bem como as diferenças existentes entre os gêneros, em uma amostra de indivíduos de 13 a 20 anos de idade.

O entendimento dos eventos do crescimento craniofacial é de grande importância na prática odontológica. O conhecimento do exato estágio de maturidade que o paciente se encontra e do período de ocorrência do surto de crescimento puberal (SCP) pode influenciar não só o diagnóstico e prognóstico, como também a elaboração de um plano de tratamento. Sendo assim, esse conhecimento é considerado vantajoso para os tratamentos ortodônticos que necessitem do uso de dispositivos influenciados pelo estágio de maturação do complexo craniofacial. Tal fase de crescimento também auxilia na elaboração do plano de tratamento, principalmente na indicação de procedimentos cirúrgicos.

Foi reconhecido, há muito tempo, que a idade cronológica de um indivíduo necessariamente não coincide com a sua idade maturacional. Esqueletalmente, a pessoa pode ser retardada ou avançada em vários graus de divergência da idade cronológica atual. Por isso, a idade cronológica nem sempre é um bom parâmetro para a correta avaliação do estágio de maturação em que o corpo se encontra, visto que, por exemplo, o surto de crescimento puberal não ocorre na mesma época em todos os indivíduos. A idade biológica é mais confiável, porque é relatada como o direcionamento do organismo à maturidade, abrangendo modificações anatômicas, maturação dentária e esquelética, desenvolvimento de caracteres sexuais secundários, funcionamento hormonal e atividade enzimática, mesmo que esses mecanismos sejam influenciados por fatores genéticos, condições socioeconômicas, ambientais, nutricionais e de gênero.

Na Ortodontia contemporânea, a correção precoce de diversos tipos de má oclusão é favorecida quando podemos tirar vantagens dos momentos de máximos incrementos do crescimento geral e facial do indivíduo que ocorrem durante o surto de crescimento puberal. A fase de crescimento em que o paciente se encontra é, portanto, fundamental na instituição de diagnósticos precisos e prognósticos confiáveis. O estágio de desenvolvimento ósseo pode ser estimado por meio de tomadas radiográficas de punho e da maturação esquelética visualizada em radiografias cefalométricas laterais das vértebras cervicais.

Atualmente, a região do punho vem sendo amplamente estudada e empregada como área de determinação da maturação óssea, sendo sua eficácia cientificamente comprovada, por ser um exame complementar de fácil obtenção radiográfica, utilizado para diagnóstico e planejamento do tratamento ortodôntico. Diversas investigações mostraram que essas áreas representam a maturidade geral do esqueleto e, portanto, são adequadas para tal avaliação. Da mesma forma, outras especialidades necessitam do conhecimento da maturação óssea, principalmente a Implantodontia, pois o sucesso estético e funcional de um implante está associado com a completa maturação óssea.

O exato estágio de maturação em que o paciente se encontra vem sendo alvo de pesquisas para facilitar a sua obtenção, diminuir seus custos, como também diminuir a exposição dos pacientes à radiação ionizante. Silva Filho et al. avaliaram um método alternativo simplificado que consistiu em uma tomada radiográfica da região da articulação metacarpofalangeana do primeiro dedo, utilizando-se uma película radiográfica periapical. Nessa película observa-se a presença do osso sesamoide ulnar, que é indicativo, quando do seu aparecimento, que está a um ano do surto de crescimento puberal, indicando a época correta para a instalação do dispositivo ortodôntico.

CONCLUSÃO

A partir dos resultados encontrados, com a metodologia empregada, pode-se concluir que:

1) O método empregado é efetivo na predição da idade óssea do paciente, sendo um método prático, de rápida obtenção e que pode auxiliar no planejamento de implantes dentários e de tratamentos ortodônticos.

2) Existem diferenças individuais para cada grupo, o que indica que cada indivíduo, independentemente da idade cronológica, pode apresentar uma diferente idade biológica óssea.


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domingo, 6 de junho de 2010

Pensamento da Semana


"É melhor calar-se e deixar que as pessoas pensem que você é um idiota do quer falar e acabar com a dúvida."


Abraham Lincoln


1809 -- 1865


Link sobre o autor:

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Técnica cirúrgica conservadora para extração no segmento de incisivos inferiores










Neste artigo de 2005, publicado pela Revista Dental Press, pelos autores Reinaldo Mazzottini, Leopoldino Capelozza Filho, Mauricio de Almeida Cardoso, de Bauru e Araçatuba - São Paulo. Mostram as possibilidades de se lançar mão nas indicações e utilização das exodontias de incisivo inferior objetivando uma boa finalização ortodontica.

Pode parecer anacrônica a discussão acerca do procedimento cirúrgico de extração no segmento de incisivos inferiores, principalmente pela falsa impressão de simplicidade na execução do mesmo. A anatomia dos incisivos, dentes normalmente uniradiculares, favorece, mas a fragilidade óssea na região anterior da sínfise mandibular é muitas vezes negligenciada no procedimento cirúrgico. Essa manobra assume importância inusitada quando a extração do incisivo é indicada no contexto de um tratamento ortodôntico, com movimentação de dentes na região. Isso justifica a apresentação de uma técnica para extração no segmento anterior inferior, visando preservar a integridade do osso alveolar e periodonto na região da extração.

A extração de incisivos inferiores tem sido cada vez mais utilizada na Ortodontia contemporânea, fato este inconteste pelo crescente aumento de pacientes adultos no cotidiano da clínica. Os pacientes submetidos a tal procedimento encontram-se geralmente na dentadura permanente madura, onde a queixa estética é proporcional à ansiedade para o término do tratamento. O tratamento ortodôntico a ser realizado nestes pacientes não deve apresentar a característica de reestruturação, limitando-se à correção localizada (in loco) da queixa do paciente, reduzindo o tempo de tratamento.

No que concerne à estabilidade, não há um consenso na literatura. Nos estudos onde a instabilidade foi detectada, o critério para seleção das amostras pode ser questionável. A indicação para extração no segmento anterior inferior, segundo Silva Filho et al., baseia-se na condição morfológica inicial, independente da estabilidade. Clinicamente, as alterações na forma do arco dentário inferior tendem a ser menores com este procedimento, sendo determinante para a estabilidade pós-tratamento.

O tratamento ortodôntico com indicação de extração no segmento anterior depende de uma interação com o cirurgião, com melhores resultados quando realizado em equipe. Isto é desejável para o ortodontista, minimizando os riscos, e essencial para o paciente. Qualquer seqüela causada por um procedimento cirúrgico mal executado colocará em risco o sucesso do tratamento. O tempo de tratamento necessário para a recuperação óssea na região será maior e as limitações estéticas podem se fazer presentes.

Link do Artigo na Integra via Dental Press:

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Um Caso de Difícil Solução, Facilitado pelo Autotransplante: Agenesia de um Incisivo e de Dois Pré-molares Inferiores, Trespasse Vertical Acentuado








Neste artigo traduzido de 2001, publicado pela Revista Dental Press, pelos autores Arild Stenvik e Björn U. Zachrisson; do Departamento de Ortodontia, Faculdade de Odontologia, Universidade de Oslo, Oslo, Noruega. Mostra um plano de tratamento, no qual realizou-se o autotransplante de dois pré-molares superiores em desenvolvimento, para a região posterior da mandíbula.

Há uma concordância quanto à dificuldade de se obter um resultado ortodôntico satisfatório em pacientes com ausência congênita de um incisivo inferior. Isto é particularmente real nos casos de pacientes que também apresentam um trespasse vertical acentuado antes do tratamento. A experiência clínica demonstrou que uma sobremordida profunda, associada à presença de apenas três incisivos inferiores, pode se agravar com o tratamento ortodôntico. De fato, se um incisivo inferior for extraído como parte do plano de tratamento, o colapso vertical e lingual esperado na região ântero-inferior pode ser utilizado como uma vantagem ortodôntica para melhorar a oclusão nesta região, nos casos de Classe III combinada e nos casos com uma tendência de mordida aberta anterior.

Se um caso específico apresentar agenesia de ambos os segundos pré-molares inferiores, simultaneamente à ausência de um incisivo inferior e trespasse vertical acentuado, a situação, do ponto de vista ortodôntico, torna-se complicada. O objetivo desse artigo é descrever o resultado do tratamento ortodôntico para tal caso, que foi tratado por um residente em Ortodontia (Dr. L. Fernandes) sob a supervisão do autor, no Departamento de Ortodontia, da Universidade de Oslo. Será demonstrado que o autotransplante de dois pré-molares superiores em desenvolvimento para a região póstero-inferior constituiu-se de uma parte importante no plano de tratamento.

Após diversas consultas, onde o plano de tratamento foi discutido, decidiu-se, aproximadamente um ano antes do início do tratamento, que os dois segundos pré-molares superiores seriam transplantados para o arco inferior, na época adequada para a intervenção cirúrgica. O segundo pré-molar superior esquerdo foi transplantado para a região do segundo pré-molar inferior, após a extração do segundo molar decíduo, em maio de 1995. O segundo pré-molar superior direito foi transplantado em outubro do mesmo ano. Em ambos os casos, os dentes apresentavam aproximadamente dois terços de desenvolvimento radicular na época da cirurgia. Os transplantes foram realizados por um cirurgião-dentista experiente (Dr. A. Heyden), no Departamento de Cirurgia Oral e Medicina Oral, da Universidade de Oslo, Noruega.

Sem sombra de dúvida, os detalhes mais interessantes desse caso não estão relacionados à correção da oclusão ou do trespasse vertical, apesar da ausência de um incisivo inferior. O mais fascinante foi o desenvolvimento radicular continuado e o resultado final dos pré-molares superiores autotransplantados em seus novos locais na mandíbula. Ambos os pré-molares continuaram seu desenvolvimento radicular após a operação e desenvolveram quase que o comprimento radicular total. Isso está em conformidade com as observações prévias.

Diversas condições favoráveis contribuíram para o sucesso nesse caso de difícil solução. O autotransplante de dois pré-molares em desenvolvimento, fundamental para se alcançar essa solução de tratamento biológico, trata-se de uma técnica fascinante.


Link do artigo na integra via Dental Press: